sábado, 24 de abril de 2021

 

“INVASÃO” (“BREAKING IN”), 2018, Estados Unidos, disponível na Netflix, 1h28m, direção do australiano James McTeigue, seguindo roteiro assinado por Jaime Primak Sullivan. Começa o filme e você já toma um susto diante de uma cena de atropelamento muito bem realizada. Um corredor de meia idade é surpreendido por um carro ao atravessar a rua. Morreu na hora. Um corte rápido e aparece Shaun Russell (Gabrielle Union) dirigindo seu carro por uma estrada com os dois filhos pré-adolescentes como passageiros, Jasmine (Aijona Alexus) e Glover (Seth Carr). O destino de Shaun é uma casa isolada no meio do mato, toda incrementada na base da tecnologia, aquela do tipo que você usa um controle e abre janelas, portas, toca um som e acende a luz. A tal casa pertencia ao pai de Shaum, o cara que morreu atropelado. No fim da tarde, depois de conhecerem todos os cômodos, mãe e filhos são surpreendidos por quatro assaltantes. Shaun fica fora da casa, enquanto seus filhos ficam presos com os bandidos, cujo objetivo da invasão é roubar o dinheiro que está em um cofre. Daí para a frente, até o desfecho, você vai acompanhar, com um frio na barriga a cada cena, uma mãe desesperada e ao mesmo tempo raivosa tentando entrar na casa e salvar as crianças. A atriz Gabrielle Union esbanja vitalidade física para encarar os desafios das cenas de ação, que são muitas durante o filme. O roteiro soube segurar o clima de suspense do começo ao fim, mesmo que o cenário seja apenas uma casa perdida no mato e poucos protagonistas. Também estão no elenco Billy Burke, Richard Cabral, Levi Meaden e Mark Furze. “Invasão” é um bom suspense que merece ser conferido.            

quinta-feira, 22 de abril de 2021

 

“MADAM CHIEF MINISTER”, 2020, Índia, 2h4m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Subhash Kapoor. Trata-se de um drama político aparentemente ficcional, mas que revela muito sobre o que acontece nos bastidores da política indiana. Se você acha que a política brasileira é podre, assista a esta produção de Bollywood e você acabará achando nossos políticos uns santos. A história é ambientada em 1982 e conta a trajetória de uma menina pobre da casta Dalit, cujos integrantes são considerados na sociedade indiana como párias, intocáveis e impuros. Tara Roopram (Richa Chadda) cresceu na base do sofrimento em meio à pobreza e à discriminação até chegar ao cargo de primeira-ministra de Uttar Pradesh, o estado mais populoso da Índia (200 milhões de habitantes segundo censo de 2010). Ainda jovem, Tara conheceu Indramani Tripathi (Akshay Oberoi), com quem teve um caso. De uma casta superior e pretendente a um cargo político, Tripathi terminou o romance quando ela anunciou a gravidez, humilhando-a por pertencer à casta tão inferior. Mas não ficou só nisso. Ele mandou seus capangas espancarem a moça com chutes na barriga para provocar o aborto. Tara prometeu se vingar, mas não na base da violência. Ela ingressou na política para acabar com Tripathi. Sem contar seu desejo de vingança, Tara foi acolhida por seu tio, o mestre Surajbhan Masterji (Saurabh Shukla), líder de um partido político até então de pouca expressão em Uttar Pradesh. Com o apoio e os conselhos de Masterji, Tara disputou várias eleições até chegar ao cargo máximo na hierarquia política daquele estado indiano. Em sua trajetória, porém, ela sofrerá muitos dissabores, muitos deles colocando sua vida em constante perigo. Corajosa, ela enfrentou os desafios sem jamais ceder nos seus ideais. Além de bonita e talentosa, a atriz Richa Chadda carrega o filme nas costas, com uma atuação primorosa. Vale a pena assistir “Madam Chief Minister”, nem que seja para ficar por dentro da podridão da política indiana. O diretor Subhash Kapoor tem muito autoridade sobre o assunto, já que por muitos anos trabalhou como jornalista político.      

quarta-feira, 21 de abril de 2021

 

“INVISÍVEL” (“INVISIBLE”), 2017, Argentina, 1h27m, roteiro e direção de Pablo Giorgelli (do aclamado “Las Acacias”). O filme acompanha a rotina diária da jovem Ely (Mora Arenillas), de 17 anos. Ela mora com a mãe Susana (Mara Bestilli) em um conjunto habitacional do Bairro Boca, em Buenos Aires, cursa o último ano do ensino médio e é funcionária de um pet shop. Além de cuidar da mãe, que se encontra em depressão e não sai de casa, Ely tem como única diversão transar de vez em quando com Raúl (Diego Cremonesi), o filho do dono do pet shop, no banco traseiro do carro dele. Um dia, porém, ela descobre que está grávida e fica sem saber o que fazer. O certo é que não quer ter o filho. Porém, fica indecisa entre tomar algum remédio ou fazer um aborto. Uma colega do colégio aconselha o remédio, enquanto Raúl, o pai, insiste em que ela faça um aborto e até conseguiu uma clínica. A indecisão de Ely alimenta a história até o desfecho. Aviso desde já: “Invisível” não é um filme fácil de digerir. É depressivo e baixo astral ao extremo, tem um ritmo por demais vagaroso e até cansativo em alguns momentos. Há poucos diálogos, o silêncio tomando conta da maioria das sequências. É flagrante também o seu baixo orçamento, evidenciado pela produção simples, quase amadora, além de um elenco bastante reduzido. “Invisível” é apenas o quarto filme da jovem atriz Mora Arenillas (o mais recente é “La Chica Nueva”), que mostra muito talento em sua interpretação da jovem desiludida com a vida, triste e amargurada. O filme foi visto por aqui durante o 19º Festival Internacional de Cinema do Rio. Quem pretende assistir a um entretenimento leve e agradável deve passar longe deste drama argentino, disponível na plataforma Netflix.   

terça-feira, 20 de abril de 2021

 

“VERÓNICA”, 2017, México, 1h21m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Carlos Algara e Alejandro Martinez-Beltran. Filmado em preto-e-branco, trata-se de um suspense psicológico cuja personagem principal é justamente uma psicóloga (Arcélia Ramirez). Depois de sofrer um esgotamento físico e mental, ela abandona a profissão e se enclausura numa casa de campo. Certo dia, porém, ela recebe um telefonema de uma moça que se tratava com seu antigo professor. A princípio, a psicóloga recusa o trabalho, mas acaba aceitando depois da promessa de receber um valor dez vezes maior do que costumava cobrar por uma consulta. A condição é que a nova paciente se hospede na casa para um período de terapia intensiva. Dessa forma, entra na história Verónica de La Serna (Olga Segura), uma jovem problemática e que, aos poucos, acaba revelando muitos traumas de infância, principalmente relativos à sua mãe. Durante as sessões, o que se vê é um embate psicológico entre as duas, praticamente as únicas protagonistas de toda a história. Apesar da falta de entendimento, começa entre as duas um jogo de conquista e sedução, o que acaba gerando algumas sequências eróticas.  Embora o cenário seja inteiramente ambientado dentro de uma casa e o elenco esteja resumido às duas atrizes, o filme não chega a entediar. A dupla de diretores acerta no ritmo do suspense, criando a expectativa para o desfecho, o que realmente acontece com uma surpreendente reviravolta. Um prato cheio para estudantes e profissionais da psicologia.             

segunda-feira, 19 de abril de 2021

 

“O BOM SAM” (“GOOD SAM”), 2019, coprodução EUA/Canadá, distribuição Netflix, 1h30m, segundo longa-metragem dirigido por Kate Melville (o primeiro foi “Picture Day”, de 2012), seguindo roteiro de Teena Booth. Trata-se de uma adaptação do romance homônimo escrito por Dete Meserve. Sabe aquele filme bobinho próprio para uma sessão da tarde com pipoca? Pois é, “O Bom Sam” é isso, um misto de filme com mensagem de solidariedade humana e comédia romântica. Kate Bradley (Tiya Silcar) é repórter de uma rede de TV especializada em cobrir desastres, incêndios e outras tragédias. Por isso, é chamada de “repórter abutre”. Um dia, porém, seu chefe David (Mark Camacho) a encarrega de uma pauta bastante amena. Cobrir o caso de um benfeitor que colocou um saco de dinheiro na porta de uma mulher. Muito a contragosto, Kate vai atrás da matéria e fica indignada ao saber que o tal doador permaneceu anônimo. As doações, cada uma de 150 mil dólares, prosseguiram mais outras vezes e o caso virou um mistério que chamou a atenção do país inteiro. O que se sabia era que as pessoas “premiadas” passavam por dificuldades financeiras ou prestavam serviços para alguma entidade beneficente. Dessa forma, as reportagens de Kate fizeram a audiência de sua emissora subir às alturas. Ela virou uma celebridade televisiva, ainda mais depois de revelar a identidade do doador. Perto do desfecho, porém, acontece uma reviravolta surpreendente. Mais não dá para contar. De qualquer forma, “O Bom Sam” é um entretenimento leve, agradável de assistir e não ofende a nossa inteligência, mas não apresenta nada de especial que mereça uma indicação entusiasmada.          

domingo, 18 de abril de 2021

 

“UN PADRE NO TAN PADRE” (padre em espanhol quer dizer pai), 2016, México, 1h34m, disponível na Netflix, direção de Raúl Martinez Resendez e roteiro de Alberto Bremer. Em outros tempos, esta comédia mexicana seria chamada de uma grande bobagem, plenamente descartável. Mas nessa atual fase de pandemia e tristeza, pode ser encarado com um entretenimento agradável de assistir. Na verdade, é um filme que pode ser dividido em duas partes. Na primeira, que vai até pouco mais da metade da projeção, é uma comédia que realmente faz rir. Na segunda parte, o enredo desanda de vez, transformando-se num dramalhão entediante. Mas a parte da comédia, a primeira, funciona muito bem e garante boas risadas. Vamos à história. Don Servando Villegas (Héctor Bonilla), beirando os 90 anos, é um velho rabugento, brigão, arrogante, homofóbico e racista. É o demônio em pessoa. Ele é o horror da casa de repouso em que vive há anos. Ninguém gosta dele, nem os internos e muito menos os enfermeiros. Ele é prepotente ao extremo, dá ordens como se fosse um general e bengaladas em quem não se comportar como ele exige. Chega o dia em que a direção do asilo resolve expulsá-lo, depois que ele agrediu dois funcionários, um deles filho do próprio diretor. Sobrou para o filho Francisco, o “Fran” (Benny Ibarra), que nunca se deu com o pai. Fran vive numa comunidade na base do estilo hippie, todos vegetarianos e amantes de um bom baseado – um deles, inclusive, planta a maconha no jardim da casa. A chegada do velho Servando tumultua a vida da “família” hippie, gerando ótimas sequências de humor. Só que tudo vira um drama entediante depois da segunda metade da projeção, o que acaba prejudicando o resultado final. Para quem era viciado na série “Chaves” talvez lembre do ator  Héctor Bonilha, que apareceu em alguns capítulos como o galã que chega à vila e faz o coração da mulherada bater mais forte. Trocando em miúdos, “Un Padre no Tan Padre” é uma divertida comédia e um drama entediante. Só a primeira parte vale a pena.         

sábado, 17 de abril de 2021

 

“RADIOACTIVE”, 2019, Inglaterra, 1h51, direção de Marjane Satrapi, seguindo roteiro escrito por Jack Thorne. Trata-se da cinebiografia da cientista Marie Curie, cujas descobertas, ao lado do marido Pierre Curie, permitiram importantes avanços tecnológicos. Eles encontraram, por exemplo, dois novos elementos químicos, o rádio e o polônio, que seriam fundamentais para o desenvolvimento da radioatividade. O filme mostra o início do trabalho da cientista polonesa Maria Slodowska, as dificuldades para ser aceita no meio científico de Paris, o casamento com o também cientista Pierre Curie e a incrível descoberta que lhes valeu dois Prêmios Nobel. O filme destaca não apenas as virtudes da descoberta do casal Curie e sua contribuição para a medicina, mas também o seu lado funesto, como a criação da bomba atômica e das usinas nucleares. Para escrever o roteiro, Jack Thorne (“Enola Holmes” e “Extraordinário”) se inspirou no romance gráfico “Radioactive: Marie & Pierre Curie: A Tale of Love and Fallout”, de Lauren Redniss. A diretora franco-iraniana Marjane Satrapi, que além de cineasta, atriz e escritora, também trabalha como ilustradora e romancista gráfica, não teve dificuldade em dirigir a adaptação para o cinema. Ela realizou um excelente trabalho de cenografia, criando com bastante realismo a Paris como era no final do século 19 e começo do século 20, embora as filmagens tenham ocorrido em Budapeste (Hungria). O elenco é mais um trunfo: Rosamund Pike como Marie Curie, Sam Riley como Pierre Curie, Anya Taylof-Joy (da série “Gambito da Rainha”) como Irène, a filha mais velha dos Curie, e Aneurin Barnard como Paul Langevin, assistente e mais tarde amante de Marie. “Radioactive” estreou como atração principal de gala na noite de encerramento do Festival Internacional de Cinema de Toronto/2019 e está disponível na plataforma Netflix. Imperdível!       

quinta-feira, 15 de abril de 2021

 

“A FORÇA DA NATUREZA” (“FORCE OF NATURE”), 2020, Estados Unidos, 1h31m, produção original Netflix, direção de Michael Polisch, seguindo roteiro assinado por Cory Miller. Trata-se de um filme de ação cuja história começa com o detetive Cardillo (Emile Hirsch) em meio a uma missão em Nova Iorque. Ele faz uma besteira e mata quem não devia. Dessa forma, como punição, ele é enviado para trabalhar como policial de rua em San Juan, capital do estado americano de Porto Rico, e sua parceira será a novata Jess Peña (Stephanie Cayo). Em seu primeiro dia de trabalho, a dupla recebe a incumbência de retirar os moradores que se recusam a abandonar um prédio que corria risco por causa da chegada de um furacão. Trata-se de um imóvel simples, de apenas quatro andares. Aqui começa a série de absurdos do deplorável roteiro. Um dos moradores é um negro que cria uma fera – ninguém saberá, até o final, se é um um tigre, um leão ou um leopardo – treinada para matar policiais. Em outro apartamento reside o policial aposentado Ray Barrett (Mel Gibson), que está muito doente. No apartamento, cuidando dele, está sua filha, a médica Troy (Kate Bosworth). Outro morador é um senhor chamado Bergkamp (Jorge Luiz Ramos), cujo pai militou no exército nazista durante a Segunda Grande Guerra. Enfim, um balaio de gatos. Não bastasse a chuva torrencial que acompanha o furacão, chega ao prédio uma gangue de assaltantes comandada por um chefão violento (David Zayas). Os bandidos têm a informação de que um dos moradores do prédio possui uma valiosa coleção de quadros famosos. A confusão está formada. Além de terem que lidar com os moradores teimosos, a dupla de policiais é obrigada a enfrentar os bandidos, que estão fortemente armados. Os furos do roteiro são tão ridículos que nem vale a pena mencionar. É assistir para perceber. As situações são previsíveis demais, constrangedoras. E os diálogos, então, uma ofensa aos neurônios. Não sei porque Mel Gibson topou participar desse desastre – e não estou falando do furacão. Deve estar precisando de grana. Além da esposa Kate Bosworth, também trabalha no filme, num pequeno papel, a filha do diretor, Jasper Polish, todos cúmplices desse abacaxi. Resumo da ópera: “A Força da Natureza” é um verdadeiro atentado à nossa inteligência e, desde já, deve ser colocado na lista dos piores da Netflix.         

 

“O FASCÍNIO” (“IL LEGAME”), 2020, Itália, 1h33, produção original Netflix (estreou dia 2 de outubro de 2020), direção de Domenico Emanuele de Feudis, que também assina o roteiro com a colaboração de Daniele Cosci e David Orsini. Trata-se de um filme de terror sobrenatural que explora possessão, bruxaria e feitiçaria. A história começa com uma jovem sendo submetida a um ritual aparentemente de exorcismo. De início, não há qualquer explicação sobre o motivo, só no desfecho. Alguns anos depois, Francesco (Ricardo Scamarcio) aparece levando sua namorada Emma (Mía Maestro) e a filha dela, Sofia (Giulia Patrignani), para a casa onde vive sua mãe Teresa (Martella Lo Sardo), numa região rural do sul da Itália. A intenção é apresentar Emma como sua futura esposa. Mas tem alguém que não vai gostar da novidade. E esse alguém é uma entidade sobrenatural, que vem não só assombrar a casa, mas também entrar no corpo da pequena Sofia. Haja mandinga para afastar a peste. Com a ajuda de Sabrina (Rafaella D’Avella), sua velha empregada, Teresa inicia uma série de rituais baseados em superstições locais. “O Fascínio” – na Itália a palavra também é entendida como “olho gordo” – é repleto de clichês utilizados em muitos filmes de terror, além de fazer referências a alguns clássicos do gênero, como “O Exorcista” (a mesma cara assustadora da possuída Linda Blair), “O Bebê de Rosemary” (o carrinho de bebê) e “Bruxa de Blair” (as cenas noturnas). O que me decepcionou foi o trabalho do astro italiano Ricardo Scamarcio, que atua no piloto automático e sem qualquer demonstração de que está se esforçando no papel, ao contrário de tantos outros filmes que vi com ele. Para compensar, a atriz argentina Mía Maestro dá conta do recado e praticamente domina o filme. Para quem é fã do gênero e gosta de tomar uns sustos, “O Fascínio” não decepciona.    

 

        

segunda-feira, 12 de abril de 2021

“NOITE NO PARAÍSO” (“NAK WON EUÍ BAM”), 2020, Coréia do Sul, 2h11m, roteiro e direção de Park Hoon-Jung. Não é de hoje que o cinema sul-coreano tem se destacado no cenário internacional, atingindo seu auge com as premiações de “Parasita”, como o Oscar de Melhor Filme em 2020 e a Palma de Ouro em Cannes (2019), entre tantas outras pelo mundo afora. Há muito tempo que venho admirando os filmes sul-coreanos, principalmente os de ação. Por isso, não foi nenhuma surpresa ter gostado tanto de “Noite do Paraíso”, recém-chegado à plataforma Netflix. É uma história de gângsters, de honra e vingança. O personagem principal é Park Tae-Goo (Tae-Goo Um), integrante da gangue chefiada por Yang (Park Ho-San), concorrente no crime com a mais poderosa família mafiosa de Seul. As duas gangues viviam um período de trégua, mas não por muito tempo. Depois que sua irmã e sua sobrinha são mortos em um atentado, Park vai atrás do responsável, justamente o chefão da gangue rival. Depois disso, ele se esconde numa fazenda na remota ilha de Jeju, situada entre a Coreia do Sul, China e Japão. É lá que ele conhece Jae-Yeon (Jeon Yeo-Been), uma jovem problemática que sofre de uma doença terminal e que será a companheira do gângster fugitivo até o final do filme. “Noite no Paraíso” é um filme de muita ação e violência explícita, mas tem seus momentos de calmaria em cenas que poderiam ser descartadas para não alongar tanto a duração. De qualquer forma, é mais um filme de ação sul-coreano de muita qualidade. O filme estreou na programação oficial da 77ª edição do Festival de Cinema de Veneza, recebendo muitos elogios da crítica especializada e do público. Na avaliação do rigoroso site Rotten Tomatoes, o filme recebeu 71% de aprovação, índice muito difícil de se atingir. Resumo da ópera: "Noite no Paraíso" é um filme eletrizante. Vale a pena!                            

        

       

 

“ARRANHA-CÉU: CORAGEM SEM LIMITE” (“SKYSCRAPER”), 2018, Estados Unidos, 1h49m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Rawson Marshal Thurber. Podem falar à vontade que se trata de um filme de ação repleto de clichês e uma história fraca e fantasiosa. Podem até criticá-lo por isso, mas o filme é um entretenimento de primeira, com muitas sequências de ação recheadas de  ótimos efeitos especiais. Eu, que sofro de acrofobia (medo de altura), passei grande parte do filme com arrepios de vertigem. Bem, mas vamos à história. Will Sawyer (o brucutu Dwayne Johnson) é um ex-fuzileiro naval e ex-líder de um grupo de resgate do FBI que numa missão contra terroristas perdeu uma perna numa explosão. Passou então a trabalhar como consultor de segurança especializado em arranha-céus. Anos depois, ao se destacar nesse trabalho, ele é contratado pelo magnata chinês Zhao Long Ji (Chin Han) para criar e coordenar o sistema de segurança de um arranha-céu de mais de 200 andares em Hong Kong. Prestes a ser inaugurado, o prédio é invadido por terroristas, que colocam fogo em um dos andares, sendo que pouco acima moram a mulher e os filhos de Sawyer, que no momento da invasão estava fora do prédio. A partir daí, ele vai tentar de todas as maneiras ingressar no arranha-céu para salvar a família. Um detalhe: a polícia de Hong Kong acha que ele é o culpado pelo incêndio e cerca o prédio para prendê-lo. Dessa forma, a única maneira que Sawyer encontra para ter acesso ao arranha-céu é utilizar um guindaste gigante. Tudo isso com a polícia em seu encalço, além dos terroristas que terá de enfrentar. Ele terá que dar uma de super-herói, com perna mecânica e tudo mais. Desde o início, o filme não economiza na ação e até o desfecho o ritmo é alucinante, de tirar o fôlego. Completam o elenco Neve Campbell, Roland Moher, Hannah Quinlivan e Noah Taylor. Embarque nessa aventura sem medo de ser feliz.                        

        

       

sábado, 10 de abril de 2021

 

“ESTRANHOS EM CASA” (“FURIE”), 2019, coprodução França/Bélgica, 1h38m, disponível na plataforma Netflix, direção de Olivier Abbou, que também assina o roteiro com a colaboração de Aurélien Molas. É bom avisar logo de cara que o filme pode desagradar aos mais sensíveis, pois é muito violento e perturbador. Não que seja ruim, pelo contrário, mas passa longe de um entretenimento leve e agradável. A história é baseada em fatos reais, o que já é um ponto positivo. O professor de História Paul Diallo (Adama Niane) leva sua mulher Chloé (Stéphanie Caillard) e seu filho para uma viagem de dois meses pela Europa de trailer, deixando a casa aos cuidados de Sabrina (Marie Bourin), a babá do seu filho. Quando retornam, eis que se defrontam com uma surpresa inusitada e desagradável: a babá e o marido, que tinham uma procuração para qualquer emergência, modificam em cartório o título de propriedade da casa e se transformam nos proprietários. Revoltados, Paul e Chloé entram na casa para tirar satisfação com os pilantras, mas a polícia logo chega e os detêm por invasão de domicílio. Eles resolvem então alugar uma vaga num estacionamento e ficam morando no trailer. De índole pacífica, contrário a qualquer tipo de violência, eles contratam uma advogada para ingressar com uma ação na justiça para recuperar a casa. Não dá certo. Nesse ponto, o roteiro faz questão de fazer uma crítica contundente não só ao sistema judiciário francês, como também à infernal burocracia dos cartórios. Ao mesmo tempo, Paul faz amizade com Mickey (Paul Hamy), o dono do estacionamento e, por coincidência, antigo namorado de Chloé. Até pouco mais da metade, o filme transcorre num clima de suspense psicológico, sugerindo que algo de muito ruim está para acontecer. A partir dos trinta minutos finais, o que se vê é uma sequência de cenas de extrema violência, incluindo torturas sádicas e muito sangue jorrando. “Estranhos em Casa”, portanto, pode ser qualificado como um dos filmes mais violentos dos últimos anos. E se você pensar ainda que tudo aconteceu de verdade, a sensação, ao assistir, não é das melhores. Haja estômago!                  

quinta-feira, 8 de abril de 2021

 

“PARMANU: A HISTÓRIA DE POKHRAN” (“PARMANU: THE STORY OF POKHRAN”), 2018, Índia, 2h09m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Abhishek Sharma. Drama histórico baseado em fatos reais, ou seja, os testes nucleares realizados pela Índia nos dias 11 e 13 de maio de 1998, durante os quais cinco bombas foram detonadas (uma de fusão e as outras 4 de fissão). O filme apresenta o contexto histórico e político pós-Guerra Fria, com a Índia isolada no cenário internacional, enquanto seu rival, o Paquistão, desenvolvia seu programa nuclear. Dessa forma, o governo indiano achou por bem realizar uma demonstração de força, o que originou a Operação Shakti, cujo principal objetivo era colocar a Índia na posição de um estado nuclear de pleno direito e, com isso, ser respeitada no cenário internacional. O filme relata os bastidores desse trabalho, começando pela formação de uma equipe de especialistas chefiada pelo engenheiro nuclear Ashwat Raina (John Abraham). Para não despertar possíveis reações internacionais contrárias ao projeto, tudo foi realizado secretamente. O local escolhido foi o campo de testes de Pokhran, no deserto do Thar, estado indiano do Rajastão. Para evitar que toda a operação fosse detectada por um satélite espião dos Estados Unidos, os especialistas trabalhavam utilizando as brechas as quais chamaram de pontos cegos, ou seja, aqueles momentos em que o satélite não tinha a visão do território indiano. Além disso, havia um agente da CIA (Mark Bennington) em território indiano tentando descobrir o local dos testes e quando seriam realizados. O filme consegue, com muita competência, mostrar a aflição dos especialistas indianos diante dos desafios de colocar em prática o projeto correndo contra o tempo, o que acabou gerando ótimas sequências de suspense no filme. Claro que há um exagero evidente em exaltar o patriotismo dos indianos pelo sucesso da execução dos testes. Só faltou incluir na trilha sonora o “Jana Gana Mana”, hino oficial da Índia. Não faltaram, porém, aquelas cantorias patrióticas irritantes exaltando o país de Gandhi. Nada disso, porém, tira os méritos de “Parmanu”, um excelente drama histórico que merece ser conferido.                        

        

       

quarta-feira, 7 de abril de 2021

 

“FUJA” (“RUN”), 2020, Estados Unidos, 1h39m, produção original Netflix, direção de Aneesh Chaganty, que também assina o roteiro com a colaboração de Sev Chanian. É um suspense de primeira, angustiante do começo ao fim. Começa no hospital, quando Diane Sherman (Sarah Paulson) acaba de dar à luz um bebê prematuro que dificilmente sobreviverá. O filme dá um salto de 17 anos. Aquele bebê é agora uma jovem chamada Chloe Sherman (Kiera Allen), que vive enclausurada em casa numa cadeira de rodas, recebendo todos os cuidados de Diane. Afinal, além da paralisia da cintura para baixo, Chloe tem asma, arritmia, hemocromatose e diabetes. Diante desse quadro infeliz, Diane se dedica integralmente à filha problemática, inclusive educando-a em casa, já que proibiu que ela fosse para a escola. Um dia, porém, a jovem fica desconfiada de um novo remédio que é obrigada a tomar e pergunta à mãe para que serve. Diane dá uma resposta evasiva que faz Chloe acender uma luzinha de alerta. Isso tudo acontece em poucos minutos de filme. Dali para a frente, a menina passa a investigar o que está realmente acontecendo e, sem querer, acha uns documentos muito reveladores sobre a mãe. O filme se transforma num jogo sinistro, um verdadeiro embate físico e psicológico entre mãe e filha, com sequências de tirar o fôlego. E olha que o filme quase inteiro é ambientado num único cenário, ou seja, a casa em que vivem, além de algumas outras cenas em um hospital. E com apenas dois personagens, a mãe e a filha, e mesmo assim o ritmo do suspense é alucinante. Méritos ao diretor de origem indiana Annesh Chaganty. Este é o seu segundo longa-metragem. O primeiro foi um outro suspense, “Buscando...” (“Searching”), de 2018, muito elogiado pelo público e pela crítica. É bom guardar o nome desse jovem diretor, de apenas 30 anos, que já demonstra talento para se tornar um cineasta de destaque no mundo cinematográfico. Também é preciso destacar o desempenho fantástico das duas atrizes principais, especialmente a estreante Kiera Allen, que na vida real também é cadeirante. Enfim, “Fuja” é um ótimo suspense, repleto de tensão, sufocante, espetacular. Não perca!                    

terça-feira, 6 de abril de 2021

 

“ATÉ O CÉU” (“HASTA EL CIELO”), 2020, Espanha, 2h01m, disponível na Netflix, direção de Daniel Calparsoro, seguindo roteiro de Jorge Guerricaechevarría, dois craques no gênero filmes de ação. “Até o Céu” conta a história do jovem Angel (Miguel Herrán, de “La Casa de Papel”), que trabalha como mecânico numa oficina automotiva. Ele mora com o avô em um cortiço na periferia de Madrid. Ele é apaixonado por Estrella (Carolina Yuste), cabeleireira num salão de beleza, só que ela prefere sair com Lico (Richard Holmes), que tem um carrão de dar inveja. Para ganhar mais dinheiro e, quem sabe, conquistar Estrella, Angel ingressa no mundo do crime ao lado de alguns amigos, começando por assaltar joalherias e roubar carros. Seu receptador é um poderoso empresário, Rogelio (Luís Tosar). A gangue de Angel passa a cometer assaltos mais audaciosos e logo se transforma no alvo da polícia de Madrid, especialmente do detetive Duque (Fernando Caio), para quem prender Angel torna-se uma questão de honra. O jovem marginal cai nas graças do chefe Rogelio e acaba casando com sua filha Sole (Asia Ortega). Outro personagem de destaque é a advogada Mercedes (Patrícia Vico, esposa do diretor na vida real), que utiliza de estratégias nada honestas para livrar Angel e seus comparsas da cadeia. Muita ação transcorre durante a história, num ritmo quase alucinante, prendendo a atenção do espectador do começo até o fim. Aliás, o desfecho deu a entender que haveria uma continuação. Acertei em cheio, pois “Até o Céu” está virando série, atualmente em fase de pré-produção. Deve fazer sucesso como o filme, que bateu recordes de bilheteria na primeira semana depois que foi lançado nos cinemas da Espanha dia 18 de dezembro de 2020. Trocando em miúdos: um filmaço!                        

segunda-feira, 5 de abril de 2021

 

“OS SEGREDOS DE MADAME CLAUDE” (“MADAME CLAUDE”), 2020, França, 1h52, produção original Netflix, roteiro e direção de Sylvie Verheyde. Trata-se do drama biográfico de Madame Claude (seu nome verdadeiro era Fernande Grudet), proprietária de um bordel de luxo que ficou famoso em Paris nas décadas de 60 e 70. Também conhecida como a “Imperatriz do Sexo” e a “Cafetina da República”, Madame Claudel ganhou prestígio por receber, como clientes habituais, políticos, empresários e celebridades do mundo artístico. Marlon Brando era um deles. Sua agenda de clientes parecia a lista de convidados de um casamento real. Paralelamente ao bordel, a cafetina comandava uma rede de prostituição que chegou a ter um contingente de 200 garotas, todas do mais alto nível. Esse trabalho lhe rendeu uma invejável conexão com importantes figuras do governo francês, o que lhe permitia agir com toda liberdade. O filme destaca a relação de Madame Claudel (Karole Rocher) com suas “meninas”, especialmente com sua preferida, Sidonie (Garance Marillier), a quem tratava como se fosse sua filha. O roteiro é bem elaborado, evidenciando a ascensão e queda da cafetina, que morreria em 2015 com 92 anos. O destaque, porém, fica por conta da ambientação de época, os cenários, a trilha sonora e, principalmente, os figurinos. Embora Karole Rocher seja a principal protagonista, é a atriz Garance Marillier quem comanda o espetáculo, arrasando como a prostituta preferida de Madame Claudel. Também estão no elenco Roschdy Zem, Pierre Deladonchamps, Paul Hamy, Hafsia Herzi, Mylène Jampanoï, Liah O’Prey, Josephine de La Baume, Benjamin Biolay, Annabelle Belmondo, Lucile Jaillant, Mathilde Moigno e Lea Rostain. “Madame Claude” não é um grande filme, mas vale pela história. Recomendo.                      

domingo, 4 de abril de 2021

 

“TURMA DE 83” (“CLASS OF 83”), 2020, Índia, 1h38m, produção original Netflix (estreou mundialmente no dia 21 de agosto de 2020), direção de Atul Sabharwal, seguindo roteiro de Abhijeet Shirish Deshpande. A história é baseada em fatos reais ocorridos na década de 80 do século passado e descritos no livro “The Class of 83: The Punishers of Mumbai Police”, do jornalista S. Hussain Zaidi. Durante muitos anos, Zaidi ficou conhecido por suas reportagens no jornal “Asian Age”, nas quais acompanhava o trabalho da polícia de Mumbai (antiga Bombaim) contra as gangues que mandavam e agiam na periferia da cidade, roubando, matando e traficando. “Turma de 83” tem como foco principal o comandante Vijay Singh (Bobby Deol), um policial herói rebaixado para o cargo de diretor da academia de polícia de Mumbai. Tudo porque ele prendeu gente ligada ao governo e à própria polícia. No cargo de diretor da academia, ele treinou um batalhão inteiro e, no final do treinamento, escolheu, de forma secreta, cinco dos seus piores alunos para formar um tipo de esquadrão da morte, cuja missão, confidencial, era executar os principais bandidos das facções criminosas de Mumbai, assim como acabar com a corrupção dentro da própria polícia. Tolerância zero! Oficialmente, os assassinatos eram sempre atribuídos a uma suposta guerra de gangues por disputa de territórios. E assim a matança acabaria acontecendo durante durante anos, tornando-se notícia de primeira página em todos os jornais da Índia. “Turma de 83” chega a lembrar o nosso “Tropa de Elite”, durante o qual a gente vibrava na plateia vendo os bandidos sendo executados. Mais uma grande vantagem desse filme indiano é a ausência daquelas irritantes cantorias e coreografias que se tornaram marca registrada de Bollywood. Além disso, imagens da época em que tudo aconteceu também são utilizadas. Resumo da ópera: “Turma de 83” é ótimo!                             

        

sexta-feira, 2 de abril de 2021

 

“1922” é mais um filme adaptado de um romance de Stephen King, no caso um conto do livro “Escuridão Total sem Estrelas”. O filme é de 2017 (EUA), produção original Netflix, 1h41m, roteiro e direção do cineasta australiano Zak Hilditch. É um drama bem pesado, com pitadas de terror e suspense, como é o estilo de King. Wilfred James (Thomas Jane) é um fazendeiro casado com Arlette (Molly Parker). Eles têm um filho adolescente, Henry (Dylan Schmid). Depois de tantos anos morando numa fazenda isolada, Arlette não suporta a calmaria e quer vender sua parte das terras e voltar a viver na cidade. Wilfred, cuja fazenda pertence à sua família há várias gerações, é radicalmente contra a vendas das terras, pois pretende deixá-las para o filho, que também é contra. Quando Arlette coloca pé firme na questão, ou seja, decide vender a sua parte e levar o filho com ela para a cidade, Wilfred só vê um jeito de acabar com o problema: matar a mulher. Mas sabe como são as histórias de King. Depois do crime, a maldição vem com tudo, o que fará com que Wilfred realmente se arrependa amargamente do que fez. Não dá para adiantar os próximos acontecimentos para não estragar as (trágicas) surpresas. O ritmo do filme é lento, o que pode desagradar a muitos espectadores, mas não deixa de ser um bom suspense, embora não tenha sustos. Se quiser diversão, escolha outro filme.                

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 

“JOGO PERIGOSO” (“GERALD’S GAME”), 2017, Estados Unidos, 1h43m, disponível na plataforma Netflix, direção de Mike Flanagan, que também assina o roteiro com a colaboração de Jeff Howard. Na verdade, eles adaptaram a história do livro homônimo escrito em 1992 por Stephen King. Na época em que Flanagan demonstrou interesse em adaptar o livro para o cinema, todo mundo achou que seria uma tarefa bastante ousada, quase impossível. Especialista em filmes de terror, como “Ouija: Origem do Mal”, “O Espelho” e “O Jogo da Morte”, entre tantos outros, Flanagan topou o desafio. Vamos à história. Jessie e Gerald Burlingame (Carla Gugino e Bruce Greenwood) estão na meia idade e em crise conjugal. Para tentar salvar o casamento, Gerald leva a esposa para passar alguns dias numa cabana no meio de uma floresta. Chegando lá, ele tem a infeliz ideia de algemar Jessie e prender seus braços nos suportes da cama. Logo depois ele toma a famosa pílula azul. No auge do entusiasmo, porém, ele morre fulminado por um infarto. Começa então o martírio de Jessie, presa na cama e sem poder chamar socorro. Sua única companhia é um enorme e ameaçador pastor alemão com cara de mau, que começa a comer uns pedaços do falecido. Conforme as horas vão passando, o estresse da situação começa a provocar delírios e alucinações em Jessie. O fantasma do marido surge para discutir o casamento, o que gera diálogos intermináveis. Jessie também se imagina fora das algemas, discutindo com ela própria sobre os traumas de infância causados pelo pai pedófilo (Henry Thomas). O filme contém algumas cenas boas de suspense, mas nada além disso. Não li o livro de Stephen King, mas deve ser bem melhor que o filme.          

quarta-feira, 31 de março de 2021

 

Sempre gostei muito de filmes de julgamento. Então, quando li que havia na Netflix um filme indiano chamado “TRIBUNAL”, resolvi assistir e depois comentar. A produção é de 2014, dura 1h56m e foi escrito e dirigido por Chaitanya Tamhane. É um filme bastante interessante por escancarar os defeitos do sistema judiciário da Índia, assim como a incompetência gritante de sua polícia. A história é centrada na figura de Narayan Kamble (Vira Sathidar), um cantor folk de 65 anos acusado de motivar o suicídio de um operário do sistema de esgoto de Mumbai. Segundo a advogada de acusação (Geetanjali Kulkarni) – equivalente à nossa promotoria -, a letra de uma de suas canções teria sido a causa do suicídio, evidência das mais fracas, mesmo porque o trabalhador foi encontrado morto dentro de um bueiro sem estar utilizando os equipamentos de segurança. Vinay Vora (Vivek Gomber), o advogado de defesa, tenta convencer o juiz de que as evidências são muito fracas para justificar a prisão do artista, acusando a polícia de ter agido fora da legalidade. Alternando as cenas do julgamento com o cotidiano particular da advogada de acusação, do advogado de defesa e do próprio juiz do caso, o diretor Tamhane também expõe a condição desfavorável da mulher em seu país. A advogada anda de ônibus lotado, vai pegar o filho no colégio e ainda prepara as refeições da família. Também as vidas particulares do advogado de defesa e do juiz do caso são colocadas em exposição, entre outros fatos determinantes das desigualdades e injustiças que imperam na Índia. Falado em inglês e hindi, “Tribunal” foi indicado para representar a Índia na disputa do Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido premiado nos festivais de cinema de Veneza, Buenos Aires e Cingapura. Por aqui, foi exibido durante o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. O filme não é muito fácil de digerir. O ritmo da narrativa é lento demais, quase entediante, com muitas sequências silenciosas filmadas com a câmera estática, sem falar naquelas cantorias irritantes típicas das produções de Bollywood. Por falar na trilha sonora, destaque para uma cena no interior de um bar onde uma cantora pede licença ao público para cantar uma música brasileira que, diz ela, aprendeu ouvindo de um morador de rua. Aí ela canta, em português, um trecho de “Carinhoso” (arrepiou!). Trocando em miúdos, “Tribunal” não é um grande filme, mas essencial para entender o sistema judiciário da Índia. Nesse contexto, é bastante esclarecedor.          

        

       

terça-feira, 30 de março de 2021

 

“SELVAGENS” (“SAVAGES”), 2012, Estados Unidos, 2h11m, direção do polêmico Oliver Stone, que também assina o roteiro, inspirado no livro “Savages”, escrito por Don Winslow em 2010 (Winslow também colaborou no roteiro). É um excelente filme de ação com ótimo elenco e cujo tema central é o tráfico de drogas. A história é centrada nos amigos californianos Ben (Aaron Johnson) e Chon (Taylor Kitsch), sócios na produção e venda de maconha de altíssima qualidade. Eles têm uma namorada em comum, a bela Ophelia (Blake Lively), também parceira no negócio. Eles lucram tanto com o negócio que começam a incomodar dois cartéis mexicanos que tentam ingressar no mercado da Califórnia, um comandado pela poderosa e sanguinária Elena (Salma Hayek) e outro pelo traficante El Azul (Joaquín Cosio). Ben e Chon recusam as propostas dos mexicanos para dividir as vendas e aí começa uma guerra. No meio do conflito, que deixará muitos mortos pelo caminho, está Dennis (John Travolta), um agente do FBI corrupto que há anos trabalha para Ben e Chon. Ainda integram o excelente elenco Benício Del Toro, Emili Hirsch e Demian Bichir. O destaque principal, porém, fica para a atriz Blake Lively, a diva atual de Hollywood, que foi alçada ao estrelato justamente com esse filme. Especialista em produções polêmicas, Oliver Stone acerta mais uma vez ao construir um retrato esclarecedor, perto do documental, de como funciona o submundo do tráfico de drogas e a violência empregada na guerra para dominar um território. Stone conhece de perto o mundo das drogas, pois já foi preso duas vezes, uma por porte de maconha no México quando tinha 21 anos e outra por porte de haxixe em 1999. Só para relembrar alguns de seus mais poderosos filmes: “Platoon”, “Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme”, “Nascido em 4 de Julho”, “Expresso da Meia-Noite” e “JFK – A Pergunta que não quer Calar”, entre muitos outros. Resumo da ópera: “Selvagens” é um ótimo filme de ação que vale a pena ser conferido.          

        

       

domingo, 28 de março de 2021

 


“POR TRÁS DA INOCÊNCIA” (“DEADLY ILLUSIONS”), 2020, Estados Unidos, 1h54m, roteiro e direção de Anna Elizabeth James. Trata-se de um suspense psicológico com altas doses de erotismo. Mary Morrison (Kristin Davis, da série “Sex and the City”) é uma consagrada escritora que passa por uma fase de bloqueio criativo. Apesar da pressão de seus editores, ela não escreve um livro há anos. Nem mesmo a oferta de um adiantamento de dois milhões de dólares por um novo romance é capaz de motivá-la. Até que um dia seu marido Tom Morrison (Dermot Mulroney) confessa ter perdido grande parte das economias da família em um negócio mal sucedido na compra de ações. Dessa forma, Mary volta atrás e aceita a oferta dos seus editores. Para iniciar o trabalho, ela começa a procurar uma babá para seus filhos gêmeos. É aí que entra na história a jovem Grace (Greer Grammer), um doce de pessoa que logo cai nas graças da família. Aos poucos, porém, ela vai revelando um outro lado de sua personalidade, partindo para a sedução não só da patroa como também do patrão. Dá para imaginar um desfecho trágico, o que realmente acontece. “Por Trás da Inocência” é um filme de muitos defeitos. Algumas sequências, por exemplo, misturam realidade e ficção, confundindo a compreensão do espectador, além de cenas constrangedoras que ofendem nossa inteligência. As cenas do desfecho, então, beiram o ridículo. Para atestar sua má qualidade, basta dizer que o filme recebeu apenas 17% de aprovação do site Rotten Tomatoes, especializado em comentar os lançamentos mais recentes do cinema. Este é, certamente, um dos piores filmes à disposição na plataforma Netflix.