sábado, 10 de abril de 2021

 

“ESTRANHOS EM CASA” (“FURIE”), 2019, coprodução França/Bélgica, 1h38m, disponível na plataforma Netflix, direção de Olivier Abbou, que também assina o roteiro com a colaboração de Aurélien Molas. É bom avisar logo de cara que o filme pode desagradar aos mais sensíveis, pois é muito violento e perturbador. Não que seja ruim, pelo contrário, mas passa longe de um entretenimento leve e agradável. A história é baseada em fatos reais, o que já é um ponto positivo. O professor de História Paul Diallo (Adama Niane) leva sua mulher Chloé (Stéphanie Caillard) e seu filho para uma viagem de dois meses pela Europa de trailer, deixando a casa aos cuidados de Sabrina (Marie Bourin), a babá do seu filho. Quando retornam, eis que se defrontam com uma surpresa inusitada e desagradável: a babá e o marido, que tinham uma procuração para qualquer emergência, modificam em cartório o título de propriedade da casa e se transformam nos proprietários. Revoltados, Paul e Chloé entram na casa para tirar satisfação com os pilantras, mas a polícia logo chega e os detêm por invasão de domicílio. Eles resolvem então alugar uma vaga num estacionamento e ficam morando no trailer. De índole pacífica, contrário a qualquer tipo de violência, eles contratam uma advogada para ingressar com uma ação na justiça para recuperar a casa. Não dá certo. Nesse ponto, o roteiro faz questão de fazer uma crítica contundente não só ao sistema judiciário francês, como também à infernal burocracia dos cartórios. Ao mesmo tempo, Paul faz amizade com Mickey (Paul Hamy), o dono do estacionamento e, por coincidência, antigo namorado de Chloé. Até pouco mais da metade, o filme transcorre num clima de suspense psicológico, sugerindo que algo de muito ruim está para acontecer. A partir dos trinta minutos finais, o que se vê é uma sequência de cenas de extrema violência, incluindo torturas sádicas e muito sangue jorrando. “Estranhos em Casa”, portanto, pode ser qualificado como um dos filmes mais violentos dos últimos anos. E se você pensar ainda que tudo aconteceu de verdade, a sensação, ao assistir, não é das melhores. Haja estômago!                  

quinta-feira, 8 de abril de 2021

 

“PARMANU: A HISTÓRIA DE POKHRAN” (“PARMANU: THE STORY OF POKHRAN”), 2018, Índia, 2h09m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Abhishek Sharma. Drama histórico baseado em fatos reais, ou seja, os testes nucleares realizados pela Índia nos dias 11 e 13 de maio de 1998, durante os quais cinco bombas foram detonadas (uma de fusão e as outras 4 de fissão). O filme apresenta o contexto histórico e político pós-Guerra Fria, com a Índia isolada no cenário internacional, enquanto seu rival, o Paquistão, desenvolvia seu programa nuclear. Dessa forma, o governo indiano achou por bem realizar uma demonstração de força, o que originou a Operação Shakti, cujo principal objetivo era colocar a Índia na posição de um estado nuclear de pleno direito e, com isso, ser respeitada no cenário internacional. O filme relata os bastidores desse trabalho, começando pela formação de uma equipe de especialistas chefiada pelo engenheiro nuclear Ashwat Raina (John Abraham). Para não despertar possíveis reações internacionais contrárias ao projeto, tudo foi realizado secretamente. O local escolhido foi o campo de testes de Pokhran, no deserto do Thar, estado indiano do Rajastão. Para evitar que toda a operação fosse detectada por um satélite espião dos Estados Unidos, os especialistas trabalhavam utilizando as brechas as quais chamaram de pontos cegos, ou seja, aqueles momentos em que o satélite não tinha a visão do território indiano. Além disso, havia um agente da CIA (Mark Bennington) em território indiano tentando descobrir o local dos testes e quando seriam realizados. O filme consegue, com muita competência, mostrar a aflição dos especialistas indianos diante dos desafios de colocar em prática o projeto correndo contra o tempo, o que acabou gerando ótimas sequências de suspense no filme. Claro que há um exagero evidente em exaltar o patriotismo dos indianos pelo sucesso da execução dos testes. Só faltou incluir na trilha sonora o “Jana Gana Mana”, hino oficial da Índia. Não faltaram, porém, aquelas cantorias patrióticas irritantes exaltando o país de Gandhi. Nada disso, porém, tira os méritos de “Parmanu”, um excelente drama histórico que merece ser conferido.                        

        

       

quarta-feira, 7 de abril de 2021

 

“FUJA” (“RUN”), 2020, Estados Unidos, 1h39m, produção original Netflix, direção de Aneesh Chaganty, que também assina o roteiro com a colaboração de Sev Chanian. É um suspense de primeira, angustiante do começo ao fim. Começa no hospital, quando Diane Sherman (Sarah Paulson) acaba de dar à luz um bebê prematuro que dificilmente sobreviverá. O filme dá um salto de 17 anos. Aquele bebê é agora uma jovem chamada Chloe Sherman (Kiera Allen), que vive enclausurada em casa numa cadeira de rodas, recebendo todos os cuidados de Diane. Afinal, além da paralisia da cintura para baixo, Chloe tem asma, arritmia, hemocromatose e diabetes. Diante desse quadro infeliz, Diane se dedica integralmente à filha problemática, inclusive educando-a em casa, já que proibiu que ela fosse para a escola. Um dia, porém, a jovem fica desconfiada de um novo remédio que é obrigada a tomar e pergunta à mãe para que serve. Diane dá uma resposta evasiva que faz Chloe acender uma luzinha de alerta. Isso tudo acontece em poucos minutos de filme. Dali para a frente, a menina passa a investigar o que está realmente acontecendo e, sem querer, acha uns documentos muito reveladores sobre a mãe. O filme se transforma num jogo sinistro, um verdadeiro embate físico e psicológico entre mãe e filha, com sequências de tirar o fôlego. E olha que o filme quase inteiro é ambientado num único cenário, ou seja, a casa em que vivem, além de algumas outras cenas em um hospital. E com apenas dois personagens, a mãe e a filha, e mesmo assim o ritmo do suspense é alucinante. Méritos ao diretor de origem indiana Annesh Chaganty. Este é o seu segundo longa-metragem. O primeiro foi um outro suspense, “Buscando...” (“Searching”), de 2018, muito elogiado pelo público e pela crítica. É bom guardar o nome desse jovem diretor, de apenas 30 anos, que já demonstra talento para se tornar um cineasta de destaque no mundo cinematográfico. Também é preciso destacar o desempenho fantástico das duas atrizes principais, especialmente a estreante Kiera Allen, que na vida real também é cadeirante. Enfim, “Fuja” é um ótimo suspense, repleto de tensão, sufocante, espetacular. Não perca!                    

terça-feira, 6 de abril de 2021

 

“ATÉ O CÉU” (“HASTA EL CIELO”), 2020, Espanha, 2h01m, disponível na Netflix, direção de Daniel Calparsoro, seguindo roteiro de Jorge Guerricaechevarría, dois craques no gênero filmes de ação. “Até o Céu” conta a história do jovem Angel (Miguel Herrán, de “La Casa de Papel”), que trabalha como mecânico numa oficina automotiva. Ele mora com o avô em um cortiço na periferia de Madrid. Ele é apaixonado por Estrella (Carolina Yuste), cabeleireira num salão de beleza, só que ela prefere sair com Lico (Richard Holmes), que tem um carrão de dar inveja. Para ganhar mais dinheiro e, quem sabe, conquistar Estrella, Angel ingressa no mundo do crime ao lado de alguns amigos, começando por assaltar joalherias e roubar carros. Seu receptador é um poderoso empresário, Rogelio (Luís Tosar). A gangue de Angel passa a cometer assaltos mais audaciosos e logo se transforma no alvo da polícia de Madrid, especialmente do detetive Duque (Fernando Caio), para quem prender Angel torna-se uma questão de honra. O jovem marginal cai nas graças do chefe Rogelio e acaba casando com sua filha Sole (Asia Ortega). Outro personagem de destaque é a advogada Mercedes (Patrícia Vico, esposa do diretor na vida real), que utiliza de estratégias nada honestas para livrar Angel e seus comparsas da cadeia. Muita ação transcorre durante a história, num ritmo quase alucinante, prendendo a atenção do espectador do começo até o fim. Aliás, o desfecho deu a entender que haveria uma continuação. Acertei em cheio, pois “Até o Céu” está virando série, atualmente em fase de pré-produção. Deve fazer sucesso como o filme, que bateu recordes de bilheteria na primeira semana depois que foi lançado nos cinemas da Espanha dia 18 de dezembro de 2020. Trocando em miúdos: um filmaço!                        

segunda-feira, 5 de abril de 2021

 

“OS SEGREDOS DE MADAME CLAUDE” (“MADAME CLAUDE”), 2020, França, 1h52, produção original Netflix, roteiro e direção de Sylvie Verheyde. Trata-se do drama biográfico de Madame Claude (seu nome verdadeiro era Fernande Grudet), proprietária de um bordel de luxo que ficou famoso em Paris nas décadas de 60 e 70. Também conhecida como a “Imperatriz do Sexo” e a “Cafetina da República”, Madame Claudel ganhou prestígio por receber, como clientes habituais, políticos, empresários e celebridades do mundo artístico. Marlon Brando era um deles. Sua agenda de clientes parecia a lista de convidados de um casamento real. Paralelamente ao bordel, a cafetina comandava uma rede de prostituição que chegou a ter um contingente de 200 garotas, todas do mais alto nível. Esse trabalho lhe rendeu uma invejável conexão com importantes figuras do governo francês, o que lhe permitia agir com toda liberdade. O filme destaca a relação de Madame Claudel (Karole Rocher) com suas “meninas”, especialmente com sua preferida, Sidonie (Garance Marillier), a quem tratava como se fosse sua filha. O roteiro é bem elaborado, evidenciando a ascensão e queda da cafetina, que morreria em 2015 com 92 anos. O destaque, porém, fica por conta da ambientação de época, os cenários, a trilha sonora e, principalmente, os figurinos. Embora Karole Rocher seja a principal protagonista, é a atriz Garance Marillier quem comanda o espetáculo, arrasando como a prostituta preferida de Madame Claudel. Também estão no elenco Roschdy Zem, Pierre Deladonchamps, Paul Hamy, Hafsia Herzi, Mylène Jampanoï, Liah O’Prey, Josephine de La Baume, Benjamin Biolay, Annabelle Belmondo, Lucile Jaillant, Mathilde Moigno e Lea Rostain. “Madame Claude” não é um grande filme, mas vale pela história. Recomendo.                      

domingo, 4 de abril de 2021

 

“TURMA DE 83” (“CLASS OF 83”), 2020, Índia, 1h38m, produção original Netflix (estreou mundialmente no dia 21 de agosto de 2020), direção de Atul Sabharwal, seguindo roteiro de Abhijeet Shirish Deshpande. A história é baseada em fatos reais ocorridos na década de 80 do século passado e descritos no livro “The Class of 83: The Punishers of Mumbai Police”, do jornalista S. Hussain Zaidi. Durante muitos anos, Zaidi ficou conhecido por suas reportagens no jornal “Asian Age”, nas quais acompanhava o trabalho da polícia de Mumbai (antiga Bombaim) contra as gangues que mandavam e agiam na periferia da cidade, roubando, matando e traficando. “Turma de 83” tem como foco principal o comandante Vijay Singh (Bobby Deol), um policial herói rebaixado para o cargo de diretor da academia de polícia de Mumbai. Tudo porque ele prendeu gente ligada ao governo e à própria polícia. No cargo de diretor da academia, ele treinou um batalhão inteiro e, no final do treinamento, escolheu, de forma secreta, cinco dos seus piores alunos para formar um tipo de esquadrão da morte, cuja missão, confidencial, era executar os principais bandidos das facções criminosas de Mumbai, assim como acabar com a corrupção dentro da própria polícia. Tolerância zero! Oficialmente, os assassinatos eram sempre atribuídos a uma suposta guerra de gangues por disputa de territórios. E assim a matança acabaria acontecendo durante durante anos, tornando-se notícia de primeira página em todos os jornais da Índia. “Turma de 83” chega a lembrar o nosso “Tropa de Elite”, durante o qual a gente vibrava na plateia vendo os bandidos sendo executados. Mais uma grande vantagem desse filme indiano é a ausência daquelas irritantes cantorias e coreografias que se tornaram marca registrada de Bollywood. Além disso, imagens da época em que tudo aconteceu também são utilizadas. Resumo da ópera: “Turma de 83” é ótimo!                             

        

sexta-feira, 2 de abril de 2021

 

“1922” é mais um filme adaptado de um romance de Stephen King, no caso um conto do livro “Escuridão Total sem Estrelas”. O filme é de 2017 (EUA), produção original Netflix, 1h41m, roteiro e direção do cineasta australiano Zak Hilditch. É um drama bem pesado, com pitadas de terror e suspense, como é o estilo de King. Wilfred James (Thomas Jane) é um fazendeiro casado com Arlette (Molly Parker). Eles têm um filho adolescente, Henry (Dylan Schmid). Depois de tantos anos morando numa fazenda isolada, Arlette não suporta a calmaria e quer vender sua parte das terras e voltar a viver na cidade. Wilfred, cuja fazenda pertence à sua família há várias gerações, é radicalmente contra a vendas das terras, pois pretende deixá-las para o filho, que também é contra. Quando Arlette coloca pé firme na questão, ou seja, decide vender a sua parte e levar o filho com ela para a cidade, Wilfred só vê um jeito de acabar com o problema: matar a mulher. Mas sabe como são as histórias de King. Depois do crime, a maldição vem com tudo, o que fará com que Wilfred realmente se arrependa amargamente do que fez. Não dá para adiantar os próximos acontecimentos para não estragar as (trágicas) surpresas. O ritmo do filme é lento, o que pode desagradar a muitos espectadores, mas não deixa de ser um bom suspense, embora não tenha sustos. Se quiser diversão, escolha outro filme.                

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 

“JOGO PERIGOSO” (“GERALD’S GAME”), 2017, Estados Unidos, 1h43m, disponível na plataforma Netflix, direção de Mike Flanagan, que também assina o roteiro com a colaboração de Jeff Howard. Na verdade, eles adaptaram a história do livro homônimo escrito em 1992 por Stephen King. Na época em que Flanagan demonstrou interesse em adaptar o livro para o cinema, todo mundo achou que seria uma tarefa bastante ousada, quase impossível. Especialista em filmes de terror, como “Ouija: Origem do Mal”, “O Espelho” e “O Jogo da Morte”, entre tantos outros, Flanagan topou o desafio. Vamos à história. Jessie e Gerald Burlingame (Carla Gugino e Bruce Greenwood) estão na meia idade e em crise conjugal. Para tentar salvar o casamento, Gerald leva a esposa para passar alguns dias numa cabana no meio de uma floresta. Chegando lá, ele tem a infeliz ideia de algemar Jessie e prender seus braços nos suportes da cama. Logo depois ele toma a famosa pílula azul. No auge do entusiasmo, porém, ele morre fulminado por um infarto. Começa então o martírio de Jessie, presa na cama e sem poder chamar socorro. Sua única companhia é um enorme e ameaçador pastor alemão com cara de mau, que começa a comer uns pedaços do falecido. Conforme as horas vão passando, o estresse da situação começa a provocar delírios e alucinações em Jessie. O fantasma do marido surge para discutir o casamento, o que gera diálogos intermináveis. Jessie também se imagina fora das algemas, discutindo com ela própria sobre os traumas de infância causados pelo pai pedófilo (Henry Thomas). O filme contém algumas cenas boas de suspense, mas nada além disso. Não li o livro de Stephen King, mas deve ser bem melhor que o filme.          

quarta-feira, 31 de março de 2021

 

Sempre gostei muito de filmes de julgamento. Então, quando li que havia na Netflix um filme indiano chamado “TRIBUNAL”, resolvi assistir e depois comentar. A produção é de 2014, dura 1h56m e foi escrito e dirigido por Chaitanya Tamhane. É um filme bastante interessante por escancarar os defeitos do sistema judiciário da Índia, assim como a incompetência gritante de sua polícia. A história é centrada na figura de Narayan Kamble (Vira Sathidar), um cantor folk de 65 anos acusado de motivar o suicídio de um operário do sistema de esgoto de Mumbai. Segundo a advogada de acusação (Geetanjali Kulkarni) – equivalente à nossa promotoria -, a letra de uma de suas canções teria sido a causa do suicídio, evidência das mais fracas, mesmo porque o trabalhador foi encontrado morto dentro de um bueiro sem estar utilizando os equipamentos de segurança. Vinay Vora (Vivek Gomber), o advogado de defesa, tenta convencer o juiz de que as evidências são muito fracas para justificar a prisão do artista, acusando a polícia de ter agido fora da legalidade. Alternando as cenas do julgamento com o cotidiano particular da advogada de acusação, do advogado de defesa e do próprio juiz do caso, o diretor Tamhane também expõe a condição desfavorável da mulher em seu país. A advogada anda de ônibus lotado, vai pegar o filho no colégio e ainda prepara as refeições da família. Também as vidas particulares do advogado de defesa e do juiz do caso são colocadas em exposição, entre outros fatos determinantes das desigualdades e injustiças que imperam na Índia. Falado em inglês e hindi, “Tribunal” foi indicado para representar a Índia na disputa do Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido premiado nos festivais de cinema de Veneza, Buenos Aires e Cingapura. Por aqui, foi exibido durante o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. O filme não é muito fácil de digerir. O ritmo da narrativa é lento demais, quase entediante, com muitas sequências silenciosas filmadas com a câmera estática, sem falar naquelas cantorias irritantes típicas das produções de Bollywood. Por falar na trilha sonora, destaque para uma cena no interior de um bar onde uma cantora pede licença ao público para cantar uma música brasileira que, diz ela, aprendeu ouvindo de um morador de rua. Aí ela canta, em português, um trecho de “Carinhoso” (arrepiou!). Trocando em miúdos, “Tribunal” não é um grande filme, mas essencial para entender o sistema judiciário da Índia. Nesse contexto, é bastante esclarecedor.          

        

       

terça-feira, 30 de março de 2021

 

“SELVAGENS” (“SAVAGES”), 2012, Estados Unidos, 2h11m, direção do polêmico Oliver Stone, que também assina o roteiro, inspirado no livro “Savages”, escrito por Don Winslow em 2010 (Winslow também colaborou no roteiro). É um excelente filme de ação com ótimo elenco e cujo tema central é o tráfico de drogas. A história é centrada nos amigos californianos Ben (Aaron Johnson) e Chon (Taylor Kitsch), sócios na produção e venda de maconha de altíssima qualidade. Eles têm uma namorada em comum, a bela Ophelia (Blake Lively), também parceira no negócio. Eles lucram tanto com o negócio que começam a incomodar dois cartéis mexicanos que tentam ingressar no mercado da Califórnia, um comandado pela poderosa e sanguinária Elena (Salma Hayek) e outro pelo traficante El Azul (Joaquín Cosio). Ben e Chon recusam as propostas dos mexicanos para dividir as vendas e aí começa uma guerra. No meio do conflito, que deixará muitos mortos pelo caminho, está Dennis (John Travolta), um agente do FBI corrupto que há anos trabalha para Ben e Chon. Ainda integram o excelente elenco Benício Del Toro, Emili Hirsch e Demian Bichir. O destaque principal, porém, fica para a atriz Blake Lively, a diva atual de Hollywood, que foi alçada ao estrelato justamente com esse filme. Especialista em produções polêmicas, Oliver Stone acerta mais uma vez ao construir um retrato esclarecedor, perto do documental, de como funciona o submundo do tráfico de drogas e a violência empregada na guerra para dominar um território. Stone conhece de perto o mundo das drogas, pois já foi preso duas vezes, uma por porte de maconha no México quando tinha 21 anos e outra por porte de haxixe em 1999. Só para relembrar alguns de seus mais poderosos filmes: “Platoon”, “Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme”, “Nascido em 4 de Julho”, “Expresso da Meia-Noite” e “JFK – A Pergunta que não quer Calar”, entre muitos outros. Resumo da ópera: “Selvagens” é um ótimo filme de ação que vale a pena ser conferido.          

        

       

domingo, 28 de março de 2021

 


“POR TRÁS DA INOCÊNCIA” (“DEADLY ILLUSIONS”), 2020, Estados Unidos, 1h54m, roteiro e direção de Anna Elizabeth James. Trata-se de um suspense psicológico com altas doses de erotismo. Mary Morrison (Kristin Davis, da série “Sex and the City”) é uma consagrada escritora que passa por uma fase de bloqueio criativo. Apesar da pressão de seus editores, ela não escreve um livro há anos. Nem mesmo a oferta de um adiantamento de dois milhões de dólares por um novo romance é capaz de motivá-la. Até que um dia seu marido Tom Morrison (Dermot Mulroney) confessa ter perdido grande parte das economias da família em um negócio mal sucedido na compra de ações. Dessa forma, Mary volta atrás e aceita a oferta dos seus editores. Para iniciar o trabalho, ela começa a procurar uma babá para seus filhos gêmeos. É aí que entra na história a jovem Grace (Greer Grammer), um doce de pessoa que logo cai nas graças da família. Aos poucos, porém, ela vai revelando um outro lado de sua personalidade, partindo para a sedução não só da patroa como também do patrão. Dá para imaginar um desfecho trágico, o que realmente acontece. “Por Trás da Inocência” é um filme de muitos defeitos. Algumas sequências, por exemplo, misturam realidade e ficção, confundindo a compreensão do espectador, além de cenas constrangedoras que ofendem nossa inteligência. As cenas do desfecho, então, beiram o ridículo. Para atestar sua má qualidade, basta dizer que o filme recebeu apenas 17% de aprovação do site Rotten Tomatoes, especializado em comentar os lançamentos mais recentes do cinema. Este é, certamente, um dos piores filmes à disposição na plataforma Netflix.           

       

sábado, 27 de março de 2021

“PURO-SANGUE” (“THROUGHBREDS”), 2017, Estados Unidos, 1h33m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Cory Finley (seu primeiro longa-metragem; o segundo foi “Má Educação”, de 2019). Trata-se de um suspense psicológico/psicótico. A história é centrada em Lily (Anya Taylor-Joy) e Amanda (Olivia Cooke), duas amigas de infância que agora, adolescentes, voltam a se encontrar. O reencontro acontece na bela casa de Lily, no bairro de classe alta de Connecticut. Lily se compromete a ajudar Amanda nos  trabalhos da faculdade. Com a convivência diária, as amigas começam a revelar segredos e traumas uma para a outra. Lily, por exemplo, revela que tem ódio do padrasto, que sempre a tratou muito mal, assim como a sua mãe. Amanda, por sua vez, confessa ter sacrificado, ela própria, um cavalo de seu haras, além de demonstrar uma profunda infelicidade. Para justificar o título do filme, o roteiro lembra que as duas amigas praticaram hipismo juntas quando eram crianças. Mas o “Puro-Sangue” não ficará restrito aos equinos, como o desfecho trágico assim demonstrará. Durante os diálogos entre as duas, que permeiam o filme quase inteiro, dá para perceber que Lily e Amanda são jovens problemáticas, antissociais e com instinto psicótico, a ponto de tramarem um assassinato. É um filme perturbador, intimista, durante o qual não se vê nenhum gesto de carinho ou um sorriso cativante. Tudo transcorre num extremo baixo astral. O ritmo é lento, devagar quase parando, chegando perto do tédio. Demora demais para acontecer alguma coisa interessante. Certamente, ficará na história do cinema não por sua qualidade, mas pelo fato de ser último filme do ator Anton Yelchin, morto aos 27 anos logo após o final das filmagens. Pode ser lembrado também pelo excelente trabalho das duas atrizes, Anya Taylor-Joy, da série “O Gambito da Rainha”, e Olivia Cooke, da série “Bates Motel”. Também integram o elenco Paul Sparks, Francie Swift, Kaili Vernoff, Svetlana Orlova, Alyssa Fishenden, Jackson Damon, James Haddar, Celeste Oliva e Nolan Ball.       

quinta-feira, 25 de março de 2021

“PONTO VERMELHO” (“RED DOT”), 2020, Suécia, 1h25m, produção original Netflix (estreou dia 21 de março de 2021), direção de Alain Darborg, que também assina o roteiro com a colaboração de Per Dickson. Trata-se de um thriller com muito suspense do começo ao fim. A história tem início com o pedido de casamento feito por David (Anastasios Soulis) para Nadja (Nanna Blondell). Aliás, um pedido inusitado, feito no banheiro de uma espelunca. O filme dá um salto de um ano e meio, com eles já casados e em crise conjugal. Na tentativa de salvar o casamento, David propõe uma viagem de alguns dias para as montanhas do norte da Suécia. Só os dois e o cachorro de estimação, para acampar, em pleno inverno, com a promessa de uma noite romântica vendo a aurora boreal. Cá pra nós: dá para ter romantismo num local completamente ermo, com um frio muitos graus abaixo de zero? Típico programa de índio, aliás, de esquimó. Antes de chegar ao tal lugar romântico, eles param num posto para abastecer. Antes de voltar para a estrada, David calcula mal uma manobra e amassa a perua de dois caçadores. Estrago feito, eles saem de fininho e seguem viagem. Em meio a um frio danado, eles acampam no meio do nada. Não demora muito e eles percebem que alguém quer matá-los, ou pelo menos assustá-los, utilizando o ponto vermelho (lembra do título?) da mira de uma arma potente. Daí para a frente eles serão realmente caçados, provavelmente por aqueles caçadores do posto. A caçada segue até o desfecho, quando ocorre uma surpreendente reviravolta, ocasião em que o filme volta no tempo para resgatar um fato até então escondido do espectador. Resumo da ópera: “Ponto Vermelho” é apenas um bom suspense, mas nada especial que mereça uma recomendação entusiasmada.         

quarta-feira, 24 de março de 2021

 

“SINFONIA INACABADA” (“FUGA”), 2006, coprodução Argentina/Chile, 1h51m, roteiro e direção de Pablo Larraín. Resgatei esse filme na plataforma Netflix e o que mais me chamou a atenção foi o título, que remete a tema música clássica, gênero de música que eu adoro. Embora cinéfilo de carteirinha, não lembro de ter ouvido falar nesse filme. E, para minha surpresa, trata-se de um excelente drama. Começa apresentando Eliseo Montalbán (Benjamín Vicuña, ótimo), um jovem compositor envolvido com os ensaios de seu primeiro concerto para piano e orquestra. Teatro completamente lotado, a apresentação acaba numa tragédia: a morte da pianista da orquestra em pleno palco. A partir daí, Montalbán entra em parafuso e acaba num manicômio. Anos depois, o pianista e compositor Ricardo Coppa (Gastón Pauls) descobre a partitura daquele concerto, faltando a última parte. Obcecado por completar a obra, Coppa tenta descobrir o paradeiro de Montalbán. Ele finalmente encontra o manicômio onde Montalbán ficou internado, só que agora completamente abandonado e em ruínas. Mas Coppa não desiste e descobre, numa das paredes do prédio ainda de pé, uma nova partitura. Ele então resolve reunir três amigos músicos para interpretar a obra. A intensidade da música – eles a chamam de “sinfonia macabra” - começa a gerar conflitos entre Coppa e seu quarteto. Até que um dia ele finalmente descobre o paradeiro de Montalbán. O filme é muito bom, tanto que foi premiado em vários festivais, como os de Cartagena (Colômbia), Trieste (Itália) e Málaga (Espanha). Como informação adicional, lembro que “Sinfonia Inacabada” foi o primeiro longa-metragem dirigido pelo chileno Pablo Larraín, que depois faria outros excelentes e premiados filmes, como “O Clube”, “No” e “Neruda”, todos indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de “Tony Manero”, “Post Mortem” e “Jackie”, este último realizado em Hollywood e que valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz para  Natalie Portman. Embora não muito fácil de digerir, “Sinfonia Inacabada” é um drama da melhor qualidade. Recomendo.       

       

terça-feira, 23 de março de 2021

“THE GIRL ON THE TRAIN”, 2020, Índia, 120 minutos, roteiro e direção de Ribbu Dasgupta. Trata-se de um suspense policial cuja história é baseada no livro da escritora inglesa Paula Hawkins, lançado em 2015 e que por 13 semanas figurou na lista dos mais vendidos do jornal “New York Times”. Natural que no ano seguinte Hollywood tenha resolvido adaptá-lo para o cinema, surgindo então “A Garota no Trem” (título em português, sendo que o original é o mesmo do livro). Em Portugal, o filme foi lançado como “A Rapariga no Comboio”. A versão norte-americana foi dirigida por Tate Taylor, com Emily Blunt encabeçando o elenco. O filme foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Agora chega o remake indiano, cujo título original foi mantido em inglês e está disponível na Netflix. O roteiro é praticamente o mesmo da primeira versão. Aqui vai um resumo do filme feito por Bollywood. O cenário é o mesmo do livro: Londres. A advogada Mira Kapoor (Parineeti Chopra, irmã da também atriz Priyanka Chopra) ajuda a colocar um mafioso na cadeia e acaba perseguida pela família dele. Ela vive um casamento tranquilo com o médico Shekhar Kapoor (Avinach Tiwary). O casal acaba de comemorar a gravidez dela quando ocorre um acidente automobilístico e ela perde o bebê. A partir dessa tragédia, Mira começa a beber demais, o que acaba resultando no fim do seu casamento. Ela logo descobrirá que Shekhar tem um caso com uma colega médica, dra. Nusrat (Aditi Rao Hydari). Através da janela que a leva todos os dias para o escritório, Mirá observa a casa onde morava e vê o ex-marido com a atual esposa, a tal médica, demonstrando a maior felicidade. Até o dia em que ela surpreende Nusrat no terraço com outro homem. É o estopim para que Mira aumente ainda mais o consumo de álcool, o que logo acaba custando o seu emprego. Com o excesso de bebidas e remédios, Mira começa a sofrer períodos de amnésia. Para não entrar em mais detalhes para não estragar as surpresas e revelar as reviravoltas do roteiro, vou adiantar apenas que Mira será a principal suspeita do assassinato de Nusrat, de acordo com a investigação chefiada pela inspetora Dalbir Bagga (Kirti Kulhari). Falado em inglês e hindi, o filme é repleto de situações que fazem o espectador não desgrudar os olhos da tela até o desfecho imprevisível. Não vou comparar os dois filmes, mas me obrigo a destacar que a história é ótima – como sempre nesses casos, o livro deve ser melhor que as adaptações para o cinema. O que chateia no filme indiano são as sequências daquelas cantorias irritantes típicas de Bollywood, que não combinam com o contexto dramático da história. Fora isso, dá para curtir como um bom suspense.           

segunda-feira, 22 de março de 2021

 

“SILENCIADAS” (“AKELARRE”), 2020, Espanha, 1h31m, roteiro e direção de Pablo Agüero, diretor argentino radicado na França. Disponível na plataforma Netflix, o filme foi inspirado numa história verídica ocorrida no auge da Inquisição, no início do século 17. Antes de iniciar o comentário em si, vou relatar o fato histórico. Em 1606, o rei Henrique IV da França e Navarra, encarregou o juiz francês Pierre de Rosceguy De Lancre de investigar possíveis práticas de feitiçaria nos territórios bascos da França. Foi iniciada, então, uma verdadeira "caça às bruxas”, culminando na morte de centenas de mulheres, conforme o próprio juiz relatou nos livros que escreveu antes de morrer. Mais de um século depois, essas histórias foram condensadas no livro “A Feiticeira”, de Jules Michelet, que serviu para a base do roteiro de Agüero. O filme é ambientado numa vila de pescadores do país basco. O juiz inquisidor Rostegui (Alex Brendemühl), acompanhado de um padre conselheiro (Daniel Fanego) e soldados, chega à vila e prende seis jovens mulheres para interrogatório. Elas são suspeitas de praticar o Sabbath, também conhecido como ritual das bruxas, durante o qual, segundo se acreditava, as mulheres se comunicavam e até se relacionavam sexualmente com o Lúcifer. A líder das jovens é Amaia (Amaia Aberasturi), que confessa ser mesmo uma bruxa e que, em troca de suas vidas, promete encenar o ritual para Rostegui. Quando se comunica com Lúcifer, Amaia fala uma língua desconhecida e aparentemente, para os inquisidores, diabólica, mas é, na verdade, o dialeto basco. O filme é muito interessante e esclarecedor sobre a tenebrosa época da inquisição e como eram realizados os interrogatórios, que não dispensavam a tortura. Além da história em si, outros destaques do filme são os excelentes desempenhos da jovem atriz Amaia Aberasturi e do veterano Alex Brendemühl, além do visual marcante proporcionado pela fotografia de Javier Agirre. “Silenciadas” recebeu seis indicações ao 8º Prêmio Feroz, da Asociación de Informadores Cinematográficos de Espanã, equivalente ao Globo de Ouro que antecede o Oscar norte-americano. Logo em seguida, recebeu nove indicações ao 35º Goya Awards (o Oscar espanhol), sendo premiado em cinco delas.                       

sábado, 20 de março de 2021

 

“MOMENTUM”, 2015, coprodução Estados Unidos/África do Sul, 1h36m, direção de Stephen Camanelli, seguindo roteiro escrito por Debra Sullivan e Adam Marcus. Só para esclarecer antes de começar o comentário: originária do latim, a palavra “Momentum” quer dizer impulso, ímpeto, força, pique. Trata-se, portanto, de um filme de ação com uma história mirabolante dentro de um enredo um tanto confuso. O filme começa com um assalto a um banco na cidade do Cabo (África do Sul). O objetivo dos assaltantes era roubar diamantes, sem saber que no meio deles havia um dispositivo eletrônico com um vídeo estarrecedor e comprometedor envolvendo um poderoso senador norte-americano (Morgan Freeman, em rápidas aparições). Entre os assaltantes está Alex Farraday (Olga Kurylenko), uma ladra com treinamento militar. Para encontrar quem roubou os diamantes e o tal dispositivo, o senador contrata um ex-agente da CIA e uma equipe de mercenários altamente treinados e violentos. O alvo principal é justamente Alex, que será caçada até o final da história. O filme tem ótimas sequências de ação, com muita pancadaria, tiros e perseguições de carro. Só para lembrar, durante muitos anos o diretor Stephen Campanelli foi operador de câmera daqueles filmes de ação do astro Clint Eastwood. “Momentum” também conta com mais um trunfo: a atriz ucraniana Olga Kurylenko. Além de bonita, competente e versátil, ela costuma arrasar em filmes de ação (veja abaixo uma relação deles), dispensando, em muitos deles, os seus dublês. Outro destaque é o ator inglês James Purefoy, que interpreta o vilão que vai atrás de Alex. Sua atuação é primorosa, alternando sadismo e violência com boas pitadas de humor, principalmente nos diálogos com sua vítima Alex. O elenco conta ainda com Ebby Weyime, Jenna Saras, Lee Reviv, Karl Thaning, Lee-Anne Summers, Daniel Fox, Aidan Whytock, Greg Kriek e Lisa Leonard. Resumo da ópera: “Momentum” é apenas um bom filme de ação que não insulta nossa inteligência. Como prometido, indico alguns filmes com a presença da ótima Olga Kurylenko, os quais vale a pena assistir: "007 - Quantum of Solace", "Oblivion", "Hitman - Assassino 47", "A Mensageira" e o recente "Sentinelle", além de outros mais.                         

quinta-feira, 18 de março de 2021

 

“ALÉM DA REALIDADE” (“WHEN THE BOUGH BREAKS”), 2017 1h47m, Estados Unidos, disponível na Netflix, direção de Jon Cassar, seguindo roteiro escrito por Jack Olsen. Apesar do lamentável título em português (a tradução literal do título original é “Quando o Ramo Quebrar”, que também não tem nada a ver com a história), trata-se de um ótimo suspense. John Taylor (Morris Chestnut) e sua esposa Laura Taylor (Regina Hall) resolvem procurar uma “barriga de aluguel” para gerar um filho através da “fertilização ‘in vitro’". Depois de procurar várias candidatas, eles escolhem a jovem Anna Walsh (Jaz Sinclair). Para conhecê-la melhor, John e Laura convidam a moça para jantar, juntamente com seu namorado, Mike Mitchell (Theo Rossi), um soldado do exército de folga. De cara, John não simpatiza com o comportamento do rapaz e depois diz a Laura que devem cancelar o acordo. Ela, porém, se encantou com o jeito doce e tímido de Anna e convence o marido a fechar o “negócio”, ou seja, firmar um contrato de gestação (proibido no Brasil), o que envolve uma boa soma de dinheiro para a gestante contratada. Dias depois de Anna ser submetida ao procedimento de inseminação, ela é espancada pelo namorado e acaba no hospital. John e Laura resolvem levá-la para sua confortável casa para que ela seja melhor cuidada durante a gestação. Aos poucos, porém, Anna acabará revelando uma personalidade completamente diferente daquela mocinha doce que aparentava ser. A partir daí, o suspense rola solto até o desfecho. Além da história em si e do roteiro bem elaborado, outro trunfo do filme é a atuação dos protagonistas principais, em especial da jovem atriz Jaz Sinclair, que arrasa quando se transforma, de repente, de mocinha carente a uma vilã psicótica. Além disso, ela também dá show quando precisa mostrar seu lado sensual. Resumindo, “Além da Realidade” é um ótimo suspense, prende a atenção do começo ao fim. Entretenimento de primeira!.                   

terça-feira, 16 de março de 2021

 

“FILHOS DE ISTAMBUL” (“KAHITTAN HAYATLAR”), 2020, Turquia, 1h37m, produção original Netflix (estreou na plataforma dia 12 de março de 2021), direção de Can Ulkay e roteiro de Ercan Mehmet Erdem. Mais um dramalhão para fazer chorar, assim como “O Milagre da Cela 7”, outro filme turco da Netflix. Dessa vez, a história é centrada no catador de papel Mehmet (Çagatay Ulusoy), que administra um lixão de um bairro pobre na periferia de Istambul. Ele é muito popular por sua bondade, pois há anos ajuda crianças e adolescentes órfãos e sem teto, dando-lhes emprego e até moradia. Certo dia ele encontra escondido num saco de lixo o garoto Ali (Emir Ali Dogrul), de 8 anos, abandonado pela mãe para evitar que ele continuasse a ser espancado pelo padrasto. Mehmet logo se identificou com o drama do garoto, pois ele mesmo havia passado pela mesma experiência na infância. Dessa forma, acolheu Ali em sua própria moradia, exercendo o papel de um verdadeiro pai. Para aumentar o grau de dramaticidade da história, o roteirista incorporou ao personagem de Mehmet uma doença renal grave, que só um transplante de rim poderá salvá-lo. Até o desfecho, que reserva uma revelação para aumentar ainda mais o nível das lágrimas, o filme acompanha a amizade fraterna entre Mehmet e o garoto, recheada de sequências pra lá de comoventes. Além da bonita história de amor, amizade e solidariedade, o filme apresenta belas imagens da capital turca, principalmente as noturnas. “Filhos de Istambul” emociona e convence como drama social. Um belo filme que merece ser visto.                      

segunda-feira, 15 de março de 2021

 

Tahar Rahim e Roschdy Zem são dois dos melhores e mais atuantes atores do cinema francês. Coincidentemente, são filhos de imigrantes árabes, Rahim de argelinos e Zem de marroquinos. Eles são os principais destaques do drama “O PREÇO DO SUCESSO” (“Le Pris Du Succès”), 2017, França, 1h32m, disponível na plataforma Netflix, direção de Teddy Lussi-Modeste (seu segundo longa), que também assina o roteiro com a colaboração de Rebecca Zlotowski. Tahar Rahim é Brahim Mecheri, um comediante de stand-up em ascensão, um sucesso capaz de arrastar multidões para os seus shows. Mourad Mecheri (Roschdy Zem) é seu irmão e empresário, que sempre se dizia responsável pelo sucesso de Brahim. No auge de sua ascensão, Brahim se apaixona por Linda (Maïwenn Le Besco), com quem pretende se casar. Como Linda não é muçulmana, a família Mecheri, ultraconservadora, nunca apoiou o namoro. Além disso, Brahim começou a se desentender com o irmão, cujo comportamento agressivo chegou ao limite quando ele agrediu Linda. Diante desses problemas, Brahim contratou um novo empresário, o que acabou desgastando ainda mais o relacionamento com Mourad e com sua própria família. “O Preço do Sucesso” estreou, com muitos elogios, na Seção de Apresentações Especiais do Toronto International Film Festival. Quando li que nos créditos havia os nomes de Tahim Rahim e Roschdy Zem, já sabia que o filme era bom. Aliás, ótimo e imperdível!                          

sábado, 13 de março de 2021

 

“O RECEPCIONISTA” (“THE NIGHT CLERK”), 2020, Estados Unidos, 1h30m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Michael Cristofer. É um suspense policial centrado num rapaz autista. Mesmo com a evidente incapacidade de se relacionar com as pessoas e de se comunicar, Bart Bromley (Tye Sheridan) trabalha no turno da noite na recepção de um pequeno hotel. Para minimizar esse problema, o jovem resolveu estudar o comportamento das pessoas e, dessa forma, poder interagir socialmente. Só que, para isso, ele instala câmeras escondidas nos quartos do hotel. Da recepção, ele vê tudo o que se passa nos quartos. Até que uma noite ele presencia um homem agredindo violentamente uma mulher. Quando chega, ela está morta. Em estado de choque, ele senta na cama e fica olhando o cadáver, até que é surpreendido por seu colega que chegou para substituí-lo no plantão. A polícia é chamada e logo começa a investigar o que aconteceu. De cara, o detetive Espada (John Leguizamo) já considera o jovem autista como um possível suspeito, para a revolta e desespero de sua mãe superprotetora Ethel (Helen Hunt). Bart é transferido para outro hotel da rede, onde continua agindo como um verdadeiro voyeur, mas sem a maldade característica desse tipo de procedimento. Eis que chega ao hotel a bela Andrea Rivera (Ana de Armas), pela qual ele se apaixona. E, como se sabe, amor de autista não é normal. Daqui para a frente não dá para comentar muito para não correr o risco de antecipar a sequência da história. Gostaria de destacar alguns pontos desse filme. Primeiro, achei uma forçada de barra criarem um personagem problemático para um cargo tão importante do hotel – talvez menos, mas também absurdo como aquele médico da série “The Good Doctor”, que também é cirurgião, mesmo tendo a Síndrome de Savant e autismo. Enfim, é cinema. Outro destaque, desta vez, positivo, é a atuação espetacular do jovem ator Ty Sheridan, que me impressionou muito. Também me chamou a atenção a aparência envelhecida da atriz Helen Hunt, mas que continua bastante competente. Resumo da ópera: “O Recepcionista” consegue manter um certo suspense, mas o desfecho não contribuiu para que o filme mereça uma indicação entusiasmada.                            

sexta-feira, 12 de março de 2021

 

“18 PRESENTES” (“18 REGALI”), 2020, Itália, 1h55m, disponível na plataforma Netflix, direção de Francesco Amato, com roteiro de Massimo Gaudioso e Davide Lantiere. Dramalhão fantasioso feito para arrancar lágrimas. A história é baseada em um fato real ocorrido em 2017. Quando estava grávida de uma menina, Elisa Girotto, de 40 anos, descobriu um tumor maligno de mama inoperável já em fase de metástase. A criança, Anna, nasceu saudável e Elisa ainda viveria alguns meses. Antes de morrer, Elisa deixou uma série de anotações, entre as quais, além de conselhos para a filha, uma lista de 18 presentes que seu marido Alessio Vicenzotto deve providenciar a cada aniversário de Anna até os 18 anos de idade. Este é o fato real que inspirou o enredo do filme que deu margem à fantasia mirabolante dos dois roteiristas. Dessa forma, o filme acompanha cada aniversário de Anna, uma menina que cresceu rebelde e problemática, a ponto de detestar todos os presentes. Mesmo agora, aos 18 anos, Anna (Benedetta Porcaroli) continua dando trabalho para o pai Alessio (Edoardo Leo), a ponto de se recusar a participar da festa organizada para receber a família e amigos. Nesse dia, ela tem uma violenta discussão com o pai e sai correndo de casa, sendo atropelada. No tempo em que ficou desacordada no hospital, Anna, num passe de mágica, volta no tempo e reencontra sua mãe grávida (dela). A partir desse encontro – espiritual ou fantasmagórico? -, o filme irá destacar a amizade entre a filha e a mãe à beira da morte. Tem gente que diz ter chorado baldes, mas não achei assim tão chororô. Na verdade, até me decepcionei com o conjunto da obra. Apesar do bom desempenho do trio principal de atores, o filme não me emocionou. Pelo contrário, me entediou. Além da pandemia de covid e da atual situação econômica, se você quiser mais um motivo para chorar, então assista.