quinta-feira, 26 de novembro de 2020

 

“A CURA” (“A CURE FOR WELLNESS”), 2017, Estados Unidos, 2h26m, roteiro e direção de Gore Verbinski. Trata-se de um drama que mistura suspense e terror psicológico. A história é centrada no jovem Lockhart (Dane Dehaan), um dos principais executivos de uma empresa com escritório em Nova Iorque. Um dia, a diretoria ordena que Lockhart viaje para a Suíça com a missão de trazer de volta o CEO Pembroke, internado para tratamento de saúde numa clínica localizada nos Alpes. Na estrada que o levaria até lá, o carro onde está Lockhart atropela uma rena, numa das cenas mais fortes do filme. Resultado do acidente: o jovem executivo quebra uma perna e é internado justamente na clínica onde está Pembroke. Como Lockhart descobriria logo depois, o local não é apenas uma clínica, mas um lugar sinistro cheio de mistério e segredos macabros. Dr. Volmer (Jason Isaacs) é o diretor da clínica e vilão da história. É daqueles médicos que fazem experiências com os pacientes, o que lembra muito o que os nazistas faziam durante a Segunda Grande Guerra. Dessa maneira, a missão de Lockhart será dificultada ao máximo, mas ele não se dá por vencido. Vasculhando pelos corredores da clínica, Lockhart tenta encontrar uma forma de resgatar Pembroke e fugir do lugar. Mas, até lá, muita água vai – literalmente – rolar. Destaque para a participação da jovem atriz Mia Goth como Hannah, a paciente mais jovem da clínica. Mia, que também é modelo, ficou conhecida depois de atuar (sua estreia no cinema) em “Ninfomaníaca”, o polêmico filme do dinamarquês Lars Von Trier. Foi neste filme também que Mia conheceu o ator Shia Labeouf, que foi seu marido de 2016 até 2018. Outra curiosidade sobre Mia: ela é neta da também atriz brasileira de cinema e televisão Maria Gladys, com quem morou aqui no Brasil até os 12 anos. Hoje, Mia é uma das atrizes mais requisitadas por Hollywood. Voltando ao comentário de “A Cura”, considero o filme bastante interessante, embora tétrico, indigesto, perturbador e até repugnante. No estilo da história e na estética visual, “A Cura” lembra muito três grandes clássicos do cinema, como “Laranja Mecânica” (a tortura no rosto), de Stanley Kubrick, “Ilha do Medo”, de Martin Scorsese, e “O Iluminado”, também de Kubrick. Sem dúvida, vale a pena conferir o filme de Gore Verbinski, que se tornou conhecido depois de ter dirigido “O Chamado” e os filmes da série “Piratas do Caribe”.  

 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

 

“INSPIRE, EXPIRE” (“ANDID EDLILEGA”), 2018, coprodução Islândia/Suécia/Bélgica, 1h40m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Ísold Uggadóttir, mais conhecida como diretora de curtas. “Inspire, Expire” é um drama triste, mas muito comovente, que explora sentimentos como amor, amizade e solidariedade. O cenário é a capital Reykjavic em pleno inverno, daqueles de bater os dentes. A trama é centrada em Lára (Kristín Póra Haralsdóttir), ex-viciada em drogas e mãe solteira do garoto Elder (Patrik Nökkvi Pétursson). Sem emprego e sem dinheiro, o que a leva a fugir dos apartamentos para não pagar os aluguéis atrasados. Na maioria das vezes, dorme com Elder em seu velho carro. Finalmente ela consegue uma chance para trabalhar como fiscal no aeroporto internacional de Reykjavic. Enquanto aprende a checar os passaportes de quem vai viajar, ela acaba conhecendo Adja (Babetida Sadjo), que foi obrigada a sair de Guiné-Bissau para não ser presa por causa de sua opção sexual – é lésbica. Adja não consegue embarcar para o Canadá, como era seu desejo, porque estava com um passaporte francês falso. Ela é detida e fica à disposição das autoridades islandesas, correndo o risco de ser deportada de volta para o seu país. Os destinos de Lára e Adja se cruzarão e, juntas, tentarão sobreviver ao sofrimento, à pobreza e às dificuldades do cotidiano. Há sequências muito sensíveis e comoventes, como aquela em que Adja conversa com Elder num abrigo de ônibus. O diálogo é um primor. Embora ambientado num cenário gélido e inóspito, o filme consegue aquecer os corações não só das personagens principais, como também dos espectadores, que certamente irão se comover com o drama dessas duas mulheres. “Inspire, Expire” emociona muito. Méritos para as protagonistas principais e também para a cineasta Ísold Uggadóttir, que, com toda justiça, conquistou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Sundance (EUA). Imperdível!   

 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

 

“O SILÊNCIO DA CIDADE BRANCA” (“EL SILENCIO DA LA CIUDAD BLANCA”), 2019, Espanha, 1h50m, direção de Daniel Calparsoro. O roteiro, escrito por Roger Danès e Alfred Pérez Fargas, foi adaptado do romance de Eva García Sáenz de Urturi, “El Silencio de La Ciudad Blanca”, best seller de 2016. Trata-se de um suspense psicológico cuja história é centrada na investigação da polícia para identificar o serial killer que está matando suas vítimas com requintes de crueldade na cidade de Vitoria, no País Basco. Primeiro, uma injeção paralisante, depois a introdução de abelhas vivas pela boca. Um horror. Depois de mortas, as vítimas, sempre em duplas – um homem e uma mulher – são expostas em locais públicos, uma ao lado da outra, nuas, com as partes íntimas cobertas com um girassol. O modus operandi lembra os assassinatos ocorridos há vinte anos pelo serial killer chamado de “Assassino do Sono”, apelido de Tasio Ortiz Zárate (Alex Brendemühl), que, por sinal, está prestes a sair da cadeia. Os assassinatos atuais estão sendo investigados pelos policiais Unai López (Javier López de Ayala) e Estíbaliz Ruiz (Aura Garrido), chefiados pela comissária Alba Diaz (Belén Rueda). Não sei se foi uma decisão acertada dos roteiristas revelar o assassino logo no começo do filme, o que descartou a expectativa para uma surpresa no desfecho. Na minha opinião, este não é o único defeito do roteiro. Há algumas subtramas mal desenvolvidas e fora do contexto da história. Posso citar duas: o acidente que matou a esposa grávida do policial Unai e a aparição do irmão problemático da sua parceira, sem contar no sexo casual entre o detetive e sua chefe. Como já visto em “O Aviso”, outro filme dirigido por Daniel Calparsoro, há uma certa dificuldade em entender o que está acontecendo. Desde a menção à religião (Adão e Eva), à sociedade das abelhas e até ao fato do serial killer preso ter um irmão gêmeo. Faltou uma explicação mais plausível para essas situações, complicando o entendimento do espectador e prejudicando o resultado final. Talvez o filme ficaria melhor se transformado numa minissérie, já que “El Silencio de La Ciudad Blanc” pertence a uma trilogia com outros dois livros escritos por Eva Garcia, “Los Ritos Del Água” e “Los Señores Del Tiempo”.     

 

domingo, 22 de novembro de 2020

 

“O AVISO” (“EL AVISO”), 2018, Espanha, 1h32m, direção de Daniel Calparsoro, seguindo roteiro elaborado por Chris Sparling, Patxi Amezcua e Jorge Guerricaechevarría, que adaptaram a história de um romance escrito por Paul Pen. Trata-se de um thriller de suspense e mistério com algumas pitadas de surreal. Após seu melhor amigo ser baleado na loja de conveniência de um posto de combustíveis, Jon (Raúl Arévalo) descobre um padrão matemático correspondente a outras ocorrências verificadas em décadas anteriores. Por exemplo, outros crimes aconteceram no mesmo local sempre no dia 12 de abril, envolvendo vítimas de determinadas idades, como garotos de 10 anos. Acontece que Jon, na época de estudante considerado um gênio da matemática, é esquizofrênico e psicótico, sofre de alucinações com insetos e toma remédios para tentar viver uma vida normal. Dessa forma, quando diz à polícia e amigos que descobriu um padrão matemático para explicar os crimes, todos acham que é mais uma de suas loucuras. E por aí vai se desenrolando a história, com Jon obcecado em investigar os assassinatos sob o ponto de vista matemático e alertar as prováveis vítimas do próximo dia 12 de abril. O filme também apresenta uma subtrama com uma mãe desesperada com o filho sofrendo bulling na escola e tendo que enfrentar a postura passiva da diretoria. Como previsível, o garoto tem dez anos e se envolverá diretamente no evento final. O roteiro é meio confuso e não ajuda a explicar algumas situações, principalmente a reviravolta que acontece no desfecho. O elenco é de primeira: além de Raúl Arévalo, tem ainda Aura Garrido, Belén Cuesta, Sérgio Mur, Hugo Arbues e Antonio Dechent. O resultado final, porém, decepciona.              

 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

 

Imagine a cena: a diva italiana Sophia Loren, aos 86 anos, dançando um samba com um transexual. E mais: o samba é “Malandro”, cantado por Elza Soares. A cena realmente acontece e, por si só, já vale o ingresso. Estou falando do drama “ROSA E MOMO” ("LA VITA DAVANTI A SÉ”), que marca a volta (triunfal!) de Sophia ao cinema, depois de 10 anos do último longa-metragem no qual atuou. Dirigido por Edoardo Ponti, filho da atriz com o produtor Carlo Ponti, “Rosa e Momo” teve o roteiro assinado por Ugo Dhiti e Fabio Natale, que se inspiraram no romance “La Vie Devanti Soi”, do escritor francês Romain Gary. Trata-se de uma história de amor, tolerância e amizade. Madame Rosa (Sophia) é uma judia sobrevivente de Auschwitz e ex-prostituta que mantém uma pequena creche destinada a abrigar menores abandonados, principalmente filhos de prostitutas. Sua rotina acaba mudando quando concorda em acolher Momo (Ibrahima Gueye), um garoto senegalês de 12 anos, até então sob a guarda do dr. Coen (Renato Carpentireri), amigo de longa data de Rosa. Momo, de 12 anos, é um menino bastante problemático, vive se metendo em encrencas e, pior, vende drogas nas ruas a mando de um traficante (Massimiliano Rossi). No início, a convivência com Momo é muito difícil, mas aos poucos Rosa vai ganhando a confiança do garoto, com o qual viverá uma grande amizade. Ambientado na bela cidade litorânea de Bari, no sul da Itália, o filme é realizado com grande sensibilidade por Edoardo Ponti. “Rosa e Momo” tem como trunfo principal a atuação da veterana Sophia Loren e do estreante Ibrahima Gueye, responsáveis pelos momentos mais cativantes e comoventes do filme. Ao lado do pote de pipoca, deixe de prontidão uma caixa com lenços de papel. Ah, o filme é ótimo.          

terça-feira, 17 de novembro de 2020

 

“ALGUÉM TEM QUE MORRER” (“ALGUIEN TIENE QUE MORIR”), 2020, Espanha, minissérie em três episódios (cerca de 1 hora cada um), à disposição na plataforma Netflix desde o dia 16 de outubro de 2020, direção do mexicano Manolo Caro (“A Casa das Flores), que também escreveu o roteiro juntamente com Fernando Pérez e Monika Revilla. Trata-se de um drama familiar com um evidente pano de fundo político numa Espanha sob o domínio do ditador Franco. A história é ambientada em meados da década de 50 do século passado envolvendo duas das mais tradicionais e importantes famílias de Madrid, os Falcón e os Aldama. A história começa com o retorno do jovem Gabino Falcón (Alejandro Speitzer), que estava morando no México há 10 anos (o motivo dessa viagem será elucidado no desfecho). Seu retorno acontece devido a um arranjo casamenteiro entre as famílias com o objetivo de fortalecer os negócios que mantêm em comum. O acordo obriga Gabino a casar com Cayetana Aldama (Ester Expósito). Só que Gabino traz a tiracolo um amigo mexicano, Lázaro (Isaac Herández), que será pivô de algumas situações que mudarão o rumo das intenções familiares. A começar pelo fato de ser dançarino profissional, o que acarreta uma certa desconfiança sobre a relação entre ele e Gambino. Os dois começam a ser chamados de “maricones”, para desespero de Gregorio (Ernesto Alterio), pai de Gambino, e da matriarca da família Falcón, Amparo (Carmen Maura). Mina (Cecilia Suarez) é a única que defende o filho das insinuações. Além de um elenco de primeira, o filme conta com o trunfo de uma primorosa recriação de época, na qual se destacam os cenários, os figurinos e ainda os automóveis. O que acabou destoando, no resultado final, foi o exagerado tom novelesco imposto pelo diretor Manolo Caro, além de um desfecho quase que risível. Em todo caso, são apenas 3 episódios. Se tivesse mais, eu não recomendaria.           

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

 

“QUANDO A VIDA ACONTECE” (“WAS WIR WOLLTEN”), 2020, Áustria, 1h33m, primeiro longa-metragem da cineasta Ulrike Kofler, seguindo roteiro assinado por Sandra Bohle e Maria Kreutzer. A história é baseada num conto do escritor suíço Peter Stamm, que também colaborou no roteiro. Trata-se de um drama conjugal que tem como pano de fundo a questão da fertilidade. Alice (Lavinia Wilson) é casada com Niklas (Elyas M’Barek) e tenta engravidar há vários anos sem sucesso. Nem mesmo inseminações artificiais deram certo. Depois de mais uma tentativa frustrada, ao receber da médica a notícia de que não haverá mais qualquer possibilidade de gestação, o casal resolve tirar umas férias para relaxar. Escolhem um resort na Sardenha. Mas o que seria apenas uma nova lua de mel acaba se transformando numa situação de pleno estresse. Isto porque na cabana ao lado chega um casal com dois filhos, um deles adolescente e uma menina de uns 7 anos. Meio a contragosto, pois queriam paz, Alice e Nicklas fazem amizade com os novos vizinhos, Christal (Anna Unterberger) e Romed (Lucas Spisser). Esse relacionamento provocará uma série de desentendimentos entre Alice e Nicklas, durante os quais a questão da infertilidade sempre vem à tona. Alice acaba entrando numa depressão profunda, a ponto de evitar contato com o marido. A situação do casal só não complica ainda mais por causa de uma quase tragédia que atingirá os vizinhos. No desfecho, fica no ar a pergunta: será que é possível ser feliz sem filhos? Pensando na resposta, Alice e Nicklas começam a rever os seus conceitos. Como seu filme de estreia, a cineasta austríaca Ulrike Kofler mostra muita segurança e competência ao abordar a questão de como a infertilidade pode afetar o relacionamento de um casal. Selecionado para representar a Áustria na disputa do Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional, “Quando a Vida Acontece” é um drama de muita qualidade que merece ser conferido.       

 

 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

 

“LAÇO MATERNO” ("MOTHER”), 2020, Japão, produção da Netflix – está na plataforma desde o dia 3 de novembro -, 2h6m, direção de Tatsushi Omori, que também assina o roteiro com Takehiko Minato. Fazia tempo que não assistia a um filme japonês tão bom. Um drama impactante e amargo, cuja história é baseada em fatos ocorridos em 2014. Akiko Misumi (Masami Magasawa) é uma jovem mãe solteira que vive grandes dificuldades financeiras. Por sua culpa. Não trabalha, é preguiçosa, inconsequente e completamente irresponsável, indo para a cama com o primeiro que aparece. E, pior, vive bêbada. Quem sofre com a situação é seu filho Shuhei (Sho Gunji criança e Daiken Okudaira adolescente), que, mesmo pequeno, é obrigado a arrumar dinheiro e fazer as compras. Ele também é manipulado por Akiko para pedir dinheiro para os avós, já que ela havia sido deserdada por tantos problemas que causou na família. Quando seus pais resolvem não dar mais dinheiro, Akiko e Shuhei vão viver nas ruas, até que surge Keichi (Taiga Nakano), um sujeito desagradável e violento, que Akiko acaba aceitando por falta de opção. O filme dá um salto de cinco anos. A situação não mudou muito. Pelo contrário, só piorou. Akiko agora tem outra criança, uma menina, e Shuhei, já um adolescente, continua a serviço das vontades da mãe destrambelhada, que, apesar do caos em que vive, não aceita ajuda do pessoal da assistência social. Continua tão irresponsável como sempre foi, a ponto de instigar o filho a cometer um assassinato para conseguir dinheiro. Não dá para adiantar o que acontece no desfecho, mas não será nada agradável. O roteiro bem elaborado é um dos trunfos de “Laço Materno”, além do desempenho espetacular da atriz Masami Magasawa, que se entrega de corpo e alma ao papel de mãe que mantém uma relação quase tóxica com seu filho Shuhei, assim como com a própria vida. Repito: é um filme bastante perturbador, mas de muita qualidade, a mesma que caracteriza há anos o excelente cinema japonês. Não deixe de ver.         

terça-feira, 10 de novembro de 2020

 

“RETRIBUTION”, à disposição na plataforma Netflix, é uma minissérie em 4 capítulos produzida pela BBC Scotland (Escócia). Quando foi exibida na tv, em 2016, recebeu o título de “One of Us”. A direção é de William McGregor e o roteiro elaborado pelos irmãos Jack e Harry Williams. É um thriller policial ambientado numa zona rural da Escócia, onde vivem as famílias Elliot e Douglas. Muito unidas por laços de amizade, as famílias vivem um momento muito feliz com o casamento de seus filhos Adam Douglas (Jeremy Neumark Jones) e Grace Elliot (Kate Bracken), ela grávida. Essa felicidade, porém, dura pouco, pois o jovem casal recém-casado é morto a facadas em seu apartamento em Edimburgo. A identidade do assassino é revelada logo no início do primeiro capítulo. Trata-se de um viciado em drogas chamado Lee (Owen Whtelaw). Ele sai correndo do local do crime, rouba um carro e foge para a zona rural. No caminho, ele perde a direção e capota, ficando gravemente ferido. Veja só a coincidência: o local do acidente é justamente entre a fazenda dos Elliot e a dos Douglas. Pois são as duas famílias que vão socorrer o assassino. Nesse meio tempo, aparece na televisão uma foto do viciado, acusado do roubo do veículo e suspeito de ser o assassino do jovem casal. O que farão as duas famílias quando souberem que socorreram o sujeito que matou seus filhos? Em outra subtrama da minissérie, a detetive Julliet (Laura Fraser), da polícia de Edimburgo, encarregada de investigar o caso, vive o dilema de tentar arranjar dinheiro para a cirurgia de sua filha, que sofre de grave doença. Para isso, se envolve com traficantes, arriscando-se a perder o emprego. Mas são as duas famílias que estarão envolvidas com os acontecimentos seguintes ao acidente do assassino. Muitas revelações surpreendentes acontecerão pelo caminho, desestabilizando os casamentos e a própria relação familiar, até que no desfecho ocorre aquela que seria a maior revelação, ligada diretamente ao assassinato do jovem casal. O elenco é excelente, contando ainda com Joanna Vanderham, Juliet Stevenson, John Lynca, Joe Dempsie, Christian Ortega, Julie Graham, Kate Dickie, Owen Whitelaw, Adrian Edmondson, Steve Evts e Georgina Campbell. A minissérie é muito boa, garantindo o suspense do começo ao fim. Recomendo.        

domingo, 8 de novembro de 2020

 

“A LIÇÃO DE MOREMI” (“CITATION”), 2020, Nigéria, produção Netflix (disponível na plataforma desde o dia 6 de novembro de 2020), 2h31m, roteiro de Tunde Babalola e direção de Kunle Afolayan. Acho que o cinema da Nigéria adora produzir filmes sobre julgamentos e tribunais. Assim foi nos mais recentes que vi: “A Quarta República” (2019) e “The Arbitration”. Neste último, aliás, o roteiro é muito semelhante ao de “A Lição de Moremi”. Enquanto que neste o caso de assédio sexual envolve um professor e uma de suas alunas, em “The Arbitration” os personagens são uma funcionária e seu chefe na empresa. A história de “A Lição de Moremi” é baseada em fatos reais e destaca a relacionamento do professor Lucien (Jimmy Jean-Louis) e sua melhor aluna no curso de pós-graduação, Moremi (Temi Otedola). Antes do ano letivo terminar, Moremi denuncia Lucien por assédio sexual e estupro à direção da universidade, que reúne seus conselheiros e professores para promover um julgamento – independente do resultado, o caso seria encaminhado para a promotoria de justiça providenciar a abertura de inquérito. Mesmo assessorada por uma advogada de renome, Moremi encontra dificuldades para provar o que está dizendo, pois não há testemunhas sobre o supostos assédio e estupro, até que no final acontece uma surpreendente revelação que ajudará uma das partes. Embora muito longo e entediante em vários momentos, o filme prende a atenção apenas com relação à expectativa pelo seu desfecho. No mais, é uma enrolação danada, em tom novelesco, incluindo até excursões dos alunos até Dakar, capital do Senegal, e Cabo Verde, explorando os principais locais de turismo dos dois países. Além do mais, com exceção do ator Jimmy Jean-Louis, que faz o papel do professor, o restante do elenco é muito fraco e o roteiro apresenta vários furos que comprometem o entendimento de algumas situações. Dos filmes nigerianos que assisti, este é, sem dúvida, o mais fraco.           

sábado, 7 de novembro de 2020

 

Se você for daquelas pessoas com estômago fraco, não gosta de ver na telinha muita violência, pancadarias e sangue jorrando, não assista “IMPLACÁVEL” (“AVENGEMENT”), filme inglês de 2019 agora disponível na Netflix. Mas se você gosta do gênero “filme pra macho”, não deixe de ver, pois é um dos filmes de ação mais violentos do momento. A direção é de Jesse V. Johnson, que também assina o roteiro com a colaboração de Stu Small. A história toda é centrada no lutador de MMA Cain Burgess (Scott Adkins). Ao vencer uma luta que havia concordado em perder, Cain caiu em desgraça com a quadrilha do poderoso traficante Lincoln Burgess (Craig Fairbrass), justamente seu irmão e o apostador principal na derrota que não aconteceu. Para pagar essa dívida, Cain topa realizar um roubo que não dá certo. Ele fica preso por sete anos numa penitenciária cujos detentos são de alta periculosidade. Resumo da história: alguns presos receberam uma grana alta para matá-lo e quase todo dia ele enfrenta uma briga, muitas vezes contra vários oponentes. Como resultado, tem a face queimada por napalm, perde os dentes da frente e ganha uma enorme cicatriz no rosto. Numa saída para velar a mãe morta, Cain consegue escapar e vai atrás daqueles que o traíram, inclusive seu irmão. Como afirmei no começo, o filme tem inúmeras cenas de violência explícita, muito sangue jorrando e ossos esmigalhados. Mas uma coisa é certa: as cenas de luta são ótimas, realistas e muito bem coreografadas. Nesse ponto, destaco o desempenho do ator Scott Adkins, especialista em artes marciais. Aos 19 anos ele já era faixa preta de Taekwondo e depois ainda se especializou em Kick Boxing, Ninjutsu, Caratê, Wusho, Jiu Jitsu, Krav Maga, Muay Thai e até Capoeira. Ou seja, só armado com um canhão para enfrentar o cara. Créditos maiores, porém, devem ser dados ao diretor Jesse V. Johnson, um craque em filmes de ação, como “O Cobrador de Dívidas”, “O Mercenário”, “Cão Selvagem e “Entrega Mortal, entre outros. Resumo da ópera: para quem gosta de violência e pancadaria, “Implacável” é simplesmente...implacável.     

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

 

“NATAL EM EL CAMINO” (“EL CAMINHO CHRISTMAS”), 2017, Estados Unidos, 1h39m (disponível na plataforma Netflix), direção de David E. Talbert, seguindo roteiro escrito por Theodore Melfi e Christopher Wehner. Segundo o que foi divulgado pela produção do filme, “Natal em El Camino” seria uma comédia. Sem tê-lo assistido, muitos críticos e sites de cinema acreditaram na sinopse e também o rotularam como comédia. Talvez a presença do comediante Tim Allen no elenco tenha provocado o engano. Trata-se, na verdade, de um drama não muito pesado, mas bem longe de provocar risadas. Talvez um ou outro sorriso amarelo. E só. A história começa com o jovem Eric Rooth (Luke Grimes) chegando à pequena cidade de El Camino com o objetivo de conhecer o pai biológico, cujo endereço descobriu ao encontrar cartas antigas destinadas à sua mãe falecida. Como acontece em quase toda cidade pequena nos Estados Unidos, a polícia pega no pé do recém-chegado, desconfiando até mesmo que ele pode estar envolvido com o tráfico de drogas. Ele é detido e depois solto, indo parar numa loja de conveniência – um mercadinho, na verdade. Aqui se encontram, além de Eric, o proprietário, a funcionária com seu filho e um velho bêbado. Tudo está calmo até a chegada de um policial e é aí que começa toda a confusão. Resumindo: a polícia é mobilizada porque acha que Rooth está mantendo reféns na loja. Uma repórter de TV passa pelo local e descobre o que está acontecendo, fazendo a cobertura para a rede nacional. Dessa forma, o suposto sequestro se transforma no principal assunto dos telejornais. O ritmo do filme cai um pouco a partir do momento em que os personagens que estão dentro da loja conversam entre si sobre seus problemas pessoais e suas histórias de vida, até chegar a uma surpreendente revelação. Como é véspera de Natal, o filme termina com neve caindo, uma jogada do roteiro para amenizar o final trágico. Além de Luke Grimes e Tim Allen, estão no elenco Jessica Alba, Vincente D’Onofrio, Dax Shepard, Michelle Myletr e Kurtwood Smith. Como podem ver, o elenco até que é bom, mas o resultado final não é dos melhores.    

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

 

Sabe aquelas comédias juvenis tipo “American Pie”, com muita baixaria, palavrões e aquele humor escatológico? Pois é, tudo isso está em “NÃO VAI DAR” (“BLOCKERS”), 2018, Estados Unidos, 1h42m, disponível na plataforma Netflix. A única diferença está no fato do diretor ser uma mulher, no caso Kay Cannon, mais conhecida até agora como roteirista. Aliás, o roteiro foi escrito por uma equipe: Jon Hurwitz, Brian Kehoe, Jim Kehoe, Eben Russell e Hayden Scholossberg. Tanta gente para um resultado tão pífio. O filme acompanha três adolescentes amigas de infância que decidem, num pacto secreto, perderem a virgindade na noite do baile de formatura. Os respectivos pais, sem querer, descobrem num computador de uma delas os termos do pacto e ficam totalmente enlouquecidos. Só que o baile já tinha começado. Eles saem correndo em busca das donzelas, enfrentando um turbilhão de situações desastrosas, incluindo um acidente de carro no caminho. Enfim, entrando na madrugada eles tentarão evitar que suas filhas percam a “pureza”. Como escrevi no começo, tudo o que acontece no filme é baseado na baixaria. O pano de fundo é o sexo, só se fala nisso, com diálogos recheados de palavrões, termos chulos e frases de duplo sentido, além de cenas no mínimo repugnantes, como o nu frontal de um homem de meia idade, jorros de vômito e até ingestão de bebida pelo ânus, além de muito álcool e drogas. Quer mais? Então assista. Anote o elenco: o péssimo John Cena, Leslie Mann (a única que se salva), Ike Barinholtz, Kathryn Newton, Gina Gershon, Gary Cole, Geraldine Viswanathan e Gideon Adlon, só para citar os mais conhecidos. Desde a tradução do título para o português (“Não vai Dar”), tudo no filme é apelação generalizada. Tudo bem, tem gente que gosta. Mas avisa quem amigo é: se você tem algo parecido com inteligência, fuja a galope!       

terça-feira, 3 de novembro de 2020

 

“HOMEM AO MAR” (“OVERBOARD”), 2018, Estados Unidos, roteiro e direção de Rob Greenberg. Trata-se de um remake da comédia romântica “Um Salto Para a Felicidade”, de 1987, que teve como dupla central Goldie Hawn e Kurt Russell, dirigidos por Garry Marshall. Em “Homem ao Mar”, a dupla é composta por dois bons comediantes: a norte-americana Anna Faris (da série “Todo Mundo em Pânico”) e o mexicano Eugenio Derbez (“Como se Tornar um Conquistador”). Vamos à história. Kate (Faris) é mãe solteira de três filhas, trabalha em dois empregos, entregadora de pizza e faxineira. Dinheiro curto, endividada até o pescoço, está prestes a ser despejada. Ao realizar uma limpeza no iate luxuoso do milionário mexicano Leonardo “Leo” Montenegro (Derbiz), cuja família é proprietária de uma grande empresa de construção, Kate é humilhada pelo arrogante “Leo” e acaba demitida do emprego. Ela promete vingança, e a oportunidade surge depois que ele sofre um acidente que o deixa sem memória. Incentivada por sua amiga Theresa (Eva Longoria), Kate bola um plano maquiavélico: já que “Leo” perdeu a memória e sua família o dá como morto, Kate apresenta-se no hospital como a esposa dele. Dessa forma, consegue levá-lo para sua casa e colocar em prática a vingança planejada. A crítica especializada não gostou do filme e só elogiou o trabalho da atriz Anna Faris, realmente uma ótima comediante. Não achei o filme tão ruim, dá para assistir e até se divertir, apesar do final altamente previsível. Também estão no elenco Cecília Suárez, Mariana Treviño e John Hannah. “Homem ao Mar” é ideal para uma sessão da tarde com pipoca e sem compromisso com os neurônios.   

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

 

“BRONX”, 2020, França, 1h56m, roteiro e direção de Olivier Marchal, produção e distribuição da Gaumont, disponível desde o dia 20 de outubro de 2020 na plataforma Netflix. É o mais recente filme do cineasta Marchal, que mantém o seu estilo caracterizado por boas histórias, muita violência e ação, tudo o que os fãs do gênero policial mais apreciam – confira no final deste comentário alguns dos melhores filmes de Marchal. O “Bronx” do título é um bairro de Marselha, considerada uma das cidades mais violentas da Europa. Um grupo de policiais de elite da Brigada Anti Gangues recebe como missão intervir no submundo criminoso de Marselha, dominado por duas poderosas gangues que estão em guerra, os clãs Bastiani e Orsolini. Como na maioria dos filmes de Marchal, a corrupção no meio da polícia é um dos elementos mais presentes em “Bronx”. Tudo começa com um atentado na solenidade de posse do novo comissário de polícia Ange Leonetti (Jean Reno). Uma testemunha-chave é levada sob custódia e acaba assassinada na delegacia. Só que a vítima pertence a uma das famílias mafiosas. A partir daí começa a guerra generalizada, gangue contra gangue, gangues contra a polícia, polícia contra polícia, enfim, matança que não acaba mais, com muita violência e sangue jorrando. Além de Reno, fazem parte do elenco Lannick Gautry, Stanislas Merhar, Catherine Marchal (esposa do diretor), Moussa Maaskri, Gérard Lanvin e Kaaris. A diva Claudia Cardinale, aos 82 anos, tem uma participação especial como a chefona do clã Bastiani. Para você comprovar o talento do diretor Marchal, aí vai uma lista de alguns de seus filmes mais conhecidos: “Un P’tit Gars de Ménil Montant”, “Carbon”, “Borderline”, 36th Delegacia”, “Diamante 13”, “Pacto de Sangue”, “MR 73 e o clássico “Não Conte a Ninguém”. Incluo "Bronx" nesta relação como mais um filme de Marchal a ser recomendado.             

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

 

“MADEMOISELLE VINGANÇA” (“MADEMOISELLE DE JONCQUIÈRES”), 2018, França, 1h50m, roteiro e direção de Emmanuel Mouret (“Romance à Francesa”). Trata-se de um filme de época ambientado em meados do século 18, tendo como principal protagonista Madame De La Pommeraye (Cecile de France), uma bela viúva que vive reclusa em seu palácio rural desde a morte do marido. Um velho conhecido, o Marquês De Arcis (Édouard Baer), começa a assediá-la com insistência, mas ela não cede. Para um aristocrata famoso por suas conquistas femininas na alta sociedade de Paris e adjacências, as recusas de La Pommeraye se transformam num desafio a ser vencido. Como todo garanhão desafiado, ele aperta o cerco e, depois de muito tempo de assédio, consegue finalmente seu objetivo. A viúva acaba se apaixonando perdidamente, entregando-se completamente ao marquês. Dois anos depois, porém, ele confessa a ela que dali para a frente só quer amizade, pois seu amor terminou. A rejeição do marquês é um banho de água fria em La Pommeraye. E com mulher rejeitada, todo mundo sabe, não se brinca. Ela bola um plano maquiavélico para se vingar do marquês, utilizando duas prostitutas, mãe e filha, respectivamente Madame De Joncquières (Natalia Dontcheva) e Mademoiselle De Joncquières (Alice Isaaz). Sem contar detalhes, posso afirmar que o marquês vai comer o pão que o diabo amassou. “Mademoiselle Vingança” é um filme bastante agradável de assistir. O roteiro é primoroso, com diálogos num tom bastante satírico, mesmo que os protagonistas utilizem o vocabulário pomposo da aristocracia francesa daquela época. Você vai se divertir com as situações criadas pela viúva vingativa. Nesse ponto, há que se admirar a ótima atuação de Cecile de France, uma atriz que aprendi a admirar de longa data. Outro aspecto que merece destaque é a caprichada recriação de época, com cenários deslumbrantes de castelos, bosques e jardins, além dos figurinos. Mas é realmente o roteiro que valoriza o filme, escrito com muito inspiração pelo diretor Ammanuel Mouret, que o adaptou do livro “Jacques, Le Fataliste, et Son Maître”, do filósofo e escritor Denis Diderot (1713-1784). Mesmo quem não é chegado num filme de época vai curtir “Mademoiselle Vingança”, um filme inteligente e divertido. Programão!     

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

 

“O GAMBITO DA RAINHA” (“THE QUEEN’S GAMBIT”), 2020, minissérie de 7 capítulos de 1 hora produzida pela Netflix, roteiro e direção de Scott Frank. Logo que estreou na Netflix no dia 23 de outubro, a minissérie ganhou elogios no mundo inteiro, tanto de críticos de cinema como do público. Para se ter uma ideia de sua qualidade, até o rigoroso site Rotten Tomatoes, especializado em cinema, conferiu a ela 100% de aprovação, o que é uma raridade. Realmente, vale a pena assistir. A história, fictícia, é baseada no romance “The Queen’s Gambit”, do escritor norte-americano Walter Tevis (1928-1984). Vamos à sinopse. Aos 9 anos, em 1957, após a morte trágica da mãe, Beth Harmon é internada num orfanato. Encarregada de limpar os apagadores da lousa da classe, ela desce diariamente ao porão, onde encontra o zelador, sr. Shaibel (Bill Camp), jogando xadrez sozinho. Beth pede que ele a ensine o jogo. Depois de negar inúmeras vezes, Shaibel concordou em ensiná-la. Logo ele percebeu que estava diante de um fenômeno, de uma inteligência rara, uma verdadeira campeã em potencial. Ao mesmo tempo em que aprendia os movimentos do xadrez, Beth (Anya Taylor-Joy) ficaria viciada em tranquilizantes, que roubava da farmácia do orfanato. As pílulas levavam o seu cérebro a ter alucinações e, como num efeito holográfico, ela via um tabuleiro no teto do seu quarto movendo as peças e criando várias jogadas. Para resumir a história, Beth foi adotada por um casal e aos 13 anos já era campeã universitária, estadual e logo depois nacional. Sua fama chegou aos quatro cantos do mundo, o que lhe rendeu inúmeros convites para participar de torneios internacionais, enfrentando e vencendo jogadores profissionais, ou seja, os grandes mestres do xadrez. O maior objetivo de Beth seria enfrentar o russo campeão mundial Vasily Borgov (Marcin Dorocinski), o que aconteceria em duas ocasiões. Como o título já antecipa – gambito da rainha é uma das aberturas (jogadas iniciais) do jogo -, o filme é quase todo voltado para o que gira em torno do xadrez e a dedicação exigida por parte dos jogadores, envolvendo estudos e treinos diários, trabalho psicológico para aguentar a pressão das partidas e suas, em geral, tumultuadas vidas pessoais. No caso de Beth Harmon, por exemplo, o vício em álcool e tranquilizantes, além de uma crónica solidão. Não há dúvida de que o sucesso da produção deve ser atribuído, em grande parte, ao desempenho sensacional da jovem atriz norte-americana Anya Taylor-Joy (“Os Novos Mutantes”, “Fragmentado”) como Beth Harmon. O mais curioso é que a atriz, antes de atuar na minissérie, nunca havia jogado xadrez. Ainda estão no elenco Marielle Heller, Thomas Brodie, Harry Melling, Moses Ingram, Chloe Pirrie e Christiane Seidel. Mesmo que você não seja fã do jogo de xadrez, a minissérie tem tudo para agradar. Quem joga ou jogou xadrez, ou pelo menos se interessa pelo tema, “O Gambito da Rainha” é entretenimento garantido, emocionante do começo ao fim - e veja que estamos falando de xadrez.... Sem dúvida, uma verdadeira jogada de mestre da Netflix. Não exagero em escrever que esta é a melhor minissérie do ano. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.     

terça-feira, 27 de outubro de 2020

 

“MARY SHELLEY”, 2018, Inglaterra, 2h00, roteiro e direção da cineasta saudita Haifaa Al Mansour. Trata-se de uma adaptação para o cinema da biografia de Mary Wollstonecraft Godwin (1797-1851), que mais tarde seria conhecida como a escritora Mary Shelley, criadora do monstro Frankenstein. Filha do escritor e filósofo William Godwin e da escritora Mary Wollstonecraft, Mary cresceu lendo os livros da imensa biblioteca dos pais e logo cedo começou a escrever, dedicando-se a histórias de terror. O filme destaca o tumultuado romance entre Mary (Elle Fanning) e o poeta Percy Shelley (Douglas Booth), um escândalo na Londres da época, pois ela só tinha 16 anos. Para complicar ainda mais a situação, sua irmã Claire (Bel Powley), que passou a morar com o casal, também seria motivo de outro escândalo como amante do famoso poeta Lord Byron (Tom Sturridge). Em meio a tanta agitação, Mary encontrou tempo para escrever o romance que intitulou de “Frankenstein ou o Jovem Prometeu”, considerado até hoje o primeiro romance de ficção científica da literatura mundial. Interessante que, em sua primeira edição, o livro foi assinado pelo marido Percy Shelley, pois na época mulher escritora era quase um escândalo. Somente na segunda edição é que Mary aparece como autora. O filme apresenta uma primorosa recriação de época, com cenários de uma Londres onde a pobreza era evidente nas ruas. Mas o grande destaque é realmente a atuação da jovem atriz norte-americana Elle Fanning, irmã mais nova da também atriz Dakota Fanning. “Mary Shelley” deve ser visto não apenas como uma boa adaptação biográfica, mas também como um estudo comportamental de uma época em que a mulher era relegada a segundo plano na sociedade. Filmaço!  

domingo, 25 de outubro de 2020

 

“93 DIAS” (“93 DAYS”), 2016, Nigéria, 2h05m, direção de Steve Gukas e roteiro de Paul Rowlston. Baseado em fatos reais, o filme relembra como a Nigéria conseguiu conter a disseminação do vírus do Ebola por sua população. Vale registrar, antes de entrar no comentário, que houve um surto do Ebola na África Ocidental entre 2013 e 2016, durante o qual morreram 11.323 pessoas na Guiné, Libéria, Mali, Senegal, Nigéria e República Democrática do Congo. A Nigéria, devido ao empenho da equipe médica do Hospital First Consultant Medical Centre, da capital Lagos, conseguiu debelar o vírus em 93 dias, período em que foram infectadas 20 pessoas, com apenas 8 mortos. O filme começa com a chegada ao hospital do norte-americano Patrick Sawyer (Keppy Ekpenyong-Bassey), que desembarcara pouco antes no Aeroporto Murtala Mohammed proveniente da Libéria, onde trabalhava como consultor do Ministério das Finanças. No hospital, Sawyer foi atendido pela médica Ameyo Stella Adadevoh (Bimbo Akintola), que constatou que o paciente estava infectado pelo Ebola. Apesar das pressões do governo da Libéria e do próprio governo nigeriano, a médica proibiu Sawyer de sair do hospital para não contaminar outras pessoas, mas enfermeiros e médicos, inclusive Adadevoh, acabaram infectados. “93 Dias” retrata o esforço e a dedicação do pessoal do hospital na luta contra a doença, com a ajuda de uma equipe enviada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Ong Médicos sem Fronteiras. Apesar do cenário trágico que envolve toda a história, “93 Dias” consegue ser bastante esclarecedor com relação aos fatos que aconteceram, reservando ao telespectador algumas sequências muito comoventes. Mas o que se destaca realmente é o empenho corajoso da equipe do hospital, que arriscou suas vidas para salvar outras. Lembrando que só a capital Lagos tinha na época 21 milhões de habitantes, 20 infectados e oito mortos podem ser considerados um feito milagroso, ainda mais num país com poucos recursos na área médica. Como destaque no elenco, a participação do ator norte-americano Danny Glover como Dr. Benjamin Ohiaeri, diretor médico do hospital, e do ator escocês Alastair Mackenzie como o médico David Brett-Major, da OMS. “93 Dias” é mais uma produção do cinema nigeriano, hoje o segundo maior produtor de filmes do mundo, atrás apenas da Índia (EUA é o terceiro).     

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

 

REBECCA – A MULHER INESQUECÍVEL (“REBECCA”), 2020, Estados Unidos, produção e distribuição Netflix, 2h2m, direção de Ben Wheatley. A história foi adaptada do romance de Daphne Du Maurier, de 1938, um grande best-seller mundial na época e que se transformou em roteiro escrito por Joe Shrapnel, Jane Goldman e Anna Waterhouse. Já houve outra adaptação para o cinema, em 1940, dirigida por Alfred Hitchcock e que conquistou a estatueta do Oscar como Melhor Filme. Trata-se de um suspense psicológico cujo maior trunfo é realmente a ótima história criada pela escritora inglesa Daphne Du Maurier (1907-1989). Vamos a ela. O milionário Maxim De Winter (Armie Hammer) fica viúvo de Rebecca, morta num acidente de barco. Pouco tempo depois, ele conhece uma jovem cuidadora de idosos que logo se tornaria a sra. De Winter (a atriz inglesa Lily James) – o primeiro nome da personagem não é mencionado. O casal vai morar na mansão Manderley, na costa inglesa, pertencente à família De Winter há várias gerações. No que seria um verdadeiro conto de fadas, o casamento com Max se transformou num verdadeiro inferno para a nova sra. De Winter. A começar pela evidente rejeição a ela pela governanta mrs. Danvers (Kristin Scott Thomas), o mesmo sentimento de outros empregados da mansão, que sempre colocaram a falecida Rebecca num pedestal sagrado. A jovem mrs. De Winter também foi obrigada a conviver com o comportamento estranho do marido, ainda muito ligado às lembranças da esposa morta. Aos poucos, mrs. De Winter desvendará muitos segredos da vida de Rebecca, alguns relacionados com a sua morte. O desfecho trágico, numa sequência de grande suspense, consagra uma das histórias mais emocionantes e bem escritas da literatura mundial. No caso das adaptações para o cinema, o filme de 1940 é considerado, pela maioria dos críticos, como a melhor. Não discordo, mas acho que a nova versão também tem muitas qualidades, a começar pelas ótimas atuações de Kristin Scott Thomas e de Lily James, além dos cenários deslumbrantes e de um primoroso trabalho de fotografia. Filmaço!    

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

 

“JAG ÄLSKAR DIG – EN SKILSMÄSSOKOMEDY” – É com esse título pra lá de complicado que esta ótima comédia sueca está disponível no catálogo Netflix. Fui atrás da tradução literal para o português: “Eu Te Amo – Uma Comédia de Divórcio”. O filme é de 2016, escrito e dirigido por Johan Brisinger. A história é centrada no casal Gustav (Björn Kjellman) e Marianne (Christine Meltzer), que estão na meia-idade e vivendo uma crise típica... da meia-idade. Ele é sócio de uma grande firma de advocacia, trabalha muito e não tem muito tempo para se dedicar à esposa e ao casal de filhos adolescentes. O casamento se transforma numa rotina sem muitas emoções, o que inclui a ausência de sexo. Marianne acaba se rebelando com a situação e sai de casa, indo morar com uma amiga. De início, Gustav fica desesperado, mas logo conhece uma mulher bem mais jovem, a espevitada Rita (Nour El-Refai). Marianne também se refaz da separação nos braços de Rodolfo (Rodolfo Corsato) um fotógrafo latim lover. Todo esse contexto acaba gerando situações bastante engraçadas, envolvendo os problemas com os filhos, a relação com os pais e cunhados de Gustav e ainda uma revelação bombástica perto do desfecho. Além do elenco bem afiado e das sequências de humor hilariantes, o filme destaca inúmeros cenários deslumbrantes da capital Estocolmo. Enfim, uma comédia leve e agradável de assistir. Recomendo.  

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Pintou um forte candidato a muitas indicações na disputa do Oscar 2021. Estou me referindo ao filme “Os 7 DE CHICAGO” (“THE TRIAL OF THE CHICAGO 7”), 2020, Estados Unidos, 2h10m - disponível na Netflix -, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Aaron Sorkin, mais conhecido no meio cinematográfico por seu currículo como roteirista (veja seus principais filmes no final deste comentário). “Os 7 de Chicago” adapta os fatos ocorridos no final do emblemático ano de 1968, quando diversos grupos de manifestantes, entre os quais radicais de esquerda, moderados ligados ao movimento hippie, panteras negras e até escoteiros, rumaram para Chicago para protestar contra a Guerra do Vietnã durante a realização da Convenção Nacional do Partido Democrata. O movimento terminou em pancadaria entre policiais e manifestantes, com dezenas de feridos. Logo em seguida, um inquérito policial apontou sete pessoas como responsáveis pelo conflito. O caso culminou em julgamento, o qual será a premissa principal de “Os 7 de Chicago”. O embate jurídico resulta em pelo menos 151 sessões do julgamento até a decisão final dos jurados. Na época, os meios de comunicação dos Estados Unidos ficaram focados em Chicago, acompanhando o desenrolar dos fatos. Para valorizar ainda mais a história, o filme utiliza vídeos da época mostrando as cenas de violência, incluindo os assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy. Um dos trunfos de “Os 7 de Chicago” é seu elenco estrelado. Confira: Sacha Baron Cohen, Eddie Redmayne, Joseph Gordon-Levitt, Michael Keaton, Frank Langella, Mark Rylance, Alex Sharp, William Hurt, Yahya Abdul-Mateen II, Jerimy Strong e Caitlin Fitzgerald. O grande mérito, porém, é do diretor Aaron Sorkin, cujo currículo de roteirista apresenta filmes de qualidade como “A Grande Jogada”, “Questão de Honra”, “Jogos do Poder”, “A Rede Social”, “Steve Jobs” e “O Homem que Mudou o Jogo”. Enfim, uma fera de Hollywood. Não tenho dúvidas em afirmar que “Os 7 de Chicago” tem grande chance de ser eleito o filme do ano - por mim já é. Realmente é excelente, um registro histórico de um caso que marcou época. IMPERDÍVEL com maiúsculas!