“3 PEDIDOS” (“3 TING”), 2019, Dinamarca,
1h29m, roteiro e direção de Jens Dahl. É o seu primeiro longa-metragem. Era
mais conhecido como roteirista de filmes e séries de TV. “3 Ting” é um thriller bastante
original, engenhoso e muito agradável de assistir, embora seja ambientado quase
que inteiramente num quarto de hotel. Aqui, o assaltante Mikael (o astro
dinamarquês Nikolaj Coster Waldau, o Jaime Lannister da série “Game of Thrones”)
está negociando com a polícia o seu ingresso no programa de testemunhas. Ele
foi preso depois de ter participado de um grande assalto a banco em Copenhagen praticado
por uma gangue de bandidos sérvios. Mikael tem que entregar o chefe do grupo e
os demais assaltantes, além de descrever detalhadamente como foi planejado e
praticado o assalto. Nina (Laerke Winther Andersen) é a negociadora da polícia,
responsável pelo interrogatório. Para concretizar a delação, Mikael exige três
pedidos, um deles a presença de Camilla (Birgitte Hjort Sorensen), sua ex-namorada.
Ao lado de Mikael e da negociadora Nina, além de dois policiais responsáveis
pela segurança do local, Camilla participará dos eventos no quarto do hotel até
o desfecho, que terá uma surpreendente reviravolta muito bem engendrada pelo roteiro de Jens
Dahl. Eu já conhecia o trabalho do ator Nikolaj Coster Waldau pelo ótimo “Segunda
Chance”. Enfim, “3 Pedidos” é um filme
inteligente e muito interessante que merece ser visto por quem gosta de cinema
de qualidade.
sábado, 21 de setembro de 2019
sexta-feira, 20 de setembro de 2019

segunda-feira, 16 de setembro de 2019
“KARDEC: A HISTÓRIA POR TRÁS
DO NOME”, 2018, Brasil, 1h50m, roteiro e direção de Wagner de Assis.
Trata-se da cinebiografia de Alan Kardec, realizada em comemoração aos 150 anos
da morte daquele que é considerado o fundador e o principal decodificador da doutrina
espírita. O roteiro é uma adaptação do livro “Kardec: A Biografia” (2013), escrito
pelo jornalista Marcel Souto Maior. Ambientado em Paris, o filme começa em 1851
apresentando Hypolite Leon Denizard Rivail (Leonardo Medeiros) como um
professor liberal. Quando assumiu o Imperador Napoleão III, a Igreja Católica ganhou
poder para interferir no ensino, o que revoltou Hypolite, que logo pediu
demissão. Naquela época, havia em Paris uma febre sobre o tal fenômeno das
mesas giratórias, através das quais - acreditavam - era possível se comunicar com os espíritos.
Hypolite resolveu estudar o assunto e, a princípio, não acreditava em nada
daquilo. Passou então a frequentar sessões organizadas por médiuns. Numa delas,
recebeu a notícia de que tinha sido um druída chamado Alan Kardec em outra
encarnação. Hypolite adotou o nome, aderiu à doutrina e escreveu, em 1857, o
livro “O Livro dos Espíritos”, que teve enorme repercussão por toda a Europa,
transformando-se na “bíblia” da doutrina espírita. Resultado: foi banido do
clube de cientistas de Paris e perseguido pela Igreja Católica. Mas hoje seu nome é reconhecido no mundo inteiro como o fundador da Doutrina Espírita. O filme foi
quase todo rodado em Paris e o diretor Wagner de Assis utilizou um recurso
gráfico que “apagou” dos cenários não só pessoas, como também veículos e
estabelecimentos comerciais, enfim, tudo que mostrasse a capital francesa de
hoje. Participaram do elenco, além de Leonardo Medeiros, Sandra Corveloni,
Genézio de Barros, Dalton Vigh, Guida Viana, Letícia Braga, Julia Konrad e
Charles Erick. Mais um bom trabalho de Wagner de Assis, que ficou conhecido como
roteirista e diretor de novelas da Globo (“Além do Tempo”, de 2015-2016, e “Espelho
da Vida”, de 2018-2019) e de filmes espíritas, como “Nosso Lar”, sucesso de
bilheteria em 2010, e “A Menina Índigo”, de 2016. Quem tiver curiosidade, como
eu tive, de conhecer a vida de Alan Kardec e seu trabalho, “Kardec” é um ótimo
programa.
domingo, 15 de setembro de 2019
“NUNCA DEIXE DE LEMBRAR” (“Werk
Ohne Autor”), 2018, Alemanha, roteiro e direção de Florian
Henckel von Donnersmarck, 3h9m. Este filme representou a Alemanha na disputa do
Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro (também concorreu à Melhor Fotografia) e
ficou entre os finalistas, perdendo para “Roma”. Porém, se eu fosse membro da
Academia, teria votado neste ótimo drama biográfico alemão. Muitos críticos comentaram
que só não ganhou o Oscar porque seu diretor já havia conquistado a estatueta
de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, com o espetacular “A Vida dos Outros”. De
meados da década de 30 até o final da década de 60, “Nunca Deixe de Lembrar” acompanha
a trajetória política e cultural da Alemanha, paralelamente à vida do pintor
Gerhard Richter, um dos grandes nomes da arte contemporânea alemã. O filme
começa apresentando Richter ainda garoto (interpretado por Cai Cohrs) em
companhia da tia Elisabeth May (a bela Saskia Rosendahl) visitando a Exposição “Arte
Degenerada”, promovida pelo governo nazista com o objetivo de enxovalhar as
pinturas dos modernistas Chagall e Kandinski. Daí para a frente, o filme enfoca
a vida de Richter (quando adulto, papel Tom Schilling), tendo como pano de
fundo a história política da Alemanha, desde a ascensão do regime nazista, as
atrocidades da Segunda Grande Guerra, o nascimento da República Democrata Alemã
(RDA), a tirania soviética, a construção do muro de Berlim até a vida do pintor
na Alemanha Ocidental – ele fugiu com a esposa Ellie (Paula Beer, de “Frantz”,
ótimo filme de François Ozon) pouco antes da construção do muro. O filme acompanha
também a trajetória do professor Carl Seeband (o veterano ator Sebastian Koch),
que durante o regime nazista foi o médico que fazia abortos em mulheres que não
eram arianas ou que tivessem alguma anomalia física ou psíquica – o caso de Elisabeth,
tia de Richter. Os destinos do pintor e do médico se cruzarão alguns anos depois,
quando Richter conhece Ellie. Enfim, como o próprio título faz entender, “Nunca
Deixe de Lembrar” é um filme inesquecível, espetacular, que vale cada minuto de
suas mais de três horas de duração. Reputo como uma obra-prima do cinema alemão.
Não perca de jeito nenhum!
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
“HIGH LIFE”, 2018,
França, 1h53m, direção de Claire Denis, que também assina o roteiro ao lado de
Jean-Pol Fargeau e Geoff Cox. A estreia do filme, o primeiro da veterana
diretora francesa falado em inglês, aconteceu em setembro de 2018 durante o
Festival de Cinema de Toronto (Canadá) e, de cara, causou grande polêmica entre
os críticos especializados e o público, uns contra outros a favor. A história
(totalmente ambientada numa nave): um grupo de criminosos é “recrutado” do
corredor da morte e enviado numa nave para o espaço em direção do Buraco Negro
mais próximo do Sistema Solar. Sua missão: descobrir novas energias
alternativas. Eles não sabiam, mas desconfiavam, que a passagem era só de ida. Dois
personagens se destacam na história: a médica Dibs (Juliette Binoche), e Monte
(Robert Pattinson). Dibs cuida da saúde do pessoal, além de fazer experiências
reprodutivas. Ela é movida a sexo, enfim, uma ninfomaníaca. Monte é pai de um
bebê provavelmente fruto das experiências de Dibs. A mãe não é revelada, a não
ser que seja um bebê de proveta. Todos os ocupantes da nave apresentam
comportamentos estranhos e perigosos, o que aumenta o suspense em relação ao
que acontecerá na próxima cena. Confesso que no início do filme fiquei
incomodado com o estilo adotado pela veterana diretora francesa, lembrando
muito os filmes do abominável e insuportável diretor norte-americano Terrence
Malick. Ou seja, textos em off, legendados, filosofando a respeito da vida, dos
seres humanos e suas atitudes, cenas longas e uma lentidão quase sonífera. Apesar
disso, é um filme bastante interessante, que tem como principal trunfo as
excelentes performances de Juliette Binoche e Robert Pattinson. Assisti a
vários filmes de Claire Denis, entre os quais recomendo “Minha Terra, África”
(2009), “Deixe a Luz do Sol Entrar” (2018), também com Binoche, “Bom Trabalho”
(1999) e "25 Doses de Run" (2008).
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
“HUROK”, 2016,
Hungria, 1h35m, roteiro e direção de Isti Madarász, sua estreia em longas. Em
português, hurok quer dizer laço, mas como o filme não chegou por aqui –
e duvido que chegue - não teve tradução. Ádám (Dénes Száraz) é um sujeito fracassado
que vive de bicos, o principal deles como traficante de drogas a serviço do
truculento Dezsõ (Zsolt Anger), segurança de um hospital. Em sua rotina de
trabalho, Ádám conhece a viciada Anna (Dorina Martinovics), pela qual se apaixona.
Um dia, os namorados resolvem aplicar um golpe em Dezsõ, ou seja, vender um
grande lote de drogas e fugir da Hungria. Só que o planejado dá errado. Anna fica
grávida e se recusa a participar da tramoia e Dezsõ descobre a traição. Para
piorar ainda mais a situação, Anna morre atropelada. Até aí, a história corre
de forma normal. Só que o roteiro dá uma guinada radical, reproduzindo as cenas
iniciais com a participação de um “outro” Ádám, que vê tudo prestes a acontecer
e tem a oportunidade de mudar o destino dos fatos e, principalmente, tentar evitar a morte
de Anna. Sem dúvida, um filme bastante interessante, criativo e original, que
merece ser visto.
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
“LÁMEN SHOP” (“RAMEN TEH”), 2018,
coprodução Singapura/Japão/França, 1h30m, direção de Eric Khoo, com roteiro
escrito por Tan Fong Cheng e Wong Kim Hoh. Para quem gosta de culinária, principalmente
a oriental, “Lámen Shop” é um prato cheio. Antes de iniciar o comentário, lembro
que Lámen é um prato tradicional da culinária japonesa, constituído de macarrão
chinês, uma sopa com caldo à base de ossos de porco, peixe ou frango, além do
acréscimo de alguns condimentos. Vamos à história do filme. O jovem Masato
(Takumi Saitoh) trabalha com o pai num restaurante do Japão especializado em
servir o Lámen. Depois da morte do pai, Masato descobre num baú um caderno de
receitas escrito em mandarim (língua oficial da China, Singapura, Taiwan e Hong Kong). Um parêntese: a mãe era
chinesa e casou com o pai de Masato, japonês, muito a contragosto da mãe dela.
Tudo por causa da invasão japonesa a Singapura em 1942, na época uma colônia
britânica. Os japoneses abusaram da crueldade, assassinando muita gente da
população local e os próprios ingleses. Voltando à história: Masato resolveu
viajar até Singapura para descobrir como o romance de seus pais começou e,
ainda, tentar uma aproximação com a avó. No meio do caminho, Masato visitou
alguns centros importantes de culinária no Japão, China e Singapura, aprendendo
novas receitas para aperfeiçoar o Lámen do seu restaurante, como também outros
pratos típicos da China, Japão e Singapura. Um road movie culinário dos
mais interessantes. Masato chega à conclusão de que todos os acontecimentos de
sua família giraram em torno de uma mesa de comida, e está lá o Lámen como
elemento agregador. Um belo filme, sensível e comovente, onde a culinária está
presente em todos os momentos. Como escreveu um crítico profissional, no filme “Todas
as feridas se resolvem entre carnes e temperos, entre lágrimas e abraços”. Uma
definição com a qual concordo plenamente. Não percam!
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
“JOHN WICK 3 – PARABELLUM” (“JOHN
WICK: CHAPTER 3 – PARABELLUM”), 2019, EUA, 2h12m, direção de
Chad Stahelski (o mesmo dos dois primeiros – “De Volta ao Jogo” e “Um Novo Dia
para Matar”). Como nos dois primeiros filmes da série, “Parabellum” capricha
nas cenas de ação. A história é fantasiosa e mirabolante demais, mas para quem
curte filmes de ação, pouco importa. O que vale mesmo são as pancadarias,
sangue jorrando, perseguições, tiros e muita ação. Neste terceiro filme da
série, John Wick (Keanu Reeves) é condenado à morte e caçado por criminosos
contratados pela Alta Cúpula, depois de ter assassinado – no filme anterior –
um chefão da máfia que estava hospedado no Hotel Continental, pertencente à
organização. A recompensa é de US$14 milhões, o que atrai um grande contingente
de assassinos. Mas John Wick é John Wick, mestre em artes marciais, exímio
atirador e praticamente imortal. Keanu Reeves está visivelmente pesado para as
lutas corpo a corpo, sendo substituído por um dublê - dá para ver nitidamente que não é ele. O filme é mentiroso, como
os de James Bond. Para se ter uma ideia, depois de várias lutas no Marrocos e ser
obrigado a atravessar o deserto a pé, ele chega a um oásis com o terno e o nó
da gravata impecáveis. Há algumas outras cenas de humor, o que deixa o filme
ainda mais agradável de assistir. Dizem que será o último da série, mas não
acredito. Afinal, seu lançamento mundial rendeu US$ 319 milhões, o que significa
um grande sucesso de bilheteria. Além de Reeves, completam o elenco Halle
Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddic, Ian
McShane e Anjelica Huston. Resumo da ópera: “Parabellum” é uma grande bobagem,
mas uma bobagem bastante divertida. Informação adicional: “Parabellum” vem de
uma frase do latim: “Si Vis Pacem Para Bellum” (“Se Você quer Paz, Prepare-se
para a Guerra”). Meu blog também é cultura.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
“DONNYBROOK” – LUTA PELA
REDENÇÃO” (“DONNYBROOK”), 2018, EUA, 1h41m, direção de Tim Sutton, que
também é o autor do roteiro, baseado no livro “DonnyBrook”, de 2013, escrito por
Frank Bill. A história é centrada no veterano de guerra Jarhead Earl (o ator inglês
Jamie Bell, de “Billy Elliot”), que vive de trambiques e assaltos para
sustentar a família e pagar os remédios da esposa Sarah (Valerie Jane Parker),
que está com câncer. Com o objetivo de conseguir mais dinheiro para um
tratamento mais intensivo e eficiente de Sarah, Jarhead resolve treinar para disputar um
torneio de lutas chamado “DonnyBrook”, cujo vencedor leva 100 mil dólares. Paralelamente
ao drama vivido por Jarhead, o filme acompanha a trajetória de Chainsaw Angus
(o brucutu Frank Grillo), traficante de metanfetamina, um cara violento que
vive espancando a irmã Delia (Margaret Qualley), viciada e também sua parceira
no tráfico. Enfim, gente da "melhor" qualidade. Quando chega a hora das lutas no
DonnyBrook – cerca de 20 lutadores são colocados numa jaula e o último que ficar
de pé ganha o prêmio), Jarhead e Angus ficam frente a frente para resolver uma
antiga rixa - Angus era o fornecedor de drogas de Sarah. O roteirista e diretor Tim Sutton, da trilogia “Memphis”, “Dark
Night” e “Pavillion”, acerta a mão também em “DonnyBrook”, um filme
independente muito elogiado pela crítica especializada. Eu também gostei, mesmo
que seja violento demais. Para encerrar, destaco a cena em que a bela atriz
Margaret Qualley sai nua de um lago, lembrando Ursula Andrews em “007 Contra o Satânico
Dr. No” (1962), o primeiro da série James Bond. Outro destaque do filme fica
por conta das ótimas atuações de Jamie Bell, Frank Grillo e da própria Margaret
Qualley. Enfim, “DonnyBrook é um filme que merece ser conferido.
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
Representante oficial da
Dinamarca na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, o suspense “CULPA”
(“DEN SKYLDIGE”) tem um grande mérito: manter a plateia na maior tensão
durante sua hora e meia de duração com apenas um personagem, seu telefone e
computador dentro de uma saleta. Além dele, só as vozes das pessoas que ligam
para a emergência. O responsável por essa façanha é o jovem roteirista e
diretor sueco Gustav Möller, de 31 anos, em seu longa-metragem de estreia. Vamos
à história: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) atuava nas ruas de
Copenhagen, mas, por causa de um incidente de trabalho, acabou designado para trabalhar
na central telefônica de emergências da polícia. Em meio a trotes e ocorrências
banais, Asger recebe a ligação de uma tal de Iben, desesperada pedindo ajuda, dizendo
que havia sido sequestrada pelo ex-marido, Michael. Ela dizia estar trancada no
porta-malas do carro de Michael, enquanto Asger tentava, ao mesmo tempo, rastrear
o veículo. A situação fica ainda mais tensa quando Asger descobre que Michael tem
passagens pela polícia. Várias viaturas são mobilizadas para ir até a casa de
Iben, onde estariam seus dois filhos, o bebê Oliver e a filha mais velha
Mathilde. Ali, descobrem uma tragédia. E Asger ingressa numa angustiante
corrida contra o relógio para resolver a situação. É melhor não falar mais nada
para não estragar a reviravolta do desfecho. Eu já conhecia o ator Jakob
Cedergren de outros filmes, como os excelentes “Tristeza e Alegria”, de 2013, e
“Submarino”, de 2010. Aos 46 anos, Jacob, nascido na Suécia e radicado na
Dinamarca, talvez seja hoje o melhor ator dinamarquês em atividade. Em “Culpa”,
ele realmente tem uma atuação espetacular. O filme, exibido por aqui durante a
programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também foi
destaque nos festivais de Sundance e Rotterdam. Imperdível!
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
“BENEFÍCIO ABENÇOADO” (“INSHALLAH
ISTAFADIT”) – a tradução em português é minha, baseada no
título em inglês, “Blessed Benefit”, 2017, coprodução Jordânia/Alemanha/Holanda,
1h23m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Mahmoud al Massad, que até então era mais
conhecido como ator (ele também atua no filme), diretor de documentários,
curtas e séries de TV. Trata-se de uma comédia dramática centrada no personagem Ahmad
(Ahmad Thaher), um operário que trabalha na construção civil e vive de bicos
reformando casas. Cansado da pobreza em que sempre viveu, ele topa entrar num
negócio com seu primo Abu Wafa (Odai Hijazi): importar notebooks para revender.
Só que antes do negócio se concretizar, Ahmad é preso por ter recebido 1.800
dinares de um vizinho para construir um muro e ele nem começou a obra. É
condenado a três meses de prisão. Ele implora ao primo para vender logo os
notebooks e pagar a fiança. Mas não será fácil, pois as mercadorias estão
presas na alfândega. Na prisão, Ahamad ocupa uma cela com mais de quinze
presos. É onde acontecem as cenas mais engraçadas. O trunfo do filme é
realmente o ator Ahmad Thaher, certamente estreando no cinema – procurei referências
sobre ele, mas não encontrei. Ele é uma figura, não tem metade dos dentes de
cima e quando sorri sempre faz uma cara de ironia. Na verdade, ele parece estar
feliz na prisão, longe da mulher que o azucrina. Aparentemente, todo o elenco
do filme, com exceção do diretor Massad, parece ser constituído de amadores.
Por isso mesmo, atuam de forma espontânea, sem trejeitos ou afetações, o que
torna o filme ainda mais saboroso. Programão!
quarta-feira, 28 de agosto de 2019

domingo, 25 de agosto de 2019
“TED BUNDY: A IRRESISTÍVEL
FACE DO MAL” (“EXTREMELY WICKED SHOCKINGLY EVIL AND VILE”), 2019, Estados
Unidos, 1h50m, direção de Joe Berlinger
e roteiro assinado por Michael Werwie. Filme produzido pela Netflix, estreou
nos EUA no dia 3 de maio de 2019 e aqui no Brasil, em circuito comercial, no
dia 25 de julho de 2019. O filme é uma cinebiografia de um dos serial killers
mais famosos dos Estados Unidos: Theodore Robert Cowell, mais conhecido como
Ted Bundy. Nos anos 70 do século passado, ele matou mais de 35 mulheres, em
geral jovens e bonitas, em sete estados norte-americanos. Ted Bundy usava seu
charme, lábia e beleza para seduzir suas vítimas e depois matá-las com
requintes de crueldade. O filme não mostra ele praticando os assassinatos. A
gente fica sabendo dos detalhes dos crimes durante os julgamentos aos quais Ted
foi submetido. Apesar das evidências e provas concretas, ele sempre declarou
inocência. O filme destaca o relacionamento que Ted (Zac Efron) teve com Lilly
Kendall (Lili Collins, filha do Phil), mãe solteira que ele conheceu em 1969. Os
julgamentos em vários estados acabaram decretando a prisão de Ted. Na Flórida,
foi condenado à morte por cadeira elétrica, o que aconteceu no dia 24 de
janeiro de 1989. Ed tinha 42 anos. Além de Zac Efron, excelente como o serial
killer, e Lili Collins, estão no elenco Kaya Scodelario como Carole Ann
Boone, amante de Ted, e John Malkovich como o juiz Edward Cowart, responsável
pela sentença final. “Ted Bundy” foi o segundo longa-metragem do cineasta Joe
Berlinger – o primeiro foi “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras", de 2000.
Ele é mais conhecido no mundo do cinema como diretor de curtas, documentários e
séries de TV. Eu gostei do filme, embora concorde com grande parte dos críticos
profissionais de que houve um certo exagero em glamorizar o assassino, o que
deve ter revoltado as famílias das vítimas. Apesar da polêmica, o filme é
excelente e dá a oportunidade para assistir à melhor performance do jovem ator Zac Efron, de apenas 31 anos.
“O FILHO PROTEGIDO” (“El Hijo”), 2019,
Argentina, 1h32m, produção e distribuição Netflix, direção de Sebastián Schindel,
com roteiro de Leonel D’Agostino. Trata-se de um suspense psicológico cuja
história foi adaptada do livro “Una Madre Protetora”, escrito por Guillermo
Martínez. O consagrado pintor modernista Lorenzo Roy (Joaquín Furriel) é casado
com Sigrid (Heidi Toini), que espera um filho. Este é o segundo casamento de
Lorenzo. Do primeiro, ele teve duas filhas, com as quais não tem nenhum
contato. A gravidez de Sigrid caminha bem até que ela contrata Gudrunn (Regina
Lamm) para ser babá do filho que vai nascer. Com Sigrid, Gudrun só fala em
norueguês, fato que causa desconfiança por parte de Lorenzo. Quando a criança
nasce, o comportamento de Sigrid e Gudran fica ainda mais misterioso, deixando Lorenzo
cada vez mais com a pulga atrás da orelha. O relacionamento entre o casal vira
um inferno, prenunciando um desfecho trágico. Essa expectativa sobre o que vai
acontecer é o que conduz o suspense até o final. Um bom trabalho do diretor Sebastián
Schindel em seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Patrão: Radiografia
de um Crime”, de 2014. Schindel era mais conhecido como diretor de
documentários. Um destaque do elenco é a atriz argentina Martina Gusman como
Julieta, amiga e advogada de Lorenzo. Casada com o cineasta Pablo Trapero, ela
atuou em outros excelentes filmes argentinos, como “Elefante Branco”, “Leonera”
e “Abutres”. Enfim, "O Filho Protegido" é mais um ótimo filme argentino.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
“4 LATAS”, 1h44,
Espanha, roteiro e direção de Gerardo Olivares. Produzido pela Netflix, sua
estreia mundial aconteceu no dia 12 de julho de 2019. Trata-se de uma comédia road
movie que começa quando dois amigos, Jean Pierre (o ator francês Jean Reno) e Tocho (o ator li banês naturalizado espanhol Hovic
Keuchkerian), recebem a notícia de que um grande amigo de ambos, Joseba
(Enrique San Francisco), está à beira da morte. Só que tem um grande problema:
Joseba mora em Tombuctu, no Mali (África), distante 2.544 km da Espanha. Como
faziam antigamente junto com Joseba, Jean Pierre e Tocho resolvem ir de carro
e compram um veículo que havia participado de um rallie no deserto nos anos
80. O nome do veículo, 4 Latas, virou o título original do filme. Durante os
preparativos da viagem, Jean Pierre e Tocho convencem a filha do amigo doente a
ir com eles. Ely (Susana Abaitua) finalmente terá a oportunidade de conhecer o
pai, que a abandonou ainda criança para viver com outra mulher em Tombuctu.
Começa a longa viagem através do Deserto do Saara, passando por Marrocos e Argélia.
Ao longo desses dias, os viajantes terão a oportunidade de passar por momentos
perigosos, incluindo os guerrilheiros tuaregues, falhas mecânicas, falta de
água e até um contrabandista francês que anos antes tinha sido roubado por Jean
Pierre. Tudo isso levado adiante com humor, ação e aventura. Enfim, um filme
muito agradável de assistir
terça-feira, 20 de agosto de 2019
“O GÊNIO E O LOUCO” (“THE
PROFESSOR AND THE MADMAN”), 2019, EUA, 2h04m, direção do cineasta iraniano
Farhad Safinia (sua estreia em longas), que também assina o roteiro com a colaboração
de Todd Komarnicki. O filme, baseado em fatos reais relatados no livro homônimo
escrito por Simon Winchester, conta a emocionante história de que como foi elaborada
a 1ª edição do Oxford Dictionary of English. Para tornar o filme ainda melhor,
dois grandes atores foram recrutados para protagonizar os personagens
principais: Sean Penn e Mel Gibson. E ambos têm uma atuação espetacular. Tudo começa em 1857, quando o professor e
filólogo James Murray (Gibson) é contratado pela Universidade de Oxford
(Inglaterra) para compilar as palavras inglesas atuais e de séculos anteriores
com o objetivo de elaborar um grande dicionário da língua inglesa. Com a desconfiança de alguns
diretores de Oxford, Murray iniciou os trabalhos com a ajuda de apenas dois
assistentes. Com o decorrer dos primeiros anos, ficou claro que seria
impossível realizar esse trabalho com apenas três pessoas. Murray, então, teve
a ideia de convocar a população da Inglaterra a colaborar. O mais incrível é
que o melhor dos colaboradores, responsável por enviar 10 mil verbetes, foi um
presidiário de um hospital psiquiátrico, o dr. William Chester Minor (Penn),
ex-médico do exército norte-americano cumprindo pena por assassinato. O filme
dá destaque à amizade de Murray e o dr. Minor, o que garante algumas cenas
bastante comoventes. Outro destaque é a forte ligação do dr. Minor com a viúva
do homem que ele matou, Eliza Merrett (Natalie Dormer), para a qual ele
destinou para o resto da vida a sua pensão militar. A primeira edição do dicionário
completo só seria lançada em 1888 e Murray fez questão de homenagear Minor colocando
seu nome como principal colaborador. O elenco do filme contou ainda com Steve
Coogan, Jennifer Ehle, Eddie Marsan, Jeremy Irvine, Stephen Dillane e Ioan Gruffudd.
A história é incrível, fascinante, e o desempenho de Penn e Gibson é
extraordinário, tornando “O Gênio e o Louco” um filme simplesmente imperdível.
domingo, 18 de agosto de 2019
Representante da Polônia na
disputa de três indicações ao Oscar 2019, “GUERRA FRIA” (“ZIMNA WOJNA”) teve
a direção e roteiro do diretor Pawel Pawlikowski (“Ida”, também escrito e
dirigido por Pawel, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015). Com um
pano de fundo essencialmente político, “Guerra Fria” conta uma história de amor
envolvendo Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig). O filme acompanha a trajetória
do casal durante 15 anos, de 1949 até 1964, período em que viveram uma paixão
tumultuada, de encontros e desencontros. Em 1949, quando dirigia uma companhia
de música intitulada Mazurek Ensemble, Wiktor conheceu a ainda jovem Zula entre
os candidatos recrutados na zona rural da Polônia. Enquanto os dois se
apaixonam, a companhia é obrigada a criar espetáculos que enalteçam o grande
chefe Stalin, além de dignificar a vitória do proletariado e a glorificação do
regime comunista. Acusado de espionagem, Wiktor consegue fugir para Paris sem
Zula, que havia prometido ir com o amante. Wiktor acaba trabalhando como
pianista de jazz em night-clubs em Paris, além de compor trilhas sonoras para
filmes franceses. Enquanto isso, Zula continuou participando da companhia de música,
para depois seguir carreira-solo como cantora, fazendo enorme sucesso em toda a
Europa. Mesmo casada, Zula sempre encontra uma maneira de rever o antigo namorado,
seja em Paris, Berlim ou Belgrado. Filmado totalmente em preto e branco, com
uma fotografia espetacular, “Guerra Fria” foi indicado ao Oscar 2019 em três
categorias: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. Pawel
recebeu o prêmio de Melhor Diretor no 71º Festival de Cannes, em 2018, sendo o
filme premiado em vários outros festivais pelo mundo afora. Quem gosta de
curtir filmes de alta qualidade não deve perder.
sábado, 17 de agosto de 2019

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

terça-feira, 13 de agosto de 2019
“A ASSOMBRAÇÃO DE SHARON TATE” (“The
Hauting of Sharon Tate”), 2019, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Daniel
Farrands. Para quem não sabe, Sharon Tate foi uma atriz de grande sucesso nos
anos 60. Chegou até a ser indicada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz por sua
atuação em “O Vale das Bonecas” (1967). No mesmo ano, trabalhou no filme “A
Dança dos Vampiros”, dirigido por Roman Polanski, com quem se casaria logo
depois. No dia 8 de agosto de 1969, em sua luxuosa mansão em Los Angeles, Sharon Tate, grávida de oito meses, e mais
quatro amigos seriam assassinados com requintes de crueldade por seguidores da
seita satânica comandada pelo maluco Charles Manson – Sharon tinha apenas 26
anos. O diretor Daniel Farrands, conhecido em Hollywood como roteirista de
filmes de terror como “The Amityville Murders” e “Halloween 6 – A “Última
Vingança”, aproveitou a história do trágico acontecimento ocorrido com Sharon
Tate e elaborou um roteiro imaginando como teria sido os três dias que
antecederam o assassinato. Recheou
de suspense, beirando o terror, concluindo por mudar o rumo da história, para depois retornar à trágica
realidade. A ideia até que foi boa, mas sua a concretização ficou devendo,
principalmente pela fraca atuação do elenco, tendo à frente a atriz Hilary Duff
como Sharon (a original era bem mais bonita), que passa o filme inteiro chorando
e tendo chiliques histéricos. Lembro que o diretor Farrands se inspirou numa
entrevista dada pela atriz poucos dias antes da tragédia, na qual ela dizia que
temia ser assassinada. No elenco também estão Jonathan Bennett, Pawel Szajda, Ben
Mellish e Lidia Hearst, bisneta do magnata da imprensa William Randolph Hearst
e filha de Patty Hearst, que ficou famosa depois de ter sido sequestrada, em
1974, por membros do Exército Simbionês de Libertação.
domingo, 11 de agosto de 2019
“CONSEQUÊNCIAS” (“The
Aftermath”), 2019, Inglaterra, produção da BBC, 108 minutos, roteiro escrito
por Joe Shrapnel e Anna Waterhouse, direção de James Kent. A história é baseada
no terceiro romance de Thidian Brook, lançado em 2013, com o mesmo título original
do filme. O ano é 1946, meses após o final da Segunda Grande Guerra. Hamburgo (Alemanha) foi uma das cidades alemãs mais afetadas
pelos bombardeios aéreos das Forças Aliadas. A cidade ficou praticamente
destruída. Para administrar sua reconstrução, a Inglaterra designou o coronel Lewis
Morgan (Jason Clarke). Depois de alguns meses, Morgan providenciou a vinda de
sua esposa Rachael (Keira Knightley), que estava morando em Londres. Para sua
nova residência, Morgan tomou posse da casa de Stefan Lubart (o ator sueco
Alexander Skarsgard), um rico viúvo alemão que vivia no local com sua filha e
empregados. Com a discordância de Rachael, Morgan deixou que eles continuassem
morando na casa, só que na parte superior. Rachael ainda se ressentia da morte
do filho em 1942, durante um bombardeio a Londres efetuado pela força aérea
alemã. Por isso, ela detestava os alemães e não podia suportar conviver na
mesma casa com Lubart e a filha. Porém, com a convivência diária e as seguidas viagens
de Morgan para missões especiais em outras cidades, Rachael e Lubat acabam se
aproximando mais do que o recomendável para uma mulher casada. E por aí vai a
história, caminhando para o final onde Rachael terá de se decidir entre o
marido e o amante. Vale pela reconstituição histórica, pelos cenários e
figurinos, e, principalmente, pela presença da bela e competente atriz inglesa Keira
Knightley.
“O ANJO” (“EL ÁNGEL”), 2018,
Argentina, 114 minutos, roteiro e direção de Luis Ortega. Baseado em fatos
reais, o filme conta a história de Carlos Robledo Puch, que nos anos 70, ainda
adolescente, aterrorizou Buenos Aires. Ele foi responsável por pelo menos 11
assassinatos, uma série de sequestros e mais de 40 roubos. “Carlitos”, como
também era conhecido, foi preso e cumpre prisão perpétua – hoje, está com 67 anos.
Na época, ele também ficou conhecido pelo apelido de “Anjo da Morte”, pois parecia
mesmo um anjo com seu rosto angelical e cabelos loiros compridos e
encaracolados. O ator Lorenzo Ferro, em sua primeira atuação no cinema, dá vida
ao jovem bandido. Sua atuação é espetacular, além do fato de ser muito parecido com o personagem verdadeiro quando jovem. Ele contracena com Chino Darín
(filho do astro Ricardo Darín), que interpreta Ramón, seu colega de escola e
cúmplice em vários delitos. O diretor Ortega fez questão de sugerir uma espécie
de atração homoafetiva entre os dois, não concretizada - pelo menos no filme. Mas
deixa claro que havia uma ligação mais forte. Além da dupla principal, fazem
parte do elenco ótimos atores como Cecilia Roth, Malena Villa, Mercedes Morán,
Daniel Fanego e Luís Gnecoo. Além desse excelente elenco, outros destaques são a primorosa
recriação de época, tanto nos cenários quanto nos figurinos, a trilha sonora e,
sem dúvida, a história do jovem bandido que, mesmo fazendo o que fez, virou
celebridade na terra de Maradona. Como curiosidade, o roteirista e diretor Luis
Ortega é filho de Palito Ortega, um cantor popular que fez grande sucesso na
Argentina nos anos 60/70. “O Anjo” estreou no Festival de Cannes em maio de
2018 com muitos elogios, além de ter sido indicado para disputar o Oscar 2019
de Melhor Filme Estrangeiro. Também foi a melhor bilheteria no circuito
comercial da Argentina em 2018, faturando mais de U$ 5 milhões. Informação
adicional: o cineasta espanhol Pedro Almodóvar é um dos produtores. O filme
realmente é muito bom, mais um argentino de grande qualidade, de causar
inveja a nosotros.
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