sábado, 21 de setembro de 2019


“3 PEDIDOS” (“3 TING”), 2019, Dinamarca, 1h29m, roteiro e direção de Jens Dahl. É o seu primeiro longa-metragem. Era mais conhecido como roteirista de filmes e séries de TV. “3 Ting” é um thriller bastante original, engenhoso e muito agradável de assistir, embora seja ambientado quase que inteiramente num quarto de hotel. Aqui, o assaltante Mikael (o astro dinamarquês Nikolaj Coster Waldau, o Jaime Lannister da série “Game of Thrones”) está negociando com a polícia o seu ingresso no programa de testemunhas. Ele foi preso depois de ter participado de um grande assalto a banco em Copenhagen praticado por uma gangue de bandidos sérvios. Mikael tem que entregar o chefe do grupo e os demais assaltantes, além de descrever detalhadamente como foi planejado e praticado o assalto. Nina (Laerke Winther Andersen) é a negociadora da polícia, responsável pelo interrogatório. Para concretizar a delação, Mikael exige três pedidos, um deles a presença de Camilla (Birgitte Hjort Sorensen), sua ex-namorada. Ao lado de Mikael e da negociadora Nina, além de dois policiais responsáveis pela segurança do local, Camilla participará dos eventos no quarto do hotel até o desfecho, que terá uma surpreendente reviravolta muito bem engendrada pelo roteiro de Jens Dahl. Eu já conhecia o trabalho do ator Nikolaj Coster Waldau pelo ótimo “Segunda Chance”. Enfim,  “3 Pedidos” é um filme inteligente e muito interessante que merece ser visto por quem gosta de cinema de qualidade.    

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

“WAJIB – UM CONVITE DE CASAMENTO” (“Wajib”), 2018, justifica plenamente as premiações que recebeu em vários festivais de cinema pelo mundo afora, como o de Locarno, BFI London, Dubai e MedFilm, em Roma, além da indicação ao Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro representando a Palestina. Realmente, um belo filme, humano e sensível, grandioso em sua simplicidade. A história é toda ambientada em Nazaré, capital e maior cidade do Distrito Norte de Israel, cuja maioria da população é constituída por árabes. Os principais personagens de “Wajib” são Abu Shadi (Mohammad Bakri) e seu filho Shadi (Saleh Bakri) – os atores são pai e filho também na vida real. Shadi mora há anos na Itália, onde trabalha como arquiteto. É um sujeito de hábitos modernos, vestindo roupas espalhafatosas (calça vermelha e camisa estampada) e cabelo repuxado para cima, formando um coque. Seu pai Abu é conservador, gosta de manter as tradições do povo árabe e não é tão antissemita quanto o filho, principalmente porque seu chefe é judeu. Shadi retorna a Nazaré especialmente para ajudar nos preparativos do casamento de sua irmã mais nova Amal (Maria Zreik). Como manda a tradição, os dois ficam encarregados de entregar pessoalmente os convites de casamento. Enquanto visitam familiares e amigos para entregar os convites, Abu e o filho discutem o tempo inteiro, colocando em pauta suas opiniões sobre política, gosto musical, modo de vida, casamento etc., escancarando suas divergências e gerando diálogos bem-humorados, num “road-movie” bastante divertido. Méritos totais para a roteirista e diretora palestina Annemarie Jacir em seu terceiro longa-metragem (os dois primeiros, também muito elogiados, foram “Sal Desse Mar” e “Quando vi Você”). Por aqui, antes de entrar no circuito comercial, "Wajib" foi uma das atrações da 13ª Mostra Mundo Árabe de Cinema de São Paulo, em janeiro de 2019. Ah, a palava “wajib” quer dizer dever/obrigação. Para encerrar: o filme é ótimo, um grande filme do cinema árabe. IMPERDÍVEL!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019


“KARDEC: A HISTÓRIA POR TRÁS DO NOME”, 2018, Brasil, 1h50m, roteiro e direção de Wagner de Assis. Trata-se da cinebiografia de Alan Kardec, realizada em comemoração aos 150 anos da morte daquele que é considerado o fundador e o principal decodificador da doutrina espírita. O roteiro é uma adaptação do livro “Kardec: A Biografia” (2013), escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior. Ambientado em Paris, o filme começa em 1851 apresentando Hypolite Leon Denizard Rivail (Leonardo Medeiros) como um professor liberal. Quando assumiu o Imperador Napoleão III, a Igreja Católica ganhou poder para interferir no ensino, o que revoltou Hypolite, que logo pediu demissão. Naquela época, havia em Paris uma febre sobre o tal fenômeno das mesas giratórias, através das quais - acreditavam - era possível se comunicar com os espíritos. Hypolite resolveu estudar o assunto e, a princípio, não acreditava em nada daquilo. Passou então a frequentar sessões organizadas por médiuns. Numa delas, recebeu a notícia de que tinha sido um druída chamado Alan Kardec em outra encarnação. Hypolite adotou o nome, aderiu à doutrina e escreveu, em 1857, o livro “O Livro dos Espíritos”, que teve enorme repercussão por toda a Europa, transformando-se na “bíblia” da doutrina espírita. Resultado: foi banido do clube de cientistas de Paris e perseguido pela Igreja Católica. Mas hoje seu nome é reconhecido no mundo inteiro como o fundador da Doutrina Espírita. O filme foi quase todo rodado em Paris e o diretor Wagner de Assis utilizou um recurso gráfico que “apagou” dos cenários não só pessoas, como também veículos e estabelecimentos comerciais, enfim, tudo que mostrasse a capital francesa de hoje. Participaram do elenco, além de Leonardo Medeiros, Sandra Corveloni, Genézio de Barros, Dalton Vigh, Guida Viana, Letícia Braga, Julia Konrad e Charles Erick. Mais um bom trabalho de Wagner de Assis, que ficou conhecido como roteirista e diretor de novelas da Globo (“Além do Tempo”, de 2015-2016, e “Espelho da Vida”, de 2018-2019) e de filmes espíritas, como “Nosso Lar”, sucesso de bilheteria em 2010, e “A Menina Índigo”, de 2016. Quem tiver curiosidade, como eu tive, de conhecer a vida de Alan Kardec e seu trabalho, “Kardec” é um ótimo programa.      

domingo, 15 de setembro de 2019


“NUNCA DEIXE DE LEMBRAR” (“Werk Ohne Autor”), 2018, Alemanha, roteiro e direção de Florian Henckel von Donnersmarck, 3h9m. Este filme representou a Alemanha na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro (também concorreu à Melhor Fotografia) e ficou entre os finalistas, perdendo para “Roma”. Porém, se eu fosse membro da Academia, teria votado neste ótimo drama biográfico alemão. Muitos críticos comentaram que só não ganhou o Oscar porque seu diretor já havia conquistado a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, com o espetacular “A Vida dos Outros”. De meados da década de 30 até o final da década de 60, “Nunca Deixe de Lembrar” acompanha a trajetória política e cultural da Alemanha, paralelamente à vida do pintor Gerhard Richter, um dos grandes nomes da arte contemporânea alemã. O filme começa apresentando Richter ainda garoto (interpretado por Cai Cohrs) em companhia da tia Elisabeth May (a bela Saskia Rosendahl) visitando a Exposição “Arte Degenerada”, promovida pelo governo nazista com o objetivo de enxovalhar as pinturas dos modernistas Chagall e Kandinski. Daí para a frente, o filme enfoca a vida de Richter (quando adulto, papel Tom Schilling), tendo como pano de fundo a história política da Alemanha, desde a ascensão do regime nazista, as atrocidades da Segunda Grande Guerra, o nascimento da República Democrata Alemã (RDA), a tirania soviética, a construção do muro de Berlim até a vida do pintor na Alemanha Ocidental – ele fugiu com a esposa Ellie (Paula Beer, de “Frantz”, ótimo filme de François Ozon) pouco antes da construção do muro. O filme acompanha também a trajetória do professor Carl Seeband (o veterano ator Sebastian Koch), que durante o regime nazista foi o médico que fazia abortos em mulheres que não eram arianas ou que tivessem alguma anomalia física ou psíquica – o caso de Elisabeth, tia de Richter. Os destinos do pintor e do médico se cruzarão alguns anos depois, quando Richter conhece Ellie. Enfim, como o próprio título faz entender, “Nunca Deixe de Lembrar” é um filme inesquecível, espetacular, que vale cada minuto de suas mais de três horas de duração. Reputo como uma obra-prima do cinema alemão. Não perca de jeito nenhum!    

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

“HIGH LIFE”, 2018, França, 1h53m, direção de Claire Denis, que também assina o roteiro ao lado de Jean-Pol Fargeau e Geoff Cox. A estreia do filme, o primeiro da veterana diretora francesa falado em inglês, aconteceu em setembro de 2018 durante o Festival de Cinema de Toronto (Canadá) e, de cara, causou grande polêmica entre os críticos especializados e o público, uns contra outros a favor. A história (totalmente ambientada numa nave): um grupo de criminosos é “recrutado” do corredor da morte e enviado numa nave para o espaço em direção do Buraco Negro mais próximo do Sistema Solar. Sua missão: descobrir novas energias alternativas. Eles não sabiam, mas desconfiavam, que a passagem era só de ida. Dois personagens se destacam na história: a médica Dibs (Juliette Binoche), e Monte (Robert Pattinson). Dibs cuida da saúde do pessoal, além de fazer experiências reprodutivas. Ela é movida a sexo, enfim, uma ninfomaníaca. Monte é pai de um bebê provavelmente fruto das experiências de Dibs. A mãe não é revelada, a não ser que seja um bebê de proveta. Todos os ocupantes da nave apresentam comportamentos estranhos e perigosos, o que aumenta o suspense em relação ao que acontecerá na próxima cena. Confesso que no início do filme fiquei incomodado com o estilo adotado pela veterana diretora francesa, lembrando muito os filmes do abominável e insuportável diretor norte-americano Terrence Malick. Ou seja, textos em off, legendados, filosofando a respeito da vida, dos seres humanos e suas atitudes, cenas longas e uma lentidão quase sonífera. Apesar disso, é um filme bastante interessante, que tem como principal trunfo as excelentes performances de Juliette Binoche e Robert Pattinson. Assisti a vários filmes de Claire Denis, entre os quais recomendo “Minha Terra, África” (2009), “Deixe a Luz do Sol Entrar” (2018), também com Binoche, “Bom Trabalho” (1999) e "25 Doses de Run" (2008).        

segunda-feira, 9 de setembro de 2019


“HUROK”, 2016, Hungria, 1h35m, roteiro e direção de Isti Madarász, sua estreia em longas. Em português, hurok quer dizer laço, mas como o filme não chegou por aqui – e duvido que chegue - não teve tradução. Ádám (Dénes Száraz) é um sujeito fracassado que vive de bicos, o principal deles como traficante de drogas a serviço do truculento Dezsõ (Zsolt Anger), segurança de um hospital. Em sua rotina de trabalho, Ádám conhece a viciada Anna (Dorina Martinovics), pela qual se apaixona. Um dia, os namorados resolvem aplicar um golpe em Dezsõ, ou seja, vender um grande lote de drogas e fugir da Hungria. Só que o planejado dá errado. Anna fica grávida e se recusa a participar da tramoia e Dezsõ descobre a traição. Para piorar ainda mais a situação, Anna morre atropelada. Até aí, a história corre de forma normal. Só que o roteiro dá uma guinada radical, reproduzindo as cenas iniciais com a participação de um “outro” Ádám, que vê tudo prestes a acontecer e tem a oportunidade de mudar o destino dos fatos e, principalmente, tentar evitar a morte de Anna. Sem dúvida, um filme bastante interessante, criativo e original, que merece ser visto.       

sexta-feira, 6 de setembro de 2019


“LÁMEN SHOP” (“RAMEN TEH”), 2018, coprodução Singapura/Japão/França, 1h30m, direção de Eric Khoo, com roteiro escrito por Tan Fong Cheng e Wong Kim Hoh. Para quem gosta de culinária, principalmente a oriental, “Lámen Shop” é um prato cheio. Antes de iniciar o comentário, lembro que Lámen é um prato tradicional da culinária japonesa, constituído de macarrão chinês, uma sopa com caldo à base de ossos de porco, peixe ou frango, além do acréscimo de alguns condimentos. Vamos à história do filme. O jovem Masato (Takumi Saitoh) trabalha com o pai num restaurante do Japão especializado em servir o Lámen. Depois da morte do pai, Masato descobre num baú um caderno de receitas escrito em mandarim (língua oficial da China, Singapura, Taiwan e Hong Kong). Um parêntese: a mãe era chinesa e casou com o pai de Masato, japonês, muito a contragosto da mãe dela. Tudo por causa da invasão japonesa a Singapura em 1942, na época uma colônia britânica. Os japoneses abusaram da crueldade, assassinando muita gente da população local e os próprios ingleses. Voltando à história: Masato resolveu viajar até Singapura para descobrir como o romance de seus pais começou e, ainda, tentar uma aproximação com a avó. No meio do caminho, Masato visitou alguns centros importantes de culinária no Japão, China e Singapura, aprendendo novas receitas para aperfeiçoar o Lámen do seu restaurante, como também outros pratos típicos da China, Japão e Singapura. Um road movie culinário dos mais interessantes. Masato chega à conclusão de que todos os acontecimentos de sua família giraram em torno de uma mesa de comida, e está lá o Lámen como elemento agregador. Um belo filme, sensível e comovente, onde a culinária está presente em todos os momentos. Como escreveu um crítico profissional, no filme “Todas as feridas se resolvem entre carnes e temperos, entre lágrimas e abraços”. Uma definição com a qual concordo plenamente. Não percam!       

quarta-feira, 4 de setembro de 2019


“JOHN WICK 3 – PARABELLUM” (“JOHN WICK: CHAPTER 3 – PARABELLUM”), 2019, EUA, 2h12m, direção de Chad Stahelski (o mesmo dos dois primeiros – “De Volta ao Jogo” e “Um Novo Dia para Matar”). Como nos dois primeiros filmes da série, “Parabellum” capricha nas cenas de ação. A história é fantasiosa e mirabolante demais, mas para quem curte filmes de ação, pouco importa. O que vale mesmo são as pancadarias, sangue jorrando, perseguições, tiros e muita ação. Neste terceiro filme da série, John Wick (Keanu Reeves) é condenado à morte e caçado por criminosos contratados pela Alta Cúpula, depois de ter assassinado – no filme anterior – um chefão da máfia que estava hospedado no Hotel Continental, pertencente à organização. A recompensa é de US$14 milhões, o que atrai um grande contingente de assassinos. Mas John Wick é John Wick, mestre em artes marciais, exímio atirador e praticamente imortal. Keanu Reeves está visivelmente pesado para as lutas corpo a corpo, sendo substituído por um dublê - dá para ver nitidamente que não é ele. O filme é mentiroso, como os de James Bond. Para se ter uma ideia, depois de várias lutas no Marrocos e ser obrigado a atravessar o deserto a pé, ele chega a um oásis com o terno e o nó da gravata impecáveis. Há algumas outras cenas de humor, o que deixa o filme ainda mais agradável de assistir. Dizem que será o último da série, mas não acredito. Afinal, seu lançamento mundial rendeu US$ 319 milhões, o que significa um grande sucesso de bilheteria. Além de Reeves, completam o elenco Halle Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddic, Ian McShane e Anjelica Huston. Resumo da ópera: “Parabellum” é uma grande bobagem, mas uma bobagem bastante divertida. Informação adicional: “Parabellum” vem de uma frase do latim: “Si Vis Pacem Para Bellum” (“Se Você quer Paz, Prepare-se para a Guerra”). Meu blog também é cultura.    

terça-feira, 3 de setembro de 2019


“DONNYBROOK” – LUTA PELA REDENÇÃO” (“DONNYBROOK”), 2018, EUA, 1h41m, direção de Tim Sutton, que também é o autor do roteiro, baseado no livro “DonnyBrook”, de 2013, escrito por Frank Bill. A história é centrada no veterano de guerra Jarhead Earl (o ator inglês Jamie Bell, de “Billy Elliot”), que vive de trambiques e assaltos para sustentar a família e pagar os remédios da esposa Sarah (Valerie Jane Parker), que está com câncer. Com o objetivo de conseguir mais dinheiro para um tratamento mais intensivo e eficiente de Sarah, Jarhead resolve treinar para disputar um torneio de lutas chamado “DonnyBrook”, cujo vencedor leva 100 mil dólares. Paralelamente ao drama vivido por Jarhead, o filme acompanha a trajetória de Chainsaw Angus (o brucutu Frank Grillo), traficante de metanfetamina, um cara violento que vive espancando a irmã Delia (Margaret Qualley), viciada e também sua parceira no tráfico. Enfim, gente da "melhor" qualidade. Quando chega a hora das lutas no DonnyBrook – cerca de 20 lutadores são colocados numa jaula e o último que ficar de pé ganha o prêmio), Jarhead e Angus ficam frente a frente para resolver uma antiga rixa - Angus era o fornecedor de drogas de Sarah. O roteirista e diretor Tim Sutton, da trilogia “Memphis”, “Dark Night” e “Pavillion”, acerta a mão também em “DonnyBrook”, um filme independente muito elogiado pela crítica especializada. Eu também gostei, mesmo que seja violento demais. Para encerrar, destaco a cena em que a bela atriz Margaret Qualley sai nua de um lago, lembrando Ursula Andrews em “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962), o primeiro da série James Bond. Outro destaque do filme fica por conta das ótimas atuações de Jamie Bell, Frank Grillo e da própria Margaret Qualley. Enfim, “DonnyBrook é um filme que merece ser conferido.     

segunda-feira, 2 de setembro de 2019


Representante oficial da Dinamarca na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, o suspense “CULPA” (“DEN SKYLDIGE”) tem um grande mérito: manter a plateia na maior tensão durante sua hora e meia de duração com apenas um personagem, seu telefone e computador dentro de uma saleta. Além dele, só as vozes das pessoas que ligam para a emergência. O responsável por essa façanha é o jovem roteirista e diretor sueco Gustav Möller, de 31 anos, em seu longa-metragem de estreia. Vamos à história: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) atuava nas ruas de Copenhagen, mas, por causa de um incidente de trabalho, acabou designado para trabalhar na central telefônica de emergências da polícia. Em meio a trotes e ocorrências banais, Asger recebe a ligação de uma tal de Iben, desesperada pedindo ajuda, dizendo que havia sido sequestrada pelo ex-marido, Michael. Ela dizia estar trancada no porta-malas do carro de Michael, enquanto Asger tentava, ao mesmo tempo, rastrear o veículo. A situação fica ainda mais tensa quando Asger descobre que Michael tem passagens pela polícia. Várias viaturas são mobilizadas para ir até a casa de Iben, onde estariam seus dois filhos, o bebê Oliver e a filha mais velha Mathilde. Ali, descobrem uma tragédia. E Asger ingressa numa angustiante corrida contra o relógio para resolver a situação. É melhor não falar mais nada para não estragar a reviravolta do desfecho. Eu já conhecia o ator Jakob Cedergren de outros filmes, como os excelentes “Tristeza e Alegria”, de 2013, e “Submarino”, de 2010. Aos 46 anos, Jacob, nascido na Suécia e radicado na Dinamarca, talvez seja hoje o melhor ator dinamarquês em atividade. Em “Culpa”, ele realmente tem uma atuação espetacular. O filme, exibido por aqui durante a programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também foi destaque nos festivais de Sundance e Rotterdam. Imperdível!     

sexta-feira, 30 de agosto de 2019


“BENEFÍCIO ABENÇOADO” (“INSHALLAH ISTAFADIT”) – a tradução em português é minha, baseada no título em inglês, “Blessed Benefit”, 2017, coprodução Jordânia/Alemanha/Holanda, 1h23m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por  Mahmoud al Massad, que até então era mais conhecido como ator (ele também atua no filme), diretor de documentários, curtas e séries de TV. Trata-se de uma comédia dramática centrada no personagem Ahmad (Ahmad Thaher), um operário que trabalha na construção civil e vive de bicos reformando casas. Cansado da pobreza em que sempre viveu, ele topa entrar num negócio com seu primo Abu Wafa (Odai Hijazi): importar notebooks para revender. Só que antes do negócio se concretizar, Ahmad é preso por ter recebido 1.800 dinares de um vizinho para construir um muro e ele nem começou a obra. É condenado a três meses de prisão. Ele implora ao primo para vender logo os notebooks e pagar a fiança. Mas não será fácil, pois as mercadorias estão presas na alfândega. Na prisão, Ahamad ocupa uma cela com mais de quinze presos. É onde acontecem as cenas mais engraçadas. O trunfo do filme é realmente o ator Ahmad Thaher, certamente estreando no cinema – procurei referências sobre ele, mas não encontrei. Ele é uma figura, não tem metade dos dentes de cima e quando sorri sempre faz uma cara de ironia. Na verdade, ele parece estar feliz na prisão, longe da mulher que o azucrina. Aparentemente, todo o elenco do filme, com exceção do diretor Massad, parece ser constituído de amadores. Por isso mesmo, atuam de forma espontânea, sem trejeitos ou afetações, o que torna o filme ainda mais saboroso. Programão!   

quarta-feira, 28 de agosto de 2019


“PÁSSAROS AMARELOS” (“YELLOW BIRDS”), 2017, Estados Unidos, 1h50m, direção de Alexandre Moors (seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “Blue Caprice”, de 2013). Mais um filme que mostra os horrores de uma guerra – no caso, a do Iraque – e os traumas que perseguem os soldados quando voltam para casa. O roteiro de “Pássaros Amarelos” é de autoria de David Lowery e R.F.I. Porto, que adaptaram os relatos de Kevin Powers no livro “Yellow Birds”, lançado nos EUA em 2012. Veterano da Guerra do Iraque, Powers relata uma história recheada com suas memórias do período em que serviu no país de Sadam Houssein. Vamos à história: Brandon Bartle (Alden Ehrenreich), de 20 anos, e Daniel Murphy (Tye Sheridan), de 18 anos, alistam-se no exército e, durante os treinamentos, ficam muito amigos. Dois anos mais velho, Bartle age como um irmão protetor de Murphy, um garoto tímido e inexperiente. Às vésperas de embarcarem em missão para o Iraque, a mãe de Daniel, Maureen Murphy (Jennifer Aniston), pede a Bartle que cuide do seu filho e o proteja. Após mais de um ano, Bartle volta do Iraque sem o seu amigo, considerado desaparecido. Pelo menos é o que ele e o sargento Sterling (Jack Huston), comandante do batalhão, contam aos seus superiores. Para desespero de sua mãe, Amy Bartle (Toni Collette), Bartle entra em depressão e e se recusa a sair de casa – da cama, na verdade. Até o dia em que chega o capitão Anderson (Jason Patric) e o leva preso. O mistério sobre o que de fato aconteceu no Iraque envolvendo o desaparecimento de Daniel Murphy somente será esclarecido no desfecho. Quem diria que um dia veríamos Jennifer Aniston  e Toni Collette interpretando mães de soldados - é, a idade chega para todos. O filme é excelente, poderoso e tocante, um dos melhores que já assisti sobre os efeitos de uma guerra. A estreia nos cinemas brasileiros deve acontecer em agosto de 2019. Não perca!

domingo, 25 de agosto de 2019


“TED BUNDY: A IRRESISTÍVEL FACE DO MAL” (“EXTREMELY WICKED  SHOCKINGLY EVIL AND VILE”), 2019, Estados Unidos, 1h50m,  direção de Joe Berlinger e roteiro assinado por Michael Werwie. Filme produzido pela Netflix, estreou nos EUA no dia 3 de maio de 2019 e aqui no Brasil, em circuito comercial, no dia 25 de julho de 2019. O filme é uma cinebiografia de um dos serial killers mais famosos dos Estados Unidos: Theodore Robert Cowell, mais conhecido como Ted Bundy. Nos anos 70 do século passado, ele matou mais de 35 mulheres, em geral jovens e bonitas, em sete estados norte-americanos. Ted Bundy usava seu charme, lábia e beleza para seduzir suas vítimas e depois matá-las com requintes de crueldade. O filme não mostra ele praticando os assassinatos. A gente fica sabendo dos detalhes dos crimes durante os julgamentos aos quais Ted foi submetido. Apesar das evidências e provas concretas, ele sempre declarou inocência. O filme destaca o relacionamento que Ted (Zac Efron) teve com Lilly Kendall (Lili Collins, filha do Phil), mãe solteira que ele conheceu em 1969. Os julgamentos em vários estados acabaram decretando a prisão de Ted. Na Flórida, foi condenado à morte por cadeira elétrica, o que aconteceu no dia 24 de janeiro de 1989. Ed tinha 42 anos. Além de Zac Efron, excelente como o serial killer, e Lili Collins, estão no elenco Kaya Scodelario como Carole Ann Boone, amante de Ted, e John Malkovich como o juiz Edward Cowart, responsável pela sentença final. “Ted Bundy” foi o segundo longa-metragem do cineasta Joe Berlinger – o primeiro foi “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras", de 2000. Ele é mais conhecido no mundo do cinema como diretor de curtas, documentários e séries de TV. Eu gostei do filme, embora concorde com grande parte dos críticos profissionais de que houve um certo exagero em glamorizar o assassino, o que deve ter revoltado as famílias das vítimas. Apesar da polêmica, o filme é excelente e dá a oportunidade para assistir à melhor performance do jovem ator Zac Efron, de apenas 31 anos.   


“O FILHO PROTEGIDO” (“El Hijo”), 2019, Argentina, 1h32m, produção e distribuição Netflix, direção de Sebastián Schindel, com roteiro de Leonel D’Agostino. Trata-se de um suspense psicológico cuja história foi adaptada do livro “Una Madre Protetora”, escrito por Guillermo Martínez. O consagrado pintor modernista Lorenzo Roy (Joaquín Furriel) é casado com Sigrid (Heidi Toini), que espera um filho. Este é o segundo casamento de Lorenzo. Do primeiro, ele teve duas filhas, com as quais não tem nenhum contato. A gravidez de Sigrid caminha bem até que ela contrata Gudrunn (Regina Lamm) para ser babá do filho que vai nascer. Com Sigrid, Gudrun só fala em norueguês, fato que causa desconfiança por parte de Lorenzo. Quando a criança nasce, o comportamento de Sigrid e Gudran fica ainda mais misterioso, deixando Lorenzo cada vez mais com a pulga atrás da orelha. O relacionamento entre o casal vira um inferno, prenunciando um desfecho trágico. Essa expectativa sobre o que vai acontecer é o que conduz o suspense até o final. Um bom trabalho do diretor Sebastián Schindel em seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Patrão: Radiografia de um Crime”, de 2014. Schindel era mais conhecido como diretor de documentários. Um destaque do elenco é a atriz argentina Martina Gusman como Julieta, amiga e advogada de Lorenzo. Casada com o cineasta Pablo Trapero, ela atuou em outros excelentes filmes argentinos, como “Elefante Branco”, “Leonera” e “Abutres”. Enfim, "O Filho Protegido" é mais um ótimo filme argentino. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2019


“4 LATAS”, 1h44, Espanha, roteiro e direção de Gerardo Olivares. Produzido pela Netflix, sua estreia mundial aconteceu no dia 12 de julho de 2019. Trata-se de uma comédia road movie que começa quando dois amigos, Jean Pierre (o ator francês Jean Reno) e Tocho (o ator li banês naturalizado espanhol Hovic Keuchkerian), recebem a notícia de que um grande amigo de ambos, Joseba (Enrique San Francisco), está à beira da morte. Só que tem um grande problema: Joseba mora em Tombuctu, no Mali (África), distante 2.544 km da Espanha. Como faziam antigamente junto com Joseba, Jean Pierre e Tocho resolvem ir de carro e compram um veículo que havia participado de um rallie no deserto nos anos 80. O nome do veículo, 4 Latas, virou o título original do filme. Durante os preparativos da viagem, Jean Pierre e Tocho convencem a filha do amigo doente a ir com eles. Ely (Susana Abaitua) finalmente terá a oportunidade de conhecer o pai, que a abandonou ainda criança para viver com outra mulher em Tombuctu. Começa a longa viagem através do Deserto do Saara, passando por Marrocos e Argélia. Ao longo desses dias, os viajantes terão a oportunidade de passar por momentos perigosos, incluindo os guerrilheiros tuaregues, falhas mecânicas, falta de água e até um contrabandista francês que anos antes tinha sido roubado por Jean Pierre. Tudo isso levado adiante com humor, ação e aventura. Enfim, um filme muito agradável de assistir    

terça-feira, 20 de agosto de 2019


“O GÊNIO E O LOUCO” (“THE PROFESSOR AND THE MADMAN”), 2019, EUA, 2h04m, direção do cineasta iraniano Farhad Safinia (sua estreia em longas), que também assina o roteiro com a colaboração de Todd Komarnicki. O filme, baseado em fatos reais relatados no livro homônimo escrito por Simon Winchester, conta a emocionante história de que como foi elaborada a 1ª edição do Oxford Dictionary of English. Para tornar o filme ainda melhor, dois grandes atores foram recrutados para protagonizar os personagens principais: Sean Penn e Mel Gibson. E ambos têm uma atuação espetacular. Tudo começa em 1857, quando o professor e filólogo James Murray (Gibson) é contratado pela Universidade de Oxford (Inglaterra) para compilar as palavras inglesas atuais e de séculos anteriores com o objetivo de elaborar um grande dicionário da língua inglesa. Com a desconfiança de alguns diretores de Oxford, Murray iniciou os trabalhos com a ajuda de apenas dois assistentes. Com o decorrer dos primeiros anos, ficou claro que seria impossível realizar esse trabalho com apenas três pessoas. Murray, então, teve a ideia de convocar a população da Inglaterra a colaborar. O mais incrível é que o melhor dos colaboradores, responsável por enviar 10 mil verbetes, foi um presidiário de um hospital psiquiátrico, o dr. William Chester Minor (Penn), ex-médico do exército norte-americano cumprindo pena por assassinato. O filme dá destaque à amizade de Murray e o dr. Minor, o que garante algumas cenas bastante comoventes. Outro destaque é a forte ligação do dr. Minor com a viúva do homem que ele matou, Eliza Merrett (Natalie Dormer), para a qual ele destinou para o resto da vida a sua pensão militar. A primeira edição do dicionário completo só seria lançada em 1888 e Murray fez questão de homenagear Minor colocando seu nome como principal colaborador. O elenco do filme contou ainda com Steve Coogan, Jennifer Ehle, Eddie Marsan, Jeremy Irvine, Stephen Dillane e Ioan Gruffudd. A história é incrível, fascinante, e o desempenho de Penn e Gibson é extraordinário, tornando “O Gênio e o Louco” um filme simplesmente imperdível.    

domingo, 18 de agosto de 2019


Representante da Polônia na disputa de três indicações ao Oscar 2019, “GUERRA FRIA” (“ZIMNA WOJNA”) teve a direção e roteiro do diretor Pawel Pawlikowski (“Ida”, também escrito e dirigido por Pawel, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015). Com um pano de fundo essencialmente político, “Guerra Fria” conta uma história de amor envolvendo Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig). O filme acompanha a trajetória do casal durante 15 anos, de 1949 até 1964, período em que viveram uma paixão tumultuada, de encontros e desencontros. Em 1949, quando dirigia uma companhia de música intitulada Mazurek Ensemble, Wiktor conheceu a ainda jovem Zula entre os candidatos recrutados na zona rural da Polônia. Enquanto os dois se apaixonam, a companhia é obrigada a criar espetáculos que enalteçam o grande chefe Stalin, além de dignificar a vitória do proletariado e a glorificação do regime comunista. Acusado de espionagem, Wiktor consegue fugir para Paris sem Zula, que havia prometido ir com o amante. Wiktor acaba trabalhando como pianista de jazz em night-clubs em Paris, além de compor trilhas sonoras para filmes franceses. Enquanto isso, Zula continuou participando da companhia de música, para depois seguir carreira-solo como cantora, fazendo enorme sucesso em toda a Europa. Mesmo casada, Zula sempre encontra uma maneira de rever o antigo namorado, seja em Paris, Berlim ou Belgrado. Filmado totalmente em preto e branco, com uma fotografia espetacular, “Guerra Fria” foi indicado ao Oscar 2019 em três categorias: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. Pawel recebeu o prêmio de Melhor Diretor no 71º Festival de Cannes, em 2018, sendo o filme premiado em vários outros festivais pelo mundo afora. Quem gosta de curtir filmes de alta qualidade não deve perder.   

sábado, 17 de agosto de 2019


Se você tem claustrofobia, nem que seja na base do 1%, não assista de jeito nenhum o filme “CUTTERHEAD”, 2018, Dinamarca, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Rasmus Kloster Bro, jovem cineasta de apenas 33 anos mais conhecido como diretor de curtas e documentários.  84 minutos angustiantes, tanto para o espectador como para os personagens da história. Para se ter uma ideia, não se vê a luz do sol em nenhum momento. Durante a construção de uma nova linha do metrô da capital Copenhagen, a jovem Rie (Christine Sønderris), relações-públicas da empresa encarregada das escavações, percorre o canteiro de obras entrevistando e fotografando os trabalhadores, a grande maioria proveniente de outros países. Seu objetivo é mostrar posteriormente como vivem e trabalham os operários no interior daqueles infindáveis túneis. Quando Rie entrevistava o croata Ivo (Krsimir Mikic) e seu assistente Bharan (Samson Semere), imigrante nascido na Eritreia (África), um incêndio tomou conta das instalações, obrigando os três a se abrigarem num pequeno cubículo de aço. E aqui ficarão praticamente o filme inteiro, sem água, comida e, pior, sem ar. Pelo que a história dá a entender, todos os que estavam lá fora morreram em meio às chamas, inclusive os bombeiros que vieram resgatá-los. Quando estreou na Dinamarca e outros países da Europa, “Cutterhead” (não entendi o título em inglês, que traduzido literalmente é algo como “Cortador de Cabeça”), logo foi considerado por críticos e público como o filme mais claustrofóbico já feito. Realmente, é claustrofóbico, sufocante e angustiante, mas muito bom. Repito: quem tem medo de lugar fechado deve evitar.    

quinta-feira, 15 de agosto de 2019


“MUDO” (“Mute”), 2018, co-produção Inglaterra/Alemanha, estreou na Netflix no dia 23 de fevereiro de 2018, duração de 2h6m, direção de Duncan Jones, que também assina o roteiro com a colaboração de Michael Robert. Numa Berlim futurista (o ano é 2056), o bartender Leo Beiler (o ator sueco Alexander Skarsgard, filho do também ator Stellan Skarsgard, apaixona-se por Naadirah (a atriz alemã Seyneb Saleh), garçonete do mesmo night-clube, por sinal bastante luxuoso. Leo é o mudo do título. Quando criança, sofreu um acidente e machucou o pescoço. Seus pais, seguidores do grupo religioso Amish, não permitiram a operação que deveria ter sido feita e Leo ficou sem falar. Ou seja, o ator entra mudo e sai calado, a não ser bem no final, que não revelo para não estragar a surpresa. No auge da paixão do casal, Naadirah some misteriosamente e Leo fica desesperado, procurando a namorada pelos antros do submundo de Berlim. Os cenários futuristas da capital alemã lembram muito “Blade Runner – O Caçador de Androides” e “Os 12 Macados”, além de outros filmes menos cotados. A ambientação é noir, os carros trafegam via aérea – não estacionam, pousam -, muita luz neon, figuras exóticas e andrógenas – homossexuais a dar com pau (ops!) -, além da mais avançada tecnologia visual. Entre os principais suspeitos de terem algo com o desaparecimento de Naadirah estão Cactus Bill (Paul Rudd, de "O Homem Formiga"), um médico que desertou da base norte-americana, seu amigo pervertido sexual Duck (Justin Theroux, ex-marido de Jennifer Aniston), Maksim (Gubert Owuer), empresário ligado à prostituição e o travesti Luba (Robert Sheelan). Leo vai atrás de cada um tentando descobrir o paradeiro da namorada e quem é o culpado de tudo. Aí a violência rola solta. Embora muitos críticos tenham detestado o filme, eu o achei bastante interessante e assistível. O cineasta Duncan Jones, filho do astro David Bowie, já tinha realizado três bons filmes de ficção: “Lunar” (2009), “Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos” (2016) e “Contra o Tempo”, este último o melhor deles. "Mudo" fica no meio termo, entre o razoável e o bom. 

terça-feira, 13 de agosto de 2019


“A ASSOMBRAÇÃO DE SHARON TATE” (“The Hauting of Sharon Tate”), 2019, EUA, 1h34m, roteiro e direção de Daniel Farrands. Para quem não sabe, Sharon Tate foi uma atriz de grande sucesso nos anos 60. Chegou até a ser indicada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz por sua atuação em “O Vale das Bonecas” (1967). No mesmo ano, trabalhou no filme “A Dança dos Vampiros”, dirigido por Roman Polanski, com quem se casaria logo depois. No dia 8 de agosto de 1969, em sua luxuosa mansão em Los Angeles, Sharon Tate, grávida de oito meses, e mais quatro amigos seriam assassinados com requintes de crueldade por seguidores da seita satânica comandada pelo maluco Charles Manson – Sharon tinha apenas 26 anos. O diretor Daniel Farrands, conhecido em Hollywood como roteirista de filmes de terror como “The Amityville Murders” e “Halloween 6 – A “Última Vingança”, aproveitou a história do trágico acontecimento ocorrido com Sharon Tate e elaborou um roteiro imaginando como teria sido os três dias que antecederam o assassinato.  Recheou de suspense, beirando o terror, concluindo por mudar o rumo da história, para depois retornar à trágica realidade. A ideia até que foi boa, mas sua a concretização ficou devendo, principalmente pela fraca atuação do elenco, tendo à frente a atriz Hilary Duff como Sharon (a original era bem mais bonita), que passa o filme inteiro chorando e tendo chiliques histéricos. Lembro que o diretor Farrands se inspirou numa entrevista dada pela atriz poucos dias antes da tragédia, na qual ela dizia que temia ser assassinada. No elenco também estão Jonathan Bennett, Pawel Szajda, Ben Mellish e Lidia Hearst, bisneta do magnata da imprensa William Randolph Hearst e filha de Patty Hearst, que ficou famosa depois de ter sido sequestrada, em 1974, por membros do Exército Simbionês de Libertação.  

domingo, 11 de agosto de 2019


“CONSEQUÊNCIAS” (“The Aftermath”), 2019, Inglaterra, produção da BBC, 108 minutos, roteiro escrito por Joe Shrapnel e Anna Waterhouse, direção de James Kent. A história é baseada no terceiro romance de Thidian Brook, lançado em 2013, com o mesmo título original do filme. O ano é 1946, meses após o final da Segunda Grande Guerra. Hamburgo (Alemanha) foi uma das cidades alemãs mais afetadas pelos bombardeios aéreos das Forças Aliadas. A cidade ficou praticamente destruída. Para administrar sua reconstrução, a Inglaterra designou o coronel Lewis Morgan (Jason Clarke). Depois de alguns meses, Morgan providenciou a vinda de sua esposa Rachael (Keira Knightley), que estava morando em Londres. Para sua nova residência, Morgan tomou posse da casa de Stefan Lubart (o ator sueco Alexander Skarsgard), um rico viúvo alemão que vivia no local com sua filha e empregados. Com a discordância de Rachael, Morgan deixou que eles continuassem morando na casa, só que na parte superior. Rachael ainda se ressentia da morte do filho em 1942, durante um bombardeio a Londres efetuado pela força aérea alemã. Por isso, ela detestava os alemães e não podia suportar conviver na mesma casa com Lubart e a filha. Porém, com a convivência diária e as seguidas viagens de Morgan para missões especiais em outras cidades, Rachael e Lubat acabam se aproximando mais do que o recomendável para uma mulher casada. E por aí vai a história, caminhando para o final onde Rachael terá de se decidir entre o marido e o amante. Vale pela reconstituição histórica, pelos cenários e figurinos, e, principalmente, pela presença da bela e competente atriz inglesa Keira Knightley.   


“O ANJO” (“EL ÁNGEL”), 2018, Argentina, 114 minutos, roteiro e direção de Luis Ortega. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Carlos Robledo Puch, que nos anos 70, ainda adolescente, aterrorizou Buenos Aires. Ele foi responsável por pelo menos 11 assassinatos, uma série de sequestros e mais de 40 roubos. “Carlitos”, como também era conhecido, foi preso e cumpre prisão perpétua – hoje, está com 67 anos. Na época, ele também ficou conhecido pelo apelido de “Anjo da Morte”, pois parecia mesmo um anjo com seu rosto angelical e cabelos loiros compridos e encaracolados. O ator Lorenzo Ferro, em sua primeira atuação no cinema, dá vida ao jovem bandido. Sua atuação é espetacular, além do fato de ser muito parecido com o personagem verdadeiro quando jovem. Ele contracena com Chino Darín (filho do astro Ricardo Darín), que interpreta Ramón, seu colega de escola e cúmplice em vários delitos. O diretor Ortega fez questão de sugerir uma espécie de atração homoafetiva entre os dois, não concretizada - pelo menos no filme. Mas deixa claro que havia uma ligação mais forte. Além da dupla principal, fazem parte do elenco ótimos atores como Cecilia Roth, Malena Villa, Mercedes Morán, Daniel Fanego e Luís Gnecoo. Além desse excelente elenco, outros destaques são a primorosa recriação de época, tanto nos cenários quanto nos figurinos, a trilha sonora e, sem dúvida, a história do jovem bandido que, mesmo fazendo o que fez, virou celebridade na terra de Maradona. Como curiosidade, o roteirista e diretor Luis Ortega é filho de Palito Ortega, um cantor popular que fez grande sucesso na Argentina nos anos 60/70. “O Anjo” estreou no Festival de Cannes em maio de 2018 com muitos elogios, além de ter sido indicado para disputar o Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro. Também foi a melhor bilheteria no circuito comercial da Argentina em 2018, faturando mais de U$ 5 milhões. Informação adicional: o cineasta espanhol Pedro Almodóvar é um dos produtores. O filme realmente é muito bom, mais um argentino de grande qualidade, de causar inveja a nosotros.