“ROCK’N
ROLL – POR TRÁS DA FAMA” (“Rock’n Roll”), 2017, França, 2h03m,
direção de Guillaume Canet, também autor do roteiro juntamente com Philippe Lefebvre
e Rodolphe Lauga. Além de ótimo ator, Canet está se consagrando como excelente
diretor. Já deu provas disso no magistral “Até a Eternidade”, de 2010, e agora
com o recente “Rock’n Roll”, uma comédia na qual ele satiriza os bastidores do
cinema, expondo as fraquezas, manias e desequilíbrios emocionais dos atores,
diretores, produtores etc. (ao assistir “Rock’Roll”, lembrei muito do clássico “A
Noite Americana”, 1973, do diretor François Truffaut). Canet, porém, inova ao dar o
mesmo nome dos principais atores aos personagens da história. Dessa forma,
Guillaume Canet é Guillaume Canet, Marion Cotillard é Marion Cotillard (os dois
são casados no filme e na vida real), Gilles Lellouche é o próprio, assim como
acontece com o astro do rock Johnny Hallyday e Camille Rowe. Uma jogada de
mestre. A história é toda centrada no ator Guilhaume Canet (o personagem), que
entra em crise psicológica ao perceber que passou dos 40 anos e só é convidado
para interpretar papéis de homens mais velhos. É o caso do filme “dentro do
filme” em que ele está atuando no papel de pai de uma jovem de 23 anos (Camille
Rowe). Ao participar de uma entrevista ao lado de Camille, Canet ouve da
jornalista que “Você não é mais tão Rock’n Roll”, ou seja, não é mais novo,
está chegando à meia-idade. Pronto, foi essa constatação que provocou em Canet
um início de depressão. Aí ele parte para o botox, academia de musculação,
baladas e a vontade de ser um músico roqueiro, enquanto seu casamento entra na
maior crise. Tudo é muito engraçado, garantindo diversão do começo ao fim. Uma comédia feita com inteligência. O
filme foi exibido por aqui durante a programação do Festival Varilux de Cinema
Francês, em junho de 2017. Um crime não ter sido exibido – pelo menos por
enquanto - no circuito comercial dos nossos cinemas. Imperdível!
sábado, 5 de janeiro de 2019
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
“A
ÚLTIMA NOTA” (“Para Telefaxio Simeioma” – a tradução para o
português é minha, baseada no título “The Last Note”, pelo qual o filme foi
lançado nos países de língua inglesa – não acredito que chegue por aqui), 2017,
Grécia, 117 minutos, direção de Pantelis Voulgaris, que é autor do roteiro assinado
também por Ionna Karystiani. Trata-se de mais um drama histórico baseado em
fatos reais ocorridos durante a Segunda Grande Guerra. Desta vez, as vítimas
dos nazistas são os gregos. A Grécia ocupada pelo exército alemão também tinha
seus campos de concentração. A história do filme é ambientada num deles, Chaidari,
na província de Kaisariani. Os prisioneiros eram membros da resistência, comunistas
e judeus – ou seja, os de sempre. Em
represália ao assassinato de um general alemão numa emboscada realizada por militantes
da resistência grega, veio a ordem de Berlim para que 200 prisioneiros do campo
de Chaidari fossem assassinados. Um dos personagens principais da história é
Napoleon Soukatzidis (Andreas Konstantinou), prisioneiro que servia de tradutor
para o oficial Karl Fischer (o ótimo ator alemão André Hennicke) durante os
interrogatórios e torturas dos presos. As cenas que mostram o fuzilamento dos
200 prisioneiros são bastante impactantes e comoventes, assim como aquelas que mostram os jurados de morte dançando ao som de músicas populares gregas antes da execução. Só para lembrar: o
diretor grego Pantelis Voulgaris é o mesmo do excelente “Little England”, de
2013, filme dos mais premiados nos festivais de cinema mundo afora.
domingo, 30 de dezembro de 2018
“OS
ESCRITOS SECRETOS” (“THE SECRET SCRIPTURE”), 2016, Irlanda, 1h48m.
A história é inspirada no livro homônimo escrito pelo poeta, dramaturgo e
escritor irlandês Sebastian Barry, adaptado e dirigido pelo veterano Jim
Sheridan (“Meu Pé Esquerdo”, “Em Nome do Pai”). Uma clínica psiquiátrica está
prestes a ser desativada e os seus pacientes transferidos para outras unidades
ou então liberados para voltar para casa. O psiquiatra William Grene (Eric
Bana) ficou encarregado de avaliar as condições mentais da idosa Roseanne
McNuttry, que há 50 anos vive na clínica, acusada de ter assassinado seu bebê.
Em meio à sua investigação, dr. Grene encontra um diário secreto escrito por
Roseanne, no qual ela conta a história da sua vida, sua paixão pelo aviador
Michael Eneas (Jack Reynor) e a perseguição que sofreu por parte do padre
católico Gaunt (Theo James). O médico também descobrirá a verdade sobre o
suposto assassinato do bebê, revelação que é feita no desfecho. Quando moça,
Roseanne é interpretada pela ótima atriz norte-americana Rooney Mara. Como não
poderia deixar de ser, quem rouba a cena é a veterana Vanessa Redgrave com uma atuação magistral, o que por si só já é
motivo suficiente para assistir a este bom drama irlandês.
sábado, 29 de dezembro de 2018
“EM
BUSCA DE FELLINI” (“In Search of Fellini”), coprodução EUA/Itália,
2017, longa-metragem de estreia do diretor sul-africano de curtas Taron Lexton,
seguindo o roteiro escrito por Nancy Cartwright e Peter Kjenaas. Trata-se de
uma bela homenagem ao grande diretor italiano Federico Fellini (1920-1993). Ambientada
no início dos anos 90, pouco antes da morte de Fellini, a história - baseada em fatos reais - é centrada
em Lucy (Ksenia Solo), uma garota de 20 anos residente numa cidade de Ohio
(EUA). Ela é muito tímida e superprotegida pela mãe Claire (Maria Bello), tem
dificuldade de encarar a realidade da vida e, por isso, passa os dias
assistindo a filmes antigos e vivendo num verdadeiro mundo de sonhos. Numa mostra
dedicada ao cineasta italiano, Lucy fica encantada com o estilo onírico de
Fellini, passando a alugar todos os seus filmes. Uma paixão fulminante, a tal
ponto de ir para a Itália tentar um encontro com o diretor. Enquanto aguarda
uma resposta, Lucy visita alguns cenários dos filmes mais
famosos de Fellini e, em algumas cenas fantasiosas, contracena com alguns dos
principais personagens – estilizados, é claro - de “A Doce Vida”, “A Estrada da
Vida”, “Satyricon” e “8 ½”. Senti falta de menções a “Amarcord”, meu filme
preferido de Fellini. “Em Busca de Fellini” ganhou os prêmios de Melhor Filme,
Melhor Diretor e Melhor Atriz (Ksenia) no Festival de Ferrara (Itália). Resumo da
ópera: o filme é muito bom, principalmente para ser curtido pelos fãs do grande
diretor italiano, como eu, e uma grande oportunidade para que as novas gerações
conheçam um pouco da arte desse gênio do cinema.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
“ALI
& NINO”, lançado no Festival de Sundance (EUA) em
janeiro de 2016, é uma coprodução Inglaterra/Azerbaijão, com direção de Asif
Kapadia e roteiro de Christopher Hampton, que se inspirou no livro do mesmo
nome escrito por Kurban Said em 1937. O pano de fundo da história é a guerra da
independência do Azerbaijão, ao fim da Primeira Guerra Mundial, e que voltaria
a ser dominado pelos russos a partir de 1920 (o Azerbaijão era rico em petróleo
– não sei se ainda é). Na verdade, o tema central é o romance entre a princesa
cristã ortodoxa Nino (Maria Valverde) e o príncipe muçulmano Ali (Adam Bakri).
Romance que não teve o apoio das famílias, que eram contra a união por questões
religiosas. O filme acompanha a tumultuada relação entre Ali e Nino, que um dia
resolvem enfrentar os desafios das diferenças e se casar. Ao mesmo tempo, a
história destaca a brava e corajosa defesa do povo do Azarbaijão contra os
poderosos russos, que dominariam o pequeno país até 1991, quando enfim
conquistam a sua independência. A equipe técnica e o elenco do filme formam uma
verdadeira ONU: o diretor Asif é indiano naturalizado britânico; Maria Valverde
é espanhola; Adam Bakri é palestino; Connie Nielsen (a duquesa Kipiani) é
dinamarquesa, e por aí afora, além de ser falado em inglês, azerbaijano e
russo. O filme é bastante interessante pela questão histórica, envolvendo um
país pouco conhecido por nós. Há que se destacar também a caprichada produção,
envolvendo um verdadeiro exército de figurantes. Os cenários são magníficos,
com locações no próprio Azerbaijão, Turquia, Geórgia e Rússia. Só para fechar o
leque de informações: o diretor Asif Kapadia é o mesmo dos documentários “Senna”,
sobre o nosso grande piloto, e “Maradona”, o polêmico jogador argentino.
terça-feira, 25 de dezembro de 2018

domingo, 23 de dezembro de 2018
Sempre que você
encontrar o ator francês Vincent Lindon nos créditos, pode crer: o filme é bom.
Já assisti a quase todos em que ele atua e nunca me decepcionei (veja a lista
que recomendo no fim do comentário). Não poderia ser diferente no recente drama
“A APARIÇÃO” (L’APPARITION”), 2018, França,
2h24m, roteiro e direção de Xavier Giannoli (“Marguerite”). Lindon interpreta o
jornalista Jacques Mayano, conhecido por fazer coberturas de guerras para uma
famosa revista francesa. Graças à sua fama de jornalista também investigativo,
Mayano é convidado pelo Vaticano a fazer parte de uma comissão canônica
encarregada de investigar a veracidade da afirmação da jovem Anna (Galatea
Bellugi), no interior da França, que diz ter presenciado a aparição da Virgem
Maria. Além de Mayano, integram a comissão três padres – um deles exorcista – e
uma médica psiquiatra. O vilarejo onde ocorreu o fenômeno logo se transformou
num local de peregrinação de milhares de crentes ávidos por conhecer e tocar a
menina e, quem sabe, presenciar um milagre. É claro que o padre local (Patrick
D’Assunção) não gostou da chegada da tal comissão do Vaticano, já que o
resultado da investigação poderá desmentir a aparição e espantar os peregrinos
do vilarejo (claro, comércio acima de tudo). Do começo ao fim, o filme trata do
mistério da fé e por que é tão difícil apurar a veracidade de uma aparição. Nesse
contexto, o filme despeja inúmeras dúvidas para o espectador e o convida a
participar do veredito, como se ele mesmo fizesse parte da comissão canônica. O
filme é excelente e Vincent Lindon mais uma vez mostra sua competência como
ator. Como prometi no início, aí vai uma lista com os melhores filmes de
Lindon: “Uma Primavera com Minha Mãe”, ”Os Cavaleiros Brancos”, “Tudo por Ela”,
“O Diário de uma Camareira” e “Mea Culpa”.
sábado, 22 de dezembro de 2018

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
"LÍDA BAAROVÁ", 2016, coprodução Eslováquia/República Tcheca, 1h46,
direção de Filip Renc. O drama biográfico conta uma história pouco conhecida
por nós, a da atriz tcheca Lída Baarová (1914-2000), famosa nos anos 30 não
apenas por atuar em filmes de sucesso, mas também por ter sido amante do
figurão nazista Joseph Goebbels, Ministro das Comunicações de Hitler e um dos
idealizadores do Holocausto. Lída Baarová
(na verdade o nome artístico de Ludmila Babková) saiu de Praga (Tchecoslováquia)
ainda jovem para tentar a sorte no cinema alemão, mais especificamente nos
estúdios de Babelsberg (Berlim), então considerada a Hollywood europeia. Lída (Tatiana
Pauhofová) não demorou a conquistar fama principalmente depois de contracenar
filmes românticos com o maior galã alemão da época, Gustav Fröhich (Gedeon
Burkahard), com o qual casaria logo depois. A beleza da atriz tcheca
impressionou Goebbels, que passou a assediá-la de forma acintosa, mesmo depois
dela ter-se casado com Gustav. O poder e a inteligência de Goebbels acabaram por
fascinar a jovem atriz tcheca, independente do nazista ser casado e ter vários filhos.
O caso virou um escândalo nos jornais e Hitler foi obrigado a intervir, pelo
bem do nazismo e da família alemã. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, Lída foi considerada
traidora, acabou presa e condenada à morte, o que não aconteceu graças à
interferência do seu pai, amigo de um líder comunista. Lída continuaria a atuar
em filmes na Espanha e na Itália, dedicando-se posteriormente ao teatro. Resumo
da ópera: o filme “Lída Baarová” é excelente, apresenta atuações soberbas da
atriz tcheca Tatiana Pauhofová e do ator austríaco Karl Markovics como Goebbels,
além do excelente roteiro e da primorosa ambientação de época – cenários e
figurinos. Eu concluo dizendo que é uma verdadeira obra-prima do cinema europeu,
à disposição na programação da Netflix. Não deixe de assistir!
domingo, 16 de dezembro de 2018
“A
BALADA DE ADAM HENRY” (“THE CHILDREN ACT”), 2017, Inglaterra,
1h46, direção de Richard Eyre, com roteiro assinado por Ian McEwan, autor do
livro “The Children Act”, lançado em 2014. O drama inglês é centrado na Juíza
da Alta Corte Fiona Maye (Emma Thompson), responsável pelos julgamentos de
casos do Direito Familiar. Em meio à crise conjugal que vive com o marido Jack
(Stanley Tucci), Fiona é obrigada a julgar casos difíceis e polêmicos, o que a
coloca sempre em evidência na mídia. Ainda mais depois de iniciar o julgamento
de um processo que envolve o jovem Adam Henry (Fionn Whitehead, de “Dunkirk”),
que tem leucemia e vive um dilema: precisa de uma transfusão de sangue para sobreviver,
mas como é adepto das Testemunhas de Jeová, recusa-se a fazer o procedimento,
apoiado pelos pais. Numa atitude sem precedentes no meio judiciário, a juíza se
propõe a ouvir o desejo do rapaz pessoalmente no hospital onde está internado.
Essa visita terá consequências em relação ao futuro de Adam e resultará também
numa mudança na própria vida da juíza. O filme é muito bom, valorizado ainda mais pela
atuação magistral de Emma Thompson, que comprova mais uma vez ser uma das
melhores atrizes da atualidade. O jovem ator Fionn Whitehead também mostra
muita competência. Imperdível!
“SANGUE
FRANCÊS” (“UN FRANÇAIS”), 2016, França, 1h38, segundo
longa-metragem escrito e dirigido por Diastème (nome artístico de Patrick Asté).
A história, baseada em fatos reais, começa em 1992, quando um grupo de neonazistas
e skinheads passa as noites em Paris agredindo árabes, negros, comunistas e
homossexuais. A violência das cenas é bastante realista. Marco (Alban Lenoir, excelente
ator) é um desses neonazistas no qual toda a história é centrada. Marco e os
amigos defendem os ideais do partido de extrema-direita Front National, cuja
principal bandeira é o ódio aos imigrantes, negros e outras minorias. O
nacionalismo exacerbado e radical é mostrado não apenas nas reuniões dos
neonazistas, como nos encontros sociais de uma parte da elite francesa, onde se
canta a “La Marseillaise” após terem assistido a vídeos do político ultradireitista
Jean-Marie Le Pen discursando em público. O fanatismo desse pessoal é tão forte
que durante a final do mundo de 1998, em que a França derrotou o Brasil, alguns
se negaram a comemorar simplesmente porque um árabe (Zidane) fez dois gols. O
filme acompanha a trajetória de Marco como um jovem que, com o passar do tempo,
amadurece e tenta seguir sua vida adiante sem a estigma de ter sido um
neonazista fichado na polícia. O filme é excelente. Pena que não chegou a ser
exibido por aqui no circuito comercial. Teve apenas uma exibição durante o Festival
Internacional de Cinema do Rio de Janeiro em 2015. Obrigatório para quem curte
cinema de qualidade.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
“POLINA” (“POLINA, DANSER AS VIE”), 2016,
França, é um drama centrado numa bailarina clássica russa de muito talento –
papel da dançarina Anastasia Shevtsova em sua estreia no cinema. Aos 18 anos, Polina
consegue ingressar no famoso Balé Bolshoi e, prestes a fazer a sua apresentação
oficial, fica encantada com um espetáculo de dança contemporânea. Para
desespero dos pais, ela acaba desistindo do Bolshoi e vai com o namorado francês
Adrien (Niels Schneider) para a França, onde inicia seu treinamento na escola
da famosa coreógrafa e professora de dança contemporânea Liria Elsaj (Juliette
Binoche). A partir dessa mudança, a vida de Polina vira uma verdadeira montanha
russa, de altos e baixos - mais baixos do que altos. Sem dinheiro, ela acaba aceitando um trabalho como
garçonete de uma discoteca em Bruxelas (Bélgica). E por aí vai o drama dessa
jovem que tinha um futuro garantido no Balé Bolshoi, mas que resolveu arriscar
seu futuro em outra modalidade de dança. O filme foi escrito e dirigido por Valérie
Müller, com a colaboração do coreógrafo Angelin Preljocaj. No começo, pensei
que fosse uma história baseada em fatos reais. Que nada! O roteiro de “Polina”
foi inspirado na graphic novel (quadrinhos)
do francês Bastien Vivès. O filme estreou no Festival de Veneza 2016 e foi
muito elogiado pelo público e pela crítica especializada. Realmente, o filme é
muito bom, apesar das inúmeras cenas de ensaios de coreografias de dança contemporânea.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
“BEL
CANTO”, 2018, EUA, roteiro e direção de Paul Weitz. Inspirado em
fatos reais ocorridos no Peru em 1996, trata-se de uma adaptação cinematográfica
da histórica tomada da embaixada japonesa em Lima por guerrilheiros do
Movimento Revolucionário Túpac Maru, que durante quatro meses mantiveram centenas
de reféns, entre as quais embaixadores de vários países – inclusive o do Brasil
-, autoridades governamentais, empresários e figuras da alta sociedade peruana.
Para escrever o roteiro de “Bel Canto”, o diretor norte-americano tomou como
base o livro do mesmo nome escrito por Ann Patchett. Paul Weitz acrescentou
romance, cantoria e humor, exagerando na dose fantasiosa. O elenco é de
primeira: Julianne Moore, o astro japonês Ken Watanabe, o ator mexicano Demian
Bichir, o francês Christopher Lambert e o alemão Sebastian Kock. O filme, de
segunda – ou terceira. Julianne Moore interpreta uma cantora lírica
norte-americana famosa que é contratada para cantar na festa – na verdade, ela
dubla a soprano Renée Flemming. Ela e o empresário Katsumi Hosokawa (Watanebe)
acabam se apaixonando, um romance tão forçado quanto o do tradutor japonês com uma
guerrilheira. Além do mais, os guerrilheiros são retratados como se fossem
ótimas pessoas, vítimas do sistema. Tenha paciência! É de surpreender que
atores tão bons tenham participado dessa produção tão medíocre, alguns deles com uma atuação das mais constrangedoras, como o francês Christopher Lambert. E olha que o
diretor Paul Weitz já fez alguns filmes muito bons como “O Céu Pode Esperar”, “Um
Grande Garoto”, “Entrando numa Fria maior ainda com a Família”, entre outros. Enfim,
“Bel Canto” nada mais é do que um filme esquecível e descartável.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
“O
FILHO DE JEAN” (“Le Fils de Jean”), 2016, coprodução
França/Canadá, 1h38, roteiro e direção de Philippe Lioret. Drama sensível e
comovente centrado num jovem francês residente em Paris que um dia recebe a
notícia de que seu pai biológico acabara de falecer em Montreal (Canadá). Ele
nunca soube quem era seu pai biológico e nem que morava em outro país. Sua mãe sempre
escondeu a verdade. Matthieu (Pierre Deladonchamps) resolve ir para o enterro.
Chegando em Montreal, ele é recebido por Pierre Lesage (Gabriel Arcand), um
médico que foi colega de seu pai biológico, Jean, também médico. Matthieu descobre
que tem dois irmãos e quer conhecê-los antes do enterro. Pierre promete apresentá-los
com a condição de Matthieu não dizer que é um filho bastardo. Até o enterro,
Matthieu conviverá com os irmãos e com a família de Pierre, até a surpreendente
revelação no desfecho. O filme é excelente, recebeu inúmeros elogios da crítica
especializada e rendeu dois prêmios César (o Oscar francês), o de Melhor Ator
para Pierre Deladonchamps e de Ator Coadjuvante para Gabriel Arcand. Imperdível!
domingo, 9 de dezembro de 2018
“MILADA”, 2017,
República Checa/EUA (Netflix), 2h10, é um drama biográfico centrado na
advogada, ativista dos direitos humanos e política Milada Horáková (1901-1950),
que ficou famosa por sua coragem na luta contra a ocupação nazista na Tchecoslováquia
durante a Segunda Guerra Mundial e depois contra o Partido Comunista (sob o
comando da Rússia) que assumiu o poder no país em 1948. O filme é dirigido por David
Mrnka (seu primeiro longa-metragem), com roteiro de Roberta Gant e Robert
Conant. Milada é interpretada de forma magistral pela atriz israelense Ayelet
Zurer. Por participar da resistência aos nazistas, Milada foi presa e torturada
pela Gestapo, sendo depois encaminhada para um campo de concentração. Ao fim da
Segunda Guerra, ela foi libertada como heroína do povo tcheco. Logo em seguida,
foi eleita deputada e, em 1948, com a tomada do poder pelos comunistas, ela
renunciou e acabou sendo presa novamente. Um julgamento totalmente parcial
julgou-a culpada pelo crime de traição à pátria, sendo condenada à morte por
enforcamento. O filme é ótimo, com destaque para a primorosa recriação de
época, figurinos, fotografia e, principalmente, pela atuação maravilhosa da
atriz Ayelet Zurer (“Ben-Hur”, “Os Últimos Cavaleiros”). Também merece destaque a reprodução de imagens cinematográficas da época enfocada. A cereja do bolo,
porém, é, sem dúvida, a história incrível de coragem de uma mulher que lutou pelo seu
país e jamais cedeu em suas opiniões. Imperdível!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
“SHIVÁ
– UMA SEMANA E UM DIA” (“Shavua ue Yom”), 2016, Israel, 1h38,
primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo jovem diretor Asaph Polonsky,
de 35 anos, mais conhecido por curta-metragens e produções televisivas.
Trata-se de uma comédia, embora o pano de fundo envolva uma família enlutada. Eyal
Spivak (Shai Avivi) e sua esposa Vicky (Evgenia Dodina) acabam de sair do
período de Shivá, o que na religião judaica significa uma semana de luto,
quando os familiares permanecem em casa reverenciando a memória do ente
falecido. No caso, o filho de Eyal e Vicky. O filme é todo ambientado no dia
seguinte ao Shivá. O casal tenta retomar sua rotina habitual, sair do período
de luto. Mas só Vicky consegue. Ela é professora e vai ao colégio reiniciar
suas aulas, só que já colocaram uma substituta em seu lugar. Ao voltar para
casa, surpreende Eyal fumando maconha com o jovem Zooler (Tomer Kapon), seu
vizinho e amigo de infância do filho falecido. O diretor Asaph consegue tratar
da temática do luto com extrema leveza e bom humor. Algumas cenas são realmente
hilariantes, como aquela em que Eyal tenta enrolar um baseado ou outra quando
Zooler “toca” uma guitarra imaginária ao som de um rock pesado. “Shivá” foi
exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2016, conquistando o Prêmio Gan
Fundation de Distribuição na 55ª Semaine de La Critique. Também foi sucesso em
outros festivais, conquistando 8 prêmios e mais 14 indicações internacionais.
Realmente, um filme bastante interessante por sair da mesmice habitual. Por isso,
merece ser conferido por quem gosta de curtir novidades.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
“EUFORIA”
(“EUPHORIA”), 2017, Inglaterra, 1h44, escrito e dirigido por
Lisa Langseth. Drama destinado a um final "chororô" cujo pano de fundo é a
eutanásia. Duas irmãs se reencontram após vários anos de separação e combinam
viajar juntas. Emille (Eva Green) cuida do roteiro, cujo destino é uma casa de
campo para hospedar doentes terminais. Começa o filme e a gente logo percebe
que Ines (Alicia Vikander) não está muito à vontade com Emille. Ou seja, não se
davam muito bem. Ines não sabe o motivo pelo qual Emille escolheu aquele local
para passar alguns dias, mas logo fica sabendo. Durante os dias em que ficarão
juntas, as irmãs recordarão alguns episódios da infância e o relacionamento com
os pais. Sobre os motivos que levaram as duas irmãs a se distanciarem, o filme
deixa a resposta no ar. Como é previsível desde o início, o filme caminha para
um desfecho de lágrimas. Destaque para a participação da veterana atriz
Charlotte Rampling como a gerente do estabelecimento, situado num belo cenário
dos Alpes Suíços. “Euforia” foi o primeiro filme falado em inglês da diretora
sueca Lisa Langseth, que já havia dirigido a também sueca Alicia Vikander em “Pure”
e “Hotel Terapêutico”. O veterano ator inglês Charles Dance também está no
elenco.
domingo, 2 de dezembro de 2018
Suspense, tensão de
arrepiar os pelos da nuca e muitos sustos são alguns dos ingredientes que fazem um bom filme de terror. Eles estão em profusão no terror “A FREIRA” (“The Nun”),
2018, EUA, segundo longa-metragem dirigido por Corin Hardy (“A Maldição da
Floresta” foi o primeiro), com roteiro de James Wan e Gary Dauberman. A história
é ambientada em 1952 num convento isolado na Romênia e, segundo o material de divulgação,
inspirada em fatos reais. Claro que os roteiristas acrescentaram muita coisa.
Nesse tal convento, uma freira se suicida e a notícia chega ao Vaticano, que
convoca o padre Burke (o ator mexicano Demian Buchir) e a Irmã Irene (Taissa
Farmiga), prestes a se tornar freira, para investigarem os motivos que levaram
a freira a cometer suicídio. Com a ajuda de um rapaz (Jonas Bloquet) habitante
de uma aldeia próxima, padre Burke e a Irmã Irene chegam ao convento e logo se
darão conta de que a situação é grave, que o mal está instalado por lá e não vai dar trégua. E
dá-lhe sustos, um atrás do outro. O filme faz parte da saga “Invocação do Mal”,
que teve duas versões, a primeira em 2013 e a mais recente em 2016, ambas
dirigidos pelo malasiano James Wan, um dos roteiristas de “A Freira”. Aliás,
Taissa Farmiga é a irmã mais nova da também atriz Vera Farmiga, que atuou nos
dois “Invocação do Mal”. Para quem gosta do gênero terror – e mesmo quem não
gosta – vai adorar “A Freira”. Tensão garantida na frente da telinha.
sábado, 1 de dezembro de 2018
“A
GAROTA NA NÉVOA” (“LA RAGAZZA NELLA NEBBIA”), 2017, Itália, estreia
no roteiro e direção de Donato Carrisi, um escritor italiano de romances
policiais de grande sucesso. Ele mesmo adaptou para o cinema o livro que
escreveu e que leva o título original. Trata-se de um suspense policial
centrado no desaparecimento misterioso da jovem Anna Lou (Ekaterina Buscemi), moradora
num vilarejo localizado nos Alpes Italianos. O inspetor Vogel (Toni Servillo) é
encarregado de investigar o caso, formando uma grande equipe de detetives. Durante
as investigações, surge um suspeito: o professor Loris Martin (Alessio Boni),
que é detido e logo considerado culpado. O caso chega ao conhecimento da
imprensa, que envia várias equipes ao vilarejo, transformando o sumiço de Anna
Lou no grande assunto dos noticiários italianos. Até chegar ao desfecho, numa
surpreendente reviravolta, o filme segue num ótimo suspense, ficando o espectador
no aguardo de uma situação esclarecedora. Porém,
não é isso que acontece. Não há respostas claras sobre o verdadeiro responsável
pelo sequestro e suas razões, culminando com um final confuso, sem uma explicação
razoável. A crítica especializada não economizou elogios, mas eu não gostei. A
começar pelo desempenho de Toni Servillo (“A Grande Beleza”), atuando no piloto
automático, sempre com olhar de “peixe morto”, parecendo dopado. O elenco conta
ainda com o ator francês Jean Reno, Lucrezia Guidone e Greta Scacchi (irreconhecível).
Numa das cenas mais importantes do filme, perto do desfecho, o fundo musical é
de Beth Carvalho cantando “Dança da Solidão”. Não entendi a intenção do diretor
ao acrescentar esse número musical que nada tem a ver com a história. De
qualquer forma, o filme foi um grande sucesso de bilheteria na Itália. Se
quiser arriscar, fique à vontade.
quarta-feira, 28 de novembro de 2018

segunda-feira, 26 de novembro de 2018
“REFÉM
DO JOGO” (“Final Score”), 2018, Inglaterra, direção de Scott Mann
(O Sequestro do Ônibus 657”). É um filme de ação ambientado dentro do Upton
Park Stadium, em Londres, onde as equipes do West Ham e Dínamo Moscou decidiriam
uma das vagas para a finalíssima da Liga Europa. O jogo é à noite, o estádio
lotado (35 mil pessoas), tudo em clima de festa. Só que nos bastidores a
história era outra. Um grupo de terroristas dissidentes russos ocuparam a
cabine de comando do complexo esportivo, fecharam todos os acessos e saídas,
além de implantar várias bombas num dos setores mais importantes do estádio. O
objetivo dos terroristas é identificar, entre os torcedores do Dínamo, o líder
revolucionário russo Dimitri (Pierce Brosnan) e sequestrá-lo. Quem tentará
impedir esta ação é o ex-soldado do exército norte-americano Michael Knox (Dave
Bautista). Ele enfrentará sozinho os terroristas, apanhará muito e, ao estilo
Bruce Willis de “Duro de Matar”, sobreviverá todo arrebentado. É o quarto filme
do grandalhão Dave Bautista, um ex-lutador de MMA. Antes, havia participado de “007
Contra Spectre”, “Guardiões da Galáxia e “Blade Runner 2049”. Embora o material
promocional do filme dê destaque à participação do ator Pierce Brosnan, ele
aparece pouco e sem nenhum brilho. Enfim, trata-se de um bom filme de ação num
ritmo alucinante, com cenas espetaculares de luta e perseguições no telhado do
estádio e muito suspense. Ótimo entretenimento, sem exigir muito dos neurônios
do espectador.
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