sábado, 5 de janeiro de 2019


“ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA” (“Rock’n Roll”), 2017, França, 2h03m, direção de Guillaume Canet, também autor do roteiro juntamente com Philippe Lefebvre e Rodolphe Lauga. Além de ótimo ator, Canet está se consagrando como excelente diretor. Já deu provas disso no magistral “Até a Eternidade”, de 2010, e agora com o recente “Rock’n Roll”, uma comédia na qual ele satiriza os bastidores do cinema, expondo as fraquezas, manias e desequilíbrios emocionais dos atores, diretores, produtores etc. (ao assistir “Rock’Roll”, lembrei muito do clássico “A Noite Americana”, 1973, do diretor François Truffaut). Canet, porém, inova ao dar o mesmo nome dos principais atores aos personagens da história. Dessa forma, Guillaume Canet é Guillaume Canet, Marion Cotillard é Marion Cotillard (os dois são casados no filme e na vida real), Gilles Lellouche é o próprio, assim como acontece com o astro do rock Johnny Hallyday e Camille Rowe. Uma jogada de mestre. A história é toda centrada no ator Guilhaume Canet (o personagem), que entra em crise psicológica ao perceber que passou dos 40 anos e só é convidado para interpretar papéis de homens mais velhos. É o caso do filme “dentro do filme” em que ele está atuando no papel de pai de uma jovem de 23 anos (Camille Rowe). Ao participar de uma entrevista ao lado de Camille, Canet ouve da jornalista que “Você não é mais tão Rock’n Roll”, ou seja, não é mais novo, está chegando à meia-idade. Pronto, foi essa constatação que provocou em Canet um início de depressão. Aí ele parte para o botox, academia de musculação, baladas e a vontade de ser um músico roqueiro, enquanto seu casamento entra na maior crise. Tudo é muito engraçado, garantindo diversão do começo ao fim. Uma comédia feita com inteligência. O filme foi exibido por aqui durante a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, em junho de 2017. Um crime não ter sido exibido – pelo menos por enquanto - no circuito comercial dos nossos cinemas. Imperdível!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019


“A ÚLTIMA NOTA” (“Para Telefaxio Simeioma” – a tradução para o português é minha, baseada no título “The Last Note”, pelo qual o filme foi lançado nos países de língua inglesa – não acredito que chegue por aqui), 2017, Grécia, 117 minutos, direção de Pantelis Voulgaris, que é autor do roteiro assinado também por Ionna Karystiani. Trata-se de mais um drama histórico baseado em fatos reais ocorridos durante a Segunda Grande Guerra. Desta vez, as vítimas dos nazistas são os gregos. A Grécia ocupada pelo exército alemão também tinha seus campos de concentração. A história do filme é ambientada num deles, Chaidari, na província de Kaisariani. Os prisioneiros eram membros da resistência, comunistas e judeus – ou seja, os de sempre.  Em represália ao assassinato de um general alemão numa emboscada realizada por militantes da resistência grega, veio a ordem de Berlim para que 200 prisioneiros do campo de Chaidari fossem assassinados. Um dos personagens principais da história é Napoleon Soukatzidis (Andreas Konstantinou), prisioneiro que servia de tradutor para o oficial Karl Fischer (o ótimo ator alemão André Hennicke) durante os interrogatórios e torturas dos presos. As cenas que mostram o fuzilamento dos 200 prisioneiros são bastante impactantes e comoventes, assim como aquelas que mostram os jurados de morte dançando ao som de músicas populares gregas antes da execução. Só para lembrar: o diretor grego Pantelis Voulgaris é o mesmo do excelente “Little England”, de 2013, filme dos mais premiados nos festivais de cinema mundo afora.   

domingo, 30 de dezembro de 2018


“OS ESCRITOS SECRETOS” (“THE SECRET SCRIPTURE”), 2016, Irlanda, 1h48m. A história é inspirada no livro homônimo escrito pelo poeta, dramaturgo e escritor irlandês Sebastian Barry, adaptado e dirigido pelo veterano Jim Sheridan (“Meu Pé Esquerdo”, “Em Nome do Pai”). Uma clínica psiquiátrica está prestes a ser desativada e os seus pacientes transferidos para outras unidades ou então liberados para voltar para casa. O psiquiatra William Grene (Eric Bana) ficou encarregado de avaliar as condições mentais da idosa Roseanne McNuttry, que há 50 anos vive na clínica, acusada de ter assassinado seu bebê. Em meio à sua investigação, dr. Grene encontra um diário secreto escrito por Roseanne, no qual ela conta a história da sua vida, sua paixão pelo aviador Michael Eneas (Jack Reynor) e a perseguição que sofreu por parte do padre católico Gaunt (Theo James). O médico também descobrirá a verdade sobre o suposto assassinato do bebê, revelação que é feita no desfecho. Quando moça, Roseanne é interpretada pela ótima atriz norte-americana Rooney Mara. Como não poderia deixar de ser, quem rouba a cena é a veterana Vanessa Redgrave com uma atuação magistral, o que por si só já é motivo suficiente para assistir a este bom drama irlandês.

sábado, 29 de dezembro de 2018


“EM BUSCA DE FELLINI” (“In Search of Fellini”), coprodução EUA/Itália, 2017, longa-metragem de estreia do diretor sul-africano de curtas Taron Lexton, seguindo o roteiro escrito por Nancy Cartwright e Peter Kjenaas. Trata-se de uma bela homenagem ao grande diretor italiano Federico Fellini (1920-1993). Ambientada no início dos anos 90, pouco antes da morte de Fellini, a história - baseada em fatos reais - é centrada em Lucy (Ksenia Solo), uma garota de 20 anos residente numa cidade de Ohio (EUA). Ela é muito tímida e superprotegida pela mãe Claire (Maria Bello), tem dificuldade de encarar a realidade da vida e, por isso, passa os dias assistindo a filmes antigos e vivendo num verdadeiro mundo de sonhos. Numa mostra dedicada ao cineasta italiano, Lucy fica encantada com o estilo onírico de Fellini, passando a alugar todos os seus filmes. Uma paixão fulminante, a tal ponto de ir para a Itália tentar um encontro com o diretor. Enquanto aguarda uma resposta, Lucy visita alguns cenários dos filmes mais famosos de Fellini e, em algumas cenas fantasiosas, contracena com alguns dos principais personagens – estilizados, é claro - de “A Doce Vida”, “A Estrada da Vida”, “Satyricon” e “8 ½”. Senti falta de menções a “Amarcord”, meu filme preferido de Fellini. “Em Busca de Fellini” ganhou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz (Ksenia) no Festival de Ferrara (Itália). Resumo da ópera: o filme é muito bom, principalmente para ser curtido pelos fãs do grande diretor italiano, como eu, e uma grande oportunidade para que as novas gerações conheçam um pouco da arte desse gênio do cinema.  

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018


“ALI & NINO”, lançado no Festival de Sundance (EUA) em janeiro de 2016, é uma coprodução Inglaterra/Azerbaijão, com direção de Asif Kapadia e roteiro de Christopher Hampton, que se inspirou no livro do mesmo nome escrito por Kurban Said em 1937. O pano de fundo da história é a guerra da independência do Azerbaijão, ao fim da Primeira Guerra Mundial, e que voltaria a ser dominado pelos russos a partir de 1920 (o Azerbaijão era rico em petróleo – não sei se ainda é). Na verdade, o tema central é o romance entre a princesa cristã ortodoxa Nino (Maria Valverde) e o príncipe muçulmano Ali (Adam Bakri). Romance que não teve o apoio das famílias, que eram contra a união por questões religiosas. O filme acompanha a tumultuada relação entre Ali e Nino, que um dia resolvem enfrentar os desafios das diferenças e se casar. Ao mesmo tempo, a história destaca a brava e corajosa defesa do povo do Azarbaijão contra os poderosos russos, que dominariam o pequeno país até 1991, quando enfim conquistam a sua independência. A equipe técnica e o elenco do filme formam uma verdadeira ONU: o diretor Asif é indiano naturalizado britânico; Maria Valverde é espanhola; Adam Bakri é palestino; Connie Nielsen (a duquesa Kipiani) é dinamarquesa, e por aí afora, além de ser falado em inglês, azerbaijano e russo. O filme é bastante interessante pela questão histórica, envolvendo um país pouco conhecido por nós. Há que se destacar também a caprichada produção, envolvendo um verdadeiro exército de figurantes. Os cenários são magníficos, com locações no próprio Azerbaijão, Turquia, Geórgia e Rússia. Só para fechar o leque de informações: o diretor Asif Kapadia é o mesmo dos documentários “Senna”, sobre o nosso grande piloto, e “Maradona”, o polêmico jogador argentino.  

terça-feira, 25 de dezembro de 2018


“UM DIA A MAIS PARA VIVER” (“Bereave”), 1h40m, EUA, roteiro e direção dos irmãos Evangelos e George Giovanis. O filme foi produzido em 2015 e lançado somente em 2018, mas não chegou por aqui. A história: o casal Garvey (Malcolm McDowell) e Evelyn (Jane Seymour) está entrando na terceira idade em plena crise conjugal. Casados há mais de 40 anos, eles vivem uma crise conjugal principalmente por conta dos sintomas de depressão e demência senil que afetam a sanidade de Garvey, que passa a tratar mal a companheira. Em meio às complicações do casamento, e para complicar ainda mais a situação e tumultuar o ambiente, aparece o irmão dele, Victor (Keith Carradine) e a filha Penelope (Vinessa Shaw), ambos tentando amenizar o conflito entre Garvey e Evelyn. Engana-se quem pensa que, por esta pequena sinopse, trata-se de um drama. Pelo contrário, é uma comédia das mais saborosas, valorizada pela atuação dos dois veteranos Malcolm McDoweel e Jane Seymour, ambos em grande forma. Mas quem se destaca mesmo é Seymour, ainda ótima atriz, linda e charmosa, mesmo aos 67 anos. Méritos aos irmãos Giovanis, que souberam conciliar drama e comédia com grande competência, tornando esse filme bastante agradável de assistir.  

domingo, 23 de dezembro de 2018


Sempre que você encontrar o ator francês Vincent Lindon nos créditos, pode crer: o filme é bom. Já assisti a quase todos em que ele atua e nunca me decepcionei (veja a lista que recomendo no fim do comentário). Não poderia ser diferente no recente drama “A APARIÇÃO” (L’APPARITION”), 2018, França, 2h24m, roteiro e direção de Xavier Giannoli (“Marguerite”). Lindon interpreta o jornalista Jacques Mayano, conhecido por fazer coberturas de guerras para uma famosa revista francesa. Graças à sua fama de jornalista também investigativo, Mayano é convidado pelo Vaticano a fazer parte de uma comissão canônica encarregada de investigar a veracidade da afirmação da jovem Anna (Galatea Bellugi), no interior da França, que diz ter presenciado a aparição da Virgem Maria. Além de Mayano, integram a comissão três padres – um deles exorcista – e uma médica psiquiatra. O vilarejo onde ocorreu o fenômeno logo se transformou num local de peregrinação de milhares de crentes ávidos por conhecer e tocar a menina e, quem sabe, presenciar um milagre. É claro que o padre local (Patrick D’Assunção) não gostou da chegada da tal comissão do Vaticano, já que o resultado da investigação poderá desmentir a aparição e espantar os peregrinos do vilarejo (claro, comércio acima de tudo). Do começo ao fim, o filme trata do mistério da fé e por que é tão difícil apurar a veracidade de uma aparição. Nesse contexto, o filme despeja inúmeras dúvidas para o espectador e o convida a participar do veredito, como se ele mesmo fizesse parte da comissão canônica. O filme é excelente e Vincent Lindon mais uma vez mostra sua competência como ator. Como prometi no início, aí vai uma lista com os melhores filmes de Lindon: “Uma Primavera com Minha Mãe”, ”Os Cavaleiros Brancos”, “Tudo por Ela”, “O Diário de uma Camareira” e “Mea Culpa”.      

sábado, 22 de dezembro de 2018


“INFILTRADO NA KLAN” (“BLACKkKLANSMAN”), 2018, EUA, 2h16m, direção de Spike Lee, que também é autor do roteiro juntamente com Charlie Washtel, David Rabinowitz e Kevin Willmott. Baseado em fatos reais, o filme é centrado no policial negro Ron Stallworth, da polícia do Colorado, que em 1978 conseguiu se infiltrar na organização clandestina e racista Ku Klux Klan. Na época, além dos negros, a Klan também praticava atentados violentos contra judeus e imigrantes. Ao mesmo tempo em que faz uma crítica contundente à elite branca racista norte-americana, incluindo, é claro, Donald Trump, Spike Lee trata do assunto com bom humor, principalmente ancorado na ótima atuação dos atores John David Washington (Ron) e Adam Driver (Flip Zimmerman). A ambientação de época é mais um dos destaques desse ótimo filme de Spike Lee, com claras chances de algumas indicações ao próximo Oscar. A saborosa trilha sonora, com alguns sucessos da Black Music dos anos 70, também contribui para tornar o filme um entretenimento dos mais agradáveis. Numa das cenas mais comoventes do filme, o grande ator e cantor Harry Belafonte aparece ainda em grande forma aos 91 anos, relembrando o assassinato de um negro em 1917. No desfecho, Spike Lee reproduziu imagens reais do conflito ocorrido em Charlottesville em 2017, quando neonazistas ocuparam as ruas para defender, na base da porrada, a supremacia da raça branca. Ou seja, antes era o pessoal da Ku Klux Klan e, agora, os neonazistas. A discriminação racial continua leve e solta na terra do Tio Sam, tema que Spike Lee adora explorar. E com muita competência. O filme estreou no 71º Festival de Cannes, em maio de 2018, recebendo muitos elogios tanto do público como da crítica especializada. Filmaço, imperdível!.    

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

"LÍDA BAAROVÁ", 2016, coprodução Eslováquia/República Tcheca, 1h46, direção de Filip Renc. O drama biográfico conta uma história pouco conhecida por nós, a da atriz tcheca Lída Baarová (1914-2000), famosa nos anos 30 não apenas por atuar em filmes de sucesso, mas também por ter sido amante do figurão nazista Joseph Goebbels, Ministro das Comunicações de Hitler e um dos idealizadores do Holocausto.  Lída Baarová (na verdade o nome artístico de Ludmila Babková) saiu de Praga (Tchecoslováquia) ainda jovem para tentar a sorte no cinema alemão, mais especificamente nos estúdios de Babelsberg (Berlim), então considerada a Hollywood europeia. Lída (Tatiana Pauhofová) não demorou a conquistar fama principalmente depois de contracenar filmes românticos com o maior galã alemão da época, Gustav Fröhich (Gedeon Burkahard), com o qual casaria logo depois. A beleza da atriz tcheca impressionou Goebbels, que passou a assediá-la de forma acintosa, mesmo depois dela ter-se casado com Gustav. O poder e a inteligência de Goebbels acabaram por fascinar a jovem atriz tcheca, independente do nazista ser casado e ter vários filhos. O caso virou um escândalo nos jornais e Hitler foi obrigado a intervir, pelo bem do nazismo e da família alemã. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, Lída foi considerada traidora, acabou presa e condenada à morte, o que não aconteceu graças à interferência do seu pai, amigo de um líder comunista. Lída continuaria a atuar em filmes na Espanha e na Itália, dedicando-se posteriormente ao teatro. Resumo da ópera: o filme “Lída Baarová” é excelente, apresenta atuações soberbas da atriz tcheca Tatiana Pauhofová e do ator austríaco Karl Markovics como Goebbels, além do excelente roteiro e da primorosa ambientação de época – cenários e figurinos. Eu concluo dizendo que é uma verdadeira obra-prima do cinema europeu, à disposição na programação da Netflix. Não deixe de assistir!      

domingo, 16 de dezembro de 2018


“A BALADA DE ADAM HENRY” (“THE CHILDREN ACT”), 2017, Inglaterra, 1h46, direção de Richard Eyre, com roteiro assinado por Ian McEwan, autor do livro “The Children Act”, lançado em 2014. O drama inglês é centrado na Juíza da Alta Corte Fiona Maye (Emma Thompson), responsável pelos julgamentos de casos do Direito Familiar. Em meio à crise conjugal que vive com o marido Jack (Stanley Tucci), Fiona é obrigada a julgar casos difíceis e polêmicos, o que a coloca sempre em evidência na mídia. Ainda mais depois de iniciar o julgamento de um processo que envolve o jovem Adam Henry (Fionn Whitehead, de “Dunkirk”), que tem leucemia e vive um dilema: precisa de uma transfusão de sangue para sobreviver, mas como é adepto das Testemunhas de Jeová, recusa-se a fazer o procedimento, apoiado pelos pais. Numa atitude sem precedentes no meio judiciário, a juíza se propõe a ouvir o desejo do rapaz pessoalmente no hospital onde está internado. Essa visita terá consequências em relação ao futuro de Adam e resultará também numa mudança na própria vida da juíza. O filme é muito bom, valorizado ainda mais pela atuação magistral de Emma Thompson, que comprova mais uma vez ser uma das melhores atrizes da atualidade. O jovem ator Fionn Whitehead também mostra muita competência. Imperdível!   


“SANGUE FRANCÊS” (“UN FRANÇAIS”), 2016, França, 1h38, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Diastème (nome artístico de Patrick Asté). A história, baseada em fatos reais, começa em 1992, quando um grupo de neonazistas e skinheads passa as noites em Paris agredindo árabes, negros, comunistas e homossexuais. A violência das cenas é bastante realista. Marco (Alban Lenoir, excelente ator) é um desses neonazistas no qual toda a história é centrada. Marco e os amigos defendem os ideais do partido de extrema-direita Front National, cuja principal bandeira é o ódio aos imigrantes, negros e outras minorias. O nacionalismo exacerbado e radical é mostrado não apenas nas reuniões dos neonazistas, como nos encontros sociais de uma parte da elite francesa, onde se canta a “La Marseillaise” após terem assistido a vídeos do político ultradireitista Jean-Marie Le Pen discursando em público. O fanatismo desse pessoal é tão forte que durante a final do mundo de 1998, em que a França derrotou o Brasil, alguns se negaram a comemorar simplesmente porque um árabe (Zidane) fez dois gols. O filme acompanha a trajetória de Marco como um jovem que, com o passar do tempo, amadurece e tenta seguir sua vida adiante sem a estigma de ter sido um neonazista fichado na polícia. O filme é excelente. Pena que não chegou a ser exibido por aqui no circuito comercial. Teve apenas uma exibição durante o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro em 2015. Obrigatório para quem curte cinema de qualidade.  

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018


“POLINA” (“POLINA, DANSER AS VIE”), 2016, França, é um drama centrado numa bailarina clássica russa de muito talento – papel da dançarina Anastasia Shevtsova em sua estreia no cinema. Aos 18 anos, Polina consegue ingressar no famoso Balé Bolshoi e, prestes a fazer a sua apresentação oficial, fica encantada com um espetáculo de dança contemporânea. Para desespero dos pais, ela acaba desistindo do Bolshoi e vai com o namorado francês Adrien (Niels Schneider) para a França, onde inicia seu treinamento na escola da famosa coreógrafa e professora de dança contemporânea Liria Elsaj (Juliette Binoche). A partir dessa mudança, a vida de Polina vira uma verdadeira montanha russa, de altos e baixos - mais baixos do que altos. Sem dinheiro, ela acaba aceitando um trabalho como garçonete de uma discoteca em Bruxelas (Bélgica). E por aí vai o drama dessa jovem que tinha um futuro garantido no Balé Bolshoi, mas que resolveu arriscar seu futuro em outra modalidade de dança. O filme foi escrito e dirigido por Valérie Müller, com a colaboração do coreógrafo Angelin Preljocaj. No começo, pensei que fosse uma história baseada em fatos reais. Que nada! O roteiro de “Polina” foi inspirado na graphic novel (quadrinhos) do francês Bastien Vivès. O filme estreou no Festival de Veneza 2016 e foi muito elogiado pelo público e pela crítica especializada. Realmente, o filme é muito bom, apesar das inúmeras cenas de ensaios de coreografias de dança contemporânea.    

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018


“BEL CANTO”, 2018, EUA, roteiro e direção de Paul Weitz. Inspirado em fatos reais ocorridos no Peru em 1996, trata-se de uma adaptação cinematográfica da histórica tomada da embaixada japonesa em Lima por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Túpac Maru, que durante quatro meses mantiveram centenas de reféns, entre as quais embaixadores de vários países – inclusive o do Brasil -, autoridades governamentais, empresários e figuras da alta sociedade peruana. Para escrever o roteiro de “Bel Canto”, o diretor norte-americano tomou como base o livro do mesmo nome escrito por Ann Patchett. Paul Weitz acrescentou romance, cantoria e humor, exagerando na dose fantasiosa. O elenco é de primeira: Julianne Moore, o astro japonês Ken Watanabe, o ator mexicano Demian Bichir, o francês Christopher Lambert e o alemão Sebastian Kock. O filme, de segunda – ou terceira. Julianne Moore interpreta uma cantora lírica norte-americana famosa que é contratada para cantar na festa – na verdade, ela dubla a soprano Renée Flemming. Ela e o empresário Katsumi Hosokawa (Watanebe) acabam se apaixonando, um romance tão forçado quanto o do tradutor japonês com uma guerrilheira. Além do mais, os guerrilheiros são retratados como se fossem ótimas pessoas, vítimas do sistema. Tenha paciência! É de surpreender que atores tão bons tenham participado dessa produção tão medíocre, alguns deles com uma atuação das mais constrangedoras, como o francês Christopher Lambert. E olha que o diretor Paul Weitz já fez alguns filmes muito bons como “O Céu Pode Esperar”, “Um Grande Garoto”, “Entrando numa Fria maior ainda com a Família”, entre outros. Enfim, “Bel Canto” nada mais é do que um filme esquecível e descartável.      

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018


“O FILHO DE JEAN” (“Le Fils de Jean”), 2016, coprodução França/Canadá, 1h38, roteiro e direção de Philippe Lioret. Drama sensível e comovente centrado num jovem francês residente em Paris que um dia recebe a notícia de que seu pai biológico acabara de falecer em Montreal (Canadá). Ele nunca soube quem era seu pai biológico e nem que morava em outro país. Sua mãe sempre escondeu a verdade. Matthieu (Pierre Deladonchamps) resolve ir para o enterro. Chegando em Montreal, ele é recebido por Pierre Lesage (Gabriel Arcand), um médico que foi colega de seu pai biológico, Jean, também médico. Matthieu descobre que tem dois irmãos e quer conhecê-los antes do enterro. Pierre promete apresentá-los com a condição de Matthieu não dizer que é um filho bastardo. Até o enterro, Matthieu conviverá com os irmãos e com a família de Pierre, até a surpreendente revelação no desfecho. O filme é excelente, recebeu inúmeros elogios da crítica especializada e rendeu dois prêmios César (o Oscar francês), o de Melhor Ator para Pierre Deladonchamps e de Ator Coadjuvante para Gabriel Arcand. Imperdível!

domingo, 9 de dezembro de 2018


“MILADA”, 2017, República Checa/EUA (Netflix), 2h10, é um drama biográfico centrado na advogada, ativista dos direitos humanos e política Milada Horáková (1901-1950), que ficou famosa por sua coragem na luta contra a ocupação nazista na Tchecoslováquia durante a Segunda Guerra Mundial e depois contra o Partido Comunista (sob o comando da Rússia) que assumiu o poder no país em 1948. O filme é dirigido por David Mrnka (seu primeiro longa-metragem), com roteiro de Roberta Gant e Robert Conant. Milada é interpretada de forma magistral pela atriz israelense Ayelet Zurer. Por participar da resistência aos nazistas, Milada foi presa e torturada pela Gestapo, sendo depois encaminhada para um campo de concentração. Ao fim da Segunda Guerra, ela foi libertada como heroína do povo tcheco. Logo em seguida, foi eleita deputada e, em 1948, com a tomada do poder pelos comunistas, ela renunciou e acabou sendo presa novamente. Um julgamento totalmente parcial julgou-a culpada pelo crime de traição à pátria, sendo condenada à morte por enforcamento. O filme é ótimo, com destaque para a primorosa recriação de época, figurinos, fotografia e, principalmente, pela atuação maravilhosa da atriz Ayelet Zurer (“Ben-Hur”, “Os Últimos Cavaleiros”). Também merece destaque a reprodução de imagens cinematográficas da época enfocada. A cereja do bolo, porém, é, sem dúvida, a história incrível de coragem de uma mulher que lutou pelo seu país e jamais cedeu em suas opiniões. Imperdível!  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018


“SHIVÁ – UMA SEMANA E UM DIA” (“Shavua ue Yom”), 2016, Israel, 1h38, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo jovem diretor Asaph Polonsky, de 35 anos, mais conhecido por curta-metragens e produções televisivas. Trata-se de uma comédia, embora o pano de fundo envolva uma família enlutada. Eyal Spivak (Shai Avivi) e sua esposa Vicky (Evgenia Dodina) acabam de sair do período de Shivá, o que na religião judaica significa uma semana de luto, quando os familiares permanecem em casa reverenciando a memória do ente falecido. No caso, o filho de Eyal e Vicky. O filme é todo ambientado no dia seguinte ao Shivá. O casal tenta retomar sua rotina habitual, sair do período de luto. Mas só Vicky consegue. Ela é professora e vai ao colégio reiniciar suas aulas, só que já colocaram uma substituta em seu lugar. Ao voltar para casa, surpreende Eyal fumando maconha com o jovem Zooler (Tomer Kapon), seu vizinho e amigo de infância do filho falecido. O diretor Asaph consegue tratar da temática do luto com extrema leveza e bom humor. Algumas cenas são realmente hilariantes, como aquela em que Eyal tenta enrolar um baseado ou outra quando Zooler “toca” uma guitarra imaginária ao som de um rock pesado. “Shivá” foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2016, conquistando o Prêmio Gan Fundation de Distribuição na 55ª Semaine de La Critique. Também foi sucesso em outros festivais, conquistando 8 prêmios e mais 14 indicações internacionais. Realmente, um filme bastante interessante por sair da mesmice habitual. Por isso, merece ser conferido por quem gosta de curtir novidades.    

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018


“A ESPOSA” (“THE WIFE”), 2017, Suécia/EUA, direção de Björn Runge e roteiro de Jane Anderson, responsável pela adaptação do romance “The Wife”, da escritora norte-americana Meg Wolitzer. A trama é sobre uma mulher que sempre viveu à sombra da fama do marido escritor e que um dia se cansa do seu papel secundário. A história é centralizada no casal Joseph Castleman (Jonathan Price) e Joan (Glenn Close). Eles estão casados há mais de 40 anos, ele um escritor famoso e ela uma esposa e mãe exemplar. Eles têm um filho, David (Max Irons), que pretende ser escritor, mas vive em conflito pessoal por não mostrar muito talento. Joseph é escolhido para receber o Prêmio Nobel de Literatura e os três vão a Estocolmo participar da solenidade de premiação. Pouco antes do evento, uma revelação surpreendente e inesperada ligada ao passado irá causar desavenças entre o casal. O elenco conta ainda com Elizabeth McGovern (uma das minhas antigas musas da tela, agora, infelizmente, bastante envelhecida), Annie Starke (Joan jovem), Harry Lloyd (Joseph jovem) e Christian Slater como um escritor de biografias sem escrúpulos. O filme é muito bom, com diálogos inteligentes e uma história bastante interessante. Os veteranos Glenn Close e Janathan Price dão um verdadeiro show de interpretação. Gleen, inclusive, é cotada para uma indicação ao Oscar/2019 de Melhor Atriz. Ela está realmente sensacional. Imperdível!   

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


“EUFORIA” (“EUPHORIA”), 2017, Inglaterra, 1h44, escrito e dirigido por Lisa Langseth. Drama destinado a um final "chororô" cujo pano de fundo é a eutanásia. Duas irmãs se reencontram após vários anos de separação e combinam viajar juntas. Emille (Eva Green) cuida do roteiro, cujo destino é uma casa de campo para hospedar doentes terminais. Começa o filme e a gente logo percebe que Ines (Alicia Vikander) não está muito à vontade com Emille. Ou seja, não se davam muito bem. Ines não sabe o motivo pelo qual Emille escolheu aquele local para passar alguns dias, mas logo fica sabendo. Durante os dias em que ficarão juntas, as irmãs recordarão alguns episódios da infância e o relacionamento com os pais. Sobre os motivos que levaram as duas irmãs a se distanciarem, o filme deixa a resposta no ar. Como é previsível desde o início, o filme caminha para um desfecho de lágrimas. Destaque para a participação da veterana atriz Charlotte Rampling como a gerente do estabelecimento, situado num belo cenário dos Alpes Suíços. “Euforia” foi o primeiro filme falado em inglês da diretora sueca Lisa Langseth, que já havia dirigido a também sueca Alicia Vikander em “Pure” e “Hotel Terapêutico”. O veterano ator inglês Charles Dance também está no elenco.   

domingo, 2 de dezembro de 2018


Suspense, tensão de arrepiar os pelos da nuca e muitos sustos são alguns dos ingredientes que fazem um bom filme de terror. Eles estão em profusão no terror “A FREIRA” (“The Nun”), 2018, EUA, segundo longa-metragem dirigido por Corin Hardy (“A Maldição da Floresta” foi o primeiro), com roteiro de James Wan e Gary Dauberman. A história é ambientada em 1952 num convento isolado na Romênia e, segundo o material de divulgação, inspirada em fatos reais. Claro que os roteiristas acrescentaram muita coisa. Nesse tal convento, uma freira se suicida e a notícia chega ao Vaticano, que convoca o padre Burke (o ator mexicano Demian Buchir) e a Irmã Irene (Taissa Farmiga), prestes a se tornar freira, para investigarem os motivos que levaram a freira a cometer suicídio. Com a ajuda de um rapaz (Jonas Bloquet) habitante de uma aldeia próxima, padre Burke e a Irmã Irene chegam ao convento e logo se darão conta de que a situação é grave, que o mal está instalado por lá e não vai dar trégua. E dá-lhe sustos, um atrás do outro. O filme faz parte da saga “Invocação do Mal”, que teve duas versões, a primeira em 2013 e a mais recente em 2016, ambas dirigidos pelo malasiano James Wan, um dos roteiristas de “A Freira”. Aliás, Taissa Farmiga é a irmã mais nova da também atriz Vera Farmiga, que atuou nos dois “Invocação do Mal”. Para quem gosta do gênero terror – e mesmo quem não gosta – vai adorar “A Freira”. Tensão garantida na frente da telinha.      

sábado, 1 de dezembro de 2018


“A GAROTA NA NÉVOA” (“LA RAGAZZA NELLA NEBBIA”), 2017, Itália, estreia no roteiro e direção de Donato Carrisi, um escritor italiano de romances policiais de grande sucesso. Ele mesmo adaptou para o cinema o livro que escreveu e que leva o título original. Trata-se de um suspense policial centrado no desaparecimento misterioso da jovem Anna Lou (Ekaterina Buscemi), moradora num vilarejo localizado nos Alpes Italianos. O inspetor Vogel (Toni Servillo) é encarregado de investigar o caso, formando uma grande equipe de detetives. Durante as investigações, surge um suspeito: o professor Loris Martin (Alessio Boni), que é detido e logo considerado culpado. O caso chega ao conhecimento da imprensa, que envia várias equipes ao vilarejo, transformando o sumiço de Anna Lou no grande assunto dos noticiários italianos. Até chegar ao desfecho, numa surpreendente reviravolta, o filme segue num ótimo suspense, ficando o espectador no aguardo de uma situação esclarecedora.   Porém, não é isso que acontece. Não há respostas claras sobre o verdadeiro responsável pelo sequestro e suas razões, culminando com um final confuso, sem uma explicação razoável. A crítica especializada não economizou elogios, mas eu não gostei. A começar pelo desempenho de Toni Servillo (“A Grande Beleza”), atuando no piloto automático, sempre com olhar de “peixe morto”, parecendo dopado. O elenco conta ainda com o ator francês Jean Reno, Lucrezia Guidone e Greta Scacchi (irreconhecível). Numa das cenas mais importantes do filme, perto do desfecho, o fundo musical é de Beth Carvalho cantando “Dança da Solidão”. Não entendi a intenção do diretor ao acrescentar esse número musical que nada tem a ver com a história. De qualquer forma, o filme foi um grande sucesso de bilheteria na Itália. Se quiser arriscar, fique à vontade.    

quarta-feira, 28 de novembro de 2018


“NASCE UMA ESTRELA” (“A Star is Born”), 2018, EUA, 2h16, marca a estreia na direção do ator Bradley Cooper, que também atua como um dos protagonistas principais. Trata-se da quarta versão da história: a primeira em 1937, escrita pelos roteiristas William A. Wellman e Robert Carson; a segunda, em 1954; e a terceira em 1977, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson. Na versão de 2018, a grande surpresa é o excelente desempenho da cantora Lady Gaga (seu nome verdadeiro é Stefani Joanne Angelina Germanotta). Ela atua de “cara lavada” quase o filme inteiro, demonstrando um talento surpreendente também como atriz. Além disso, ela também é responsável pela autoria de todas as canções do filme. O filme conta a história do astro do rock Jackson Maine (Cooper), que numa noite, após um de seus shows, vai a uma boate e se entusiasma com uma cantora chamada Ally (Gaga) interpretando “La Vie en Rose”. Ele vai procurá-la no camarim, conversam e acabam, claro, se apaixonando. A partir daí, o enredo segue adiante como todo mundo conhece: ela acaba se transformando numa grande estrela da música e ele, em franca decadência, aumenta o consumo de bebida e de drogas. Resumo da ópera: o filme é um drama musical romântico que se destaca pelos ótimos números musicais e pelo desempenho de Gaga e Bradley como o par romântico da história. Certamente será um dos indicados ao Oscar 2019, com boas chances para Melhor Trilha Sonora, Música ("Shallow"), Melhor Atriz, Melhor Ator e, quem sabe, Melhor Diretor. Não sou muito fã de musicais, mas achei este bem interessante e muito bem realizado.   

segunda-feira, 26 de novembro de 2018


“REFÉM DO JOGO” (“Final Score”), 2018, Inglaterra, direção de Scott Mann (O Sequestro do Ônibus 657”). É um filme de ação ambientado dentro do Upton Park Stadium, em Londres, onde as equipes do West Ham e Dínamo Moscou decidiriam uma das vagas para a finalíssima da Liga Europa. O jogo é à noite, o estádio lotado (35 mil pessoas), tudo em clima de festa. Só que nos bastidores a história era outra. Um grupo de terroristas dissidentes russos ocuparam a cabine de comando do complexo esportivo, fecharam todos os acessos e saídas, além de implantar várias bombas num dos setores mais importantes do estádio. O objetivo dos terroristas é identificar, entre os torcedores do Dínamo, o líder revolucionário russo Dimitri (Pierce Brosnan) e sequestrá-lo. Quem tentará impedir esta ação é o ex-soldado do exército norte-americano Michael Knox (Dave Bautista). Ele enfrentará sozinho os terroristas, apanhará muito e, ao estilo Bruce Willis de “Duro de Matar”, sobreviverá todo arrebentado. É o quarto filme do grandalhão Dave Bautista, um ex-lutador de MMA. Antes, havia participado de “007 Contra Spectre”, “Guardiões da Galáxia e “Blade Runner 2049”. Embora o material promocional do filme dê destaque à participação do ator Pierce Brosnan, ele aparece pouco e sem nenhum brilho. Enfim, trata-se de um bom filme de ação num ritmo alucinante, com cenas espetaculares de luta e perseguições no telhado do estádio e muito suspense. Ótimo entretenimento, sem exigir muito dos neurônios do espectador.