quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017



“JACK REACHER: SEM RETORNO” (“Jack Reacher: Never Go Back”), EUA, 2016, roteiro e direção de Edward Zwick (“O Último Samurai” e “Diamante de Sangue”), traz de volta o astro Tom Cruise no segundo filme protagonizado pelo personagem dos livros do escritor britânico Lee Child – o primeiro filme, “Jack Reacher: O Último Tiro”, foi produzido em 2012. Embora não tenha o tamanho “armário” dos brucutus Jason Statham ou Steven Seagal, Cruise não nega fogo em filmes de ação e pancadaria, como já demonstrou nos filmes da série “Missão Impossível” e agora com Jack Reacher. Aos 54 anos, Cruise ainda está em grande forma física e enfrenta sem problemas as mais arriscadas e movimentadas cenas de ação. Neste segundo filme em que interpreta Jack Reacher, ele sai em defesa da major Susan Turner (a bela e competente atriz canadense Cobie Smulders), acusada e presa por um crime que não cometeu. Reacher vai tentar resgatar Turner da prisão e provar sua inocência. Os vilões tentarão impedir a ação de Reacher, o que inclui sequestrar sua filha. É ação do começo ao fim, para alegria dos fãs do gênero. O mocinho (Cruise) apanha bastante, mas não o suficiente para desfigurar o seu rosto recheado de botox. Enfim, como o primeiro filme da série, um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca.                                                

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017


Com 8 indicações ao Oscar 2017, entre as quais Melhor Filme, Diretor e Atriz Coadjuvante (Naomie Harris), além de ter vencido o Globo de Ouro como Melhor Filme de Drama, “MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR” (Moonlight”) é um filme de grande impacto. A história é baseada na peça “In Moonlight Black Boys look Blue”, do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, adaptada pelo roteirista e diretor Barryt Jenkins. O filme acompanha a trajetória de Chiro (interpretado por Alex Hibbert na infância, Ashton Sanders na adolescência e por Trevante Rhodes na fase adulta), um menino criado na perigosa periferia de Miami, convivendo com traficantes e viciados. Sua mãe Paula (Naomie Harris) se prostitui para comprar drogas. Por seu jeito tímido, Chiro é chamado de bicha pelos colegas no colégio. Seu único amigo e protetor é Juan (Mahershala Ali), justamente o traficante que fornece drogas para sua mãe. Ao chegar à adolescência, Chiro passa a enfrentar os desafios de raça e sexualidade. Quando chega à fase adulta, torna-se um importante traficante chamado Black. A trajetória de Chiro e sua jornada de autoconhecimento são os fios condutores da história. O elenco, só de negros – nem os figurantes são brancos -, é excelente, especialmente Naomie Harris como a mãe drogada. Aposto nela como ganhadora de Melhor Atriz Coadjuvante na premiação do Oscar. O filme é muito bom e não será nenhuma surpresa se vencer outros prêmios da Academia.                                               


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

“ÚLTIMO TÁXI PARA DARWIN” (“Last Cab to Darwin”), Austrália, 2015, direção de Jeremy Sims. Trata-se de um drama baseado na peça de teatro homônima escrita em 2003 por Reg Cribb. O próprio Cribb, juntamente com Sims, escreveu o roteiro. A história é centrada em Rex (Michael Caton), de 70 anos, motorista de táxi em Broken Hill (Nova Gales do Sul), bem no interior do continente australiano. Há muitos anos que sua rotina inclui, além de dirigir o táxi, passar algumas noites entre os lençóis com sua vizinha aborígene Polly (a ótima Ningali Lawford) e se embebedar e jogar conversa fora com os amigos num bar da cidade. Diagnosticado com um câncer de estômago em estágio terminal, Rex resolve viajar até a cidade de Darwin, onde a dra. Nicole Farmer (Jacki Weaver) está recrutando voluntários para um projeto pioneiro e ainda não aprovado de Eutanásia. A distância até Darwin é enorme: 3.000 km. Mesmo bastante enfraquecido por causa da doença, Rex resolve encarar o desafio e pega a estrada com seu táxi. Aí o filme entra na fase road-movie pelas estradas poeirentas do extenso deserto australiano. Durante o trajeto, Rex faz amizade com Tilly (Mark Coles Smith), um jovem aborígene irresponsável, e com a doce Julie (Emma Hamilton), uma enfermeira que o acompanhará até o destino final. Embora baseado numa peça de teatro, o filme é bastante movimentado e tem seus momentos sensíveis, embora no geral seja um tanto triste e melancólico. O filme não chegou ao nosso circuito comercial. Somente foi exibido na Mostra de Filmes da Austrália/2016, em São Paulo.                                              


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017



Quando foi exibido pela primeira fez no Festival de Sundance (EUA), em janeiro de 2016, o drama histórico “O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO” (“The Birth of a Nation”) foi apontado como um dos filmes favoritos a receber algumas indicações ao Oscar 2017. Ao mesmo tempo, uma revista publicou que o ator e diretor Nate Parker esteve envolvido no estupro de uma moça em 1999. Foi o suficiente para a conservadora sociedade norte-americana condenar o filme ao ostracismo. Ao ser lançado nos cinemas de lá, o público praticamente boicotou o filme. Além disso, também não foi indicado em nenhuma categoria ao Oscar 2017, ao contrário de “12 Anos de Escravidão”, de 2013, que explora o mesmo tema e recebeu 9 indicações. “The Birth of a Nation” conta a história, baseada em fatos reais, do primeiro levante dos escravos negros contra a escravidão, em 1831, que resultou na morte de 60 fazendeiros senhores de escravos, no Estado da Virginia, sul dos EUA. O filme acompanha a trajetória de Nat Turner (o próprio Nate Parker) desde a infância na fazenda de algodão de Samuel Turner (Armie Hammer). Nat cresceu colhendo algodão e lendo livros emprestados pela esposa do patrão, Elizabeth (Penelope Ann Miller). Através da leitura, Nat adquiriu o poder da oratória e virou pregador. Até o dia em que os fazendeiros brancos resolvem, como era hábito na época, estuprar algumas escravas, incluindo a esposa de Nat, que, revoltado, resolve comandar o tal levante. O filme é ótimo e merecia um destino melhor. Vale a pena assisti-lo pelo menos para conhecer um importante fato histórico dos EUA, o embrião da Guerra de Secessão, 30 anos mais tarde.                                       

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

“A GAROTA NO TREM” (“The Girl on the Train”), 2016, EUA, é um bom suspense psicológico baseado no best-seller da escritora inglesa Paula Hawkins, adaptado para o cinema pela roteirista Erin Cressida Wilson e pelo diretor Tate Taylor (“Histórias Cruzadas”). A ação é centrada em Rachel (Emily Blunt), que todos os dias embarca num trem para o trabalho e da janela observa a casa onde morava com o ex-marido Tom (Justin Theroux), que agora está casado com Anna (Rebecca Ferguson, ainda mais bonita loira). Em sua viagem diária, Rachel também costuma observar outra casa próxima, onde mora Megan (Haley Bennett), sua antiga amiga e agora babá da filha de Tom e Anna - quando digo que Rachel costuma observar as casas, observa também seus moradores. Certo dia, Megan desaparece misteriosamente e a polícia começa a investigar o caso. Scott (Luke Evans), o marido de Megan, é um dos suspeitos. Outra suspeita é a própria Rachel, que teria sido vista pelas redondezas. Rachel, alcoólatra e emocionalmente desequilibrada, não se lembra de nada o que aconteceu. No início, a trama é um tanto complicada, com alguns flashbacks envolvendo situações da época em que Rachel ainda era casada. Graças ao roteiro bem elaborado e que mantém o clima de tensão e mistério até o final, as coisas vão se encaixando e esclarecendo o que realmente aconteceu, com direito a uma reviravolta surpreendente no desfecho. Ainda estão no elenco Allison Janney, Laura Prepon, Lisa Kudrow e o ator panamenho Edgar Ramírez. Destaque para a atuação da atriz inglesa Emily Blunt, que finalmente ganhou um papel à altura da sua competência. Ótimo programa para quem gosta de um bom suspense.                                     


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017



Nunca fui muito fã de filmes musicais. Sempre achei uma chatice monumental aquelas cenas em que, no meio de um diálogo, um dos personagens começa a cantar. Confesso, porém, que gostei de musicais como “All the Jazz” e “Cabaret”, por exemplo, mais pelas ótimas trilhas sonoras e coreografias. Ao assistir “LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES” (“LA LA LAND”), tentei evitar comparações com os filmes citados e com aqueles musicais de antigamente. Impossível, mesmo porque o jovem roteirista e diretor norte-americano Damien Chazelle, de apenas 32 anos de idade, elaborou grande parte das coreografias baseado nos musicais antigos, inclusive “Cantando na Chuva”. Claro que Ryan Gosling não é Fred Astaire ou Gene Kelly, longe disso, assim como Emma Stone não é Ginger Rogers ou Cyd Charisse. De qualquer forma, o filme é bastante agradável, tem alguns ótimos números de dança, música de qualidade e uma fotografia deslumbrante, principalmente nas cenas noturnas, mostrando uma Los Angeles em luz neon, criando aquele visual nostálgico dos musicais das décadas de 30/40/50. A história: O pianista de jazz Sebastian (Gosling) chega a Los Angeles disposto a ingressar em alguma banda que toca o jazz tradicional. Ele acaba conhecendo Mia (Emma Stone), uma atendente de cafeteria aspirante a atriz. Os dois se apaixonam e querem viver juntos para sempre, mas cada um tem seus sonhos e desejam concretizá-los, nem que para isso tenham de colocar o amor em segundo plano. O filme conquistou 7 prêmios “Globo de Ouro” e foi indicado para concorrer ao Oscar 2017 em 14 categorias. Mesmo que seja um belo filme, achei exagero tantas indicações. Do mesmo jovem e talentoso diretor, gostei muito mais do espetacular “Whiplash: Em Busca da Perfeição”.                               

sábado, 4 de fevereiro de 2017


De vez em quando é bom e até saudável assistir a uma bobagem, ou seja, aquele filme cuja proposta é apenas divertir, sem exigir muito do intelecto. É o caso da comédia “VIZINHOS NADA SECRETOS” (“Keeping Up With the Joneses”), 2016, EUA, roteiro de Michael Lesieur e direção de Greg Mottola, que ainda conta com um quarteto de protagonistas da melhor qualidade: Jon Hamm (da série “Mad Men”), Zach Galifianakis (“Se Beber, não Case”), a atriz escocesa Isla Fisher (“Animais Noturnos”) e a atriz e modelo israelense Gal Gadot (que será a nova Mulher Maravilha). A história: quando os filhos viajam para passar alguns dias num acampamento de férias, o casal Jeff e Karen Gaffney (Zack e Isla) passa o tempo bisbilhotando os vizinhos recém-chegados, Tim e Natalie Jones (Hamm e Gadot), que adotam um comportamento dos mais estranhos. Jeff e Karen logo se aproximam e acabam descobrindo que os novos vizinhos são espiões. A partir daí, acumulam-se inúmeras situações hilariantes, principalmente quando Jeff e Karen se envolvem numa missão secreta do casal de espiões, incluindo ótimas cenas de ação com perseguições e muitos tiros. Como disse antes, o filme é diversão pura, um programão para uma sessão da tarde com pipoca.                             


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017


Não fosse a história baseada em fatos reais, eu acharia o enredo um tanto inverossímil. Mas é tudo verdade, o que valorizou ainda mais o drama independente norte-americano “MR. CHURCH”, 2016, que traz de volta às telas o ator Eddie Murphy, desta vez num papel sério. A história começa ambientada no início dos anos 70 e se estende por mais três décadas. Murphy é Henry Church, o “Mr. Church” do título, um cozinheiro profissional contratado para prestar serviços na casa de Marie Brooks (a ótima atriz inglesa Natascha McElhone). Quem o contratou foi o ex-namorado rico de Marie e pai de sua filha Charlotte, a “Charlie”, interpretada na fase adulta por Britt Robertson. O contrato era de seis meses – tempo de vida dado por um médico a Marie, portadora de um câncer terminal -, mas Mr. Church acabou dedicando sua vida inteira à família, servindo não apenas como cozinheiro, mas também como amigo e conselheiro. O filme é uma comovente história de dedicação e amizade, ensinamentos e cumplicidade. O filme realmente é encantador e bastante sensível. Ao comentá-lo, parte da crítica especializada mencionou a injustiça de não ter sido indicado ao Oscar 2017, assim como injusta foi a não indicação de  Eddie Murphy para Melhor Ator. O roteiro foi escrito por Susan McMartin e a direção é do veterano diretor australiano Bruce Beresford, do ótimo “O Último Dançarino de Mao” (2009) e de “Conduzindo Miss Daisy”, Oscar de Melhor Filme em 1989, entre outros inúmeros filmes. Belo filme que merece ser visto.     
                          
 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

“BELGICA”, 2016, é o segundo filme escrito e dirigido pelo diretor belga Felix van Groeningen, que já havia nos brindado com o espetacular “Alabama Monroe”, de 2012, indicado naquele ano para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Para escrever a história de “Belgica”, Groeningen conta que se baseou nas memórias do pai, Jo van Groeningen, que durante anos foi dono de uma casa noturna na cidade de Ghent, capital de Flanders Oriental. A história de “Belgica”, um bar/discoteca, é centrada nos irmãos Frank (Tom Vermeir) e Jo (Stef Aerts), que fundaram e administram a casa. Eles começam a ganhar muito dinheiro com o negócio, mas Frank, o mais velho, é irresponsável, gasta tudo em cocaína e em festas com muitas mulheres, apesar de ser casado. Jo é mais introvertido e responsável, apesar de também gostar de cheirar umas carreiras, mas tem uma namorada fixa. Grande parte do filme é dedicada aos shows apresentados na casa. Muito barulho, ambiente esfumaçado e brigas entre os frequentadores bêbados. Já que o bar não tem seguranças, são os próprios irmãos e alguns funcionários, inclusive mulheres, os responsáveis por manter a ordem e colocar para fora os arruaceiros. O relacionamento entre os irmãos começa a se desgastar por causa da irresponsabilidade de Frank, fator que, somado às dívidas acumuladas, ameaçam a sobrevivência do negócio. É um filme pesado, com personagens histéricos, muita gritaria, discussões e festas regadas a muita bebida e cocaína, o que pode desagradar e incomodar os espectadores mais sensíveis. Trata-se de um filme bastante interessante e Groeningen ainda tem crédito de sobra por ter feito “Alabama Monroe”.                            

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os aficionados por boxe sabem perfeitamente quem foi Roberto Durán, o lutador panamenho que venceu, numa luta histórica em 1980, o então imbatível e invicto boxeador norte-americano Sugar Ray Leonard, tornando-se campeão mundial dos leves – ele seria também campeão mundial em outras três categorias. A história desse lutador, baseada em livro escrito por Christian Giudice, está devidamente contada, e com grande competência, em “PUNHOS DE AÇO” (“Hands of Stone”), EUA, 2016, roteiro e direção do venezuelano Jonathan Jakubowicz, com o também venezuelano ator Édgar Ramírez no papel principal. O filme relembra a infância pobre de Durán nas favelas de El Chorrillo, periferia da capital panamenha. Começou a boxear ainda garoto, nas brigas de rua. Chegou logo aos ringues e foi lutar nos EUA, quando então começou a ser treinado pelo lendário Ray Arcel (Robert De Niro). Batia pesado e, por isso, ganhou o apelido de “Manos de Piedra”. Lutou boxe de 1968 a 2001, conquistando milhões de admiradores por seu estilo agressivo. Além de reproduzir algumas lutas de Durán, destacando as duas em que enfrentou o mito Sugar Ray Leonard, o filme prioriza a vida particular tumultuada do lutador panamenho, sua relação com a esposa Felicidad Iglesias (a atriz cubana Ana de Armas), seu ódio pelos norte-americanos e o convívio difícil com o treinador Arcel. Além do ótimo elenco, que conta ainda com Ellen Barkin, Usher Raymond e John Torturro, o filme apresenta como um de seus principais trunfos as ótimas cenas de luta. Para quem gosta ou não de boxe, um programão!                         

 
“JACK STRONG – O ESPIÃO QUE DERROTOU UM IMPÉRIO” (“Jack Strong”), Polônia, 2014, roteiro e direção de Wladyslaw Pasikowsk. Uma superprodução do cinema polonês, com elenco multinacional integrado por atores poloneses, russos e norte-americanos, além de locações em Varsóvia, Gdansk, Moscou e Washington. Conta a história verídica do coronel do exército polonês Ryszard Kublinski (Marcin Dorocinski), que nos anos 70, em plena Guerra Fria, virou espião e informante da CIA. Responsável pelo planejamento e execução da invasão soviética na Tchecoslováquia em 1968 (episódio que ficou famoso como “A Primavera de Praga”) e também pela violenta repressão aos trabalhadores dos estaleiros de Gdansk, em 1970, o oficial polonês era bastante respeitado tanto na Polônia como na Rússia. Descontente com os rumos da política adotada pelo Pacto de Varsóvia, sob o comando dos russos, Kublinski resolveu um dia passar para “o outro lado”, transmitindo importantes informações e segredos militares para o pessoal do Tio Sam. São 128 minutos de muita tensão e suspense, graças ao espetacular trabalho de Pasikowski, mais conhecido como diretor do também ótimo “Aftermath” e como roteirista de “Katin”. As cenas de ação são ótimas, principalmente a da perseguição pelas ruas cheias de neve de Varsóvia. Destaque para o ator principal, o polonês Dorocinski, e para a participação do ator norte-americano Patrick Wilson como o contato da CIA, lembrando o personagem do ator Tom Hanks em "A Ponte dos Espiões". A produção polonesa, aliás, é muito melhor. Quem gosta de filmes do gênero espionagem e ambientados no período da Guerra Fria não pode perder “Jack Strong” (o codinome do espião). Um filmaço, simplesmente IMPERDÍVEL!                    




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

“COME AND FIND ME” (na tradução literal, “Venha me Encontrar”), EUA, 1h52min, 2016, escrito e dirigido por Zack Whedon (seu filme de estreia). Trata-se de um suspense centrado no designer gráfico David (Aaron Paul), que um dia conhece a fotógrafa Claire (Annabelle Wallis). Os dois se apaixonam e acabam morando juntos. Claire tem um comportamento misterioso. Não revela sua origem, não fala dos pais e nem da família. Seu passado é um enigma. Não mais que de repente, Claire some do mapa sem deixar pistas, deixando David desesperado. Ele começa a investigar o sumiço da amada por conta própria, o que vai lhe acarretar uma série de problemas, inclusive físicos. David é agredido por um amigo do casal, é detido e espancado por uma gangue numa loja de autopeças, tem sua casa invadida por um intruso e, por fim, terá de enfrentar um estranho que se diz agente do governo norte-americano. David finalmente descobre que Claire esconde uma identidade secreta e um passado pra lá de misterioso.  O roteiro é muito fraco, não explica, por exemplo, a ligação de Claire com as pessoas que passam a perseguir David. O desfecho, então, é ainda mais inexplicável. Nem com muita boa vontade dá para recomendar.                     

 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

“INDIGNAÇÃO” (“Indignation”), EUA, 2016, primeiro filme escrito e dirigido por James Schamus, mais conhecido como produtor e roteirista. A história é inspirada no romance homônimo escrito por Philip Roth. Início dos anos 50, o jovem Marcus Messner (Logan Lerman, da franquia “Percy Jackson”) consegue se livrar do recrutamento para a Guerra da Coreia ingressando na conservadora Universidade Winesburg, em Ohio. Aqui, enfrentará o preconceito por ser judeu num ambiente fervorosamente católico, se defrontará com o rigoroso reitor Caudwell (Tracy Letts) em longas discussões por causa dos seus posicionamentos e ainda conhecerá a aparentemente recatada Olivia Hutton (Sarah Gadon), a bela estudante pela qual se apaixonará, embora ela seja conhecida  como “A Rainha do Boquete”. Marcus se rebela contra o cenário de repressão moral da Universidade, enfrentando os interrogatórios feitos pelo reitor Caudwell como se estivesse num tribunal. Esses diálogos, com boas pitadas de erudição, valorizam e dão um sabor especial ao filme. Se houvesse um selo de qualidade intelectual, eu certificaria “Indignação”. A crítica especializada ficou dividida. Eu gostei muito e recomendo para quem curte cinema de qualidade.                 
 

 
“CAPITÃO FANTÁSTICO” (“CAPITAIN FANTASTIC”), EUA, 2016, roteiro e direção do Matt Ross. Lendo a sinopse, pensei que assistiria a uma aventura juvenil ao estilo da Disney. Que nada! O filme, embora com um elenco recheado de adolescentes e crianças, apresenta em seu desenrolar temáticas adultas, principalmente nos diálogos afiados, inteligentes e, acima de tudo, muito bem-humorados. O enredo é um tanto inverossímil – alguém criaria seus filhos, hoje em dia, dentro de uma floresta? -, mas a história é tão bem trabalhada que a gente deixa passar. Ben (Viggo Mortensen) vive com seus seis filhos no interior de uma floresta selvagem do Pacífico Norte. Ele submete a turma a um rigoroso treinamento diário, que inclui sobrevivência na selva, defesa pessoal, alpinismo e primeiros socorros, entre outras práticas. Ao mesmo tempo, Ben ensina filosofia, religião, política, biologia e física quântica, além dos ensinamentos baseados na sociedade idealizada pelo pensador norte-americano Noam Chomsky. Por causa da morte da mãe, Ben os filhos são obrigados a pegar a estrada para o funeral com o objetivo de não deixar enterrar o corpo, e sim cremá-lo, como era o desejo da falecida, budista de carteirinha. O filme entra numa fase road-movie. O choque com a dita civilização rende os momentos mais hilariantes, principalmente quando a turma visita a casa de parentes. Resumindo: o filme é encantador, comovente e divertido. Ou seja, imperdível! 


domingo, 22 de janeiro de 2017

 

Sem dúvida, o melhor filme nacional dos últimos anos. Para a ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), o melhor filme brasileiro de 2016. Além disso, o drama “AQUARIUS” consagra em definitivo o talento de Sonia Braga. Com uma atuação espetacular, ela é a alma do filme. Vamos à história: a jornalista e escritora aposentada Clara (Sonia) mora há muitos anos num aconchegante apartamento no antigo edifício “Aquarius”, na Avenida Boa Viagem, em frente ao mar do Recife. Viúva, três filhos adultos e alguns netos, Clara vive solitária e rodeada de estantes de livros e discos de vinil. Todos os seus vizinhos fizeram acordo com uma construtora, que pretende demolir o imóvel e construir um novo edifício. Menos Clara. Mesmo com as ofertas irrecusáveis, ela está irredutível. E vai lutar bravamente contra a construtora, que passa a utilizar métodos nada amigáveis para convencê-la a aceitar suas propostas. Clara é uma personagem fascinante e explorada com muita competência pelo diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, também autor do roteiro. Este é o seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Som ao Redor”. Entre as grandes sacadas de Kleber está a trilha sonora, recheada de antigos sucessos nas vozes de Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gilberto Gil e, principalmente, Taiguara cantando “Hoje”. Emoção pura. O filme foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cannes 2016, durante o qual o elenco protagonizou um patético protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.                                            

sábado, 21 de janeiro de 2017

“ALWAYS SHINE” (a tradução literal é “Sempre Brilhe”, mas não sei como chamará por aqui, se chegar), 2016, EUA, 85 minutos. Trata-se de um filme com a pretensão de ser suspense, mas não passa de um drama dos mais medíocres. Beth (Caitlin Fitzgerald) e Anna (Mackenzie Davis) são grandes amigas e atrizes em busca de bons papéis no cinema. Beth é mais bem sucedida, o que faz com que Anna morra de inveja. O clima entre as duas fica ruim e então elas resolvem aparar as arestas num final de semana numa casa de campo nas montanhas de Big Sur, na Califórnia. O que era para ser uma reconciliação da amizade vira uma verdadeira guerra psicológica, aumentando o clima de tensão entre as duas. É o segundo filme dirigido pela atriz Sophia Takal, com roteiro assinado por Lawrence Michael Levine, seu marido. A história é fraca, mal contada, o filme se arrasta sem nada acontecer até perto do desfecho, os diálogos são de uma profundidade milimétrica, coroando um filme de mediocridade quilométrica. Nada mais a acrescentar, a não ser um conselho: passe longe!                                          

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

“O PIROMANÍACO” (“PYROMANEN”), 2016, Noruega, roteiro e direção de Erik Skjoldbjaerg, é um suspense inspirado no romance policial “Far Jeg Brenner Ned”, escrito por Gaute Heivoll. Numa região rural ao sul da Noruega, várias casas são incendiadas durante a noite, o que mobiliza a brigada de bombeiros formada por cidadãos voluntários e comandada por Ingemann (Per Frisch), cujo filho, Dag (Trond Nilssen) também faz parte. A polícia local começa a investigar as ocorrências e as primeiras suspeitas dão conta de que pode ser obra de algum piromaníaco vindo de fora. O maluco começa a ficar mais ousado. De início, só incendiava casas vazias. Depois, com gente dentro. A caçada ao autor dos incêndios aumenta cada vez mais e você acha que o mistério só será resolvido no final. Ledo engano. Já na metade do filme, o espectador fica sabendo quem é o verdadeiro culpado, o que de fato acaba amenizando o clima de suspense. A partir daí, o diretor explora o aspecto psicopatológico do piromaníaco, tentando explicar porque está agindo dessa forma. Para mim, a explicação não acabou muito convincente. O desfecho enigmático também não me agradou. Por esse, não ponho minha mão no fogo. A estreia do filme aconteceu durante a mostra Contemporary World Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto/2016, sem provocar muito entusiasmo tanto nos críticos quanto no público. Do mesmo diretor norueguês, recomendo “Mergulho Profundo” (2013), este sim um ótimo suspense.                                      

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

“A QUALQUER CUSTO” (“Hell or High Water”), EUA, foi exibido pela primeira vez em maio do ano passado no Festival de Cannes 2016. Recebeu muitos elogios da crítica especializada, que o considerou o melhor “neo-western” (faroeste moderno) dos últimos anos. O roteiro é assinado por Taylor Sheridan (“Sicario: Terra de Ninguém”) e a direção é do cineasta escocês David Mackenzie (“Encarcerado” e “Sentidos do Amor”). Ambientada no interior do Texas, a história é centrada nos irmãos Howard, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que começam a praticar assaltos a bancos. Tanner, recém-saído da prisão, onde cumpriu pena de 10 anos, quer dinheiro para gastar em cassinos e com mulheres. Ou seja, tirar o atraso do tempo em que ficou trancafiado. Toby, o mais contido, quer juntar dinheiro para saldar dívidas do rancho da família e garantir o pagamento de pensão aos dois filhos, que moram com a ex-mulher. Quem vai atrás da dupla é o policial Marcus Hamilton (Jeff Bridges), à beira da aposentadoria, e seu assistente de origem mexicana Alberto (Gil Birmingham). A perseguição se transforma num verdadeiro road-movie pelas estradas empoeiradas do Texas, que parecem não ter mudado muito em comparação com aquelas que eram mostradas nos antigos faroestes. Só que agora não são mais os cavalos que levam os bandidos e os mocinhos e sim potentes veículos off-road. Além de ação, o filme ainda tem bom humor, principalmente nos diálogos entre Marcus e seu auxiliar mexicano, recheados de comentários preconceituosos. Embora tenha gostado do filme, achei o desfecho um tanto forçado. Assista e veja se não tenho razão.        
 

                                   

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Aos 80 anos de idade, autor de 48 filmes, devidamente consagrado como um dos maiores cineastas da atualidade e ainda em grande forma, Woody Allen acerta mais uma vez em “CAFÉ SOCIETY”, 2016, talvez seu melhor filme dos últimos anos. Além de ter escrito o roteiro e dirigido, Allen também é o narrador da história, ambientada nos anos 30 do século passado. O jovem Bobby (Jesse Eisenberg), de família judia, resolve sair de Nova Iorque rumo a Los Angeles acalentando o sonho de trabalhar como escritor em Hollywood. Ele tem um trunfo para isso: seu tio, Phil Stern (Steve Carrell), é um poderoso agenciador de artistas. Para começar, Bobby aceita o trabalho de mensageiro do escritório de Phil. Aqui, trabalha como secretária a jovem Vonnie (Kristen Stewart), pela qual Bobby se apaixona. Está formada a confusão, pois Vonnie tem um namorado famoso que quer casar com ela. A situação acaba sendo não muito favorável a Bobby, que volta para Nova Iorque e vai trabalhar na boate de luxo dirigida pelo irmão Ben, ligado a uma turma de gângsters. Com seu trabalho na boate, Bobby acaba conhecendo Veronica (a loiraça Blake Lively), por quem também se apaixona. A chegada de Vonnie a Nova Iorque, alguns anos depois, vai perturbar a cabeça de Bobby. O estilo verborrágico do diretor, com diálogos inteligentes e irônicos, continua marcante no estilo do diretor. O filme apresenta ainda uma primorosa recriação de época no que diz respeito a cenários e figurinos, com muita classe e glamour, tudo isso valorizado pela fotografia do mestre italiano Vittorio Scoraro. Como já é hábito em quase todos os filmes de Allen, a trilha sonora é repleta de jazz tradicional, o que torna o filme ainda mais delicioso.  


                                                                                  

 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Vencedor do Globo de Ouro/2017 como Melhor Filme Estrangeiro, o drama francês “ELLE” desponta como o principal favorito a conquistar o Oscar na mesma categoria. Além disso, Isabelle Huppert, que interpreta a principal protagonista, recebeu o prêmio como Melhor Atriz em Drama. Dirigido pelo veterano cineasta holandês Paul Verhoevan (“A Espiã”, “Instinto Selvagem”), o filme é centrado na empresária Michèle Leblanc (Huppert), executiva de uma empresa de videogames. Ela mora sozinha num casarão, que um dia é invadido por um sinistro homem com máscara de esqui. Michèle é agredida e estuprada, mas não vai à polícia denunciar o fato. Ela relata o ocorrido num jantar íntimo com o ex-marido e amigos. Para surpresa de todos, Michèle conta o que aconteceu de forma natural, como se contasse uma visita ao supermercado. Michèle é assim, uma personagem controversa, fria, neurótica e, de certa forma, malévola, personalidade de alta complexidade moldada por uma terrível tragédia ocorrida quando era apenas uma adolescente. O roteiro do filme, assinado por David Birke, foi inspirado no romance “OH...”, escrito por Phillippe Djian, e reúne situações de vários gêneros cinematográficos, como suspense, sedução e pitadas bem dosadas de humor negro. Mas o grande trunfo do filme realmente é o desempenho magistral de Isabelle Huppert. Ainda estão no elenco Laurent Lafitte, Anne Consigny, Virginie Efira, Jonas Bloquet, Alice Isaaz, Christian Berkel e Charles Berlin. Um filme sem dúvida desconcertante e,
ao mesmo tempo, espetacular. Cinema da melhor qualidade. Simplesmente imperdível!                                                                      

 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Joe Albany foi um pianista norte-americano de jazz dos mais conceituados. Entre as décadas de 40 e 70, gravou vários discos e tocou com Lester Young, Benny Carter, Charlie Parker e Joe Venuti, entre outras feras do jazz. O drama “A DECADÊNCIA DE JOE ALBANY” (“LOW DOWN”), 2015, EUA, ambienta a história do músico na década de 70, segundo lembranças relatadas num livro escrito pela filha do músico, Amy-Jo Albany, que depois escreveria o roteiro do filme, juntamente com Topper Lilien. A direção coube a Jeff Preiss, mais conhecido pelos seus documentários, um deles dedicado ao músico, cantor e compositor Chet Baker. Abandonada pela mãe alcoólatra aos seis anos de idade, Amy-Jo foi criada por Joe num ambiente nada saudável de músicos desempregados, prostitutas e, como o pai, viciados em drogas pesadas, como a heroína. Joe e a filha viviam num quarto de pensão na periferia de Hollywood, onde o músico ensaiava e reunia amigos para algumas jams sessions. Amy-Jo, então uma garota adolescente, delirava com as performances do pai, cuja relação era de pura veneração quase incestuosa. Ela chegou até a se prostituir para comprar heroína para o pai. O desempenho do elenco é espetacular, a começar por John Hawkes como Joe Albany. Elle Fanning como Emy-Jo também dá um show de interpretação, assim como Glenn Close, a avó paterna, e Lena Headey, como a mãe alcoólatra. Um filmaço!                                                                
 

              

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

“9 DE ABRIL” (“9.april”), 2015, Dinamarca, 93 minutos, direção de Roni Ezra. No dia 9 de abril de 1940, as tropas alemãs de Hitler invadem a Dinamarca e a Noruega na chamada “Operação Weserübung”. O filme foca a invasão da Dinamarca e os esforços de seu exército para conter o avanço dos nazistas. A história é esclarecedora com relação ao despreparo dos soldados dinamarqueses. Quando a notícia da invasão chega aos quartéis, o exército é mobilizado. Cabe ao 2º Batalhão de Bicicletas, comandado pelo Tenente Sand (Pilou Asbak), a missão de deter as tropas invasoras na fronteira até que cheguem reforços de outras partes do país. Só que os dinamarqueses não imaginavam o poderio dos alemães, que chegaram com milhares de soldados apoiados por blindados, tanques e aviões. Os jovens soldados dinamarqueses, despreparados para o combate e com munição contada – 40 balas de fuzil para cada um -, não tiveram a mínima chance contra o poderoso e bem armado exército alemão. Apesar disso, lutaram bravamente e, no final, sem os reforços aguardados, tiveram de se entregar. Para aumentar sua decepção, também souberam que o governo dinamarquês havia se rendido horas antes. Produzido para exibição na TV dinamarquesa, o filme apresenta ótimas cenas de batalha e muita tensão. Nos créditos finais, o diretor acrescentou depoimentos de soldados que participaram daquele combate. Recomendo para quem gosta de filmes de guerra e curte fatos históricos.