quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Produzido no formato de minissérie para ser exibido pela TV alemã em 2013, “OS FILHOS DA GUERRA” (“Unsere Mütter, unsere Väter”), direção de Philipp Kadelbach, é um drama de guerra dos mais competentes. A produção é caprichada, os atores são ótimos e a história é muito interessante, ainda mais que inspirada em fatos reais, o que somente é revelado nos créditos finais. Em 4h30 de duração (2 DVD’s), o filme conta a saga de cinco jovens amigos residentes em Berlim que se reúnem num restaurante em 1941 para uma despedida, durante a qual combinam de se reencontrar no mesmo local quando a guerra acabar. Dois deles, os irmãos Wilhelm (Volker Bruch) e Friedhelm (Tom Schilling), alistam-se no exército, Charlotte (Miriam Stein) também vai para a guerra como enfermeira voluntária, Greta (Katharina Schüttler) fica em Berlim para tentar carreira como cantora e, por fim, o judeu Viktor (Ludwig Trept) tentará escapar da perseguição nazista. O pano de fundo de toda essa história é a malfadada campanha do Terceiro Reich contra a Rússia. A série alemã ganhou nada menos do que 18 prêmios internacionais, incluindo o International Emmy de 2014 (categoria “Melhor Minissérie”).

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Para quem gosta de curtir thrillers políticos baseados em fatos reais, “MATAR A TODOS” é um prato cheio. Trata-se de uma co-produção Uruguai/Argentina, de 2007, com direção de Esteban Schoroeder. O filme já começa esclarecendo o que foi a Operação Condor, no início dos anos 70, cujo principal objetivo era combater os opositores aos regimes militares instalados em seis países da América do Sul, incluindo o nosso Brasil varonil. Isso tudo com a ajuda do Tio Sam, é claro. É com esse pano de fundo que o enredo se desenvolve. Júlia Gudari (Roxana Blanco) é uma promotora de justiça que se envolve na investigação do desaparecimento do bioquímico chileno Eugenio Barrios em território uruguaio. Barrios era ligado ao grupo de extrema direita chileno chamado “Patria y Libertad” e ajudou a fabricar o gás Sarin para o exército de Pinochet utilizar contra os militantes de esquerda. Júlia, uma antiga militante de esquerda que na juventude havia sido presa e torturada,  desconfia que houve queima de arquivo e insiste em prosseguir a investigação, mesmo depois das ameaças dos militares uruguaios, incluídos seu pai, um general aposentado, e o irmão, capitão do exército. O clima de suspense predomina do começo ao fim, o que impede o espectador de desgrudar os olhos da telinha. Um programão!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

“CASAMENTO SILENCIOSO” (“Nunta Muta”), 2008, direção de Horatiu Malaele, é um dos filmes romenos mais interessantes da última década. Embora seja um drama com  forte pano de fundo político – o comunismo -, o filme é repleto de bom humor e algumas pitadas de realismo mágico. Inspirado num caso que realmente aconteceu, o filme é ambientado num pequeno vilarejo do interior da Romênia. O ano é 1953. Todos os habitantes do vilarejo esperam com grande ansiedade a festa do casamento de Mara (Meda Victor) com Iancu (Alexandru Potoceanu), casal muito querido por todos.  Familiares dos noivos chegam de todas as partes do país. Quando tudo já está pronto para o acontecimento do ano, vem a notícia trágica: Stalin morreu. O prefeito do vilarejo e representantes do governo comunista romeno decretam luto por uma semana, proibindo qualquer tipo de comemoração. Mesmo com essa ordem, o casamento será comemorado de qualquer jeito, nem que seja da forma que gerou o título do filme. Diversão garantida!              
Outro dia comecei a ver um filme italiano cuja história é ambientada na Rússia do século 19. Imagine os personagens russos – interpretados por atores italianos - falando italiano em plena Moscou. Não deu pra assistir. Comparando, seria como se atores austríacos fossem colocados para protagonizar o nacional “Cidade de Deus” falando alemão. Este é o tipo de defeito também cometido pelo drama de época “UM POUCO DE CAOS” (“A Little Chaos”), 2014, segunda incursão do ator Alan Rickman como diretor. A história é toda ambientada na França, no século XVII. Os personagens são franceses, os atores ingleses – com exceção do belga Mattias Schoenherts – e, claro, totalmente falado em inglês. Não combina, soa falso demais! Vamos à história: por ordem do Rei Luís XIV (Rickman), o arquiteto André Le Notre (Schoenherts) fica encarregado de projetar os jardins do Palácio de Versalhes – o arquiteto realmente existiu, sendo responsável pelo projeto do Champs Elysees, em Paris. Voltando ao filme: Le Notre contrata a paisagista Sabine de Barra (Kate Winslet) para ajudá-lo na construção de um anfiteatro ao ar livre. O encontro entre os dois já prenuncia um previsível romance. Aliás, aqui surge outro defeito do filme: Schoenherts não tem nada parecido com um galã romântico e muito menos com um ator. É muito fraco. Kate Winslet está gorducha (filmou grávida) e também atua no piloto automático. O filme dedica sua maior parte à construção do tal anfiteatro e às fofocas da Corte de Luís XIV. Alan Rickman, como diretor, é um ótimo ator. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

À beira dos cinquenta, a atriz francesa Sophie Marceau continua competente, bela e em ótima forma física, sem qualquer sinal aparente de plástica ou botóx - privilegiada! Ela é a estrela da comédia romântica “SEXO, AMOR E TERAPIA” (“Tu Veux ou Tu Veux Pas”), 2014, roteiro e direção de Tonie Marshal. Judith (Marceau) é uma executiva de vendas de uma grande empresa, responsável pelo mercado asiático. Ela, porém, é ninfomaníaca, transa com qualquer coisa que se mova, o que inclui um grande número de chineses e japoneses. Acaba demitida e volta para a França a fim de procurar emprego. O piloto de avião Lambert (Patrick Bruel) é viciado em sexo – antigamente, seria chamado de tarado – e também acaba demitido por transar em pleno vôo com comissárias, aeromoças e quem passar na sua frente. Ele vira terapeuta de casais e, nas horas vagas, frequenta um grupo de terapia destinado a viciados em sexo. Judith e Lambert, claro, vão se encontrar e iniciar uma relação bastante conturbada. Como terapeuta, Lambert ainda vai ter de segurar as rédeas da sua mãe fogosa, Nadine (a cantora Sylvie Vartan, ótima). Embora seja capaz de provocar algumas risadas com algumas boas sacadas, o filme não é dos melhores – o desfecho, então, é constrangedor, para não dizer lamentável -, mas a presença de Sophie Marceau vale uma indicação. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Mais um filme francês de qualidade, inteligente e delicioso de assistir. “GEMMA BOVERY – A Vida Imita a Arte” (“Gemma Bovery”), 2014, direção de Anne Fontaine. O casal Charlie (Jason Flemyng) e Gemma Bovery (Gemma Arterton) saem da Inglaterra e vão morar numa pequena cidade francesa na Normandia. Estão em busca de paz para trabalhar, ela como pintora e ele como restaurador de obras de arte. Eles serão vizinhos de Martin Joubert (Fabrice Luchini) e sua esposa Valérie (Isabelle Candelier). Apesar de ser padeiro (herdou a padaria do pai), Martin trabalhou numa editora e não perdeu seu amor pela literatura. Ele é obcecado pelo clássico “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Já dá para imaginar, portanto, que Martin irá associar a vizinha à famosa personagem do livro, Emma Bovary – não foi à toa a escolha do nome Gemma Bovery. A conexão não ficará restrita apenas à personagem, mas também ao enredo trágico do livro - daí o subtítulo "A Vida Imita a Arte". O filme desenvolve esse paralelo com muita competência, acrescentando a paixão platônica do velho Martin pela jovem Gemma. Ao vê-la pela primeira vez, ele fala com seus botões: “Lá se vão dez anos de tranquilidade sexual”. Realmente, a atriz inglesa Gemma Arterton é um fenômeno de beleza e sensualidade, além de atuar com muita competência. E que ator é Fabrice Luchini! Enfim, o filme é ótimo, imperdível!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ninguém pode colocar em dúvida o grande talento de Kim Basinger como atriz, o que já foi comprovado em inúmeros filmes. Nem contestar sua beleza, que continua inalterada. Suas últimas escolhas, porém, não têm sido à sua altura. Mais uma prova disso é o recente “EU ESTOU AQUI” (“I Am Here”), 2014. Embora falado em inglês, é uma co-produção Dinamarca/Alemanha. Trata-se de um drama com algumas pitadas de suspense. Maria (Basinger) é uma empresária bem sucedida que tem um sonho, na verdade uma obsessão: ser mãe. Ela e Peter (Sebastian Schipper), o marido, tentam há mais de 10 anos. Depois de vários abortos, ela recebe o diagnóstico do médico: não pode tentar mais, pois, além da idade, seu útero apresenta problemas que a impedem de engravidar. Já que não pode mais ser mãe biológica, ela agora vai tentar adotar uma criança, o que o marido não concorda. Depois de ler uma notícia de que na República Tcheca as prostitutas jovens estão vendendo seus bebês, é para lá que Maria decide ir. Pega o carro, cai na estrada sozinha e, durante o caminho, acaba conhecendo Petit (Jordan Prentice), um anão drogado, ao qual pede ajuda para a sua missão. Em meio a vozes estranhas de crianças – os nenês abortados? -, lá vai Maria em busca do seu bebê. O filme, dirigido pelo dinamarquês Anders Morgenthaler, é muito fraco e mal resolvido, sem contar a forçada de barra em escalar a sessentona atriz como mãe potencial. Só para os fãs incondicionais de Basinger. 
Na minha longa peregrinação pela Sétima Arte, já vi incontáveis filmes esquisitos, aqueles sem pé nem cabeça, indecifráveis, que os críticos profissionais e festivais adoram exaltar e premiar. Para o grande público, que busca apenas um entretenimento, tais filmes podem se transformar num grande fardo. Mais um exemplo é o sueco “UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA” (“En Duva Satt pa en Gren Funderade pa Tillvaron”). Pelo título, já dá para ter ideia de que tipo de filme estamos prestes a assistir. E, de fato, é muito esquisito. São 39 pequenos episódios (esquetes) tragicômicos, alguns deles utilizando o mesmo cenário e, às vezes, os mesmos personagens. A câmera é fixa, estática, e as cenas são mostradas como se fossem um quadro, onde somente os personagens se movem. Aliás, muito lentamente. Pelos menos há um pouco de bom humor para amenizar o non sense predominante. Só pra você ter uma ideia: num bar da Gotemburgo atual, de repente entra o Rei Charles XII (que reinou na Suécia na segunda metade do Século 17) e seu séquito para tomar um copo de água, enquanto soldados da época marcham pela rua. O filme, premiado com o “Leão de Ouro” no Festival de Veneza 2014, é o terceiro da chamada “Trilogia dos Vivos”, da qual fazem parte “Canções do Segundo Andar” (2000) e “Tu, que Vives” (2007), todos escritos e dirigidos pelo diretor sueco Roy Andersson. Uma mente privilegiada ou mais um cineasta louco? Só assistindo para responder. Eu vi e respondo: é mais um cineasta louco, mas muito criativo.   

sábado, 12 de setembro de 2015

O drama “FAIR PLAY”, 2014, baseado em fatos reais, foi o representante oficial da República Tcheca no Oscar/2015 de “Melhor Filme Estrangeiro”. Dirigido por Andrea Sedlácková e ambientado no início dos anos 80, conta a história da corredora Anna (Judit Bárdos), uma das maiores promessas do atletismo da então Tchecoslováquia. Ela era uma das esperanças de medalha do país nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, mas que afinal seriam boicotados pela mãe Rússia e seus “filhos” da Cortina de Ferro. O filme destaca o duro e torturante treinamento de Anna sob o comando do treinador Bohdan (Roman Luknár). Para melhorar seus resultados, Anna foi obrigada a utilizar o esteroide anabolizante Stromba, mesmo contra sua vontade. Sua mãe Irena (Anna Geislerová), chegou a aplicar-lhe injeções de Stromba dizendo que eram vitaminas. O governo exigia que Anna fosse melhor do que as russas e alemãs. “Se eles usam anabolizantes, também vamos usá-los”, diz um agente do governo. Embora o enfoque de toda a história seja o esporte, a utilização de anabolizantes e o treinamento quase desumano ao qual Anna era obrigada a se submeter, o aspecto predominante no filme é o político. O enredo escancara como era viver sob um regime opressor e de vigilância permanente aos cidadãos. Uma das cenas mais impactantes mostra como eram feitas as chamadas “Buscas Domiciliares”, quando agentes do governo invadiam as casas de suspeitos durante a madrugada, vasculhando tudo em busca de indícios de subversão. Trata-se de um filme bastante revelador, um verdadeiro soco no estomago em quem ainda defende os regimes comunistas. O filme é ótimo, valorizado ainda mais pelo excelente desempenho das atrizes Judit Bárdos e Anna Geislerová. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

“ALOFT”, EUA, 2014, é o primeiro filme em língua inglesa dirigido pela peruana Claudia Llosa (“A Teta Assustada”). O filme, cujo roteiro foi escrito por Llosa, tem um pano de fundo místico. O filme inteiro é ambientado nos cenários gélidos de Minnesota e da província de Manitoba, no Canadá. Mãe solteira de dois meninos, Nana Kunning (Jennifer Connelly) descobre sem querer que possui o poder de curar pessoas. Em meio ao dilema de seguir ou não esse dom, Nana é atingida por uma tragédia envolvendo seus dois filhos. Ela some do mapa, abandonando Ivan, o filho mais velho, mais tarde interpretado pelo ótimo ator Cilian Murphy. Vinte e cinco anos depois, graças à interferência da jornalista Jannia (a atriz francesa Mélanie Laurent), mãe e filho se reencontram. O filme não foi bem recebido pela crítica após sua exibição de estreia no Festival de Berlim/2014. A diretora exagerou na dose e fez um filme esquisito, complicado, um tanto difícil de digerir. Mas os atores são ótimos, principalmente a bela Jennifer Connelly, uma das poucas atrizes a ficar mais bonita sem maquiagem. Aliás, merece destaque - e elogios - a maquiagem feita em Jennifer para torná-la 25 anos mais velha. Enfim, um filme apenas interessante, sem muitos motivos para uma indicação entusiasmada.                   

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

“MORTE LIMPA” (“Good Kill”), 2014, conta o dilema do Major Tom Egan (Ethan Hawke), um veterano ex-piloto de combate que agora trabalha no comando de drones utilizados para exterminar terroristas, “via satélite”, em várias regiões do mundo, como Afeganistão e Iemen. Egan gosta mesmo de voar e está insatisfeito com a nova função, principalmente com as missões diárias de eliminar pessoas. Ele está sediado numa base da Força Aérea no deserto de Nevada e mora em Las Vegas com a família. Cada vez mais incomodado e estressado por causa dessa rotina de mortes, Egan passa a beber e contestar algumas ordens, o que prejudica uma possível promoção e seu retorno aos aviões de verdade. A situação acaba provocando uma séria crise no casamento com Molly (January Jones). O diretor Andrew Niccol (“Gattaca”, “A Hospedeira” e “O Senhor das Armas”), que também escreveu o roteiro, baseou a história em depoimentos de pilotos de drones. Ao mostrar os bastidores desse trabalho, Niccol realizou um filme bastante interessante. Ao final de sua exibição no Festival de Veneza 2014, no qual concorreu ao “Leão de Ouro”, o filme foi – injustamente, na minha opinião -  vaiado pelos jornalistas. Eu gostei.   
Menos canastrão e longe daqueles personagens valentões dos filmes de ação que o levaram ao estrelato, Nicolas Cage até que se sai bem no drama político “FATOR DE RISCO” (“The Runner”), 2014, escrito e dirigido por Austin Stark. Cage é o deputado Colin Price, do Estado de Louisiana, cuja carreira está em franca ascensão graças a um discurso emotivo depois do vazamento de petróleo de uma plataforma da Britishi Petroleum. Além disso, o político assume a defesa dos pescadores da região afetada pelo acidente, inclusive angariando fundos para mantê-los. Tudo indicava que Colin partiria com tudo para se eleger senador, porém um escândalo provocado por um caso extraconjugal põe fim à pretensão. Ele renuncia ao posto de deputado, o que provoca o pedido de divórcio da ambiciosa esposa Deborah (a bela Connie Nielsen). Na tentativa de se reerguer, psicológica e politicamente, Colin contará com a ajuda da sua ex-assessora Kate Haber (Sarah Paulson, uma mistura malsucedida de Nicole Kidman com Maitê Proença) e do pai, o ex-político Rayne Price (Peter Fonda, irmão de Jane), um alcoólatra convicto. O diretor estreante Austin Stark fez um bom trabalho, conduzindo o filme num clima tenso até o seu final. Dos filmes recentes com Nicolas Cage, este é, disparado, o melhor, o que não significa que seja lá muito bom. 

sábado, 5 de setembro de 2015

“AS CHAVES DE CASA” (“Le Chiavi di Casa”) é um sensível e comovente drama italiano de 2004, dirigido por Gianni Amelio. A história: Paolo (Andrea Rossi) nasceu durante um parto bastante complicado, que o deixou com sequelas permanentes (deficiências físicas e psicológicas) e provocou a morte da mãe. Gianni (Kim Rossi Stuart), o pai, nunca quis ver o filho, que acabou sendo criado pelos tios. Quinze anos depois, Gianni concorda em finalmente conhecer Paolo, assumindo a missão de levá-lo de Milão até um hospital de Berlim para exames médicos e fisioterapia. É nessa viagem - e principalmente na relação entre pai e filho - que se baseia todo o enredo. No hospital da capital alemã, Gianni conhece Nicole (Charlotte Rampling), que é uma dedicada mãe de uma menina também deficiente. Os diálogos entre os dois revelam os sentimentos de quem assume a obrigação de cuidar de filhos com esses tipos de problema. Numa de suas conversas, Nicole confessa que estranhou ver um pai acompanhando um filho nessa situação. Ela diz: “Normalmente, esse trabalho ‘sujo’ fica sempre com a mãe”. Em outro diálogo, Nicole mostra-se fragilizada e revela que já se perguntou diversas vezes: “Por que ela não morre?”. A história é baseada no livro “Nati Due Volte” (“Nascer Duas Vezes”), no qual o escritor Giuseppe Pontiggia (1934-2003) descreve sua relação com o filho deficiente. O filme foi indicado para representar a Itália no Oscar 2005 na Categoria “Melhor Filme Estrangeiro”. Além disso, recebeu várias premiações em importantes festivais de cinema. Difícil não se emocionar, principalmente com a interpretação do garoto Andrea Rossi.           

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

“CLEAN” é uma produção francesa de 2004 dirigida por Olivier Assayas, que também escreveu o roteiro. A história é centrada no drama de Emily Wang (Maggie Cheung),  integrante da banda de rock do namorado, Lee Hauser (James Johnston). O grupo fez sucesso numa época, mas agora está em franca decadência. Emily e Lee são viciados em heroína. Um dia, Lee tem uma overdose e morre. Maggie é acusada de ter comprado e fornecido a droga e acaba presa por seis meses. Quando sai da cadeia, ela pretende mudar de vida, arrumar um emprego e se livrar das drogas, principalmente porque quer ter o filho, Jay, de volta. O garoto, desde que nasceu, é criado pelos avós em Vancouver (Canadá). Para recuperar a guarda do filho, Emily tenta se aproximar do Albrecht Hauser (Nick Nolte), avô de Jay. Ao mesmo tempo, ela persegue o sonho de voltar ao mundo artístico como cantora e compositora. Enfim, dar a volta por cima. O filme é muito bom, mas o melhor mesmo é a espetacular interpretação da atriz chinesa Maggie Cheung, que pelo papel de Emily ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes/2004, onde o filme teve sua estreia. Aproveito para recomendar outros dois ótimos filmes do diretor francês Olivier Assayas, “Depois de Maio” - uma pequena obra-prima - e “Acima das Nuvens”.                         

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

“LUGARES ESCUROS” (“DARK PLACES”), 2014, França (mas falado em inglês), é um drama pra lá de pesado, tenso ao extremo, sombrio e angustiante. Assassinatos de crianças, satanismo, personagens com mentes doentias etc. Enfim, um filme bastante desagradável. A história é baseada no livro “Dark Places”, de Jillian Flynn, a mesma autora de “Garota Exemplar”. Libby Day (Charlize Theron) vive há anos com o trauma do assassinato de sua mãe e de suas irmãs. Ben, o irmão mais velho, é acusado e preso. Muitos anos depois, quando se envolve com uma sociedade secreta especializada em investigar crimes não resolvidos, Libby é influenciada a pensar que o seu irmão talvez não seja o assassino e passa a rever toda a história. A partir daí, o filme entra naquela fase de reviravoltas e a verdade finalmente vem à tona. O roteiro e a direção do diretor francês Gilles Paquet-Brenner não economizam no suspense e no clima tétrico. Além de Charlize, estão no elenco Chloë Grace Moretz, Tye Sheridan, Christina Hendricks, Nicholas Hoult e Corey Stoll, só para citar os mais conhecidos. A personagem de Charlize é masculinizada demais, cabelos bem curtos e sempre de calça jeans, camiseta e boné, muito longe do charme de outros papeis.                      

 
“A ESPIÃ QUE SABIA DE MENOS” (“Spy”), 2014, é uma comédia que traz, desta vez como protagonista principal, a gorducha Melissa McCarthy, a comediante do momento depois de fazer o maior sucesso em “Missão Madrinha de Casamento”. Ela é Susan Cooper, uma competente analista de base da CIA, encarregada de monitorar, via satélite, a ação dos agentes em lugares remotos. Um desses agentes é Bradley Fine (Jude Law), por quem Susan é apaixonada. Ele, porém, morre numa missão na Europa, tentando desvendar quem está por trás da venda de uma ogiva nuclear. Como é desconhecida no mundo dos espiões, Susan é enviada para se infiltrar na organização criminosa chefiada pela poderosa Raina Boyanov (Rose Byrne), justamente a assassina de Bradley. Na missão, ela receberá a ajuda do atrapalhado agente Rick Ford (Jason Statham). A trama se desenrola em cenários como Roma, Paris e Budapest, o que dá um charme todo especial ao filme, cujo roteiro e direção ficaram a cargo de Paul Feig, (que dirigiu Melissa também em “Missão Madrinha de Casamento” e “As Bem-Armadas”). A abertura do filme é ótima, uma paródia dos filmes de James Bond, com uma cena repleta de ação, perseguição e tiros. A apresentação dos créditos também segue o estilo dos filmes do famoso espião inglês, incluindo a trilha sonora. O filme é uma grande bobagem, mas diverte muito e deve ser encarado como um ótimo entretenimento.       

domingo, 30 de agosto de 2015

“LONGE DESTE INSENSATO MUNDO” (“Far from the Madding Crowd”), 2014, é um drama romântico inglês adocicado. Embora ambientado em 1840 no interior da Inglaterra, o filme não adota aquele linguajar empolado e pomposo da época. É leve e agradável de assistir, além de valorizado por um quarteto de ótimos atores. Os românticos de carteirinha vão adorar. A jovem Bathsheba Everdene (Carey Mulligan) é a herdeira de uma grande fazenda. Bonita e simpática, ela é cortejada por três homens: o soldado Troy (Tom Sturridge), o pastor de ovelhas Gabriel Oak (o ator belga Matthias Schoenaerts) e o rico fazendeiro William Boldwood (Michael Sheen). A história é centrada no dilema de Bathsheba em decidir por um deles. O enredo é baseado no livro “Far from the Madding Crowd”, escrito por Thomas Hardy e publicado em 1874. A direção ficou por conta do dinamarquês Thomas Vinterberg (“A Caça”, “Festa de Família”), um dos cineastas participantes do malfadado e lamentável movimento Dogma 95.  

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

“O FRANCO-ATIRADOR” (“THE GUNMAN”), 2014, co-produção França/Espanha, proporciona um bom programa para quem curte filmes de ação e suspense. A história (baseada no livro “The Prone Gunman”, de Jean-Patrick Manchette): na época em que era um eficiente matador de aluguel, Jim Terrier (Sean Penn), assassinou uma alta autoridade do Congo. O crime ocorreu a mando de um inescrupuloso empresário interessado na exploração de minérios e ouro no país africano. Anos depois, os envolvidos no atentado começam a ser executados, numa evidente ação do tipo “queima de arquivos”. Quando chega a vez de Jim, porém, a tarefa não será nada fácil. Ele lutará para não ser morto e, ao mesmo tempo, tentará descobrir quem entregou o seu grupo. A médica Annie (a atriz italiana Jasmine Trinca), ex-namorada de Jim, também correrá perigo depois de se envolver com Felix (Javier Bardem), um dos membros do grupo responsável pelo atentado anos antes. Do Congo, o cenário muda para Londres e Barcelona. Mesmo aos 55 anos, Sean Penn mostra uma invejável forma física, explorada em demasia durante o filme. Em quase todas as cenas lá está ele sem camisa, esbanjando músculos e a barriga “tanquinho”. Apesar de tudo, Senn é ótimo ator (ganhou dois Oscars, por “Sobre Meninos e Lobos” e “Milk – A Voz da Igualdade”), mas talvez muito feio para fazer papel de mocinho e ainda ser par romântico com a bela Jasmine Trinca. Um contraste e tanto. O filme tem muita ação, o que é a especialidade do diretor francês Pierre Morel (de “Busca Implacável”). Ótimo programa para acompanhar um potão de pipoca.   

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Como espectador comum, discordo da grande maioria dos críticos profissionais que elogiaram o drama “MANGLEHORN” e o trabalho do ator Al Pacino. O filme é um abacaxi dos mais azedos, sonífero puro. E Pacino interpreta um dos personagens mais chatos do cinema nos últimos anos, Angelo Manglehorn, um chaveiro que, em sua vida particular, é um homem recluso, antissocial, amargurado, rancoroso e em estado crônico de mau-humor. Resumindo: antipático ao extremo. Ele vive se lamentando com as lembranças de uma antiga paixão, Clara, que ninguém explica quem foi ou que fim levou. Nem uma mulher ainda bonita como Dawn (Holly Hunter), consegue despertar o interesse de Angelo. Ela dá todas as dicas de que está a fim de uma cama a dois, mas ele prefere falar da gata Fannie e de Clara, seu antigo amor. Angelo não se dá nem com seu próprio filho Gary (Chris Messina). Como em seus últimos papeis, Al Pacino (vide “O Último Ato” – “Humbling”, no original) exagera na interpretação, beirando o histriônico. E quem sofre com tudo isso é o espectador. O filme, dirigido por David Gordon Green, concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza 2014 e, merecidamente, não ganhou. Como disse, e repito, o filme é muito chato. O grande Al Pacino, desta vez, ficou pequeno.  
Em 1978 e 1979, os assassinatos de jovens mulheres praticados na região de Oise chocaram a França. Mais ainda depois da revelação de que o assassino era o próprio policial encarregado de investigar as mortes. Essa história real foi transformada em 2013 no ótimo suspense “NA PRÓXIMA, ACERTO NO CORAÇÃO” (“La Prochaine fois je Viserai le Coeur”) por Cédric Anger, responsável pelo roteiro e direção. Na vida real, o nome do assassino era Alain Lamare. No filme, foi modificado para Franck Neuhart (Guillaume Canet). O título do filme foi inspirado numa frase dita pelo psicopata para uma de suas vítimas. O roteiro de Cédric destaca o lado obscuro da mente do policial, na verdade um desequilibrado mental, psicótico e totalmente perturbado. Ele praticava seus crimes nos dias de folga. No trabalho, mostrava-se um policial eficiente e também discreto, acima de qualquer suspeita. O clima de suspense predomina desde o primeiro minuto, reforçado por uma fotografia sombria e uma trilha sonora que aumenta a tensão nas cenas de maior impacto, como fazia Hitchcock. O ator Guilhaume Canet tem uma atuação impressionante, personificando com perfeição o policial psicopata. O filme é muito bom. Mais um gol de placa do cinema francês. Imperdível! 

sábado, 22 de agosto de 2015

“ENTRE MUNDOS” (“ZWISCHEN WELTEN”), Alemanha, 2014, roteiro e direção da austríaca Feo Aladag. Uma unidade do exército alemão, sob o comando de Jasper (Ronald Zehrfeld), é enviada ao Afeganistão para proteger um vilarejo dos ataques dos Talibãs. O jovem Tarik (Mohsin Ahmady) é contratado como intérprete dos alemães, o que vai lhe causar enormes problemas com o pessoal da sua comunidade, que o acusará de traição. O filme prioriza o choque de culturas, os alemães tentando impor seus métodos e os afegãos fazendo questão de manter suas tradições, não aceitando qualquer outro tipo de imposição, ainda mais dos ocidentais. Esse conflito ideológico proporciona diálogos interessantes e esclarecedores sobre o pensamento e o modo de vida dos afegãos. Num desses diálogos, um afegão, a respeito das sucessivas invasões que o país sofreu nos últimos anos (séculos, na verdade), relembra um velho ditado local: “Vocês têm o relógio, nós temos o tempo”. Em determinado momento da história, Jasper é obrigado a tomar uma difícil decisão: abandonar o comando do seu grupo ou salvar a vida da irmã de Tarik. Ao contrário de outras produções que exploram o tema da guerra, nesta não há profusão de tiros ou explosões. O filme ganhou o prêmio de “Melhor Filme de Ficção” da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/2014. Realmente, um belo filme que merece ser visto por quem aprecia cinema de qualidade.   

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quem curte cinema já deve ter ouvido falar em François Ozon ou assistido a alguns de seus filmes. Os filmes do diretor francês acabam gerando sempre alguma polêmica, caso de “Swimming Pool - À Beira da Piscina”, “O Refúgio”, “Jovem e Bela” e “Dentro da Casa”, este último uma pequena obra-prima do gênero suspense. Seu filme mais recente é “UMA NOVA AMIGA” (Une Nouvelle Amie”), que também polemiza ao tratar de um homem casado, pai de família, que adora se vestir de mulher. No caso, é o viúvo David (Romain Duris), que acaba de perder a esposa Laura (Isild Le Besco). Travestido, ele se transforma em Virginia. Não sai de casa e vive para cuidar de Lucie, o bebê que teve com Laura. Um dia, porém, ele é surpreendido pela melhor amiga de Laura, Claire (Anaïs Demonstier). Como desculpa, ele alega que a criança sente falta da mãe, o que ele procura compensar se vestindo com as roupas de Laura. Além de guardar segredo sobre a nova personalidade do viúvo da sua amiga, Claire acaba mudando seu próprio comportamento, o que implicará numa crise em seu casamento com Gilles (Raphaël Personnaz). A história, inspirada livremente num conto da escritora Ruth Rendell, é muito interessante e ganha ainda mais força e impacto nas mãos de Ozon. O filme é valorizado ainda mais pelos ótimos desempenhos de Duris e, especialmente, de Demonstier, uma jovem atriz de enorme talento.