sábado, 22 de agosto de 2015

“ENTRE MUNDOS” (“ZWISCHEN WELTEN”), Alemanha, 2014, roteiro e direção da austríaca Feo Aladag. Uma unidade do exército alemão, sob o comando de Jasper (Ronald Zehrfeld), é enviada ao Afeganistão para proteger um vilarejo dos ataques dos Talibãs. O jovem Tarik (Mohsin Ahmady) é contratado como intérprete dos alemães, o que vai lhe causar enormes problemas com o pessoal da sua comunidade, que o acusará de traição. O filme prioriza o choque de culturas, os alemães tentando impor seus métodos e os afegãos fazendo questão de manter suas tradições, não aceitando qualquer outro tipo de imposição, ainda mais dos ocidentais. Esse conflito ideológico proporciona diálogos interessantes e esclarecedores sobre o pensamento e o modo de vida dos afegãos. Num desses diálogos, um afegão, a respeito das sucessivas invasões que o país sofreu nos últimos anos (séculos, na verdade), relembra um velho ditado local: “Vocês têm o relógio, nós temos o tempo”. Em determinado momento da história, Jasper é obrigado a tomar uma difícil decisão: abandonar o comando do seu grupo ou salvar a vida da irmã de Tarik. Ao contrário de outras produções que exploram o tema da guerra, nesta não há profusão de tiros ou explosões. O filme ganhou o prêmio de “Melhor Filme de Ficção” da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/2014. Realmente, um belo filme que merece ser visto por quem aprecia cinema de qualidade.   

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quem curte cinema já deve ter ouvido falar em François Ozon ou assistido a alguns de seus filmes. Os filmes do diretor francês acabam gerando sempre alguma polêmica, caso de “Swimming Pool - À Beira da Piscina”, “O Refúgio”, “Jovem e Bela” e “Dentro da Casa”, este último uma pequena obra-prima do gênero suspense. Seu filme mais recente é “UMA NOVA AMIGA” (Une Nouvelle Amie”), que também polemiza ao tratar de um homem casado, pai de família, que adora se vestir de mulher. No caso, é o viúvo David (Romain Duris), que acaba de perder a esposa Laura (Isild Le Besco). Travestido, ele se transforma em Virginia. Não sai de casa e vive para cuidar de Lucie, o bebê que teve com Laura. Um dia, porém, ele é surpreendido pela melhor amiga de Laura, Claire (Anaïs Demonstier). Como desculpa, ele alega que a criança sente falta da mãe, o que ele procura compensar se vestindo com as roupas de Laura. Além de guardar segredo sobre a nova personalidade do viúvo da sua amiga, Claire acaba mudando seu próprio comportamento, o que implicará numa crise em seu casamento com Gilles (Raphaël Personnaz). A história, inspirada livremente num conto da escritora Ruth Rendell, é muito interessante e ganha ainda mais força e impacto nas mãos de Ozon. O filme é valorizado ainda mais pelos ótimos desempenhos de Duris e, especialmente, de Demonstier, uma jovem atriz de enorme talento.  
“O PEQUENO QUINQUIN” (“P’tit Quinquin”), 2014, foi produzido, originalmente, como uma minissérie para a TV francesa, em quatro episódios. Agora chega ao cinema, com 3h20 de duração. É um filme interessante, a começar do elenco, constituído integralmente por atores amadores, alguns deles com defeitos físicos bem evidentes, como o rosto disforme do próprio Quinquin (Alane Delhaye). A história é toda ambientada num vilarejo litorâneo, provavelmente na Normandia, e gira em torno de três macabros assassinatos. Pedaços de corpos humanos são encontrados no interior de vacas mortas, uma delas resgatada num bunker remanescente da Segunda Grande Guerra. Em paralelo às investigações realizadas pelo capitão Van der Weyden (Bernard Pruvost) e seu assistente abobado Carpentier (Philippe Jore), o jovem Quinquin e sua turma passam os dias aprontando as maiores traquinagens. Todos os atores são amadores. Bernard Pruvost, por exemplo, que interpreta o capitão Van der Weyden, é jardineiro na vida real. O diretor francês Bruno Dumont (“O Pecado de Hadewijch”, “Camille Claudel”) não economizou no politicamente incorreto. Além de Quinquin, a maioria dos atores tem um defeito físico, como o próprio capitão Van der Weyden, manco e cheio de cacoetes. O politicamente incorreto também está na atitude racista com relação a um negro filho de imigrantes africanos, xingado e humilhado em várias cenas. Não é um filme comum e, com certeza, não seria exibido em nossos canais abertos. Apesar da história trágica, tem muito humor e momentos até hilariantes, como a cena da missa em homenagem a um dos mortos. Trata-se, na verdade, de mais uma excentricidade do diretor Bruno Dumont. Talvez sirva como aval o fato do filme ter sido eleito pelos críticos da Revista Cahiers Du Cinéma como o Melhor de 2014.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Misto de drama romântico e thriller de suspense, “OCTOBER GALE” (ainda sem tradução por aqui; literalmente, “Ventania de Outubro”), Canadá, traz no elenco três bons atores - Patricia Clarkson, Scott Speedman e Tim Roth. O filme, lançado no Festival de Cinema de Toronto/2014, foi escrito e dirigido por Ruba Nadda, cujo filme mais conhecido é o mediano “Cairo Time”, também com Clarkson. Vamos à história. A médica Helen Mathews (Clarkson), ainda deprimida depois da recente morte do marido, com quem teve um casamento bastante sólido, vai para a casa de campo onde costumava ir com o falecido. A casa fica isolada numa ilha, provavelmente na região dos Grandes Lagos. Em meio às inúmeras recordações dos momentos românticos, acontece uma tempestade e um misterioso homem ferido à bala aparece na casa. Ele é Will (Scott Speedman). Helen cuida dele e depois quer saber o que aconteceu. Mas ele não quer falar sobre o assunto, o que deixa no ar a dúvida se ele é o mocinho ou o bandido. Aí aparece na ilha outro homem misterioso, Tom (Tim Roth), querendo acertas as contas com Will. Se a história já é fraca e o filme entediante, o desfecho então é lamentável. Patricia Clarkson é ótima atriz e até já foi indicada ao Oscar como melhor Atriz Coadjuvante por “Pieces of April”, mas desta vez pisou na bola. Admira que Tim Roth, outro grande ator mal aproveitado por Hollywood, também tenha entrado nessa barca furada. Se não fosse minha obrigação comentar, poderia definir o filme como “Sem Comentários”.   

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Depois de participar de tantas produções medíocres como “É o Fim”, “Palo Alto” e “A Entrevista” - este último foi aquele que gerou aquela polêmica toda com o governo norte-coreano -, o ator James Franco volta a atuar num nível mais elevado. No drama “A HISTÓRIA VERDADEIRA” (True Story”), 2015, direção do inglês Rupert Goold, baseado em fatos reais, Franco é Christian Longo, norte-americano acusado de ter assassinado a mulher e os três filhos menores. Depois do crime, Longo se refugiu no México, onde dizia para todo mundo que era o jornalista Mike Finkel (Jonah Hill), do New York Times, chegando até a trabalhar na profissão. Em 2002, o FBI acaba descobrindo o seu paradeiro e ele é preso. Por seu lado, Finkel, depois de ser demitido do NYT por causa de forjar informações numa reportagem investigativa, fica sabendo que Longo usava sua identidade e ficou curioso em saber por que. Ele vai visitar Longo na prisão e os dois acabam se entendendo, surgindo até a oportunidade de Finkel escrever um livro contando toda a verdade sobre o crime. Até então, Longo dizia que era inocente. Estaria ele manipulando o jornalista? A ótima atuação de Franco tem jeito de mais uma indicação ao Oscar 2016, como já havia acontecido pelo drama “127 Horas”, em 2011. Jonah Hill também está muito bem, assim como a atriz Felicity Jones (de “Teoria de Tudo”), que interpreta Jill, a esposa do jornalista. O filme é muito bom e merece ser visto não apenas pela história em si, pouco conhecida por aqui, mas também pela correta direção de Goold e pelo ótimo desempenho dos atores.                                  olHolan      

terça-feira, 11 de agosto de 2015

“EM TERRA ESTRANHA” (Strangerland”), 2014, Austrália, é um drama de suspense, que marca a estreia de Kim Farrant na direção de longas. A história é centrada na família formada pelo casal Matt (Joseph Fiennes) e Catherine (Nicole Kidman) e os filhos adolescentes Lily (Maddison Brown) e Tommy (Nicholas Hamilton). Eles são recém-chegados à pequena cidade de Nathgari, no meio do deserto australiano. A família vive quase que reclusa, sem muitos amigos e nenhuma vida social. O enredo dá a entender que eles se mudaram por causa de um caso amoroso que Lily teve com um professor na cidade grande. Lily, aliás, é a única a se entrosar com o pessoal jovem da nova cidade, o que inclui transar com a maioria. Um dia, porém, depois de uma forte tempestade de areia, Lily e Tommy fogem de casa e desaparecem no deserto. A partir daí – e até o seu final -, o filme se concentra nas buscas dos jovens e nos conflitos entre o casal Matt e Catherine, cada um acusando o outro de ser o responsável pela fuga dos filhos. O filme é lento demais, chegando a ser entediante, sensação reforçada pelo clima árido do deserto e pela fotografia amarelada, quase esmaecida. Nicole Kidman não precisa provar mais que é linda e ótima atriz, mas tem pisado feio na bola em suas últimas escolhas.  

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

“AS MEDUSAS” (“Jellyfish”), 2007, direção de Etgar Keret, é uma produção israelense muito original. A história foi criada, assim como o roteiro, pela escritora israelense Shira Geffen, esposa de Etgar. Não há uma história com começo, meio e fim, e sim histórias envolvendo mulheres tendo como cenário a cidade litorânea de Tel-Aviv. O mar é o único elo entre elas. Há boas pitadas de humor e um tanto de surrealismo. As principais personagens são todas mulheres: uma moça, Keren (Noa Knoller), que acaba de se casar e que, durante a festa de casamento, quebra a perna. A viagem de lua de mel para o Caribe é cancelada e o casal se hospeda num hotel de Tel-Aviv defronte ao mar. Outra personagem é uma garçonete, Batya (Sarah Adler), que trabalha num buffet de festas e que um dia encontra uma menina perdida na praia e tenta ajudá-la a encontrar os pais. Ainda tem uma filipina, Joy (Ma-Nenita de Latorre) em busca de emprego como cuidadora de idosos para juntar dinheiro e comprar um navio à vela para o filho. Outras personagens de destaque são uma fotógrafa desempregada e uma poetisa em estado terminal de depressão. Embora não seja um filme difícil ou hermético, não entendi a ligação entre as mulheres – e a própria história – com o título do filme. Afinal, as medusas são seres marinhos (a água-viva é um deles) ou, na mitologia grega, mulheres com serpentes na cabeça. Não consegui associar as mulheres do filme com qualquer tipo de medusa. De qualquer forma, como já escrevi no início, trata-se de um filme bastante interessante e inovador, que vale a pena ser conferido. Uma vantagem a mais: não há qualquer referência à questão palestina ou aos inimigos árabes, como na grande maioria dos filmes produzidos no Oriente Médio.                   olHolan      

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O drama francês “GAROTAS” (“Bande de Filles”), 2014, gira em torno da jovem Marieme (Karidja Touré), de 16 anos, que mora na periferia de Paris com a mãe, faxineira de um hotel de luxo, o irmão mais velho e duas irmãs mais jovens. Como quase todos os personagens da história, Marieme é descendente de imigrantes africanos. Ela é tímida, péssima aluna e está cansada de ser vigiada pelo irmão mais velho, que a trata com violência. Ela se modifica a partir do momento em que conhece Lady, Fily e Adiaton, três outras jovens da periferia, desajustadas, revoltadas com a condição de rejeitadas pela sociedade branca, desbocadas e sem qualquer perspectiva mais séria a não ser fazer coisa nenhuma e, às vezes, experimentar roupas de grife em lojas incrementadas, roubando algumas. Elas gargalham por qualquer bobagem, o que chega a irritar em muitos momentos. Não demora muito e Mariame foge de casa e acaba se envolvendo com Abou, um conhecido traficante de origem árabe. A diretora Céline Sciamma (do ótimo “Tomboy”, de 2012) provavelmente tenha tido a intenção de fazer um filme simpático aos imigrantes, principalmente africanos, para amenizar a rejeição da sociedade francesa – e europeia em geral. Acho que o tiro saiu pela culatra, pois o filme mostra um tipo de comportamento social que beira a marginalidade. De qualquer forma, trata-se de uma abordagem interessante sobre o tema. Alguns críticos profissionais desenvolveram verdadeiros tratados sociológicos sobre o filme, exagerando na dose da costumeira afetação intelectual.   

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Você já se interessou em conhecer a história da Holanda? Ou já ouvir falar no nome Michiel De Ruyter? Nem eu. O drama histórico “MICHIEL DE RUYTER”, superprodução holandesa de 2014, conta uma parte da história da Holanda no Século XVII, centrando o foco no Almirante Michiel De Ruyter, que naqueles anos de guerra contra a Inglaterra e França foi um grande herói daquele país. Durante 152 minutos, você assistirá a inúmeras batalhas navais, conhecerá um pouco dos bastidores da política holandesa, onde orangistas e republicanos rangiam os dentes uns para os outros nas sessões do parlamento, e, principalmente, as batalhas vitoriosas comandadas por De Ruyter, um grande estrategista, respeitado até pelos inimigos. As cenas de ação são muito bem feitas. Aliás, o diretor Roel Reiné é especialista no gênero (“Corrida Mortal" 2 e 3). O ator Frank Lammers, que interpreta De Ruyter, é a antítese da figura de um herói: é feio e gordo. Um dos destaques do filme é o ótimo ator inglês Charles Dance como o Rei Charles II da Inglaterra. Embora longo, o filme é bastante interessante sob o ponto de vista histórico, pois apresenta fatos e personagens que pouca gente conhece por aqui.   

domingo, 2 de agosto de 2015

“WELCOME TO ME” (ainda sem tradução por aqui), 2014, é uma comédia independente norte-americana que comprova mais uma vez o talento para o humor da atriz Kristen Wiig - durante sete anos (2005 a 2012), ela foi um dos grandes destaques do Programa “Saturday Night Live”. Em “Welcome to Me” ela interpreta Alice Krieg, uma mulher que há muitos anos sofre de transtornos de personalidade. É bem maluquinha. E ninfomaníaca. Além de sexo, Alice é obcecada por programas de TV de variedades, aqueles que dão dicas de culinária, saúde, entrevistas etc. Fica evidente que o roteirista Eliot Laurence e a diretora Shira Piven quiseram fazer uma crítica aos espectadores desse tipo de programa, colocando uma desequilibrada mental como fã desse gênero. Um dia, Alice ganha uma grande fortuna na loteria e resolve mudar a sua vida. Abandona as sessões de terapia com o psiquiatra Dr. Moffat (Tim Robbins), para de tomar os remédios, vai morar num cassino e, pior, compra um espaço de duas horas numa emissora de TV para fazer um programa do jeito dela, o que dará margem a situações hilariantes. O desespero da equipe de produção da TV diante das loucuras de Alice é um dos trunfos dessa comédia bastante interessante, inteligente e muito engraçada. Confira os coadjuvantes de luxo: Joan Cusack, James Marsden, Linda Cardellini, Jennifer Jason Leigh, Wes Bentley e Loretta Devine. O filme estreou no Festival de Cinema de Toronto em 2014, recebendo muitos e merecidos elogios.   

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A família de Hugo (Marcello Novaes) está em crise. Financeira e de relacionamento entre pais e filhos, o que não é nenhuma novidade para a grande maioria das famílias hoje em dia. Hugo está falido.  Perdeu o emprego e todo o dinheiro que havia aplicado na Bolsa. Dispensa os empregados, corta despesas e tenta manter as aparências de qualquer maneira, embora se humilhe em pedir dinheiro emprestado. O drama nacional “CASA GRANDE”, 2014, explora a situação  dessa família carioca de classe média alta e suas consequências. Tudo acontece sob o ponto de vista de Jean (o estreante Thales Cavalcanti), de 17 anos, filho de Hugo e Sônia (Suzana Pires). Ele se dá melhor com o motorista Severino e com a empregada Rita (Clarissa Pinheiro) do que com o pai e a mãe. É com esses empregados que Jean se abre. Ele sonha em fazer sexo com Rita, que só quer a amizade do garoto. Jean se revolta com a demissão deles, o que irá piorar ainda mais seu relacionamento com o pai. Embora o fundo dramático predomine, há espaço para situações bem-humoradas, o que deixa o filme leve e agradável de assistir. O elenco está ótimo, desde os experientes Marcello Novaes e Suzana Pires até os estreantes Thales Cavalcanti e Clarissa Pinheiro, esta última responsável pelos momentos mais engraçados. Roteiro e direção levam a assinatura de Fellipe Gamarano Barbosa, sua estreia em longas. O filme foi premiado em vários festivais importantes, aqui e em outros países. Merecidamente, aliás, pois é muito bom. Não deixe de ver!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Morgan Freeman e Diane Keaton encabeçam o elenco do insosso drama “RUTH E ALEX”’ (“5 Flights Up”), 2014, direção de Richard Loncraine. A história é baseada no romance “Heroic Measures”, escrito por Jill Ciment. Embora divulgado como uma comédia dramática, gênero que une humor ao drama, este é mesmo um drama, pois de engraçado tem pouca coisa, ou quase nada. Alex (Freeman) e Ruth (Keaton) são casados e vivem no mesmo apartamento, no Brooklyn, em New York, há 40 anos. Incentivados pela ambiciosa corretora Niece (Cynthia Nixon, de “Sex and The City”), sobrinha de Ruth, louca para ganhar uma gorda comissão, eles decidem vender o apartamento, embora não encontrem razão justificável para isso – dilema que se arrasta até o final do filme, tornando-o ainda mais chato. Entre cenas em flash back que mostram como o romance entre os dois teve início, a rejeição por parte da família de Ruth em relação a Alex – por ele ser negro – e as intermináveis negociações sobre a venda do apartamento e a compra de outro, o filme chega ao seu desfecho tão previsível quanto a evidente falta de química entre os atores principais. Morgan Freeman e Diane Keaton podem ser ótimos atores, mas não funcionam e nem combinam como casal. Se há um motivo para recomendar este filme, ainda não descobri qual.     

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Nos anos 60, o produtor musical e compositor norte-americano Phil Spector (nome artístico de Harvey Philip Spector) alcançou o auge da fama nos anos 60, chegando a colaborar até com os Beatles. Em 2003, Spector foi acusado de ter assassinado a atriz e modelo Lana Clarkson. Depois de dois julgamentos, Spector foi condenado a 19 anos de prisão.     O drama “PHIL SPECTOR”, 2012, escrito e dirigido por David Mamet e produzido pela HBO, conta a história dos bastidores do primeiro julgamento, em 2007. O filme enfoca com destaque o difícil relacionamento de Spector (Al Pacino) com sua advogada Linda Kenney Baden (Helen Mirren). O filme foi feito como uma peça de teatro (David Mamet sempre foi ligado à dramaturgia), é verborrágico demais e lembra, da maneira como feito, aqueles programas da TV a cabo que reproduzem casos policiais e judiciários. A pergunta que não quer calar é o que dois grandes astros e ótimos atores como Al Pacino e Helen Mirren estão fazendo nesse filmeco – Helen substituiu a atriz Bette Midler, que teve hérnia de disco no início das filmagens. O grande Al Pacino, nos últimos anos, tem pisado feio na bola, atuando em filmes medíocres que não condizem com sua competência. Este é mais um deles.
“SÜSKIND”, 2013, Holanda, roteiro e direção de Rudolf van Den Berg. O filme conta a história, baseada em fatos reais, do alemão Walter Süskind, que, a exemplo de Oskar Schindler, foi responsável por salvar mais de mil judeus do Extermínio. Em 1938, Süskind, a mulher e a filha fugiram da perseguição nazista na Alemanha e foram morar na Holanda. Ele queria juntar dinheiro e ir com a família para os EUA. Arrumou emprego de gerente de um teatro em Amsterdam. Só que não deu tempo, pois os alemães invadiram a Holanda. Como era alemão – embora judeu -, Süskind foi cooptado pelos nazistas e ficou responsável pela organização das deportações de judeus holandeses para os campos de concentração. Quando Süskind descobriu que os judeus estavam sendo exterminados, resolveu pelo menos salvar as crianças – conseguiu salvar mais de mil. Além do trabalho corajoso de Süskind – vivido pelo ator Jeroen Spitzeberger -, o filme mostra todas aquelas cenas chocantes de filhos se separando dos pais, os judeus sendo atirados nos vagões de trens, agressões e assassinatos a sangue frio. Como destaque, o filme tem a presença sempre marcante do ator austríaco Karl Markovics (“Os Falsários” e “O Grande Hotel Budapeste”) como o oficial nazista encarregado de “limpar” Amsterdam, deportando todos os judeus residentes na cidade. Ele domina toda cena em que aparece. Quem quiser saber mais detalhes dessa história fantástica - e ver como ela termina - é só assistir a esta ótima produção holandesa.   olHolan      

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Quem conhece um pouco de História sabe que o estopim para a eclosão da Primeira Guerra Mundial foi o atentado que matou o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg, em Sarajevo, capital da Bósnia, em junho/1914. No drama histórico austríaco “SARAJEVO 1914” (“DAS ATTENTATT: SARAJEVO 1914”), 2014, filme feito para a TV, o enfoque principal é dado às investigações para descobrir e prender os autores. O policial Leo Pfeffer (Florian Teichmeister) é encarregado de comandar os trabalhos. Ele vai chegar aos assassinos, todos sérvios e integrantes da facção terrorista “Mão Negra”. Pfeffer também descobrirá que, por trás dos atentados, havia outros interesses em jogo, o principal deles justamente o início da guerra. Outros fatos que os livros de História não ensinam são revelados no filme, como o interesse da Alemanha em tomar posse da Bósnia e utilizar seu território para a construção de uma ferrovia Berlim-Bagdá. O filme também abre espaço para revelar que já havia, na época, um forte preconceito contra os judeus e os eslavos. A primorosa reconstituição de época é outro trunfo desse ótimo filme, dirigido por Andreas Prochaska. Uma verdadeira aula de História. Imperdível!  

terça-feira, 21 de julho de 2015

“ISMAEL”, 2013, Espanha, direção do argentino Marcelo Piñeyro (“Plata Quemada”). Aliás, este é o primeiro filme espanhol dirigido por Piñeyro. A história: Félix (Mario Casas) teve um caso com uma imigrante nigeriana (Ella Kweku) que resultou no nascimento de Ismael. A moça e o filho sumiram da vida de Félix, que agora é professor de um colégio para adolescentes problemáticos. Oito anos depois, o garoto Ismael (Larsson do Amaral) foge de casa, em Madrid, pega um trem e vai para Barcelona com o objetivo de conhecer o pai biológico. O menino só tem como referência um endereço encontrado numa carta enviada à sua mãe por Félix. Trata-se do endereço da mãe de Félix, Nora (Belén Rueda). O primeiro contato, portanto, é com a avó, que, mesmo contra vontade, acaba levando o menino para encontrar o pai. Enquanto isso, a mãe de Ismael e o seu atual marido Luís (Juan Diego Botto) pegam estrada para buscar o filho. O cenário está preparado para situações embaraçosas e conflitantes, como o reencontro dos antigos amantes e a vontade de Ismael de morar com o pai biológico. O drama é simpático, agradável de assistir, não apelando para um sentimentalismo exagerado e ainda reservando espaço para o bom humor. O filme tem um motivo a mais para ser visto: a presença da ótima atriz espanhola Belén Rueda (“Sétimo”), que ilumina e valoriza cada cena em que aparece.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

“KUMIKO – A CAÇADORA DE TESOUROS” (“Kumiko, The Treasure Hunter”), 2014, é um drama do cinema independente norte-americano. Um filme bastante interessante, aliás, que conquistou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Sundance/2014. A história: Kumiko (a bela atriz japonesa Rinko Kikuchi) mora num pequeno apartamento em Tóquio e trabalha como subalterna num escritório onde o chefe vive pegando no seu pé. Ela é bastante solitária e depressiva. Na verdade, também tem um parafuso a menos. Num passeio à praia, ela entra numa caverna e acha enterrada uma fita VHS com o filme “Fargo”, dos irmãos Ethan e Joel Coen, grande sucesso de 1996. Kumiko fica obcecada pela história do filme, a ponto de estudá-lo detalhadamente. Numa das cenas fundamentais de “Fargo”, um homem enterra uma mala com dinheiro perto de uma cerca de arame perto de umas árvores. Mesmo sabendo que é um filme, Kumiko acredita que a mala ainda está lá, à disposição de quem se dispor a desenterrá-la. Ela então viaja para os EUA e parte para encontrar o “tesouro”. Nessa caçada, ela recebe a ajuda de um policial, interpretado pelo próprio diretor do filme, David Zellner. Esta segunda parte do filme, ambientada em cenários semelhantes aos de “Fargo”, não passa de uma fábula originada de um surto criativo da cabeça de Kumiko, mas mesmo assim o espectador é levado a acreditar, assim como a jovem japonesa, que aquilo tudo faz parte do contexto real. Enfim, um filme bastante criativo que vale a pena assistir. Recomendo sem fazer figa.    

domingo, 19 de julho de 2015

Não lembro se “SHINER”, direção de John Irvin, foi exibido por aqui na época em que foi lançado, em 2001. Trata-se de um drama inglês dos melhores e com uma grande atuação de Michael Caine. Ele é Billy “Shiner” Simpson, um famoso promotor de lutas de boxe, trambiqueiro e prepotente. Ele só anda acompanhado de seus fiéis guarda-costas, Jeff “Stoney” Stone (Frank Harper) e Mel (Andy Serkis). “Shiner” se acha o dono de tudo e quem tiver a coragem de contrariá-lo vai acabar nas mãos – nos punhos, aliás – dos seus dois capangas. “Shiner” tem um filho lutador de boxe em início de carreira, Eddie “Golden Boy” Simpson (Matthew Marsden). O sonho de “Shiner” é ver o filho campeão mundial dos meio-pesados e, para isso, promove uma grande luta com o campeão norte-americano da categoria. O filme gira em torno dessa luta. Até ela acontecer, o filme esbanja bom humor, principalmente quando mostra a truculência e os métodos adotados pelos hilários capangas de “Shiner” para defender o chefe. Depois que a luta termina, com a derrota do “Golden Boy”, o poderoso promotor desconfia que houve marmelada e passa a investigar o que realmente aconteceu. Aí a história fica dramática, com direito a um assassinato misterioso e a uma reviravolta no final. Um dos destaques do elenco é o já na época veterano ator Martin Landau. Mas é realmente Michael Caine que dá show. Ótima diversão!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Se você tem algum tipo de preconceito contra o cinema asiático, deixe-o de lado e assista “UM DIA DIFÍCIL” (“Kkeutkkaji Ganda”). O filme sul-coreano é diversão pura. Trata-se de um thriller policial eletrizante, com muita ação, suspense e humor. E um roteiro bastante inteligente. O detetive Ko Gun-Soo (Lee Sun-Kyun) sai do enterro de sua mãe e, no caminho, atropela um homem. Como tinha bebido, resolve ficar quieto. E o que fazer com o cadáver do homem atropelado? Gun-Soo tem a “brilhante” ideia de escondê-lo no próprio caixão onde está sua mãe. A confusão só está começando. Ele recebe um telefonema anônimo de alguém que diz ter visto o atropelamento e começa a chantageá-lo. Em meio a toda essa confusão, Gun-Soo ainda é investigado pela Corregedoria da Polícia, que descobre em sua mesa dinheiro proveniente talvez da venda de drogas. As coisas pioram quando ele descobre a identidade do homem atropelado. Gun-Soo corre pra lá e pra cá para tentar se livrar dos problemas, mas acaba se complicando cada vez vez mais. E o espectador acompanha tudo muito atento, pois não há espaço para conversa fiada com tanta ação e suspense, além de uma boa dose de pancadaria. Méritos para o diretor Seong-Hoon Kim, que também escreveu o roteiro. O filme estreou no Festival de Cannes 2014 e foi bastante elogiado. Portanto, prepare um bom pote de pipoca e curta esse ótimo entretenimento.   

terça-feira, 14 de julho de 2015

“THE EICHMANN SHOW”, 2014, é um drama inglês, baseado em fatos reais, produzido pela BBC, mostrando os bastidores da cobertura jornalística do julgamento do nazista Adolf Eichmann, um dos idealizadores e organizadores do extermínio judeu. O julgamento foi iniciado em abril de 1961 e durou 4 meses. O enfoque principal do filme é o trabalho de uma equipe de TV autorizada pelo primeiro-ministro David Ben-Gurion, de Israel, a filmar todo o julgamento (Não ao vivo. As fitas eram enviadas por avião para o mundo inteiro. Só as emissoras de rádio transmitiram ao vivo). O produtor Milton Fruchtman (Martin Freeman) reuniu uma equipe de técnicos de TV israelenses e convidou para comandá-la o diretor norte-americano Leo Hurwitz (Anthony LaPaglia), na época desempregado por estar na lista negra de Hollywood – acusado de comunista, assim como outros diretores, roteiristas e artistas. Para não atrapalhar o andamento do julgamento, as câmeras de filmagem foram instaladas em paredes construídas poucos dias antes no prédio do tribunal em Jerusalém, ficando invisíveis para o público. O filme reproduz imagens da época, tanto do julgamento como dos campos de concentração. As cenas são chocantes. Só para lembrar, muita gente, na época, não acreditava que o Holocausto realmente existiu. As imagens dos campos de concentração chocaram o mundo. O filme mostra também a disputa pela audiência mundial, pois o julgamento de Eichmann concorreu com reportagens sobre o primeiro astronauta no espaço – o russo Yuri Cagarin – e o desenrolar da revolução cubana. O julgamento de Eichmann acabou vencendo a partir dos depoimentos chocantes dos sobreviventes – também mostrados no filme, dirigido por Paul Andrew Williams (do comovente “Canção para Marion"). Ótimo filme para quem curte os bastidores de fatos históricos. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Jean Dujardin (de “O Artista”) e Gilles Lellouche, dois dos principais atores franceses da atualidade, encabeçam o elenco de “A CONEXÃO” (“Le French”), 2014, filme policial baseado em fatos reais. A história começa em 1975, quando o juiz Pierre Michel é designado para Marselha com a missão de combater a French Connection, como era chamada a organização criminosa que traficava grandes quantidades de heróina para a Europa e, principalmente, para os Estados Unidos. Durante suas investigações, o magistrado descobre que o chefão do tráfico é Gartan Zampa (Gilles Lellouche). Mas não será tão fácil obter provas para condenar o poderoso traficante, tendo ainda que lidar com policiais e políticos corruptos. O trabalho dura anos e Pierre Michel não desiste até provar a culpa de Zampa, trabalho que colocará o juiz e sua família em grande perigo. O filme, dirigido por Cédric Jimenez, ainda tem no elenco Guilhaume Gouix, Benoit Magimel, Céline Sallette e Mélanie Doutey. Mais um bom filme do cinema francês.  
No drama inglês “A TEORIA DE TUDO” (“The Theory of Everything”), o ator Eddie Redmayne tem uma das atuações mais impressionantes da história do cinema. Pelo papel do físico Stephen Hawking, Redmayne ganhou o Oscar 2015 de Melhor Ator. Escolha incontestável. Ele está perfeito, a ponto do próprio Hawking, num e-mail enviado ao diretor James Marsh, dizer que pensou que estava assistindo a si mesmo no filme. A história começa em 1963, quando Hawking, então com 21 anos, estudava Cosmologia na Universidade de Cambridge e conhece a estudante de Arte Jane Wide (Felicity Jones), sua futura esposa. Naquele mesmo ano começam a aparecer os primeiros sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O diagnóstico dos médicos não era muito animador: deram-lhe, no máximo, mais dois anos de vida. Erraram feio, pois o físico está vivo até hoje, com 72 anos (2015). Jane e Hawking casaram e tiveram 3 filhos. A história do filme é baseada no livro biográfico escrito pela própria Jane, que não escondeu o caso com Jonathan (Thomas Cox), com quem passaria a viver depois de se separar do físico. O filme recebeu 5 indicações para o Oscar 2015 (Filme, Ator, Atriz, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora). Conquistou apenas o de “Melhor Ator”, embora a atriz Felicity Jones esteja ótima no papel de Jane. Um drama triste e comovente que não pode deixar de ser visto.