sábado, 11 de julho de 2015

“UM VERÃO NA PROVENÇA” (“Avis de Mistral”), 2014, França. Ao saber que sua filha Emily (Raphaëlle Agogué) atravessa uma grave crise no casamento e está prestes a se separar, Irène (Ana Galiena) resolve levar seus três netos para passar as férias de verão em Provença (o nome original francês é Provence). Só que tem um problema: Léa (Chloé Jouannet), Adrien (Hugo Dessioux) e o pequeno Théo (Lukas Pelissier) não conhecem o avô Paul (Jean Reno). O motivo: quando ficou grávida pela primeira vez, Emily brigou com o pai e fugiu de casa. Nunca mais se falaram e praticamente perderam o contato. De início, Paul detestou a ideia de Irène, mas aos poucos vai se entendendo com os netos. A aproximação entre avô e os netos é justamente o foco principal da história. O filme é dirigido por Rose Bosch (do impactante e ótimo “Amor e Ódio”). A cena em que Paul e Irène reencontram os antigos amigos motoqueiros de estrada é emocionante. Outro destaque do filme é a trilha sonora, que vai de Simon e Garfunkel a Deep Purple, passando por Bob Dylan. Outra grande sacada da diretora Bosch foi explorar e mostrar algumas das festas folclóricas tradicionais da região de Provence, colocando os protagonistas para participar. Enfim, um filme muito interessante, sensível e comovente, levado com muito bom humor. Programão!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Parece que Hollywood desaprendeu a fazer boas comédias. Você se lembra de alguma recente que valha a pena? Nos últimos anos, é o cinema francês que tem produzido os melhores filmes do gênero. Mais um exemplo para comprovar essa afirmação é “QUE MAL EU FIZ A DEUS?” (“QU’EST-CE QU’ON A FAIT AU BOn DIEU?”), 2014, escrito e dirigido por Philippe de Chauveron. Conta a história dos Verneuil, que formam uma família católica conservadora de classe média alta. Claude Verneuil (Christian Clavier), chefe do clã, é casado com Marie (Chantal Lauby). O casal tem quatro filhas: Isabelle, Odile, Laure e Ségolène. Tudo vai às mil maravilhas até que elas começam a se casar. Para desespero dos pais, uma casa com um empresário judeu, outra com um advogado argelino muçulmano, outra com um chinês gerente de banco. Sobrou a filha mais nova, que reserva outra “boa” surpresa para os pais. Os encontros em família sempre acabam mal, cada um querendo defender o seu ponto de vista com relação à religião, política, situação dos imigrantes, racismo etc. As discussões acabam criando situações hilariantes, tudo na base de diálogos inteligentes e do mais fino humor. É riso do começo ao fim, num ritmo alucinante. Comédia divertidíssima. Simplesmente imperdível! 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

“O OLHAR DO AMOR” (“The Look of Love”), 2013, Inglaterra, direção de Michael Winterbottom. Baseado em fatos reais, o filme conta a história do empresário Paul Raymond (Steve Coogan, de “Philomena”), conhecido também pelos apelidos de “The King of Soho” e “Barão da Pornografia”. Uma espécie de Hugh Hefner inglês, mas muito mais ousado. A partir dos anos 50, com seu jeito agressivo de empreender, Raymond construiu um verdadeiro império empresarial baseado na exploração do erotismo, criando revistas como Only Men, Club International e Mayfair, além de produzir shows musicais e peças de teatro onde a nudez feminina era obrigatória e grande chamariz. O enfoque principal do filme, porém, é a vida pessoal do empresário, que largou a esposa Jean (Anna Friel) para ficar com Fiona Richmond (Tamsin Egerton), uma das maiores estrelas de Raymond. Festas regadas a champanhe e cocaína, orgias sem fim, valia tudo no mundo em torno do empresário, cujo número de amantes só foi menor que sua conta bancária. Nem mesmo a morte da filha Debbie (Imogen Poots) por overdose, no início dos anos 90, foi capaz de diminuir a ganância de Raymond, que chegou a ser considerado o homem mais rico da Inglaterra. Raymond também investia no mercado imobiliário e no comércio. O filme é ótimo e, entre seus maiores trunfos, estão o roteiro bem estruturado, o elenco, a recriação de época e, principalmente, a trilha sonora (inclui a música que dá nome original ao filme). Impossível não destacar também a beleza estonteante e a sensualidade da atriz Tamsin Egerton como Fiona. “Um mulherão para seiscentos talheres”, como diria um amigo. Um filmaço!     

quarta-feira, 8 de julho de 2015

“MAR NEGRO” (“BLACK SEA”), 2014, EUA/Inglaterra, é um thriller de ação e suspense quase que inteiramente ambientado nas profundezas do Mar Negro. Logo após perder o emprego na empresa em que trabalhou durante 30 anos, o comandante Robinson (Jude Law), experiente piloto de submarinos, é contratado por um milionário inglês para encontrar um submarino alemão que teria naufragado no Mar Negro durante a II Guerra Mundial. No interior da embarcação estariam mais de 40 milhões de dólares em barras de ouro. Robinson reforma um submarino praticamente sucateado, recruta marinheiros ingleses e russos para a tripulação e parte para a perigosa aventura. A primeira grande preocupação é a de não ser detectado na superfície pela marinha russa. A segunda é evitar a ganância dos tripulantes, que planejam eliminar uns aos outros para poderem receber uma parte maior. O capitão Robinson tem a difícil missão de administrar toda essa confusão. Daí para  frente, os clichês habituais de um filme envolvendo submarinos: brigas entre a tripulação, acidentes de percurso, mortes, muita tensão etc. Um filme bastante claustrofóbico e sombrio. De qualquer forma, o diretor escocês Kevin MacDonald (“O Último Rei da Escócia”) soube manter o suspense do começo ao fim, o que garante um bom entretenimento. Nada a mais de muito interessante para merecer uma recomendação entusiasmada. Nem mesmo a presença do ótimo ator inglês Jude Law.

sábado, 4 de julho de 2015

Reúna os ingredientes dos melhores filmes de ação que você já viu (no meu caso, os filmes de James Bond, "Matrix", "Missão Impossível" etc.). Acrescente algumas pitadas do estilo de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. O resultado será “KINGSMAN: SERVIÇO SECRETO” (“Kingsman: The Secret Service”), 2014, Inglaterra. História: a agência ultrassecreta britânica Kingsman acaba de perder um de seus principais agentes, morto numa missão em algum país árabe. O veterano Harry Hart (Colin Firth) é encarregado de recrutar o novo integrante. Enquanto os testes com os candidatos – que já valem o filme - são realizados, surge o vilão maluco Valentine (Samuel L. Jackson), que ameaça acabar com a população do planeta para salvar o próprio – o planeta. Daí pra frente não dá tempo nem de olhar para o pote de pipoca. É ação o tempo todo, efeitos especiais de primeira e muito humor. O elenco conta ainda com Michael Caine, Taron Egerton, Mark Strong e Sofia Boutella. O diretor é Matthew Vaughn, que dirigiu alguns filmes da série “X-Men”. “Kingsman” é diversão garantida como há muito tempo o cinema não proporcionava. Estão dizendo que vai haver continuação: tomara! Aviso: não desligue quando os créditos finais começarem a aparecer, pois ainda tem mais...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

“DEUS BRANCO” (“Fehér Isten”), Hungria, 2014. Começa o filme e você acha que vai assistir a mais um daqueles filmes “sessão da tarde” da Disney. Ledo engano. O filme é sobre a amizade de uma menina com um cachorro. Eles são separados e aí cada um vive o seu drama. O diretor Kornél Mundruczó não economizou nas cenas de crueldade com os bichos, o que inclui espancamentos, brigas sanguinárias de cães em rinhas e matança generalizada. As cenas do treinamento do cão para lutar são chocantes e revoltantes, mostrando como o ser humano pode ser tão cruel. A história: com a viagem da mãe e do padastro para a Austrália, Lili (Zsófia Psotta) vai morar um tempo com o pai biológico. Só que tem um problema: o pai detesta cachorros e Lili tem um enorme, Hagen, um misto de labrador com vira-lata. O pai solta o cachorro pelas ruas de Budapest. Daí pra frente, só drama. Entre as cenas de maior impacto está aquela em que mais de 250 cães correm pelas ruas de Budapeste. Não há efeitos especiais. Os cães, recrutados nas ruas, foram treinados por Teresa Ann Williams, famosa adestradora de Hollywood, e pelo treinador húngaro Arpad Halasz. Fiquem tranquilos os espectadores que se chocam com cenas que mostram crueldade contra animais: as filmagens foram acompanhadas pelo pessoal da Sociedade Protetora dos Animais, garantia de que as cenas de maldade foram forjadas. Além disso, todos os cães foram adotados depois das filmagens. A produção húngara foi uma das mais comentadas durante o Festival de Cannes/2014, recebendo o Prêmio “Um Certain Regard”. O filme também foi selecionado para disputar o Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, mas não foi indicado. O filme é muito interessante e merece ser conferido, principalmente pela cena final, de arrepiar – no bom sentido. 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

“SOBREVIVENTE” (“Survivor”), 2014, EUA, é um thriller de ação e suspense com um elenco de primeira: Pierce Brosnan, Milla Jovovich, Angela Bassett, Dylan McDermott e Robert Forster. Milla é Kate Abbott, agente especial do governo norte-americano encarregada de rastrear redes terroristas internacionais e descobrir possíveis planos de atentados. Uma de suas suspeitas recai sobre o Dr. Emil Balan (Roger Rees) e a leva a Londres para seguir uma pista. Lá, descobre que o Dr. Emil planeja um grande atentado em Nova Iorque. Em meio à sua investigação, Kate vai se confrontar com Nash (Brosnan), conhecido também pelo codinome de “O Relojoeiro”, um assassino frio e calculista contratado para executar o plano. Pior: será acusada de um crime que não cometeu, sendo perseguida pela polícia inglesa e também por Nash, que tem a missão de matá-la. O desfecho apoteótico da história será em Nova Iorque na noite de Ano Novo, quando milhões de pessoas correrão o risco de morrer se Kate não agir depressa. O filme, dirigido por James McTeigue (“V de Vingança”), tem uma trama bem elaborada e ação do começo ao fim.  Nada que exija muito esforço do intelecto. Programão para uma sessão com pipoca.   
 

 

sábado, 27 de junho de 2015

“PONTE AÉREA”, 2014, escrito e dirigido pela jovem Júlia Rezende (“Meu Passado me Condena”), é um bom drama romântico nacional. A história reúne Amanda (Letícia Colin) e Bruno (Caio Blat). Eles se conhecem num hotel de Belo Horizonte, onde são obrigados a se hospedar pela companhia aérea cujo voo para São Paulo é cancelado devido ao mau tempo. Na mesma noite, os dois acabam na cama e, a partir daí, viverão um romance tumultuado, principalmente pelas diferenças. Ele mora no Rio, é um artista plástico que vive de bicos como grafiteiro, não tem dinheiro e muito menos ambição. Ela é paulista, trabalha numa grande agência de publicidade e acaba de ser promovida a Diretora de Arte. Nas idas e vindas de uma cidade para a outra, eles se encontram, passam a noite juntos e passeiam como verdadeiros namorados. Ao visitar o pai internado em estado grave em São Paulo, Bruno descobre que tem um irmão pré-adolescente. A descoberta, e depois a morte do pai, mexe com a cabeça de Bruno e a relação com Amanda fica por um fio. Não dá pra contar o final para não estragar as surpresas. De qualquer forma, é um filme interessante e que revela uma bela e excelente atriz, a paulista Letícia Colin. Muita mulher pra pouco homem. Letícia é um mulherão e Blat baixinho, magro e feinho. Coisas inexplicáveis do amor...   

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Embora o título nacional dê ideia de um filme de faroeste ou um policial violento, “RESPOSTA À BALA” (“ANSWERED BY FIRE”) é um drama sério, de fundo político, ambientado no Timor-Leste em 1999. Trata-se de uma co-produção Canadá/Austrália, de 2006, produzida para a TV canadense. A história enfoca o trabalho de uma equipe da ONU (Nações Unidas) designada para organizar e fiscalizar a realização de referendo no Timor-Leste que consultaria a população se queria obter a independência da Indonésia, que dominava, a ferro e fogo, o pequeno país localizado na ilha de Timor, no Sudeste Asiático, desde 1975. Desarmados e em pequeno número, os voluntários da ONU viveram situações de extremo perigo, enfrentando as milícias sanguinárias mantidas e armadas pela Indonésia, além da omissão escancarada dos policiais locais, responsáveis pela segurança do pessoal. A diretora Jessica Hobbs soube manter um angustiante clima de tensão em grande parte do filme, só amaciando no final, com direito a desfecho parecendo novela da Globo. Nos principais papeis estão o ator australiano David Waldman (o “Faramir” de “Senhor dos Aneis”) e a bonita atriz canadense Isabelle Blais. O filme tem o mérito de abordar e reviver um fato histórico e político da maior importância. Um bom programa para quem gosta de História.
“LONGE DOS HOMENS” (“Loin Des Hommes”), 2014, direção de David Oelhoffen, é um drama francês ambientado na Argélia em 1954, ano em que começa a Guerra da Independência do país contra os colonizadores franceses. Num pequeno colégio localizado numa região inóspita, árida e cercada por montanhas, o professor Daru (Viggo Mortensen) dá aulas de francês às crianças do vilarejo. Quando eclode o movimento, as autoridades policiais de uma cidade próxima, ocupadas demais com o início da revolução, pedem a Daru que levem um argelino para ser julgado numa outra cidade. Mohamed (Reda Kateb, ator que lembra, ao mesmo tempo, Anthony Quinn e Mário Moreno, o “Cantinflas”), o argelino, é acusado de ter assassinado um homem. Os parentes da vítima fatal querem vingança e partem no encalço de Mohamed. Em meio a essa perseguição e ao fogo cruzado entre franceses e rebeldes argelinos, Daru e Mohamed percorrem um caminho repleto de perigos. A amizade entre os dois é o grande trunfo do filme. Daru mostra um grande sentido de justiça e Mohamed de lealdade por aquele que o protege. A carga dramática da história foi amenizada pelo roteiro, também escrito por Oelhoffen, que reservou alguns diálogos bem-humorados entre Daru e Mohamed, além de uma fotografia deslumbrante dos cenários desérticos onde o filme é ambientado. É um filme, sem dúvida, bastante sensível, mas indicado apenas a um público mais restrito.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

“A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE (“The Age of Adaline”), 2014, EUA, é um drama romântico com um enredo fantasioso. Aos 27 anos de idade, Adaline Bowman (Blake Lively), nascida no começo do Século XX, sofre um grave acidente de carro, que cai num rio e é atingido por um raio. O efeito é o mesmo de um desfibrilador e ela praticamente ressuscita. E com uma vantagem a mais: a partir dali, não envelhece mais. Os argumentos científicos utilizados para tentar explicar o fenômeno são também fantasiosos. O filme pula para 2014 e lá está ela com a mesma aparência, contracenando com a filha Flemming (Ellen Burstyn) e reencontrando velhos amores, hoje literalmente velhos, como é o caso de William Jones (Harrison Ford), coincidência das coincidências, pai de seu namorado Ellis (Michiel Huisman). O filme é bom, bem produzido e vai agradar principalmente os espectadores mais sensíveis e românticos. A jovem atriz Blake Lively, mais conhecida por atuar na Série “Gossip Girl, tem sua grande chance como protagonista principal. E não decepciona. Além de bonita e charmosa, é muito competente. A direção é de Lee Toland Krieger (de “Celeste e Jesse para Sempre”). A história de Adaline lembra muito outro filme, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, com Brad Pitt, embora neste caso o homem nasce velho e vai rejuvenescendo. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca. 

sábado, 20 de junho de 2015

“JIMI, TUDO A MEU FAVOR” (“Jimi All is by my Side”), 2013, Inglaterra, direção de John Ridley, é uma viagem cinematográfica indescritível aos anos psicodélicos de 1966 e 1967, acompanhando os fatos que culminaram no surgimento daquele que talvez tenha sido o maior guitarrista do Século XX: Jimi Hendrix. O filme é sensacional, com destaque para a recriação da época. Cenários, figurinos, trilha sonora, elenco, roteiro (do próprio diretor), tudo funciona com perfeição. E ainda tem um ator em estado de graça: o norte-americano André Benjamin (também conhecido nos EUA por Rapper André 3000), que interpreta Hendrix. O filme começa com o polêmico guitarrista sendo descoberto, tocando em bares de Nova Iorque, pela modelo inglesa Linda Keith (Imogen Poots), nada menos do que a namorada, na época, de Keith Richards (Rolling Stones). Ela convence o amigo e empresário Michael Frank Jeffery (Burn Gorman) a levar Hendrix para Londres com o objetivo de gravar seu primeiro disco, o lendário “Are You Experiences”, e realizar uma turnê com a banda “Jimi Hendrix Experience”. Entre as inúmeras cenas antológicas do filme está aquela em que Eric Clapton, já um astro da guitarra, concorda em dividir o palco com um músico desconhecido, um tal de Jimi Hendrix. Quando Hendrix inicia seu solo, Clapton abandona a guitarra e se refugia no camarim, sentindo-se humilhado. Outra cena maravilhosa é a que reproduz a histórica apresentação de Hendrix no Teatro Saville, em Londres, no dia 4 de junho de 1967. Com os quatro Beatles presentes, Hendrix improvisa na música “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, do LP do mesmo nome lançado dias antes. Ele ensaiou a música minutos antes de subir ao palco. O filme termina - uma pena! - pouco antes de Hendrix viajar para os EUA para sua apresentação no Monterey Pop Festival. Tomara que tenha continuação. Inexplicável que ainda não tenha sido exibido por aqui no circuito comercial. De repente ainda será. Simplesmente IMPERDÍVEL!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

“TIMBUKTU”, 2014, Mauritânia, é um filme altamente impactante e bastante esclarecedor sobre a questão islâmica. É inspirado numa situação ocorrida na pequena cidade de Timbuktu, na República Africana de Máli, em 2012, ocupada durante oito meses por extremistas religiosos, certamente adeptos do Estado Islâmico e tão radicais quanto. O diretor Abderrahmane Sissako adaptou a história e a transformou em filme, utilizando como cenário uma aldeia da Mauritânia, país vizinho, já que seria impossível filmar em Máli por questões políticas.   Os extremistas ditavam as leis, proibindo música e até os meninos de jogarem futebol, entre outras imposições absurdas e radicais. Apesar desse quadro dramático, o filme apresenta cenas de rara beleza e sensibilidade, como a dos garotos jogando futebol sem a bola, “sequestrada” pelos extremistas. Um verdadeiro balé visual, um verdadeiro “achado” do diretor, um dos momentos mais bonitos do cinema nos últimos anos. A trilha sonora, por sinal, é belíssima. Por outro lado, há cenas chocantes e de muito impacto, como o apedrejamento de um homem e uma mulher – enterrados até o pescoço - em praça pública. O filme também mostra a contradição de um povo que vive praticamente na antiguidade e que não dispensa o uso de celular, um dos maiores símbolos do Ocidente e da modernidade. Com “Timbuktu”, a Mauritânia concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (2015) pela primeira vez - não ganhou -  e foi o grande vencedor do Prêmio César 2015 (o Oscar francês), ganhando em 7 categorias, incluindo a de Melhor Filme. Enfim, um belo filme, uma pequena obra-prima que merece ser vista por quem aprecia cinema de qualidade.                 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

“TUDO INCLUÍDO” (“ALL INCLUSIVE”), Dinamarca, 2014, direção de Hella Joof, é uma ótima comédia. A história: três semanas antes de viajar com o marido para comemorar seu 60º aniversário na Ilha de Malta, Lise (Bodil Jørgensen) recebe um “presentão” antecipado. Seu marido a abandona por outra mulher mais jovem. Ela entra em depressão e não quer mais viajar, mas as filhas Ditte (Danica Cursic) e Sigrid (Maria Rossing) resolvem convencê-la a ir e também vão junto. Um dos problemas que pode afetar a convivência é que Ditte é completamente diferente de Sigrid. Ditte é solteira, adepta do sexo livre, fuma, bebe e adora uma balada. Sigrid é casada, tem três filhos, é um tanto tímida e muito séria. Mesmo com essas diferenças, as duas vão se unir e tentar fazer a mãe sair da depressão, o que inclui contratar um amante latino, Antonio (Diogo Infante), o barman do hotel. O ponto alto do filme é o relacionamento das três mulheres, que tentarão aparar velhas arestas, se entender e tocar a vida adiante. Trata-se de um filme muito divertido e, acima de tudo, bastante sensível. As três atrizes têm uma atuação inspiradíssima, principalmente Bodil Jørgensen como a mãe depressiva e depois expansiva, liberada. Um show de atriz e um filme simplesmente imperdível! 

domingo, 14 de junho de 2015

“AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU” (“Les Vacances du Petit Nicolas”), 2014, é uma divertida comédia francesa, sequência de “O Pequeno Nicolau”, que fez enorme sucesso em 2010. Embora tenha um pano de fundo infantil, com Nicolau e sua turma aprontando as maiores confusões, o filme deve agradar mais aos adultos, principalmente porque as cenas mais engraçadas envolvem os pais de Nicolau, interpretados por Kad Merad e a ótima Valérie Lemercier – os mesmos pais do primeiro filme (mudou o ator de Nicolau, agora interpretado por Mathéo Boisselier). A família e mais a avó (Dominique Lavanant) vão para um hotel na praia passar as férias de verão. Ao conhecer uma garota chamada Isabelle, Nicolau ouve uma conversa dos pais e acredita que eles querem forçar seu casamento com a menina. Nicolau e sua turma de amigos, então, farão tudo para desfazer a ideia do tal casamento. O melhor do filme, porém, é a transformação da mãe de Nicolau após receber o convite de um diretor de cinema italiano para ser a estrela do seu próximo filme, o que vai gerar situações hilariantes. As duas versões, inspiradas nos quadrinhos franceses publicados entre 1956 e 1964, foram dirigidas por Laurent Tirard (“Asterix e Obelix: Ao Serviço de Sua Majestade”). Diversão garantida do começo ao fim, essencial para esses tempos tão difíceis. 

sábado, 13 de junho de 2015

Difícil de encontrar uma comédia romântica de qualidade. Na verdade, uma raridade. De vez em quando surge alguma que merece ser recomendada, como é o caso de “SIMPLESMENTE ACONTECE” (“Love, Rosie”), Inglaterra, 2014. Tudo funciona bem, a começar pelos atores que fazem os protagonistas principais, Lily Collins e Sam Claflin, bonitos, charmosos e simpáticos. O filme não apresenta o chororô habitual do gênero, tem humor na dose certa e romance sem pieguice. Tudo bem que não dá para fugir dos clichês que caracterizam o gênero, mas é um filme bastante agradável, entretenimento garantido. Rosie (Collins) e Alex (Claflin) são amigos desde a infância. Amigos inseparáveis. Em nome dessa amizade, eles mantiveram a paixão enrustida por muitos anos. Cada um levou sua vida – Alex foi morar nos EUA -, casaram com outros pares e seguiram em frente, pouco sabendo um do outro. É claro que, um dia,  voltarão a se ver e você vai torcer para ficarem definitivamente juntos. A história é baseada no romance “Onde Terminam os Arco-Íris”, escrito pela irlandesa Cecelia Ahern e publicado em 2004. No livro, a história percorre um período de 45 anos. No filme, foi reduzido para 12 anos. A direção é do alemão Christian Ditter. Informação adicional: Lily Collins é filha do cantor e compositor Phil Collins. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

“INSENSÍVEIS” (“Insensible”), Espanha/França, 2014, é um drama bem pesado com pitadas de terror gótico e algumas doses de trash. A trama se desenrola com duas histórias distintas que vão se alternando até o final, quando acontece a ligação. No início dos anos 30, a comunidade científica mundial é convocada para um internato localizado numa montanha dos Pirineus, em território espanhol, para presenciar uma descoberta incrível: crianças imunes à dor. A notícia chega à Alemanha e Hitler envia o dr. Holzmann (Derek de Lint) para estudar o assunto. Já pensou um exército nazista com soldados que não sentem dor? Além disso, algumas crianças têm poder sobrenatural, a ponto de realizar cirurgias em cães – pasmem, a sangue-frio! O asilo servirá como pano de fundo para o diretor Juan Carlos Medina, também autor do roteiro, abordar fatos históricos envolvendo a Espanha, como a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e a Ditadura de Franco. A história que segue em paralelo apresenta, nos dias atuais, o dilema do renomado neurocirurgião David Martel (Àlex Brendemühl), que sofre de câncer e precisa com urgência de um transplante de medula óssea. Na busca dos pais biológicos que poderão servir de doadores, o médico vai descobrir a história do tal asilo. É quando haverá a ligação das duas histórias. Pena que o desfecho é fantasioso demais e acaba destoando do restante do filme, que, aliás, é mais interessante do que bom. Recomendo sem muito entusiasmo. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O drama “O FALSIFICADOR” (“The Forger”), 2014, EUA, direção de Philip Martin, traz John Travolta como o ex-presidiário Ray Cutter, um pai que sempre foi ausente para o filho adolescente Will (Tye Sheridan), situação que só piorou com a temporada na prisão. Tye sofre de uma doença incurável e, pelo jeito, não tem muito tempo de vida. Cutter ainda terá que cumprir 10 meses de pena, mas recorre ao pessoal do crime para soltá-lo antes em condicional. Cutter quer passar mais tempo com o filho. Um juiz recebe propina para soltá-lo. Para pagar a dívida, Cutter terá de realizar a falsificação do quadro “Mulher com Sombrinha”, do pintor impressionista Claude Monet, e roubar o original, exposto num museu de Boston. Para executar o plano, Cutter recorre ao pai Joseph Cutter (Christopher Plummer) e ao próprio filho. Em meio aos preparativos, Cutter ainda tem de atender aos últimos desejos de Will, o que inclui conhecer a mãe biológica Kim (Jennifer Ehle) e fazer sexo com uma prostituta. O melhor do filme é realmente a retomada da relação do pai com o filho, capaz de gerar bons e até divertidos diálogos. As cenas mostrando Cutter pintando a falsificação são bastante interessantes. Fora isso, o filme não tem atrativos suficientes para ser recomendado. Nem mesmo a presença de Travolta e de Plummer. Completam o elenco Abigail Spencer e Anson Mount.    
Nos últimos anos, a Suécia tem revelado ótimos escritores de romances policiais. Tão bons quanto os seus congêneres norte-americanos. Muitos desses livros foram adaptados para o cinema, como, por exemplo, a Série Milleniumm, do jornalista Stieg Larsson. “O HIPNOTISTA” (“Hypnotisoren”), Suécia, 2012, é mais um filme inspirado num romance policial, desta vez escrito por Lars Kepler. Uma família inteira é assassinada nos arredores de Estocolmo. Só sobrou o jovem Josef (Jonatan Bökman), levado ainda vivo ao hospital, mas num estado bastante grave, inconsciente. Encarregado da investigação, o policial Joona Linna (Tobias Zilliacus) pede ao dr. Erik Maria Bark (Mikael Persbrandt) que faça algumas sessões de hipnose com o rapaz para tentar descobrir alguma pista. O assassino fica sabendo e vai atrás da família de Erik. Com exceção da cena final, muito bem feita e de um suspense de entortar os braços da poltrona, o filme não tem muita ação e o suspense é mais psicológico. O filme merece ser conferido, ainda mais que o diretor é o consagrado Lasse Hallström, dos ótimos “Sempre ao Seu Lado”, com Richard Gere, e “A 100 Passos de um Sonho”, entre tantos outros. A atriz Lena Olin, casada na vida real com o diretor, também está no elenco, como Simone, a esposa de Erik.

sábado, 6 de junho de 2015

O drama romântico “DOIS LADOS DO AMOR”, que também recebeu o título “O DESAPARECIMENTO DE ELEANOR RIGBY” (“The Disappearance of Eleanor Rigby: Them”), é um drama romântico norte-americano de 2013. A história já havia sido contada em dois filmes anteriores, um sob o ponto de vista dela e outro sob o ponto de vista dele. Neste mais recente, o ponto de vista é de ambos. Daí o "Them". Vamos à história: o casamento de Eleanor Rigby (Jessica Chastain) com Connor Ludlow (James McAvoy) vai bem até que um acontecimento faz desandar a relação. Ela sai de casa, é vítima de um surto mental, tenta o suicídio e acaba voltando para a casa dos pais, Mary e Julian Rigby (Isabelle Huppert e William Hurt). Connor não se conforma com a situação e vai atrás de Eleanor na esperança de reatar o casamento. E assim vai o filme inteiro: ele tentando a reaproximação. Os personagens são infelizes, à beira da depressão. O filme é bem baixo astral. De qualquer forma, é mais uma produção para demonstrar o talento da ruiva Jessica Chastain, atriz das mais requisitadas atualmente pelo cinemão do Tio Sam, além de abrir espaço para a ótima Viola Davis e para os veteranos William Hurt e a francesa Isabelle Huppert. Dirigido por Ned Benson (“Heróis Imaginários”), o filme estreou no Festival de Cannes 2014 na Mostra “Um Certo Olhar”. Ah, o nome Eleanor Rigby tem tudo a ver com a música dos Beatles, dos quais Mary e Julian eram fãs na juventude. Pena que a música propriamente dita não esteja na trilha sonora.  

sexta-feira, 5 de junho de 2015

“O LIMITE DA SUBMISSÃO” (“The Duke of Burgundy”), 2014, é um drama psicológico inglês de fundo erótico, esquisitão e sinistro. Conta a história de duas mulheres, Evelyn (Chiara D’Anna) e Cynthia (Sidse Babett Knudsen), que moram juntas, são amantes e adeptas dos mais estranhos jogos sexuais, típicos de mentes doentias. Além disso, as duas mulheres são estudiosas de borboletas e mariposas, frequentando palestras sobre o assunto na universidade local. Parece que o diretor Peter Strickland – que também escreveu o roteiro - tentou fazer uma analogia entre a relação das lésbicas e o ciclo de vida dos insetos, mas não tive inteligência suficiente para entender. As cenas de sexo entre as mulheres são bastante contidas, sem nudez ou algo mais explícito. O filme é arrastado demais, monótono, lembrando às vezes os antigos filmes do falecido diretor brasileiro Walter Hugo Khoury, embora este trabalhasse com atrizes mais bonitas. O filme inglês é indicado apenas àqueles espectadores que gostam de assistir a filmes diferentes e excêntricos. Se depender da minha recomendação, fuja a galope...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

“EFFIE GRAY”, 2014, direção de Richard Lexton (“Um Inglês em Nova Iorque”) é um drama de época baseado num escândalo que abalou a sociedade inglesa em meados do Século 19. A atriz Emma Thompson leu a história e a adaptou para o cinema, escrevendo o roteiro. Ela também atua no filme. A história começa com o casamento da jovem escocesa Euphemia “Effie” Gray (Dakota Fanning) com o aristocrata inglês John Ruskin (Greg Wise), pertencente a uma família da alta aristocracia e um consagrado crítico de arte da época. Ruskin é um marido frio e insensível, não dá a mínima para a mulher. Tão frio e insensível que durante anos não foi capaz nem de tocá-la, não consumando o casamento. Essa infelicidade matrimonial, além do amor por John Everett Millais (Tom Sturridge), um pintor pré-rafaelita que se tornaria famoso, fez com que “Effie” entrasse na Justiça com pedido de divórcio. Além da belíssima fotografia – de Veneza e dos cenários rurais da Escócia, especialmente - e da caprichada reconstituição de época, o filme conta com um elenco de primeira linha. Além de Fanning, Thompson, Sturridge e Wise, atuam Julie Walters, David Suchet, Derek Jacob, Claudia Cardinale e Riccardo Scamarcio. Um filme para espectadores mais sensíveis.