sábado, 21 de fevereiro de 2015

“UM SANTO VIZINHO” (“St. Vincent”), EUA, 2014, direção de Theodore Melfi. O ator Bill Murray arrasa nesta comédia. Ele faz o papel de Vin, um veterano da Guerra do Vietnam rabugento, jogador inveterado e alcoólatra. Mas tem um coração enorme, a ponto de se disfarçar de médico para visitar sua mulher, que está “fora do ar” num hospital, só para transmitir boas notícias sobre a sua saúde. Ele mora sozinho e, de vez em quando, recebe a visita da prostituta Daka (Naomi Watts), que está grávida. Essa rotina é quebrada quando chegam seus novos vizinhos, Maggie (Melissa McCarthy) e seu filho Oliver (Jaeden Lieberher), um garoto esperto de 12 anos. Maggie é enfermeira numa clínica radiológica e luta com o ex-marido na justiça pela guarda do filho. Um dia, Maggie pede a Vin que fique de babá de Oliver enquanto trabalha. Como está devendo uma grana preta para um agiota (dívida de jogo), Vin topa o serviço desde que seja pago. E assim ele e Oliver começam uma grande amizade, o que inclui levar o menino para as corridas de cavalo e a bares pouco recomendados, além de ensiná-lo a brigar. Essa amizade resultará no momento mais comovente do filme, quando o menino resolve fazer uma homenagem a Vin no trabalho de Religião da escola. É realmente muito emocionante, de lacrimejar. Além da história bem contada, divertida e sensível, o filme tem o trunfo do desempenho dos atores. Além de Murray, Naomi Watts está ótima como a prostituta grávida, assim como o garoto Jaeden Lieberher e a comediante Melissa MacCarthy, esta um pouco mais contida do que em outros filmes, provando que é boa atriz também em papeis mais dramáticos. Mas o destaque maior é mesmo Murray, em estado de graça, combinando com o título do filme. Entretenimento garantido!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

“LIVRAI-NOS DO MAL” (“Deliver us From Devil”), 2014, reúne dois gêneros de filme: policial e terror. Foi concebido com todos os ingredientes de ambos: mistério, ação, suspense, mortes violentas, possessão demoníaca, exorcismo e sustos à vontade, incluindo o famoso clichê de bonecos ganhando vida no quarto de uma criança. Pior de tudo é que a história é baseada em fatos reais, narrados no livro escrito pelo policial Ralph Sarchie, que garante ter visto e vivido todas as situações mostradas no filme. Tudo começa em 2010, quando soldados norte-americanos no Iraque entram numa espécie de tumba e dão de cara com ele, o demo. O filme pula para 2013, em Nova Iorque. Um bebê é achado morto numa lixeira e logo depois uma mãe descontrolada joga o filho de três anos no fosso dos leões do zoológico. O policial Ralph Sarchie (Eric Bana) é encarregado de investigar os crimes. Em meio às investigações, Ralph é procurado pelo padre Mendoza (o ator venezuelano Édigar Ramírez), especialista em demonologia e exorcismo. Juntos, eles saem a campo para tentar encontrar os culpados e, quando encontram, não será nada fácil enfrentá-los. Vai sobrar também para a esposa Jen (Olivia Munn) e a filha do policial. Como terror é a praia do diretor Scott Derrickson (de “A Entidade” e “O Exorcismo de Emily Rose”), não deu outra: o filme é muito bom. E, melhor, sem aqueles efeitos especiais ridículos que estragam qualquer filme, principalmente os de terror. Um ótimo entretenimento para quem tem estômago forte.                                                                                                      

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

“O AMOR É ESTRANHO” (“Love is Strange”), 2014, é um drama norte-americano independente centrado na história do casal George (Alfred Molina) e Ben (John Lithgow). Pelos nomes já deu pra perceber: trata-se de um casal gay da terceira idade. Apesar de não ter cenas de sexo ou nudez (beijo gay já não choca mais), o filme teve problemas com a rigorosa censura dos EUA e só foi liberado para maiores de 17 anos, o que prejudicou sua distribuição e restringiu o número das salas de cinema. Voltando à história: George e Ben vivem juntos há 39 anos e, com o incentivo de amigos e familiares, resolvem se casar. Só que George coloca as fotos do casamento no Facebook . A diretoria da escola onde George ensina música fica sabendo da história, vê as fotos e o demite. A situação financeira do casal fica difícil - Ben vive de aposentadoria - e eles são obrigados a deixar o apartamento onde moram. Como alternativa provisória, George vai morar com um casal de amigos policiais gays e Ben se hospeda na casa de um sobrinho casado com a escritora Kate (Marisa Tomei). Esta vive se queixando que Ben quer conversar toda hora e tira sua concentração do trabalho. Por seu lado, George não se sente à vontade na casa dos policiais. Fica se achando um estranho. De qualquer forma, mesmo separados, George e Ben continuam se amando. A distância e a saudade acabam reforçando esse amor, dando margem a algumas - poucas - cenas comoventes. O filme até que é sensível, mas é lento demais, chegando a ser monótono em alguns momentos. O roteiro e a direção são de Ira Sachs, que já havia feito um filme com temática gay, aliás, muito bom, “Deixe a Luz Acesa”, de 2012. O brasileiro Maurício Zacharias, que vive há anos nos EUA, ajudou a escrever o roteiro. Além deste e de “Deixe a Luz Acesa”, Maurício escreveu também os roteiros dos nacionais “O Céu de Suely”, “Trinta” e “Madame Satã”.                                             

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

“PRESERVATION” é um filme norte-americano de terror e suspense produzido em 2014 e dirigido por Christopher Denham. Os irmãos Mike (Aaron Staton) e Sean Neary (Pablo Schreiber), acompanhados de Wit (Wrenn Schmidt), esposa de Mike, viajam para uma reserva florestal abandonada com o objetivo de passar o final de semana caçando cervos. Logo na primeira noite eles são roubados: alguém furtou sua barraca, suas armas, suas roupas, praticamente tudo o que levaram para o acampamento. Além disso, na testa de cada um está desenhado um X. Quando saem em busca do responsável ou dos responsáveis pelo roubo, os três acabam sendo literalmente caçados. Aí vão se arrepender amargamente de terem inventado o programa. Nem a reviravolta final salva esse filme, que marca a estreia na direção de Christopher Denham, um ator que já participou de muitos filmes, inclusive “Argo”. Péssimo começo, pois o filme é fraco, o suspense é mínimo e termina sem explicar qual a motivação que levou os agressores a fazer o que fizeram. Fica difícil encontrar alguma qualidade que motive uma recomendação. Na verdade, fica mais difícil ainda dizer se o filme é de horror ou se o próprio filme é um horror. Fico com a segunda opção.                                                                                             

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015


Alexandre, de 11 anos, acorda com um chiclete grudado nos cabelos. Prenúncio de um dia ruim? Ruim não. Péssimo. Para Alexandre e toda a família Cooper, será um dia inesquecível. Melhor, para esquecer. “ALEXANDRE E O DIA TERRÍVEL, HORRÍVEL, ESPANTOSO E HORROROSO” (“Alexander and the Terrible, Horrible, no Good, Very Bad Day”), 2014, direção de Miguel Arteta, é uma comédia da Disney muito divertida e movimentada. O título enorme já dá uma ideia do tamanho da encrenca que envolverá toda a família Cooper. O pai (Steve Carell), desempregado há 7 meses, recebe um convite para uma entrevista de trabalho; a mãe (Jennifer Garner) tem uma reunião importante na editora em que trabalha cujo resultado poderá alçá-la ao cargo de vice-presidente; Anthony (Dylan Minnette), o filho mais velho, tem exame de habilitação para motorista; Emily (Kerri Dorsey) vai representar Peter Pan no teatro da escola. Sem contar que neste mesmo dia Alexandre faz 12 anos. Ainda tem o bebê de colo, que, apesar de não ter nenhum compromisso, vai participar da bagunça. Como o título deixa antever, tudo sairá errado, o que garante situações hilariantes e cenas muito engraçadas, tudo num ritmo alucinante, digno das melhores comédias. O filme, embora feito para agradar a todas as idades, foi inspirado numa história de um livro infantil escrito por Judith Viorst. Outro destaque do filme é a participação numa ponta do veterano comediante Dick Van Dyke no papel do próprio. Um programão!   
É raro assistir a um filme e, ao final, aclamar: “Que filmaço!”. É o caso desse fabuloso e contundente drama “WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO” (“Whiplash”), 2014, EUA, cuja história é centrada numa verdadeira guerra psicológica entre um jovem baterista, Andrew (Miles Teller), e Terence Fletcher (J.K. Simmons), um exigente regente da orquestra de jazz do Conservatório Shaffer, considerada a melhor escola de música dos EUA. Andrew quer seguir os passos de seu grande ídolo, o baterista de jazz Buddy Rich. Na verdade, ele quer ser ainda melhor e, para isso, não se importa em se submeter a um exaustivo e quase sobre-humano treinamento particular que costuma lhe tirar sangue das mãos (o ator Miles Teller, de 27 anos, toca bateria desde os 15). Quando se inscreve no Conservatório Shaffer, Andrew terá Fletcher como seu professor. Aí a coisa vai pegar. Fletcher encarna no baterista, humilhando-o durante os ensaios e exigindo que treine ainda mais. Andrew encara de frente o desafio do professor e nem se importa até mesmo quando este o esbofeteia na frente da orquestra. Pelo contrário, a tortura psicológica e física vai incentivá-lo ainda mais a superar seus limites e topar o enfrentamento com Fletcher. Sua obsessão de ser o melhor baterista faz com que ele deixe tudo de lado, inclusive a namorada que tanto gosta, Nicole (Melissa Benoist). Mas é no embate entre Andrew e Fletcher que o filme ganha em força e dramaticidade. Mesmo quem não gosta de música, bateria ou jazz, vai curtir esse grande filme, escrito e dirigido pelo jovem Damien Chazelle, um talento já comprovado pelo ótimo suspense “Toque de Mestre”. “WHIPLASH" foi indicado a cinco categorias no Oscar de 2015, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (o veterano Simmons). Repito: filmaço! 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

"ESCOBAR: PARAÍSO PERDIDO” (“Paradise Lost”) é uma co-produção França/Espanha de 2014 que conta uma história baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 90. Os irmãos canadenses Nick (Josh Hutcherson, de “Jogos Vorazes”) e Dylon (Brady Corbet) chegam a uma praia da Colômbia para surfar. Gostam tanto que resolvem morar por lá mesmo. Nick vai conhecer a jovem Maria (a atriz espanhola Claudia Traisa), que nada mais é do que a sobrinha querida do poderoso traficante Pablo Escobar (Benício Del Toro). Nick é muito bem recebido por Escobar. “Você é como se fosse meu filho”, diz o traficante, recebendo-o como mais um integrante da família, a ponto de eliminar sumariamente uma gangue de marginais que um dia maltratou o novo afilhado. Nick vai perceber, com o tempo, que pertencer à família de Escobar significa também participar dos negócios. Nick vai sofrer na própria pele o que Escobar destina aos seus piores inimigos. O ator espanhol Carlos Bardem, irmão na vida real de Javier, interpreta o braço direito e o dedo no gatilho de Escobar. Um capanga sanguinário que adora ver sangue jorrar. Totalmente filmado em locações no Panamá, o filme marca a estreia na direção do ator e roteirista italiano Andre Di Stefano. Será difícil, para quem viu Benício Del Toro na pele de Guevara no filme biográfico “Che”, dissociá-lo da imagem do guerrilheiro, ainda mais quando deixa crescer a barba. O mais interessante do filme é como Escobar se auto-idolatrava, o que fica bem claro na conversa que tem com um padre no final, quando dá a entender que está acima de Deus. Teve o fim que merecia, embora tardio.   
“FOXCATCHER – Uma História que chocou o Mundo”, 2014, EUA, é mais um drama baseado em fatos reais. Conta a história do envolvimento do campeão olímpico de luta greco-romana Mark Schultz (Channing Tatum) e de seu irmão e treinador David (Mark Ruffalo) com o excêntrico milionário John du Pont (Steve Carell), herdeiro de uma grande indústria de armamentos. O filme começa ambientado em 1987, quando Mark e David treinam para disputar o campeonato mundial da modalidade e com vistas também às Olimpíadas de Seul, em 1988. Foi nessa época que du Pont entra em contato com Mark e o convida para treinar em sua enorme fazenda chamada Foxcatcher, onde o milionário construiu um centro de treinamento, alojamento para atletas e formou uma equipe própria. Mark aceita o convite, mas seu irmão não. A convivência com du Pont não será muito boa para Mark – o filme insinua um assédio sexual por parte de du Pont. Ao perceber que seu irmão está com problemas, David decide ir para Foxcatcher e participar dos treinamentos. A convivência entre os três será bastante conflituosa, terminando em tragédia alguns anos depois. O filme, embora indicado ao Oscar 2015 em cinco categorias, não deve agradar a todo tipo de público, principalmente o feminino, já que o tema é essencialmente masculino. Os atores estão muito bem, especialmente Channing Tatoom fazendo papel de lutador grandalhão meio bobalhão, tanto no jeito de andar como no de se expressar. Steve Carrel, completamente irreconhecível como du Pont, também está ótimo. A direção é de Bennett Miller (de “Capote” e “O Homem que mudou o Jogo”).                                                                            

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O dia não poderia ser pior para Judd Altman (Jason Bateman). É o dia do aniversário de sua esposa Quinn (Abigail Spencer) e ele resolve sair do emprego mais cedo para fazer uma surpresa, levando um bolo de presente. Na verdade, quem vai ter a surpresa é ele: Quinn está na cama com outro homem. Ainda abalado, Judd recebe um telefone minutos depois do flagrante: seu pai acaba de falecer. Assim, de forma agitada, começa a comédia “SETE DIAS SEM FIM” (“This is Where I Leave You”), 2014, EUA. No velório, Judd reencontra, depois de muito tempo sem se ver, os três irmãos Paul (Corey Stoll), Wendy (Tina Fey) e Phillip (Adam Driver), além da mãe Hillary (Jane Fonda), uma coroa metida a periguete. Segundo Hillary, o desejo do falecido é que a família participe da Shivah, uma cerimônia fúnebre tradicional do judaísmo. Dessa forma, eles ficarão sete dias juntos na casa da mãe, recebendo convidados. É claro que muitas confusões vão acontecer, desde uma cunhada que assedia Judd sexualmente até o encontro de cigarros de maconha num paletó do falecido. Conflitos entre os irmãos são inevitáveis e a mãe tentará manter o controle. Aliás, a melhor reviravolta está reservada para o final, quando Hillary será responsável por uma notícia que vai chocar a todos – de uma maneira bem-humorada, claro. A comédia, dirigida por Shawn Levy (de “Uma Noite no Museu”), mantém o ritmo do começo ao fim. A cada momento está acontecendo um fato novo. Trata-se de uma ótima opção de entretenimento. Diversão garantida!
Mesmo no auge de sua carreira, quando fazia bons filmes de ação e estava em evidência, Nicolas Cage sempre ficou muito longe de ser um bom ator. Essa distância aumentou ainda mais nos últimos tempos. Cage envelheceu e ficou mais canastrão, o que pode ser comprovado no recente “O Imperador” e neste “DYING OF THE LIGHT” (ainda sem tradução por aqui, embora alguns sites tenham traduzido por conta própria, um por “Morrendo da Luz” e outro por “Vingança ao Anoitecer”). Trata-se de uma produção de 2014, direção de Paul Schrader (“Gigolô Americano” e “O Acompanhante”). É um filme pretensamente de ação e suspense, com Cage fazendo o veterano agente da CIA Evan Lake. Há mais de 20 anos, Lake foi preso e torturado pelo terrorista muçulmano Muhammad Banir (Alexander Karim). A tortura foi violenta e Lake carrega sequelas até hoje. Ele quer vingança. Só que é diagnosticado com demência e obrigado a se aposentar por invalidez. Em meio a esse dilema, Milton Shultz (Anton Yelchin), seu colega de CIA, descobre o paradeiro de Banir. Como talvez sua última missão, Lake resolve viajar para o Quênia, onde se esconde o muçulmano, e Milton vai junto. Antes, os dois passam por Bucarest (Romênia), onde trabalha o médico responsável pelo tratamento de Karim, que também está muito doente. Aliás, a cena em que os dois doentes se encontram é nada menos do que constrangedora. A atriz francesa Irène Jacob também está no elenco como uma espiã que teve um antigo caso com Lake. Harrison Ford estava certo para fazer o papel de Lake, mas desistiu no último momento. Quem sabe, com ele, o resultado teria sido um pouco melhor.      

sábado, 14 de fevereiro de 2015

“ASSALTO AMERICANO” (American Heist”), 2014, é um filme de ação canadense, estrelado por Hayden Christensen, Adrien Brody e Jordana Brewster.  Trata-se de um remake de “Facínoras Mascarados” (O Grande Roubo de St. Louis), de 1959. Frankie (Brody) sai da cadeia depois de 10 anos cumprindo pena por ter atirado num policial. Ele procura James (Hayden Christensen), seu irmão mais novo que também havia sido preso mas que agora procura se endireitar trabalhando como mecânico numa oficina de veículos. Frankie promete que vai mudar de vida, mas foi só encontrar dois antigos parceiros para voltar à criminalidade. O grupo planeja um assalto a um grande banco e James é “cooptado” a participar, o que também acabará envolvendo sua namorada Emily (Jordana Brewster), que trabalha na polícia como atendente de chamadas de emergência. O filme só empolga a partir do momento em que o plano de assalto é colocado em prática. Aí sim, a ação toma conta, com o acréscimo de muito suspense. O diretor de origem armênia Sarik Andreasyan acerta a mão nas cenas de tiroteio e perseguição. Apesar de repleto de clichês, trata-se de um bom programa para quem curte filmes de ação. Apenas um reparo à dupla de atores que protagoniza os irmãos. Fisicamente, Adrian Brody não tem qualquer semelhança com o ator canadense Hayden Christensen. Adrian é muito feio, narigudo e tem cabelos pretos, ao contrário do jovem galã Hayden, loiro e bonito. Talvez tenham sido gerados por pais diferentes, mas o filme não esclarece essa parte.                                                                       

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

É bom avisar: “HOMEM PÁSSARO” (“Birdman”), 2014, não é um filme muito fácil de digerir. O subtítulo já prenuncia essa afirmação: “A Inesperada Virtude da Ignorância”.  Tudo bem que é inovador, criativo e instigante, mas o público acostumado a assistir filmes com o formato tradicional pode sentir dificuldade em acompanhar o enredo. A história é centrada no personagem Riggan Thomson (Michael Keaton), um ator decadente que um dia foi famoso ao interpretar o super-herói “Birdman” no cinema. Para voltar à ativa e provar que é um bom ator, Riggan resolve montar, dirigir e protagonizar uma peça de teatro na Broadway. Em meio a conflitos familiares com a filha e a ex-esposa, com a atual namorada que anuncia uma gravidez, uma crítica teatral mal-humorada e impiedosa, além de um novo ator substituto encrenqueiro e abusado, Riggan passa por um período de crise existencial, o que inclui duvidar da própria competência. O diretor mexicano Alejandro González Iñarritu (de “Amores Brutos” e “Babel”), que escreveu o roteiro, misturou humor negro, drama e acrescentou cenas surreais para contar a história. Ele também utiliza o recurso de longos planos-sequência – tomadas sem cortes. Além de Keaton, estão no elenco Emma Stone, Edward Norton, Naomi Watts , Zach Galifianakis e Andrea Riseborough. O filme teve 9 indicações ao Oscar 2015, entre as quais Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Diretor.                                                                  
Mesmo quem não tenha muito contato com a música clássica deve ter ouvido falar ou pelo menos ter lido ou visto em algum lugar o nome Paganini. Mais do que maestro e compositor, o italiano Niccolò Paganini (1782-1840) foi um virtuose do violino. Suas apresentações arrastavam multidões para os principais teatros da Europa e seu séquito de fãs incluía Choppin, Schumman e Schubert. “O VIOLINISTA DO DIABO” (“Der Teufels Geiger”), co-produção Alemanha/Itália de 2013, direção de Bernard Rose, não é uma biografia do artista, como dão a entender inúmeros blogs de cinema. O filme centra a história num episódio da vida de Paganini, mais especificamente sua tumultuada temporada de apresentações em Londres. No filme, Paganini é interpretado pelo violinista alemão David Garret, ele também um virtuose no instrumento. Na capital inglesa, o maestro italiano se apaixona por Charlotte Watson (Andrea Deck), uma cantora lírica em início de carreira. O filme mostra que Paganini, além de devasso e promíscuo, era egocêntrico e viciado em drogas. Mas o seu desempenho com o violino era sensacional, a ponto de muita gente acreditar que ele tinha um pacto com o Diabo. Ele era capaz, por exemplo, de tocar 12 notas por segundo, além de, muitas vezes, utilizar apenas uma corda do violino para executar um concerto completo.  Diziam até que ele devia sofrer de alguma disfunção genética, tal a velocidade dos dedos da mão esquerda. Nos palcos, com seu visual de roqueiro metaleiro, Paganini portava-se como um verdadeiro popstar, o que provocava até gritinhos das moçoilas da época. O filme vale a pena ser visto não só pela história em si e pelo seu polêmico personagem, mas também pela ótima trilha sonora. Estão ainda no elenco Jared Harris, Helmut Berger, Christian McKay, Olivia D’Abo e Joely Richardson.       

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

“MEU PAI, MEU HERÓI” (“De Toutes nos Forces”), 2013, direção de Nils Tavernier, conta uma história incrível e comovente baseada em fatos reais. Embora seja francês, o filme é inspirado no triatleta norte-americano Dick Hoyt, que disputou inúmeras provas “carregando”, literalmente, seu filho Rick, paraplégico. No filme francês, o jovem Julien (Fabien Héraud) vive numa cadeira de rodas, consequência de um problema ocorrido no parto. Seu pai, o engenheiro Paul Amblard (Jacques Gamblin), acaba de ser demitido e volta para casa com cara de poucos amigos, o que vai ocasionar conflitos de relacionamento com o filho e com a esposa Claire (Alexandra Lamy). Como no caso do norte-americano, Amblard também era triatleta, mas desde que o filho nasceu não disputou mais nenhuma prova. Ao ler a notícia num jornal sobre o pai norte-americano que disputava provas com o filho paraplégico (o mesmo no qual é baseada a história), Julien insiste com Amblard para se inscreverem numa prova do Ironman que será disputada na cidade de Nice. Depois de uma discussão na família, finalmente Amblard concede ao desejo do filho – a mãe, protetora, é totalmente contra - e concorda em iniciar os treinos. Chega o dia da prova e lá vão pai e filho para Nice. É claro que o espectador pode esperar um final emocionante. O filme chegou ao Brasil, e foi exibido na TV aberta, também com o título de “Com Todas as Nossas Forças”. A gente pode até conhecer inúmeros exemplos de pai herói, mas provavelmente nenhum fez tanto sacrifício pelo filho como Dick Hoyt/Paul Amblard. Ao lado do pote de pipoca, deixe à mão uma caixa de lenços de papel.   

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

“UMA SEMANA A TRÊS” (“The Longest Week”), 2014, direção de Peter Glanz, é uma comédia romântica bem ao estilo Woody Allen. Cenários de Nova Iorque, jazz orquestrado dos anos 30/40 como fundo musical dos créditos iniciais e na trilha sonora, narrador em off, diálogos afiados e irônicos, sessões de terapia etc. A história envolve três personagens principais:  Conrad Valmont (Jason Bateman), Dilan Tate (Billy Cudrup) e Beatrice (Olivia Wilde). Conrad mora desde criança no luxuoso hotel pertencente aos pais, foi criado por empregados, nunca trabalhou e agora, perto dos 40 anos, é obrigado a tomar um rumo na vida, começando por ser desalojado do hotel e sem a habitual mesada. Ele vai morar com um grande amigo, Dilan Tate (Cudrup), que o recebe como a um irmão. A amizade dos dois vai balançar quando aparece a bela Beatrice (Olivia Wilde), pela qual Dilan diz a Conrad que está completamente apaixonado. Conhecendo o amigo, Dilan pede que ele prometa jamais se aproximar de Beatrice. Conrad promete, mas não cumpre a promessa. E Beatrice, por sua vez, não resistirá ao charme de Conrad, que não conta a ela que está falido. Embora o ritmo caia um pouco na meia-hora final, o filme reserva bons momentos para quem gosta de um filme inteligente e bem-humorado. Os três atores principais estão ótimos, com uma ressalva a Olivia Wilde, que não está tão bonita como costuma aparecer na tela. Acho que por causa dos cabelos alisados e escorridos. Mesmo que seja apenas no estilo, talvez seja um pouco exagerado associar "UMA SEMANA A TRÊS" a Woody Allen, mesmo que não fique assim tão distante dos últimos filmes do grande diretor.                                                          

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

“KAUWBOY”, 2012, direção de Boudewijn Koole, é um drama holandês com um enredo bastante simples, baseado na amizade entre um garoto de 10 anos e uma gralha. É claro que algumas circunstâncias paralelas fazem parte da história, como a relação difícil de Jojo (Rick Lens) com o pai Ronald (Loek Peters) e a descoberta do primeiro amor, uma garota chamada Yenth (Susan Rader), sua colega na equipe de polo aquático. Mas o filme é centrado mesmo na amizade entre Jojo e a gralha, chamada de Jack, que o garoto encontrou no chão depois de cair do ninho.  Jojo leva a ave para casa e pretende criá-la como seu bichinho de estimação. E não conta para o pai, pois este é contra qualquer bicho dentro de casa. Ao mesmo tempo em que se afeiçoa à ave, Jojo vive a inocência de uma possível volta da mãe para casa – não se sabe se ela morreu ou abandonou o marido e o filho. Jojo ouve todos os dias uma fita gravada pela mãe, que era cantora e compositora. Os conflitos entre pai e filho ocorrem justamente quando Jojo insiste em dizer que a mãe vai voltar. O pai tenta, sem sucesso, fazer com que o filho caia na real: a mãe nunca mais voltará. Como filme de estreia do diretor Koole, “KAUWBOY” surpreendeu e encantou os júris de vários festivais pelo mundo afora, recebendo o “Prêmio Unicef” no Festival de Buenos Aires, de Melhor Filme da “Mostra Generation” no Festival de Berlim e Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Brasília. Desta vez, a gralha não foi de mau agouro.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

“VUOSAARI”, 2012, dirigido por Aku Louhimies, é um drama finlandês muito baixo astral, depressivo e melancólico, reforçado por um cenário gélido de inverno. O filme conta várias histórias paralelas de personagens infelizes, com problemas de relacionamento e outros tantos, que buscam saídas para encontrar a felicidade. Como o casal em crise, cujo marido arruma uma amante para suprir a frieza da esposa; um adolescente que sofre bullying no colégio e, em casa, vê a mãe enrolada com algum namorado estranho; a jovem que quer se tornar uma celebridade no mundo artístico e topa fazer qualquer sacrifício para isso; um imigrante negro, namorado de uma drogada, ameaçado por agiotas; uma jovem mãe com câncer, desesperada pela expectativa de deixar sua filhinha órfã; um fisiculturista que tem tendência a engordar e que descarrega sua frustração no filho adolescente; um menino cujo único amigo é um cachorro que a mãe quer se desfazer. Enfim, histórias de tristeza. O diretor Louhimies retrata um segmento da sociedade finlandesa em decadência, onde a felicidade está longe de existir e fazer parte do cotidiano. Todos os personagens vivem em Vuosaari (daí o título), bairro de Helsinque, a capital do país. Embora não possa ser recomendado como um filme para entreter – chega a ser desagradável -, não há como não destacar a sua qualidade e também o desempenho dos atores, quase todos desconhecidos por aqui. O sol brilha só no final do filme, como uma luz no fim do túnel, um sinal de esperança.    
Atenção, amantes dos filmes de ação com muita pancadaria, tiros e perseguições: “DE VOLTA AO JOGO” (“John Wick”), 2014, direção de David Leitch, não nega fogo nem economiza na matança. O sangue jorra em abundância. Um crítico contou cerca de 150 mortos. Eu não contei, mas acho que ficou por aí. O filme conta a história de John Wick (Keanu Reeves), um ex-assassino ligado à máfia russa instalada em Nova Iorque que volta à ativa (daí o título) depois que bandidos roubam seu carro e matam seu cachorro, ambos de estimação. Só que o autor desses crimes é justamente o filho do poderoso Viggo Tarasov (o ator sueco Michael Nyqviste, de "Millennium"), chefão da máfia russa para a qual trabalhava Wick. É claro que o nosso herói não quer saber e parte para a vingança. Destaque para a cena da matança numa discoteca, durante a qual Wick dá um show de competência assassina. Aliás, Keanu Reeves volta com tudo aos filmes de ação, participando sem dublê em nada menos do que 90% das cenas de ação. Seu personagem é um misto de Steven Seagal, Schwarzenegger, Van Damme, Jason Statham e um pouco também de Bruce Willis, porque também apanha pra burro. Estão ainda no elenco Willem Defoe, Adrianne Palicki, Bridger Moynahan, Ian Mcshane e John Leguizano. Sem levar em consideração os clichês abundantes já vistos em tantos outros filmes de vingança, o filme apresenta ótimas cenas de ação, tem bastante humor e o ritmo é alucinante do começo ao fim. É tiro e queda: entretenimento garantido! 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

“MARINA” é uma co-produção Bélgica/Itália de 2013 que conta a história do cantor italiano Rocco Granata, baseada nas memórias escritas pelo próprio. No final dos anos 50, Granata foi um cantor de grande sucesso na Bélgica, na Europa e em vários países do mundo, tendo até se apresentado no Carnagie Hall, em Nova Iorque, em 1959. Ele ainda está vivo e, aos 76 anos, ainda toca (acordeão) e canta por aí. O filme contempla a história de Rocco até 1959, quando “estourou” nas paradas de sucesso com o hit “Marina”. Tudo começa em 1948, quando Salvatore Granata (Luigi Lo Cascio), pai de Rocco, sem emprego e sem esperança decide deixar a Itália e ir trabalhar nas minas de carvão da Bélgica. Um ano depois, Salvatore decide chamar sua família para morar com ele na Bélgica, sua mulher Ida (Donatella Finocchiaro), Rocco (Cristian Campagna quando menino e Matteo Simoni mais velho) e a irmã. O começo dos Granata em terra estrangeira é muito difícil, o que inclui não falar o flamenco, língua oficial da Bélgica. Para concretizar seu sonho de ser cantor e músico, Rocco vai enfrentar o conservadorismo do pai, que o obriga a trabalhar, como ele, nas minas de carvão. Até chegar ao sucesso, Rocco vai enfrentar inúmeros desafios, mas também conhecerá o seu grande amor, Helena (Evelien Bosmans), fonte de inspiração para a canção “Marina”. O diretor belga Stijn Coninx não economiza nos tons melodramáticos, atenuados apenas por algum humor e muita música. Preste atenção na cena em que o dono de uma loja de instrumentos musicais negocia a venda de um acordeão para o jovem Rocco: ele é o verdadeiro Rocco.                                        

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

“A DEMORA” (“La Demora”), 2012, Uruguai, direção de Rodrigo Plá, é um drama comovente, sensível e, ao mesmo tempo, muito triste, de cortar o coração. Mas muito bem feito, tanto que foi premiado em vários festivais pelo mundo afora, inclusive no prestigioso Festival de Berlim. O filme centra toda sua ação na situação desesperadora de Maria (Roxana Blanco), uma quarentona mãe solteira de três filhos pré-adolescentes que se vira do avesso para colocar dinheiro dentro de casa e cuidar do pai Agustín (Carlos Vallarino), um senhor que sofre de confusão mental e perda de memória. Um dia, ela não aguenta mais e pede socorro à irmã, que poderia cuidar do pai por um tempo. A irmã inventa mil desculpas para se livrar da tarefa. Nem visitar o pai ela vai mais. Sem outra saída, Maria decide colocar Agustín num abrigo de idosos. Também não consegue. Num ímpeto desesperado, ela resolve adotar uma atitude radical, que muita gente pensa, mas não tem coragem de fazer: abandonar o velho numa praça. O que acontece depois, só vendo o filme. Aliás, o drama merece ser visto também pela sensacional interpretação da dupla central de atores, Roxana Blanco e Carlos Vallarino, ambos premiados pelo seu desempenho. Enfim, um filme que certamente emocionará quem vive ou viveu problema semelhante ao de Maria, um tipo de sofrimento que acaba com qualquer pessoa.                                      

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

“ONDE ESTÃO AS CELEBRIDADES?” (“Not another Celebrity Movie”), 2013, EUA, direção de Emilio Ferrari, é mais uma daquelas comédias do gênero besteirol - e quanta besteira. Os personagens das celebridades são interpretados por atores ou sósias profissionais. Trata-se de uma paródia do filme “Onze Homens e um Segredo”, dirigido por Steven Soderbergh.  Só que nesta sátira, o objetivo não é roubar um cassino e sim sequestrar Justin Bieber, que está apresentando uma temporada de seu show no Hotel e Cassino Riviera, em Las Vegas. A história mirabolante começa com Charlie Sheen acreditando que Justin Bieber é seu filho biológico. E, como tal, pode ajudá-lo a ganhar uma grana. Ele, então, planeja o sequestro do astro teen. Para isso, convoca seus amigos George Clooney, Brad Pitt, Robert De Niro, Tom Cruise, Justin Timberlake, Angelina Jolie e Lady Gaga. Quem patrocina a aventura maluca é Donald Trump. Em meio à atrapalhada ação de sequestro, ainda aparecem fazendo “pontas” Paris Hilton, Johnny Depp, Daniel Craig, Oprah Winfrey e Ashton Kutcher, além de outras celebridades. Como não poderia deixar de ser, é tudo levado na maior palhaçada, mas não dá para negar que a caracterização dos personagens e o desempenho dos atores e sósias são realmente fantásticos, em especial George Clooney, Angelina Jolie e Tom Cruise. Mesmo quem não curte o gênero besteirol pode se divertir.   

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

“A GAROTA DA BICICLETA” (Girl on a Bicycle”), 2013, é o famoso filme “Nações Unidas”. É uma produção made USA, com direção de um norte-americano (Jeremy Leven, de “Don Juan DeMarco”) e tem nos principais papéis um ator italiano (Vincenzo Amato), uma atriz alemã (Nora Tschirner), uma atriz francesa (Louise Monot) e um ator inglês (Paddy Considini). Além disso, é todo ambientado em Paris. Trata-se de uma ótima comédia romântica, muito divertida e movimentada. Conta a história de Paolo (Amato), motorista de um ônibus turístico que percorre a capital francesa. Ele está noivo da aeromoça alemã Greta (Tschirner), mas isso não o impede, como bom italiano, de se enrabichar pela bela Cécile (Monot), a tal garota da bicicleta do título. Só que Paolo não poderia imaginar que, ao se envolver com Cécile, iria se meter na maior confusão, o que vai colocar em risco o seu noivado com Greta e envolver seu amigo Derek (Considini). Embora tenha sido rotulado de comédia romântica, é mais comédia do que romance e as situações são bastante engraçadas. Os quatro atores principais sustentam o humor com muita competência, em especial a alemã Nora Tschirner como a noiva desconfiada, e o italiano Vincenzo Amato como o atrapalhado Paolo. Louise Monot é linda e muito sexy, além de ótima comediante. Um filme delicioso e divertido, ideal para afastar o estresse. Simplesmente imperdível!