sexta-feira, 7 de novembro de 2014

“LONGWAVE – NAS ONDAS DA REVOLUÇÃO” (“Les Grandes Ondes – À L’Ouest”), 2013, é uma co-produção Suíça/França/Portugal dirigida por Lionel Baier. Trata-se de uma comédia bastante divertida, que tem como pano de fundo a Revolução dos Cravos, movimento que acabou com a ditadura salazarista. O filme é ambientado, claro, em abril de 1974, e conta a história da jornada de dois jornalistas (Julie e Cauvin) e um técnico de som (Bob) de uma emissora de rádio suíça escalados para realizar reportagens sobre a contribuição do governo da Suíça para algumas áreas essenciais de Portugal, como, por exemplo, a Educação – eles visitam um colégio e constatam que a colaboração se resumiu a um relógio de parede (suíço, é claro). Mais algumas tentativas e eles chegam à conclusão de que a viagem foi uma “furada”. Em meio aos preparativos para retornar à Suíça, eles contratam um jovem tradutor chamado Pelé (o rapaz é branco). Quando resolvem voltar, no dia 25 de abril, se dão conta de que teve início, na noite anterior, uma grande revolução no país. Eles partem então para Lisboa, centro dos acontecimentos, e acabam se envolvendo numa série de confusões. De qualquer forma, farão valer a viagem. Nos créditos finais, aparece a foto da verdadeira Julie, agora bem mais velha, o que dá a entender que a história realmente aconteceu, embora com muitas pitadas de ficção. Vale a pena assistir, pois, além de engraçado, é um filme inteligente.     

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

“AMADOR”, 2010, é um drama espanhol dirigido por Fernando León de Aranoa (de “Segunda-feira ao Sol”, com Javier Bardem). Conta a história do casal de imigrantes peruanos Marcela e Nelson, que enfrenta um período de grande dificuldade financeira na Espanha. Nelson (Pietro Sibille) vende nas ruas flores que rouba de um entreposto. Marcela (Magaly Solier) ajuda o marido. Como o negócio não vai bem, Marcela decide procurar emprego. Em meio a essa situação difícil, Marcela ainda descobre que está grávida, mas tem medo de contar para o marido. Ela aceita o emprego para cuidar de um idoso doente, Amador (Celso Bugallo), até que a filha dele, Yolanda (Sonia Almarcha), volte da viagem de férias. Marcela vai encontrar em Amador um bom ouvinte e conselheiro. Esse convívio acaba gerando uma grande amizade entre os dois, até que um fato inesperado acontece e deixa Marcela numa situação alarmante. Ela vai tentar superar o problema com a ajuda de Puri (Fanny de Castro), uma prostituta sessentona que “visitava” Amador uma vez por semana. Puri é responsável por alguns bons momentos de humor, suavizando o clima triste que ronda a trajetória de Marcela e do próprio filme. O diretor utiliza o jogo de quebra-cabeças como representação da complexidade da vida. É montando um quebra-cabeças com pedaços de uma foto, por exemplo, que Marcela descobrirá um segredo nada agradável sobre o marido. Um filme mais interessante do que bom, mas que merece ser visto não apenas pela história um tanto inusitada, mas também pela ótima atriz peruana Magaly Solier, do premiado “A Teta Assustada”.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

“O SEGREDO DAS ÁGUAS” (“Futatsume no Mado” ou, no inglês, “Still the Water”), 2013, é um drama japonês sensível que merece ser visto por quem curte discussões filosóficas e conversas sobre os vários aspectos da nossa vida. O filme é ambientado na ilha Amami Oshima, ao Sul do Japão, e centra o desenvolvimento do enredo nos jovens Kioko (Jun Yoshinaga) e Kaito (Nigirô Murakami). Os fatos que se desenrolam em torno deles é que dão margem às discussões filosóficas já mencionadas. A doença terminal da mãe de Kioko e o aparecimento de um cadáver na praia, por exemplo, resultam em reflexões sobre a vida e a morte. A separação dos pais de Kaito leva os protagonistas a refletir sobre o amor, casamento e paternidade. O mesmo acontece com relação a temas como o destino, a Natureza, religião etc. Quem tiver paciência – e tempo – poderá até mesmo copiar os diálogos e depois refletir sobre o que foi dito. Num deles, o viúvo pai de Kioko compara a morte de Isa, sua esposa, ao fim de uma onda na praia, atribuindo ambos os fatos à energia que se esvai, mas que já tiveram sua força e o seu esplendor. Há também muitas cenas comoventes, como aquela em que a família e os amigos se despedem de Isa nos seus últimos momentos de vida. As cenas de mar - aéreas, submarinas e das ondas - são belíssimas e dizem muito sobre a força da Natureza. O filme, dirigido pela cineasta japonesa Namomi Kawase, disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes/2014 e foi exibido, aqui no Brasil, durante o 38º Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Mais um belo filme que merece ser visto.                                              
“CARIBE – A TRAJETÓRIA DE WORRICKER” (“Turks & Caicos”), telefilme produzido e exibido pela BBC em 2013, é o segundo filme de uma trilogia que tem como protagonista principal Johnny Worricker (Bill Nighy), agente do MI-5, Serviço Secreto da Inglaterra (o primeiro filme da trilogia é “Page 8”, de 2010). Trata-se de um suspense político ambientado num luxuoso hotel das ilhas Turcas e Caicos, nas Antilhas, na verdade um paraíso fiscal. Lá se reúnem algums empresários americanos, a relações-públicas deles Melanie Fall (Winona Ryder), Curtis Pelissier (Christopher Walken), agente da CIA, e o próprio Worricker, além de uma contadora anã que aparece lá pelo meio do filme. Pelo que o enredo muito complicado dá a entender, ninguém sabe da verdadeira identidade de Worricker nem de Pelissier. O filme é repleto de diálogos, a maioria deles incompreensíveis e tediosos, num blá blá blá interminável dos mais irritantes. Não há ação e muito menos suspense. O elenco ainda conta com Helena Bonhan Carter e Ralph Fiennes, ou seja, um desperdício de talentos. Se o filme já é ruim, pior mesmo é o ator Bill Nighy, que faz o protagonista principal. Tem mais cara de agente funerário do que agente secreto. Feio, cara de fuinha, expressão de abobado, nenhum carisma e muito menos charme. Resumindo: o filme é uma bomba de proporções atômicas.                                                                                                        

domingo, 2 de novembro de 2014

“A BICICLETA DO MEU PAI” (“Mój Rower”), 2012, Polônia, direção de Peter Trzaskalski, é daqueles filmes sensíveis e comoventes que, ao mesmo tempo, divertem. Depois de uma vida juntos, a mulher de Wlodek (Michal Urbaniak) o abandona por um novo amor. Ela tem, veja só, 75 anos.  Wlodek deve ter a mesma idade, talvez um pouco mais velho.    Depois de ler a carta de despedida da esposa, ele bebe umas a mais e acaba sendo internado num hospital, pois é diabético. Seu filho Paul (Artur Zmijewski), um pianista muito famoso, chega às pressas da Alemanha para visitá-lo. O mesmo faz o jovem Maciec (Krzysztof Chodorowski), neto de Wlodec e filho de Paul, que vem de Londres para ficar ao lado do avô. O reencontro dos três, que não se viam a alguns anos, vai trazer à tona antigos desentendimentos. Paul decide buscar a mãe onde ela estiver e exige que seja acompanhado por Wlodek e Maciec. Nesse road movie, os três vão se conhecer melhor e tentar amenizar o relacionamento conflituoso que sempre tiveram. Os ásperos diálogos entre Paul e Maciec são hilariantes. Choque de gerações em estado puro. Há também muitos momentos comoventes, como aquele em que Wlodek e Paul tocam juntos no aniversário de uma menina, ou quando os três estão nadando juntos num rio. Mas o nó na garganta está reservado mesmo para o desfecho, quando Paul se apresenta ao lado da  Orquestra Sinfônica de Berlim. A trilha sonora é outro ponto alto do filme, do jazz de  Benny Goodman à música clássica de Mozart. Um filme para ver, ouvir, rir e se comover. E recomendar para os amigos.  Simplesmente imperdível!                                      
“EXUBERANTE DESERTO” (“Adama Meshuga’at”), 2006, dirigido por Dror Shaul, é um belo e sensível drama israelense que tem como pano de fundo a vida num kibutz tradicional. A história é ambientada em 1974 e tem como principais protagonistas Dvir (Tomer Steinhof), um menino de 12 anos, e sua mãe Miri (Ronit Yudkvitz), uma mulher que sofre de depressão a nível psiquiátrico, além de alcoólatra e  viciada em remédios. Dvir tem um irmão mais velho, Eyal (Pini Tavger), que não liga muito para a mãe. Quem cuida dela é mesmo Dvir. O filme mostra as normas rígidas que regem um kibutz, naquela época uma comunidade bastante fechada e tradicional. Interessante que os filhos, depois que nasciam, eram encaminhados para uma creche intitulada “Casa das Crianças” e lá moravam até os 13 anos, quando faziam o Bar Mitzvah. Dessa maneira, os pais, de acordo com a norma dos kibutz, ficavam livres para o trabalho comunitário. O filme tem momentos tocantes e bastante comoventes, principalmente quando envolve a relação afetuosa entre Dvir e a mãe, interpretada por esta estupenda atriz Ronit Yudikvitz. A qualidade desse filme foi reconhecida no Festival de Sundance/2007, onde conquistou o “Grande Prêmio do Júri”, e, no mesmo ano, no Festival de Berlim, onde ganhou o Urso de Vidro de Melhor Filme. Um filme sensível que merece ser visto e revisto.                                                                                                         
“A GAROTA DO 14 DE JULHO” (“La Fille du 14 Juillet”) é uma comédia francesa de 2013. Trata-se do primeiro longa dirigido por Antonin Peretjavko. É um filme que abusa do humor nonsense, com situações absurdas e sem nexo, piadas infames sem a menor graça e personagens caricatos cujos nomes incluem, por exemplo, Dr. Placenta, Sr. Guilhotin etc. Algumas cenas fazem referência a filmes franceses da década de 60, da chamada Nouvelle Vague, mas o estilo de paródia adotado pelo diretor Peretjavko passou longe de configurar uma homenagem. A personagem principal é Truquette (Vimala Pons), uma moça que transita pra cá e pra lá de vestido curto e biquíni com sua amiga Charlotte (Marie-Lorna Vaconsin). As duas conhecem Hector (Grégoire Tachnakian) e Pator (Vincent Macaigne) e com eles irão viajar para a praia no início das férias de verão. No meio do caminho, eles ficam sabendo que as férias de verão foram canceladas em toda a França pelo governo devido à recessão. Todo mundo deve voltar a trabalhar. E por aí vai esse filme repleto de bobagens, um nonsense generalizado. Quem quiser arriscar e assistir, pelo menos vai curtir a atriz de origem indiana Vimala Pons, que, mesmo fazendo papel de abobada, mantém um charme irresistível, complementado por uma bela silhueta. Aqui no Brasil, o filme foi exibido durante a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.                                           

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Depois de mudar da telinha (“Friends”) para a telona, a atriz Jennifer Aniston participou de alguns filmes razoáveis e de outros medíocres. Em nenhum deles, ela conseguiu um papel à altura do seu indiscutível talento. Na recém-lançada comédia “VIDA DE CRIME” (“Life of Crime”), de 2013, ela interpreta Mickey, esposa de Frank Dawson (Tim Robbins), um empresário milionário arrogante, embusteiro e mulherengo. Além de tratar a esposa como lixo, ele esconde dela uma conta secreta num paraíso fiscal. Milhões de dólares desviados em falcatruas diversas. Habituado a ostentar, Mickey atrai a atenção de dois marginais, Louis (John Hawkes) e Ordel Robbie (Mos Def), que acabam sequestrando Mickey e pedem a Frank, como resgate, nada menos do que 1 milhão de dólares. Só que a negociação não dá certo, primeiro porque, dois dias antes, Frank havia assinado os papéis do divórcio. Segundo, ao negociar com os sequestradores, Frank estava ao lado de sua amante Melanie (Isla Fisher), à qual havia prometido casamento. A confusão está armada, com direito a uma reviravolta inesperada e surpreendente no final. O roteiro foi baseado em romance de Elmore Leonard, um dos melhores escritores de livros policiais da atualidade. Sem dúvida, um ótimo entretenimento.                                           

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

“THE HOMESMAN” (ainda sem tradução por aqui) é o terceiro filme dirigido pelo ator Tommy Lee Jones. Estreou no Festival de Cannes 2014, concorrendo à Palma de Ouro. Talvez seja indicado para disputar algumas categorias do Oscar 2015. Não que seja um grande filme. Quem sabe concorra aos prêmios de Melhor Atriz (Hilary Swank) e Melhor Ator (Tommy Lee Jones), no máximo. A história, baseada no livro “The Chariot of the Damned”, de Glendon Swarthout, é ambientada em 1854, portanto, no tempo das diligências. Numa comunidade de fazendeiros no interior do Nebraska, três mulheres casadas perdem a sanidade de uma hora para outra, tornando-se um estorvo para seus maridos fazendeiros. Como não havia hospitais psiquiátricos naquela época, o trio tem de ser levado para Iowa, onde Altha Carter (Meryl Streep), esposa do pastor local, aceitou acolhê-las e tratá-las. Como não tem marido ou filhos, a solteirona Mary Bee Cuddy (Hilary Swank) é escolhida pela comunidade para conduzir as mulheres até Iowa, numa viagem de pelo menos seis semanas de duração. Durante os preparativos, Mary conhece George Biggs (Tommy Lee Jones), um bêbado desertor do exército que topa acompanhá-la. O filme quase inteiro é dedicado a mostrar essa viagem cheia de dificuldades e perigos, entre os quais os índios e o rigoroso inverno, além, claro, do sufoco que é cuidar de três mulheres completamente fora de sintonia. O elenco conta ainda com John Lithgow, James Spader, Sonja Richter, Hailee Steinfeld, Miranda Otto e Graça Gummer.                                             

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

“O DISCÍPULO” (“Lärjungen”), 2013, é um ótimo drama finlandês. A história é inteiramente ambientada na Ilha Lagskär, no Mar Báltico. Hasselbond (Nicklas Groudstroem) é o responsável pelo farol existente na ilha. Ele mora com a mulher Dorrit (Amanda Ooms) e um casal de filhos, Emma e Gustav. Hasselbond é bastante rígido – e muitas vezes violento – com a família. A rotina é quebrada quando chega à ilha o jovem Karl Berg (Erik Lönngren), enviado do continente para cumprir o papel de assistente do faroleiro e aprender o ofício. Criado num orfanato, Karl vê em Hasselbond o pai que nunca teve e se esforça ao máximo para agradá-lo. O faroleiro titular acaba adotando Karl como se fosse seu próprio filho, atraindo o ciúme de Gustav (Patrik Kumpulainen). Aliás, a família guarda a sete chaves um segredo envolvendo um filho que já morreu e que era o xodó de Hasselbond. Apesar dos conflitos familiares, a diretora Ulrika Bengts soube amenizar o clima pesado com alguma sensibilidade, principalmente no que se refere ao relacionamento de Karl com a sofrida e submissa Dorrit. Ulrika também soube explorar, com uma excelente fotografia, o cenário esplendoroso da ilha. O filme estreou em agosto de 2013 no Montreal World Film Festival e representou a Finlândia no Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro. Um filme que merece ser conferido.           

terça-feira, 28 de outubro de 2014

 

“KAREN CHORA NO ÔNIBUS” (“Karen Llora em un Bus”), 2010, é um drama colombiano que conta a história de Karen (Ángela Carriozosa Aparício), que tenta organizar sua nova vida depois de um casamento de 10 anos com Mário (Edgar Alexen). Ela decidiu se separar e agora quer seguir o seu próprio caminho, sem depender mais do dinheiro do marido e começando por tentar arrumar um emprego. Só que tem um problema: ela nunca trabalhou e não tem nenhuma qualificação profissional. Fica ainda mais difícil pelo fato de ter passado dos 30. Mesmo morando num pardieiro cheio de baratas e sem água quente no chuveiro coletivo, além de não ter dinheiro nem para comer, ela recusa o convite da mãe para voltar a morar em sua antiga casa. O ex-marido ainda tenta uma reaproximação, mas Karen também recusa. São as únicas atitudes que ainda lhe restam do seu orgulho. Para conseguir dinheiro para comer, ela adota certas atitudes humilhantes. Com a ajuda de sua nova amiga Patrícia (María Angélica Sánchez) e de um namorado, Karen tentará dar a volta por cima e recomeçar. Apesar do título estranho (refere-se à cena inicial do filme, quando Karen aparece chorando num ônibus), o filme é bastante interessante, valorizado pelo surpreendente desempenho da atriz estreante Ángela Carriozosa no papel principal. Dirigido pelo também estreante Gabriel Rojas, o filme foi lançado no Festival de Cinema de Berlim/2011 e exibido em vários festivais pelo mundo afora. A crítica ficou dividida: uns elogiaram, outros não gostaram. Em casos como esse, é melhor assistir e tirar suas próprias conclusões.                                                                                                       

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

“FUGA PELA VIDA” (“La Proie”), 2011, dirigido por Eric Valette, é mais um bom policial francês, embora exageradamente trágico e com um final sentimentalóide demais, mas conta com todos os clichês do gênero: tem muita ação, pancadaria, tiros e perseguições. Trata-se da história de Franck Adrien (Albert Dupontel, de “Uma Juíza sem Juízo”), que assaltou um banco e agora está preso. Só ele e sua mulher Anna (Caterina Murino) sabem onde está escondido o dinheiro roubado. Seu companheiro de cela é Jean-Louis Maurel (Stéphane Debac), preso por ter estuprado uma adolescente. Quando outros presos tentam matar Jean-Louis, Franck sai em sua defesa e, depois da briga, pega mais seis meses de cana. Jean-Louis é solto por causa de um depoimento comprado, e, em liberdade, vai voltar à ativa. Logo depois, Franck consegue fugir aproveitando-se de uma confusão. A detetive Claire Linné (Alice Taglioni, de “Paris-Manhattan”) é encarregada de chefiar a caçada ao fugitivo, que, para piorar, agora é acusado de assassinatos que não cometeu. No fim, é claro, a verdade prevalecerá. Mas até lá o personagem de Franck vai sofrer na pele – e nos ossos – todo tipo de dor. Durante o filme inteiro, ele é espancado, torturado (o tímpano direito é perfurado com uma chave de fenda) e baleado várias vezes. Como John McClane, personagem de Bruce Willis, Franck também é “Duro de Matar”.                                                                                                
“O DESPERTAR DOS DEUSES” (“Prisioners of the Sun”), EUA, 2013, é um filme de aventura e ação dirigido por Roger Christian. A história é mirabolante: grupo de arqueólogos está no deserto do Egito à procura da pirâmide da princesa Amanphur. Por um incrível golpe de sorte, uma violenta tempestade de areia simplesmente faz emergir a pirâmide. Apesar de toda lenda de perigos e maldições, é formada uma expedição, chefiada pelo Professor Hayden Masterton (John Rhys Davies), para explorar o interior da pirâmide. Em determinado dia e hora, segundo os hieróglifos, uma conjunção de estrelas fará com que uma luz penetre a pirâmide para revelar os seus segredos. O filme tem todos os clichês dos filmes do gênero: superstições, lendas egípcias, tesouros escondidos, armadilhas, sustos, romance, vilões, múmias que revivem etc. Lançado no Brasil diretamente em DVD, o filme tem no elenco, além de John Rhys, David Charvet, Emily Holmes, Carmen Chaplin (neta do gênio), Nick Moran e Joss Ackland. Bom programa para uma sessão da tarde.                 

domingo, 26 de outubro de 2014

“ELDORADO - EM BUSCA DA CIDADE DO OURO” (“Eldorado - City of the Gold”), 2010, EUA, direção de Terry Cunninghan, é um filme de aventuras na linha Indiana Jones e outros do gênero. Não tão bom, mas é bem produzido, a história é legal e, o que é mais importante nesses filmes, tem bastante ação. Enfim, um bom programa para uma sessão da tarde. Aqui, o herói é o arqueólogo Jack Wilder (Shane West), que, juntamente com os parceiros aventureiros Maria (Natalie Martinez) e Gordon (Elson Henson), segue algumas evidências arqueológicas que dão conta da existência da cidade lendária de Eldorado, no Peru, conhecida também como a “Cidade do Ouro”. Só que eles não estão sozinhos nessa busca. O time de bandidos conta com um mercenário sádico contratado por gente de Wall Street, um general do exército peruano corrupto e ainda um poderoso traficante de drogas, todos a fim de roubar o ouro dos peruanos. O filme é bastante movimentado do começo ao fim.  O aspecto negativo é o ator Shane West, excessivamente canastrão e péssimo ator, muito longe – a anos-luz – de Harrison Ford, por exemplo. Em compensação, a atriz Natalie Martinez, descendente de cubanos, esbanja beleza, charme e gostosura. Certamente, logo estará na fila para ser a nova Jennifer Lopez ou Salma Hayek de Hollywood. Importante salientar que o filme é o segundo episódio da série “Eldorado”, sendo que o primeiro é “Eldorado - Em Busca do Templo Perdido”, ambos produzidos em 2010. Dá pra ver os dois, um após o outro, sem dar sono.                                                                                         
“JIMMY P.”, 2013, co-produção França/EUA, é o primeiro filme dirigido pelo francês Arnaud Desplechin em língua inglesa. A história é baseada no livro “Reality and Dream: Psychotherapy of a Plains Indian”, escrito em 1951 pelo psicólogo e antropólogo húngaro Georges Devereux. (seu verdadeiro nome era György Dobó, mas ele mudou por admirar a cultura francesa). A história é baseada nos fatos reais que envolveram o índio norte-americano Jimmy “Blackfoot” Picardi e Devereux. Ambientado em 1948, o filme começa com Jimmy (Benício Del Toro) se queixando de fortes dores de cabeça, perda de audição e cegueira temporária. Ele é internado num hospital militar no Kansas e uma junta médica, após rigorosos e detalhados exames, não encontra nenhum problema fisiológico. Os médicos acreditam que ele deve estar sofrendo algum trauma psicológico por ter sido ferido na cabeça durante a 2ª Grande Guerra. Até aventam a hipótese de esquizofrenia. O psicólogo Devereux (Mathieu Amalric), que também é especialista em culturas indígenas, é contratado para acompanhar o caso de Jimmy. A partir da chegada de Deveraux ao hospital, o filme se arrasta nas intermináveis – e muitas vezes enfadonhas - conversas entre ele e Jimmy. O forte sotaque dos dois também pode causar irritação: de um lado, o indígena de Jimmy e, do outro, o húngaro de Deveraux (dá pra imaginar como se comunicavam...). O psicólogo chegará à conclusão de que os problemas de Jimmy remontam a um período bem anterior à 2ª Guerra. O filme é mais interessante do que bom e deve interessar principalmente aos estudantes de Psicologia.                               

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

“SOB O DOMÍNIO DO MAL” (“The Manchurian Candidate”), 2004, é um suspense baseado no livro homônimo escrito em 1959 por Richard Condon. O enredo é meio fantasioso, meio ficção científica. Meio complicado também. Nesta segunda adaptação para o cinema – a primeira foi em 1962 – a história tem como protagonista principal o capitão Ben Marco (Denzel Wahington), que comandava um pelotão no Iraque durante a Guerra do Golfo. Um dos integrantes do grupo era o soldado Raymond Shaw (Liv Schreiber), aclamado e condecorado como herói de guerra por ter salvo o pelotão de um massacre. Treze anos se passam e um dos soldados do grupo entra em contato com o capitão Ben Marco afirmando que está tendo alguns pesadelos nos quais aparecem imagens e situações que contrariam a versão oficial sobre o ato de coragem do soldado Shaw, que é filho da poderosa senadora Prentiss Shaw (Meryl Streep) e candidato à vice-presidência dos EUA. O capitão também tem os mesmos pesadelos. Depois de achar um microchip implantado em suas costas, o capitão Ben Marco passa a acreditar que ele e seus soldados sofreram um tipo de lavagem cerebral. Aí a confusão se estabelece, inclusive na cabeça do espectador, graças à complexidade do roteiro. Além da câmera nervosa, todos os personagens se comportam no limite do histerismo e da neurose, o que incrementa ainda mais o clima de um verdadeiro thriller. O diretor é Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia”) e o elenco ainda conta com John Voight (o pai de Angelina Jolie), Vera Farmiga e Bruno Ganz. Não deixa de ser um filme bastante  interessante, mas, repito, um tanto confuso.                             

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

“CURVAS” (“Bends”), 2012, é um filme de Hong Kong dirigido por Flora Lau. Ganhou destaque por ter sido selecionado para a Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013. A começar pelo fato de ser asiático, é o tipo de filme que os críticos profissionais adoram: é lento, tem poucos diálogos e não explica muito. A história é centrada no jovem Fai (Kun Chen), motorista particular de uma madame da alta sociedade de Hong Kong, Anna (a ótima Carina Lau). Ao mesmo tempo em que acompanha, silenciosamente, a decadência da patroa, Fai vive o dilema de conseguir uma vaga num hospital em Hong Kong para sua esposa ter o segundo filho e fugir da multa imposta, nesses casos, pela China – Fai e a esposa moram em Shenzhen, na China, próximo à fronteira com a ex-colônia inglesa. O grande destaque do filme é, sem dúvida, a atriz Carina Lau, estupenda no papel da madame falida. Sua interpretação é soberba quando tem de manter a pose de madame sem transparecer que está totalmente falida, pois seu marido, ao sumir do mapa, cortou seus cartões de crédito. Anna é obrigada a vender suas valiosas obras de arte. Nega-se, porém, a deixar de lado o status de seu luxuoso veículo e o motorista particular (Fai), única pessoa, aliás, à qual Anna mostra um pouco de humildade e seu verdadeiro sentimento de derrota. Não deixa de ser um filme interessante, principalmente para aqueles que curtem o gênero “Cinema de Arte”.                      

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

 
“QUANDO EU TE VI” (“Lamma Shoftak”), 2012, foi o candidato oficial da Palestina na disputa do Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. Trata-se de um drama bastante tocante, principalmente porque o protagonista principal é um garoto de 11 anos de idade, Tarek (Mahmoud Asfa). Ele mora com a mãe Guaydaa (Ruba Blal) no campo de refugiados palestinos de Harir, na Jordânia. Ambientado em 1967, durante o conflito entre árabes e israelenses, o filme mostra o dia-a-dia de Tarek e de sua mãe, ao mesmo tempo em que retrata, de forma quase documental, as condições enfrentadas por quem vive confinado num campo de refugiados. Tarek diz toda hora à mãe que se sente “sufocado” e quer ter a liberdade de retornar à Palestina para reencontrar o pai, que provavelmente está na zona de combate. Não dá outra: para desespero da mãe, o garoto foge do acampamento. No meio do caminho, encontra um campo de treinamento militar dos “fedayins” (guerrilheiros ou, para Israel, terroristas). Tarek ganha a simpatia do pessoal e acaba participando também dos treinamentos. Embora plenamente integrado ao grupo, Tarek continua desejando voltar à Palestina. E não descansará até alcançar esse objetivo. O filme é dirigido pela palestina Annemarie Jacir (do elogiado “Sal deste Mar”), que conseguiu transformar um enredo potencialmente dramático e pesado, num filme bastante sensível e agradável. Grande parte desse mérito cabe, sem dúvida, à irreverência e simpatia do garoto.               

domingo, 19 de outubro de 2014

“JERSEY BOYS”, 2014. O novo filme dirigido por Clint Eastwood conta a história de um dos grupos vocais de maior sucesso nos EUA, e no mundo, nas décadas de 50 e 60: “The Four Seasons”. O grupo, inicialmente um trio (The Variety Trio), fundado em 1951 por Tommy DeVitto (Vincent Piazza), tocava e cantava em espeluncas. Nas horas vagas, seus integrantes praticavam assaltos em New Jersey, fato que originou o título do filme. Com a entrada de Frankie Valli (John Lloyd Young), um talento vocal incomum, a banda passou a se chamar “The Four Lovers” e, logo depois, “The Four Seasons”. As músicas eram compostas por Bob Gaudio (Erich Bergen), o mais novo integrante da banda. A trajetória do grupo, como mostra o filme de Eastwood, é repleta de desentendimentos, traições, egos inflados, ligações com a Máfia, conflitos conjugais e muitas atitudes irresponsáveis, principalmente por parte de Tommy DeVitto. Eastwood recheia o filme de números musicais, com o grupo sempre no palco ou em estúdio cantando hits como “Sherry”, “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man”, "Can't Take my Eyes off You" e tantos outros. Com exceção de Christopher Walken (ótimo como sempre), que faz o papel do mafioso Angelo “Gip” DeCarlo, todos os atores principais são os mesmos que participaram do musical homônimo que ficou em cartaz durante anos na Broadway e no qual se baseou o filme. Se a trilha musical dos “The Four Seasons” já é uma delícia, principalmente para quem tem mais de 60, o desfecho reservou uma cena que é a verdadeira cereja no bolo: todo o elenco cantando e dançando na rua o hit “Eapon of Choice”, de Fatboy Slim. Quem sabe uma homenagem de Eastwood aos musicais de Hollywood.           

sábado, 18 de outubro de 2014

“RIO SEX COMEDY”, 2010, é uma co-produção França/Brasil idealizada pelo diretor Jonathan Nossiter com o objetivo de retratar a cidade do Rio de Janeiro por três ângulos diferentes: a obsessão dos cariocas pelo corpo (cirurgias plásticas), a vida nas favelas (criminalidade) e a relação entre domésticas e patrões (desigualdade social). A ideia poderia originar um filme interessante, mas resultou num retrato politicamente incorreto da Cidade Maravilhosa, que virou uma casa da Maria Joana, com muita nudez e baixaria generalizada, incluindo índios, traficantes e prostitutas como se fizessem parte obrigatória do cotidiano da cidade. Não deixa de ser também um chamariz para o turismo sexual. O filme, na verdade, parece uma pornochanchada multinacional do mais baixo nível. Custa acreditar que atores do nível de Bill Pullman, Charlotte Rampling e Irène Jacob, entre outros, tenham participado dessa verdadeira bomba a nível atômico. Provavelmente tenham ficado bastante constrangidos com o resultado final. O diretor norte-americano Jonathan Nossiter é casado com uma brasileira e mora no Rio de Janeiro há vários anos. Merecia ser extraditado...       
“THE SILENT MOUNTAIN” (ainda sem tradução por aqui), é uma co-produção EUA/Áustria/Itália de 2013, direção de Ernst Gossner. Trata-se de um drama romântico que tem como pano de fundo a 1ª Guerra Mundial e, em particular, o conflito entre Itália e Áustria. O ano é 1915. Andreas (William Mosely) e Francesca (Eugenia Constantini) se conhecem e se apaixonam durante a festa de casamento dos respectivos irmãos. Do lado da noiva e de Andreas, a família Gruber, austríaca. Do lado do noivo, a família italiana Calzolari. O cenário da festa é um hotel de luxo pertencente à família Gruber, localizado nas proximidades da fronteira com a Itália. Durante as comemorações, alguém interrompe a música e anuncia que a Itália declarou guerra à Áustria. Pronto, acabou a festa. Os italianos (chamados de woich pelos austríacos) são praticamente expulsos do casamento, incluindo o noivo, e fogem apressadamente de volta à Itália. Francesca decide ficar, pois em seu país seria enviada para um severo colégio de freiras. Andreas a esconde num quarto isolado do hotel com a promessa de ficarem juntos para sempre. Só que Andreas é convocado para a guerra e o casal se separa. A partir daí, o filme se concentra nos combates ocorridos nas Montanhas Dolomitas (Alpes), na região fronteiriça com a Itália, onde está o batalhão de Andreas. Enquanto espera pela volta de Andreas, Francesca é descoberta e sofrerá nas mãos dos austríacos. Sua salvação depende do retorno de Andreas. O filme inteiro é levado em clima de novelão e nem mesmo as cenas de guerra conseguem deixá-lo interessante. Como curiosidade, vale citar a (pequena) participação da musa Cláudia Cardinale (quem diria!) no papel de avó.            

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O drama espanhol “ESCORPIÃO APAIXONADO” (“Alacrán Enamorado”), 2013, direção de Santiago A. Zannou, conta a história do jovem Julián López (Álex Gonzalez), um lutador de boxe amador que integra, nas horas vagas, um grupo de neonazistas. Ele sai à noite com seus companheiros  espancando imigrantes e destruindo suas lojas. O grupo tem como mentor um grande e poderoso empresário chamado Solís (Javier Bardem). Ao saber das atividades criminosas de Julián, seu treinador, Carlo Monte (Carlos Bardem, irmão de Javier), o expulsa da academia.  Mas Julián tem o sonho de ser um boxeador profissional e, para isso, deixa de lado o grupo de neonazistas, ganhando a confiança de Carlo Monte. Em sua volta aos treinos, Julián se apaixona por Alyssa (Judith Diakhate), imigrante latina que trabalha como recepcionista na academia, o que vai deixar seus amigos racistas ainda mais raivosos, pois ela é negra. O filme é bastante violento e não economiza porrada, dentro e fora do ringue. As agressões aos imigrantes são um tanto realistas demais e podem chocar quem tem o estómago fraco. Apesar disso, o filme conta uma boa história com ação e romance, conta com um bom elenco e ainda com o aval da presença de Javier Bardem, ator que não faria qualquer porcaria. Funciona muito bem como entretenimento e também como filme-denúncia de como certos países europeus tratam os imigrantes. Enfim, uma boa surpresa espanhola.