sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Depois de mudar da telinha (“Friends”) para a telona, a atriz Jennifer Aniston participou de alguns filmes razoáveis e de outros medíocres. Em nenhum deles, ela conseguiu um papel à altura do seu indiscutível talento. Na recém-lançada comédia “VIDA DE CRIME” (“Life of Crime”), de 2013, ela interpreta Mickey, esposa de Frank Dawson (Tim Robbins), um empresário milionário arrogante, embusteiro e mulherengo. Além de tratar a esposa como lixo, ele esconde dela uma conta secreta num paraíso fiscal. Milhões de dólares desviados em falcatruas diversas. Habituado a ostentar, Mickey atrai a atenção de dois marginais, Louis (John Hawkes) e Ordel Robbie (Mos Def), que acabam sequestrando Mickey e pedem a Frank, como resgate, nada menos do que 1 milhão de dólares. Só que a negociação não dá certo, primeiro porque, dois dias antes, Frank havia assinado os papéis do divórcio. Segundo, ao negociar com os sequestradores, Frank estava ao lado de sua amante Melanie (Isla Fisher), à qual havia prometido casamento. A confusão está armada, com direito a uma reviravolta inesperada e surpreendente no final. O roteiro foi baseado em romance de Elmore Leonard, um dos melhores escritores de livros policiais da atualidade. Sem dúvida, um ótimo entretenimento.                                           

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

“THE HOMESMAN” (ainda sem tradução por aqui) é o terceiro filme dirigido pelo ator Tommy Lee Jones. Estreou no Festival de Cannes 2014, concorrendo à Palma de Ouro. Talvez seja indicado para disputar algumas categorias do Oscar 2015. Não que seja um grande filme. Quem sabe concorra aos prêmios de Melhor Atriz (Hilary Swank) e Melhor Ator (Tommy Lee Jones), no máximo. A história, baseada no livro “The Chariot of the Damned”, de Glendon Swarthout, é ambientada em 1854, portanto, no tempo das diligências. Numa comunidade de fazendeiros no interior do Nebraska, três mulheres casadas perdem a sanidade de uma hora para outra, tornando-se um estorvo para seus maridos fazendeiros. Como não havia hospitais psiquiátricos naquela época, o trio tem de ser levado para Iowa, onde Altha Carter (Meryl Streep), esposa do pastor local, aceitou acolhê-las e tratá-las. Como não tem marido ou filhos, a solteirona Mary Bee Cuddy (Hilary Swank) é escolhida pela comunidade para conduzir as mulheres até Iowa, numa viagem de pelo menos seis semanas de duração. Durante os preparativos, Mary conhece George Biggs (Tommy Lee Jones), um bêbado desertor do exército que topa acompanhá-la. O filme quase inteiro é dedicado a mostrar essa viagem cheia de dificuldades e perigos, entre os quais os índios e o rigoroso inverno, além, claro, do sufoco que é cuidar de três mulheres completamente fora de sintonia. O elenco conta ainda com John Lithgow, James Spader, Sonja Richter, Hailee Steinfeld, Miranda Otto e Graça Gummer.                                             

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

“O DISCÍPULO” (“Lärjungen”), 2013, é um ótimo drama finlandês. A história é inteiramente ambientada na Ilha Lagskär, no Mar Báltico. Hasselbond (Nicklas Groudstroem) é o responsável pelo farol existente na ilha. Ele mora com a mulher Dorrit (Amanda Ooms) e um casal de filhos, Emma e Gustav. Hasselbond é bastante rígido – e muitas vezes violento – com a família. A rotina é quebrada quando chega à ilha o jovem Karl Berg (Erik Lönngren), enviado do continente para cumprir o papel de assistente do faroleiro e aprender o ofício. Criado num orfanato, Karl vê em Hasselbond o pai que nunca teve e se esforça ao máximo para agradá-lo. O faroleiro titular acaba adotando Karl como se fosse seu próprio filho, atraindo o ciúme de Gustav (Patrik Kumpulainen). Aliás, a família guarda a sete chaves um segredo envolvendo um filho que já morreu e que era o xodó de Hasselbond. Apesar dos conflitos familiares, a diretora Ulrika Bengts soube amenizar o clima pesado com alguma sensibilidade, principalmente no que se refere ao relacionamento de Karl com a sofrida e submissa Dorrit. Ulrika também soube explorar, com uma excelente fotografia, o cenário esplendoroso da ilha. O filme estreou em agosto de 2013 no Montreal World Film Festival e representou a Finlândia no Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro. Um filme que merece ser conferido.           

terça-feira, 28 de outubro de 2014

 

“KAREN CHORA NO ÔNIBUS” (“Karen Llora em un Bus”), 2010, é um drama colombiano que conta a história de Karen (Ángela Carriozosa Aparício), que tenta organizar sua nova vida depois de um casamento de 10 anos com Mário (Edgar Alexen). Ela decidiu se separar e agora quer seguir o seu próprio caminho, sem depender mais do dinheiro do marido e começando por tentar arrumar um emprego. Só que tem um problema: ela nunca trabalhou e não tem nenhuma qualificação profissional. Fica ainda mais difícil pelo fato de ter passado dos 30. Mesmo morando num pardieiro cheio de baratas e sem água quente no chuveiro coletivo, além de não ter dinheiro nem para comer, ela recusa o convite da mãe para voltar a morar em sua antiga casa. O ex-marido ainda tenta uma reaproximação, mas Karen também recusa. São as únicas atitudes que ainda lhe restam do seu orgulho. Para conseguir dinheiro para comer, ela adota certas atitudes humilhantes. Com a ajuda de sua nova amiga Patrícia (María Angélica Sánchez) e de um namorado, Karen tentará dar a volta por cima e recomeçar. Apesar do título estranho (refere-se à cena inicial do filme, quando Karen aparece chorando num ônibus), o filme é bastante interessante, valorizado pelo surpreendente desempenho da atriz estreante Ángela Carriozosa no papel principal. Dirigido pelo também estreante Gabriel Rojas, o filme foi lançado no Festival de Cinema de Berlim/2011 e exibido em vários festivais pelo mundo afora. A crítica ficou dividida: uns elogiaram, outros não gostaram. Em casos como esse, é melhor assistir e tirar suas próprias conclusões.                                                                                                       

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

“FUGA PELA VIDA” (“La Proie”), 2011, dirigido por Eric Valette, é mais um bom policial francês, embora exageradamente trágico e com um final sentimentalóide demais, mas conta com todos os clichês do gênero: tem muita ação, pancadaria, tiros e perseguições. Trata-se da história de Franck Adrien (Albert Dupontel, de “Uma Juíza sem Juízo”), que assaltou um banco e agora está preso. Só ele e sua mulher Anna (Caterina Murino) sabem onde está escondido o dinheiro roubado. Seu companheiro de cela é Jean-Louis Maurel (Stéphane Debac), preso por ter estuprado uma adolescente. Quando outros presos tentam matar Jean-Louis, Franck sai em sua defesa e, depois da briga, pega mais seis meses de cana. Jean-Louis é solto por causa de um depoimento comprado, e, em liberdade, vai voltar à ativa. Logo depois, Franck consegue fugir aproveitando-se de uma confusão. A detetive Claire Linné (Alice Taglioni, de “Paris-Manhattan”) é encarregada de chefiar a caçada ao fugitivo, que, para piorar, agora é acusado de assassinatos que não cometeu. No fim, é claro, a verdade prevalecerá. Mas até lá o personagem de Franck vai sofrer na pele – e nos ossos – todo tipo de dor. Durante o filme inteiro, ele é espancado, torturado (o tímpano direito é perfurado com uma chave de fenda) e baleado várias vezes. Como John McClane, personagem de Bruce Willis, Franck também é “Duro de Matar”.                                                                                                
“O DESPERTAR DOS DEUSES” (“Prisioners of the Sun”), EUA, 2013, é um filme de aventura e ação dirigido por Roger Christian. A história é mirabolante: grupo de arqueólogos está no deserto do Egito à procura da pirâmide da princesa Amanphur. Por um incrível golpe de sorte, uma violenta tempestade de areia simplesmente faz emergir a pirâmide. Apesar de toda lenda de perigos e maldições, é formada uma expedição, chefiada pelo Professor Hayden Masterton (John Rhys Davies), para explorar o interior da pirâmide. Em determinado dia e hora, segundo os hieróglifos, uma conjunção de estrelas fará com que uma luz penetre a pirâmide para revelar os seus segredos. O filme tem todos os clichês dos filmes do gênero: superstições, lendas egípcias, tesouros escondidos, armadilhas, sustos, romance, vilões, múmias que revivem etc. Lançado no Brasil diretamente em DVD, o filme tem no elenco, além de John Rhys, David Charvet, Emily Holmes, Carmen Chaplin (neta do gênio), Nick Moran e Joss Ackland. Bom programa para uma sessão da tarde.                 

domingo, 26 de outubro de 2014

“ELDORADO - EM BUSCA DA CIDADE DO OURO” (“Eldorado - City of the Gold”), 2010, EUA, direção de Terry Cunninghan, é um filme de aventuras na linha Indiana Jones e outros do gênero. Não tão bom, mas é bem produzido, a história é legal e, o que é mais importante nesses filmes, tem bastante ação. Enfim, um bom programa para uma sessão da tarde. Aqui, o herói é o arqueólogo Jack Wilder (Shane West), que, juntamente com os parceiros aventureiros Maria (Natalie Martinez) e Gordon (Elson Henson), segue algumas evidências arqueológicas que dão conta da existência da cidade lendária de Eldorado, no Peru, conhecida também como a “Cidade do Ouro”. Só que eles não estão sozinhos nessa busca. O time de bandidos conta com um mercenário sádico contratado por gente de Wall Street, um general do exército peruano corrupto e ainda um poderoso traficante de drogas, todos a fim de roubar o ouro dos peruanos. O filme é bastante movimentado do começo ao fim.  O aspecto negativo é o ator Shane West, excessivamente canastrão e péssimo ator, muito longe – a anos-luz – de Harrison Ford, por exemplo. Em compensação, a atriz Natalie Martinez, descendente de cubanos, esbanja beleza, charme e gostosura. Certamente, logo estará na fila para ser a nova Jennifer Lopez ou Salma Hayek de Hollywood. Importante salientar que o filme é o segundo episódio da série “Eldorado”, sendo que o primeiro é “Eldorado - Em Busca do Templo Perdido”, ambos produzidos em 2010. Dá pra ver os dois, um após o outro, sem dar sono.                                                                                         
“JIMMY P.”, 2013, co-produção França/EUA, é o primeiro filme dirigido pelo francês Arnaud Desplechin em língua inglesa. A história é baseada no livro “Reality and Dream: Psychotherapy of a Plains Indian”, escrito em 1951 pelo psicólogo e antropólogo húngaro Georges Devereux. (seu verdadeiro nome era György Dobó, mas ele mudou por admirar a cultura francesa). A história é baseada nos fatos reais que envolveram o índio norte-americano Jimmy “Blackfoot” Picardi e Devereux. Ambientado em 1948, o filme começa com Jimmy (Benício Del Toro) se queixando de fortes dores de cabeça, perda de audição e cegueira temporária. Ele é internado num hospital militar no Kansas e uma junta médica, após rigorosos e detalhados exames, não encontra nenhum problema fisiológico. Os médicos acreditam que ele deve estar sofrendo algum trauma psicológico por ter sido ferido na cabeça durante a 2ª Grande Guerra. Até aventam a hipótese de esquizofrenia. O psicólogo Devereux (Mathieu Amalric), que também é especialista em culturas indígenas, é contratado para acompanhar o caso de Jimmy. A partir da chegada de Deveraux ao hospital, o filme se arrasta nas intermináveis – e muitas vezes enfadonhas - conversas entre ele e Jimmy. O forte sotaque dos dois também pode causar irritação: de um lado, o indígena de Jimmy e, do outro, o húngaro de Deveraux (dá pra imaginar como se comunicavam...). O psicólogo chegará à conclusão de que os problemas de Jimmy remontam a um período bem anterior à 2ª Guerra. O filme é mais interessante do que bom e deve interessar principalmente aos estudantes de Psicologia.                               

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

“SOB O DOMÍNIO DO MAL” (“The Manchurian Candidate”), 2004, é um suspense baseado no livro homônimo escrito em 1959 por Richard Condon. O enredo é meio fantasioso, meio ficção científica. Meio complicado também. Nesta segunda adaptação para o cinema – a primeira foi em 1962 – a história tem como protagonista principal o capitão Ben Marco (Denzel Wahington), que comandava um pelotão no Iraque durante a Guerra do Golfo. Um dos integrantes do grupo era o soldado Raymond Shaw (Liv Schreiber), aclamado e condecorado como herói de guerra por ter salvo o pelotão de um massacre. Treze anos se passam e um dos soldados do grupo entra em contato com o capitão Ben Marco afirmando que está tendo alguns pesadelos nos quais aparecem imagens e situações que contrariam a versão oficial sobre o ato de coragem do soldado Shaw, que é filho da poderosa senadora Prentiss Shaw (Meryl Streep) e candidato à vice-presidência dos EUA. O capitão também tem os mesmos pesadelos. Depois de achar um microchip implantado em suas costas, o capitão Ben Marco passa a acreditar que ele e seus soldados sofreram um tipo de lavagem cerebral. Aí a confusão se estabelece, inclusive na cabeça do espectador, graças à complexidade do roteiro. Além da câmera nervosa, todos os personagens se comportam no limite do histerismo e da neurose, o que incrementa ainda mais o clima de um verdadeiro thriller. O diretor é Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia”) e o elenco ainda conta com John Voight (o pai de Angelina Jolie), Vera Farmiga e Bruno Ganz. Não deixa de ser um filme bastante  interessante, mas, repito, um tanto confuso.                             

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

“CURVAS” (“Bends”), 2012, é um filme de Hong Kong dirigido por Flora Lau. Ganhou destaque por ter sido selecionado para a Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013. A começar pelo fato de ser asiático, é o tipo de filme que os críticos profissionais adoram: é lento, tem poucos diálogos e não explica muito. A história é centrada no jovem Fai (Kun Chen), motorista particular de uma madame da alta sociedade de Hong Kong, Anna (a ótima Carina Lau). Ao mesmo tempo em que acompanha, silenciosamente, a decadência da patroa, Fai vive o dilema de conseguir uma vaga num hospital em Hong Kong para sua esposa ter o segundo filho e fugir da multa imposta, nesses casos, pela China – Fai e a esposa moram em Shenzhen, na China, próximo à fronteira com a ex-colônia inglesa. O grande destaque do filme é, sem dúvida, a atriz Carina Lau, estupenda no papel da madame falida. Sua interpretação é soberba quando tem de manter a pose de madame sem transparecer que está totalmente falida, pois seu marido, ao sumir do mapa, cortou seus cartões de crédito. Anna é obrigada a vender suas valiosas obras de arte. Nega-se, porém, a deixar de lado o status de seu luxuoso veículo e o motorista particular (Fai), única pessoa, aliás, à qual Anna mostra um pouco de humildade e seu verdadeiro sentimento de derrota. Não deixa de ser um filme interessante, principalmente para aqueles que curtem o gênero “Cinema de Arte”.                      

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

 
“QUANDO EU TE VI” (“Lamma Shoftak”), 2012, foi o candidato oficial da Palestina na disputa do Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. Trata-se de um drama bastante tocante, principalmente porque o protagonista principal é um garoto de 11 anos de idade, Tarek (Mahmoud Asfa). Ele mora com a mãe Guaydaa (Ruba Blal) no campo de refugiados palestinos de Harir, na Jordânia. Ambientado em 1967, durante o conflito entre árabes e israelenses, o filme mostra o dia-a-dia de Tarek e de sua mãe, ao mesmo tempo em que retrata, de forma quase documental, as condições enfrentadas por quem vive confinado num campo de refugiados. Tarek diz toda hora à mãe que se sente “sufocado” e quer ter a liberdade de retornar à Palestina para reencontrar o pai, que provavelmente está na zona de combate. Não dá outra: para desespero da mãe, o garoto foge do acampamento. No meio do caminho, encontra um campo de treinamento militar dos “fedayins” (guerrilheiros ou, para Israel, terroristas). Tarek ganha a simpatia do pessoal e acaba participando também dos treinamentos. Embora plenamente integrado ao grupo, Tarek continua desejando voltar à Palestina. E não descansará até alcançar esse objetivo. O filme é dirigido pela palestina Annemarie Jacir (do elogiado “Sal deste Mar”), que conseguiu transformar um enredo potencialmente dramático e pesado, num filme bastante sensível e agradável. Grande parte desse mérito cabe, sem dúvida, à irreverência e simpatia do garoto.               

domingo, 19 de outubro de 2014

“JERSEY BOYS”, 2014. O novo filme dirigido por Clint Eastwood conta a história de um dos grupos vocais de maior sucesso nos EUA, e no mundo, nas décadas de 50 e 60: “The Four Seasons”. O grupo, inicialmente um trio (The Variety Trio), fundado em 1951 por Tommy DeVitto (Vincent Piazza), tocava e cantava em espeluncas. Nas horas vagas, seus integrantes praticavam assaltos em New Jersey, fato que originou o título do filme. Com a entrada de Frankie Valli (John Lloyd Young), um talento vocal incomum, a banda passou a se chamar “The Four Lovers” e, logo depois, “The Four Seasons”. As músicas eram compostas por Bob Gaudio (Erich Bergen), o mais novo integrante da banda. A trajetória do grupo, como mostra o filme de Eastwood, é repleta de desentendimentos, traições, egos inflados, ligações com a Máfia, conflitos conjugais e muitas atitudes irresponsáveis, principalmente por parte de Tommy DeVitto. Eastwood recheia o filme de números musicais, com o grupo sempre no palco ou em estúdio cantando hits como “Sherry”, “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man”, "Can't Take my Eyes off You" e tantos outros. Com exceção de Christopher Walken (ótimo como sempre), que faz o papel do mafioso Angelo “Gip” DeCarlo, todos os atores principais são os mesmos que participaram do musical homônimo que ficou em cartaz durante anos na Broadway e no qual se baseou o filme. Se a trilha musical dos “The Four Seasons” já é uma delícia, principalmente para quem tem mais de 60, o desfecho reservou uma cena que é a verdadeira cereja no bolo: todo o elenco cantando e dançando na rua o hit “Eapon of Choice”, de Fatboy Slim. Quem sabe uma homenagem de Eastwood aos musicais de Hollywood.           

sábado, 18 de outubro de 2014

“RIO SEX COMEDY”, 2010, é uma co-produção França/Brasil idealizada pelo diretor Jonathan Nossiter com o objetivo de retratar a cidade do Rio de Janeiro por três ângulos diferentes: a obsessão dos cariocas pelo corpo (cirurgias plásticas), a vida nas favelas (criminalidade) e a relação entre domésticas e patrões (desigualdade social). A ideia poderia originar um filme interessante, mas resultou num retrato politicamente incorreto da Cidade Maravilhosa, que virou uma casa da Maria Joana, com muita nudez e baixaria generalizada, incluindo índios, traficantes e prostitutas como se fizessem parte obrigatória do cotidiano da cidade. Não deixa de ser também um chamariz para o turismo sexual. O filme, na verdade, parece uma pornochanchada multinacional do mais baixo nível. Custa acreditar que atores do nível de Bill Pullman, Charlotte Rampling e Irène Jacob, entre outros, tenham participado dessa verdadeira bomba a nível atômico. Provavelmente tenham ficado bastante constrangidos com o resultado final. O diretor norte-americano Jonathan Nossiter é casado com uma brasileira e mora no Rio de Janeiro há vários anos. Merecia ser extraditado...       
“THE SILENT MOUNTAIN” (ainda sem tradução por aqui), é uma co-produção EUA/Áustria/Itália de 2013, direção de Ernst Gossner. Trata-se de um drama romântico que tem como pano de fundo a 1ª Guerra Mundial e, em particular, o conflito entre Itália e Áustria. O ano é 1915. Andreas (William Mosely) e Francesca (Eugenia Constantini) se conhecem e se apaixonam durante a festa de casamento dos respectivos irmãos. Do lado da noiva e de Andreas, a família Gruber, austríaca. Do lado do noivo, a família italiana Calzolari. O cenário da festa é um hotel de luxo pertencente à família Gruber, localizado nas proximidades da fronteira com a Itália. Durante as comemorações, alguém interrompe a música e anuncia que a Itália declarou guerra à Áustria. Pronto, acabou a festa. Os italianos (chamados de woich pelos austríacos) são praticamente expulsos do casamento, incluindo o noivo, e fogem apressadamente de volta à Itália. Francesca decide ficar, pois em seu país seria enviada para um severo colégio de freiras. Andreas a esconde num quarto isolado do hotel com a promessa de ficarem juntos para sempre. Só que Andreas é convocado para a guerra e o casal se separa. A partir daí, o filme se concentra nos combates ocorridos nas Montanhas Dolomitas (Alpes), na região fronteiriça com a Itália, onde está o batalhão de Andreas. Enquanto espera pela volta de Andreas, Francesca é descoberta e sofrerá nas mãos dos austríacos. Sua salvação depende do retorno de Andreas. O filme inteiro é levado em clima de novelão e nem mesmo as cenas de guerra conseguem deixá-lo interessante. Como curiosidade, vale citar a (pequena) participação da musa Cláudia Cardinale (quem diria!) no papel de avó.            

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O drama espanhol “ESCORPIÃO APAIXONADO” (“Alacrán Enamorado”), 2013, direção de Santiago A. Zannou, conta a história do jovem Julián López (Álex Gonzalez), um lutador de boxe amador que integra, nas horas vagas, um grupo de neonazistas. Ele sai à noite com seus companheiros  espancando imigrantes e destruindo suas lojas. O grupo tem como mentor um grande e poderoso empresário chamado Solís (Javier Bardem). Ao saber das atividades criminosas de Julián, seu treinador, Carlo Monte (Carlos Bardem, irmão de Javier), o expulsa da academia.  Mas Julián tem o sonho de ser um boxeador profissional e, para isso, deixa de lado o grupo de neonazistas, ganhando a confiança de Carlo Monte. Em sua volta aos treinos, Julián se apaixona por Alyssa (Judith Diakhate), imigrante latina que trabalha como recepcionista na academia, o que vai deixar seus amigos racistas ainda mais raivosos, pois ela é negra. O filme é bastante violento e não economiza porrada, dentro e fora do ringue. As agressões aos imigrantes são um tanto realistas demais e podem chocar quem tem o estómago fraco. Apesar disso, o filme conta uma boa história com ação e romance, conta com um bom elenco e ainda com o aval da presença de Javier Bardem, ator que não faria qualquer porcaria. Funciona muito bem como entretenimento e também como filme-denúncia de como certos países europeus tratam os imigrantes. Enfim, uma boa surpresa espanhola.          

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Há que curta filmes de curta-metragem. Para esse público, recomendo “TOQUE DE RECOLHER” (“Curfew), 2012, EUA, 19 minutos, vencedor do Oscar 2013 de Melhor Curta-Metragem. Shawn Christensen, ex-vocalista da banda de rock “Stellastarr”, assina o roteiro, a direção e ainda faz o papel principal dessa história bastante interessante, engraçada e criativa. Ele é Richie, um drogado fracassado que aparece, logo no início do filme, tentando se matar. Quando se preparava para cortar o pulso direito, toca o telefone e é sua irmã Maggie (Kim Allen), pedindo que ele cuide de sua sobrinha Sophia (Fatima Ptacek), de 9 anos, por algumas horas. Richie atende o pedido da irmã e vai passear com Sophia, uma menina muita esperta e simpática. Os diálogos entre o tio e sobrinha garantem momentos sensíveis e de muito humor. Uma ótima opção de entretenimento rápido para quem não tem paciência de ficar duas horas em frente à telinha. 
“A ETERNIDADE E UM DIA” (“Mia Aioniotita Ke Mia Mera”), 1997, co-produção França/Itália/Grécia, é um daqueles filmes com o carimbo “Cinema de Arte”. É lento e contemplativo demais, triste e melancólico, as cenas se arrastam, parecendo tornar ainda mais longos os seus 137 minutos de duração. A história é centrada no escritor Alexander (o ator Bruno Ganz, que atuou falando alemão e foi dublado em grego), que está gravemente enfermo e tem pouco tempo de vida. Ao separar seus objetos pessoais, ele encontra uma carta escrita por sua falecida esposa Anna (Isabella Renauld) há 30 anos. O texto da carta faz com que Alexander reative suas lembranças, voltando no tempo, revendo situações como as reuniões em família e sua relação apaixonada com Anna. Em meio a essas recordações (mostradas em flashbacks), Alexander conhece um menino albanês que se perdeu da família e quer voltar para a Albânia. Esta e outras situações permeiam pelo filme, como a destacada menção a Dionysios Solomos, o maior poeta romântico grego. O filme, dirigido por Theo Angelopoulos (“Um Olhar a Cada Dia”, “Paisagem na Neblina”), foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 1998.  O filme é visualmente muito bonito e tem uma ótima trilha sonora (composta por Eleni Karaindrou).   

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

“A QUALQUER PREÇO” (“A Civil Action”), lançado nos EUA em 1998, foi um dos vários filmes daquela década que exploraram ações jurídicas indenizatórias contra crimes ambientais. A história dessa produção dirigida por Steven Zaillian é inspirada em fatos reais que aconteceram nos anos 80. Oito mortes de crianças com leucemia aconteceram na cidade de Woburn (Massachusetts), ocasionadas - desconfiava-se – pela contaminação da água. Jan Schlichtmann (John Travolta), um arrogante advogado de Boston, assume o caso e ingressa com ação indenizatória contra duas grandes corporações. O filme mostra toda essa disputa judicial, incluindo as reuniões dos advogados das partes e seções no tribunal. No desfecho, a mensagem é bastante clara: a ética é tão importante quanto a observância das leis. O elenco é muito bom. Além de Travolta, estão Robert Duvall (indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por esse filme), John Lithgow, William H. Macy, Bruce Norris, Kathleen Quinlan e James Gandolfini ("Família Soprano"), além de uma ponta do diretor Sydney Pollack.                                                      

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Podem falar que Steven Seagal é um péssimo ator e que seus filmes são medíocres. Pura verdade. Mas uma coisa não se pode negar: pancadaria e ossos quebrados jamais faltarão. Filme com Seagal é sinônimo de muito bandido espancado, o que dá um certo prazer de ver. Neste “CONFRONTO FINAL” (“A Good Man”), 2012, recentemente lançado em DVD, Seagal está mais canastrão do que nunca. Ainda mais que resolveu adotar um cabelo pintado de preto grudado e bem rente ao couro cabeludo, lembrando um boneco de ventríloquo. Fora a voz de paciente entubado. Começa o filme e lá está ele no papel de Alexander, um agente especial das forças especiais dos EUA, numa missão para prender um traficante de armas chinês. A missão fracassa e Alexander resolve abandonar a carreira de agente especial. A história dá um salto de dois anos e ele aparece trabalhando como um faz-tudo (zelador) – não é demais? - num prédio de alguma cidade da Europa Oriental, talvez Bucareste (Romênia). Uma das moradoras do prédio, vizinha de Alexander, é Lena (Iulia Verdes), com a qual nosso herói fará amizade. Só que Lena tem um irmão, Sasha (Victor Webster), envolvido com um mafioso russo por causa de uma dívida herdada do pai.  Quando o perigo chega perto de Lena, Alexander resolve agir para proteger a moça. E desta vez ele utiliza até uma espada de samurai. Sangue e porrada por todo lado. Grande Seagal!                                                      
Hollywood que me desculpe, mas a França está produzindo filmes policiais bem melhores. Isso há anos. Verdade que não há tantos tiros, pancadarias e perseguições, mas as histórias, os personagens e até mesmo os atores são mais convincentes. Mesmo que apele para um roteiro fantasioso e surreal como em “A OUTRA VIDA DE RICHARD KEMP” (“L’Outre Vie de Richard Kemp”), 2013, o resultado fica bem acima da média no gênero. A história é ambientada em 2009 e centrada no capitão de polícia Richard Kemp (Jean-Hugues Anglade), encarregado de investigar a morte de uma jovem. Na noite em que retorna ao local do crime, Kemp é empurrado de uma ponte e cai na água. Quando sai da água e retorna a terra firme, Kemp nota que houve uma mudança incrível. O tempo voltou 20 anos e ele se vê como o policial novato que investiga crimes cometidos por um serial killer apelidado de “Fura-tímpanos”. Nesse retorno de duas décadas, Kemp volta a encontrar a psicóloga forense Hélène Batistelli (Mélanie Thierry), com quem começou um romance na atualidade, ou seja, vinte anos depois. Complicado? Nem tanto, pois o diretor Germinal Alvarez faz uma convincente transposição de épocas, incluindo a aparência dos atores principais. Você acaba nem ligando para o absurdo da situação. E tem Anglade, um dos melhores atores franceses da atualidade. Ótimo entretenimento!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

No começo do filme, um bicho de caracol é mostrado deslizando lentamente. Parece anunciar o ritmo em que vai se arrastar por quase duas horas o drama inglês “VENTRE” (“Womb”), 2010. Não é só pelo seu nome ou por sua lentidão que o filme incomoda.  Mas também por abordar temas desconfortáveis como clonagem humana e incesto. Ambientado em alguma parte do litoral da Inglaterra (não há menção do local), o filme é centrado na amizade de duas crianças, Rebecca e Thomas. Um dia, porém, a mãe de Rebecca consegue um emprego no Japão. Dessa forma, Rebecca se separa de Thomas. Doze anos se passam e Rebecca (Eva Green) volta do Japão e procura por Thomas (Matt Smith), agora homem feito. Percebe-se que a conduta de Rebecca não é muito normal. Fica claro que ela está obcecada por Thomas. Alguns dias depois do reencontro, ele e Rebecca estão viajando quando acontece um acidente fatal. Thomas morre atropelado. Através do DNA do falecido, Rebecca consegue fazer uma inseminação artificial e dá à luz a um clone de Thomas. A partir daí, durante as várias fases de crescimento do garoto, o diretor dinamarquês Benedek Fliegauf reforça a insinuação de incesto em inúmeras cenas, principalmente por parte de Rebecca, já que Thomas não sabe que é um clone. Claro que a situação vai piorar quando Thomas torna-se adulto. O ator Matt Smith, com cara de psicopata abobado, também é outro fator de desconforto para o espectador. Ainda bem que pelo menos dá para curtir a beleza da atriz francesa Eva Green. Nem mesmo fazendo papel de uma mulher desequilibrada ela consegue ser feia. Talvez o único ponto positivo desse drama pra lá de pesado.   

domingo, 12 de outubro de 2014

Antes de ficar mundialmente famoso ao conquistar o Oscar de Melhor Ator por “O Artista”, em 2012, Jean Dujardin já era bastante conhecido no cinema francês. Em 2007, por exemplo, ele foi o protagonista principal de “CONTRA-INVESTIGAÇÃO” (“Contre-Enquete”), dirigido por Frankc Mancuso. Ele faz o capitão de polícia Richard Malinowski, cuja filha Emilie (Alexandra Gonçalves), de 9 anos, é estuprada e assassinada por um maníaco sexual. A polícia dá prioridade ao caso e pouco depois é preso Daniel Eckmann (Laurent Lucas), que confessa o crime, é julgado e condenado a 30 anos. Da prisão, Eckmann escreve várias cartas a Malinowski dizendo que é inocente. Malinowski começa a desconfiar que Eckmann pode ser inocente, ainda mais que outro psicopata é preso e confessa o assassinato de quatro crianças da mesma forma como Emilie foi morta. Diante desse fato, o advogado de Eckmann consegue promover um novo julgamento. A dúvida persiste para Malinowski, que continua a investigação por conta própria. A história é baseada num conto do escritor norte-americano Lawrence Block, que Mancuso, um ex-policial, adaptou para o cinema. Mancuso, aliás, deixou a carreira policial para ser roteirista e este é o seu primeiro filme como diretor. Funciona como suspense psicológico, ainda mais pelo desfecho surpreendente e inesperado.