sábado, 11 de outubro de 2014

“GOOD PEOPLE”, 2014, direção do dinamarquês Henrik Ruben Genz, é um filme policial repleto de ação e suspense. E com um ótimo elenco: James Franco, Kate Hudson, Tom Wilkinson e Omar Sy. A história é inspirada no romance homônimo do escritor Marcus Sakey. O filme é todo ambientado em Londres. Tom (Franco) e Anna (Hudson) são casados e, para reforçar o orçamento doméstico, alugam um quarto no porão da casa para um inquilino muito estranho, que um dia aparece morto. Ao limpar o local e juntar os pertences do falecido, o casal encontra uma mala cheia de dinheiro. É claro que o morto estava envolvido em alguma falcatrua e, mais óbvio ainda, vai aparecer alguém muito bravo querendo o dinheiro de volta. Esse alguém é o psicótico Jack Witkowski (Sam Spruel), conhecido traficante londrino. Para tumultuar ainda mais o ambiente e louco por uma vingança, aparece no cenário outro traficante de drogas, desta fez o francês Khan (Omar Sy, da comédia “Intocáveis”). Tom e Anna, ajudados pelo policial Joan Halden (Wilkinson), tentarão de todas as formas se livrar da perseguição implacável dos bandidos. Encha o pote de pipoca. Entretenimento garantido!                              
“AMAR, BEBER E CANTAR” (“Aimer, Boire et Chanter”), 2013, foi o último filme dirigido pelo francês Alan Resnais. Ele morreu no dia 14 de março de 2014, aos 91 anos de idade. O filme é inspirado na peça teatral escrita pelo dramaturgo britânico Alan Ayckbourn. Resnais fez um teatro filmado, utilizando apenas seis atores e atrizes, todos veteranos do teatro e cinema francês: Sabine Azéma, Hippolyte Girardot, Caroline Silhol, Michel Vuillermoz, André Dussollier e Sandrine Kiberlain. Um time da mais alta qualidade. No filme, eles interpretam três casais que formam um grupo de teatro amador. No primeiro ensaio, eles ficam sabendo que um amigo em comum, George Riley, está muito doente e tem poucos meses de vida. A partir daí, as mulheres do grupo deixam escapar que tiveram algo mais do que uma simples amizade com o tal George, incluindo até mesmo a filha de um dos casais, provocando um ataque de ciúmes por parte dos maridos. Os diálogos, inteligentes e engraçados, são o ponto alto do filme. A cenografia é toda estilizada como se os atores atuassem num imenso palco, como comprovam as fendas de cortinas ao invés de portas. Resnais, sem dúvida, era um diretor muito criativo. Sua criatividade, porém, não era destinada ao grande público. Seus filmes são provas disso: “Vocês ainda não viram nada”, “O Ano Passado em Marienbad” e “Medos Privados em Lugares Públicos”, entre tantos outros.                           

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2014, o thriller “À PROCURA” (“The Captive”), do diretor egípcio naturalizado canadense Atom Egoyan, foi recebido com frieza pelos críticos e chegou até a ser vaiado na sessão especial à Imprensa. Trata-se de um suspense policial cujo pano de fundo é a pedofilia e o sequestro de crianças. Portanto, temas bastante incômodos. Histórias semelhantes já foram tratadas em outros inúmeros filmes. Portanto, Egoyan não fez nada de novo. Cass, a filha de 8 anos de Mattheu (Ryan Reynolds) e de Tina (Mireille Enos) é sequestrada por um grupo de pedófilos. A desconfiança da polícia recai sobre Mattheu, que passa por grandes dificuldades financeiras e, portanto, acham que ele vendeu a própria filha. Enquanto isso, a menina é mantida em cativeiro e sofre lavagem cerebral, transformando-se em aliciadora de crianças pela Internet. A polícia só encontrará alguma pista muitos anos depois, quando Cass já está com 16 anos. Apesar de toda crítica desfavorável de Cannes, o filme funciona como suspense. O elenco traz, além de Reynolds e Enos, Scott Speedman, Rosario Dawson, Kevin Duran, Alexia Fast e Ella Ballentina. É bom que se diga: o diretor Atom Egoyan já fez filmes muito melhores. Só para citar alguns exemplos: “O Doce Amanhã”, “Sem Evidências” e “O Preço da Traição”.                     

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

“AS JOIAS DA COROA” (“Kronjuvelerna”), 2011, é mais um ótimo drama sueco, valorizado pela presença dessa jovem e talentosa atriz Alicia Vikander (“O Amante da Rainha”, “Anna Karenina”). A história começa com o nascimento de dois bebês: Fragância Fernandez e Richard Persson. A primeira é filha de um operário de fábrica e o menino é filho justamente do dono da fábrica, o homem mais poderoso e rico da cidade e da região. Os destinos das crianças se cruzarão durante a infância e toda a juventude. Fragância teve um irmão com Síndrome de Down, sua família continuou pobre, a mãe fica doente e o pai mantém o sonho de encontrar a fórmula química para fabricar ouro. Richard, por seu lado, tem um pai tirano, autoritário e violento, o que motiva a fuga de sua mãe. Richard ainda carrega uma sequela de um acidente ocorrido ainda na maternidade e sofre os maltratos do pai por não ter sido um grande astro do hóquei. Durante muios anos, Richard quis namorar Fragância, que sempre o rejeitou. Para piorar, ela se apaixona justamente por um astro do hóquei. Toda a história é contada em flashbacks por Fragância depois que é presa sob a acusação de ter assassinado Richard. Ela diz ao investigador que a interroga: “Para você entender meu ato, tenho que contar a história desde o começo”. O filme, dirigido por Ella Lemhagen, é bastante original e merece ser visto por quem curte cinema de qualidade.                           

terça-feira, 7 de outubro de 2014

“VIOLETTE”, drama francês biográfico, conta a história de Violette Leduc (Emmanuelle Devos), uma das maiores escritoras francesas do Século XX. O filme aborda com destaque a forte amizade que Violette teve com a filósofa e escritora Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain). Muito se falou sobre a ligação entre as duas – ambas bissexuais -, que teriam sido amantes. O filme deixa claro que houve, sim, uma paixão por parte de Violette, rejeitada por Beauvoir. Esta, como admiradora do talento de Violette como escritora, a ajudou muito nos contatos com editores e na publicação das obras. Também nos momentos difíceis enfrentados por Violetta, quando chegou até a ser internada num hospital psiquiátrico, Simone sempre esteve ao seu lado, incentivando-a sempre a escrever. Outro grande amigo de Violette foi o dramaturgo Jean Genet (Jacques Bonnaffé). Trata-se, evidentemente, de um filme feito para um público específico, principalmente aquele que gosta de literatura. Muitos dos textos falados e legendados reproduzem trechos das obras de Violette, a maioria dos quais enfatizando a condição feminina da época. O filme, de 2013, é dirigido por Martin Provost, que em 2008 já havia feito outro filme biográfico, “Séraphine”, sobre a pintora francesa Séraphine de Senlis.                            

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

“ATTILA MARCEL”, 2013, direção de Sylvain Chomet, é um filme fantasioso, meio surreal. Uma fábula ao estilo “Amélie Poulain”, só que com um personagem masculino. Ele é Paul (Guillaume Gouix), que perdeu a fala e a memória quando era criança ao presenciar o acidente que matou seus pais – o pai era justamente o Attila Marcel do título, um lutador de luta-livre. Aos 33 anos, Paul vive com as tias Annie (Bernadette Lafont) e Anna (Hélène Vincent). A vida dele se resume a tocar piano na academia de dança das tias e em casa para convidados. Nada mais. Até que um dia ele conhece Madame Proust (Anne Leny), vizinha do 4º andar. Ela faz um tipo de infusão capaz de despertar lembranças de infância. É bebendo essa infusão que Paul, em flashbacks, recupera a memória dos fatos da infância, incluindo o acidente com seus pais. Muito do estilo fantasioso e feérico dessa produção francesa se deve à experiência de Sylvain Chomet como diretor de filmes de animação (“As Bicicletas de Belleville”, de 2003, por exemplo). “ATTILA MARCEL” foi o último filme da atriz Bernardett Lafont. O filme, aliás, é dedicado a ela.                               

domingo, 5 de outubro de 2014


“NA TERCEIRA PESSOA” (“Third Person”), 2013, EUA, é o mais recente filme dirigido por Paul Haggis (“Crash”, melhor filme do Oscar em 2004).  O drama conta três histórias, cada uma ambientada numa cidade diferente. Em Nova Iorque, um casal briga pela custódia do filho. Em Roma, um espião industrial se envolve com uma italiana que tem ligações pouco recomendáveis. Em Paris, um escritor famoso que ganhou o Prêmio Pulitzer vive uma crise criativa e se apaixona por uma jornalista de coluna social. Do jeito que Haggis conduz a narrativa, dá a impressão de que as histórias são fruto da imaginação do escritor para o seu próximo livro. Pode-se pensar também que as histórias caminham para se entrelaçar umas às outras, reunindo os protagonistas no desfecho, como já aconteceu em inúmeros outros filmes. É melhor deixar a surpresa para o próprio espectador conferir. Com um roteiro estapafúrdio e um tanto complexo, o filme não condiz com a qualidade de Haggis. Desta vez, o diretor de “Crash” quebrou a cara, desperdiçando um elenco de primeira com um filme de segunda. Olha só os nomes: Liam Neeson, Adrien Brody, Mila Kunis, Olivia Wilde, James Franco, Maria Bello, Kim Bassinger, Moran Atias etc.  
Filme de ficção dentro de um documentário? Ou um documentário dentro de um filme de ficção? Tanto faz a resposta, pois o importante é que a produção austríaca “HORAS NO MUSEU” (“Museum Hours”), de 2013, é muito interessante.  Na verdade, trata-se de uma exaltação à Arte, principalmente a arte da pintura, da escultura e da arquitetura. A história ficcional fala da viagem de Anne (Mary Margaret O’Hara), do Canadá para a Áustria, com o objetivo de visitar uma prima que está em coma. Este é ponto de partida. Ao chegar a Viena, Anne passa horas visitando o Kunsthistorisches Museum (Museu de História da Arte) e faz amizade com o segurança Johann (Bobby Sommer). O lado documentário do filme surge a partir dos diálogos entre os dois sobre a arte em geral, curiosidades históricas de Viena, sua arquitetura e principais monumentos. Os diálogos são ilustrados por imagens belíssimas – o diretor Jem Cohen é especialista em documentários e vídeos de arte. Cohen dedica uma atenção especial à obra do pintor flamenco Pieter Brueghel, através das explicações de uma guia do museu sobre alguns de seus quadros expostos. Há momentos sensíveis, como aquele em que Johann acompanha Anne numa visita à prima em coma. Anne pede a ele que descreva alguns quadros, acreditando que sua prima poderá visualizá-los. É um filme, sem dúvida, muito diferente do que estamos acostumados a assistir, mas vale a pena por sua proposta ousada e inovadora. Quem gosta de arte e cultura não deve perder.

sábado, 4 de outubro de 2014

A partir do seu primeiro grande papel no cinema, como a Tenente Ripley em “Alien” (1979), a atriz Sigourney Weaver consolidou uma carreira de grande sucesso em Hollywood. Sua versatilidade interpretativa a ajudou a desempenhar os mais diferentes papeis, sempre com muito talento. Um exemplo de sua versatilidade pode ser conferido no drama canadense “UM CERTO OLHAR” (“Snow Cake”), de 2005. Ela interpreta Linda, uma mulher autista, mãe solteira que mora sozinha numa pequena cidade do Canadá chamada Wava. Sem demonstrar qualquer emoção, ela recebe a notícia da morte de sua filha Vivienne (Emily Hampshire) ocorrida num acidente de trânsito causado por um motorista de caminhão. Vivienne estava de carona no carro de Alex Hughes (Alan Rickman). Bastante chateado, Alex vai procurar Linda para consolá-la e também devolver alguns objetos pessoais de Vivienne. A convivência entre os dois não será nada fácil, mas Alex concorda em ficar hospedado na casa de Linda e em ajudá-la nos preparativos para o funeral de Viviene. Alex acaba se envolvendo com Maggie (Carrie-Anne Moss), a fogosa vizinha de Linda. Apesar da morte de Vivienne e da doença de Linda, o diretor Marc Evans não deixou o filme descambar para um dramalhão. Pelo contrário, fez um filme com bastante humor, o que incluiu explorar algumas manias de Linda, sem jamais romper a fronteira do politicamente correto. Um filme de produção modesta, mas sensível e comovente na dose certa. Sem falar na presença de Sigourney, que valoriza qualquer filme.    

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

“A GAROTA NO TREM” (“La Fille du Rer”), 2009, leva a assinatura do veterano diretor francês André Téchiné. É um drama centrado em Jeanne (Émilie Dequenne), uma jovem inconsequente e meio desequilibrada que mora no subúrbio de Paris com a mãe Louise (Catherine Deneuve), que trabalha como baby-sitter. Por indicação de Louise, Jeanne vai procurar o advogado Samuel Bleinsten (Michel Blanc), um antigo amigo de seu pai e admirador de sua mãe, e consegue o emprego de secretária. Tudo parece ir bem até que Jeanne conhece Franck (Nicholas Duvauchelle), um jovem aparentemente direito pelo qual se apaixona. Com a promessa de ganhar bastante dinheiro, Franck a convence a largar o emprego e trabalhar com ele como zeladores de um depósito, que na verdade é um lugar de fachada para a venda de drogas. Não demora muito Franck acaba sendo preso. O fato desequilibra Louise, que não sabia de nada. Ela, então, num surto histérico, decide forjar ter sido vítima de um ataque antissemita dentro de um trem e vai à polícia denunciar a agressão (esse fato realmente aconteceu em 2004 e serviu de inspiração e ponto de partida para o filme de Téchiné). A história de Jeanne ganha o noticiário nacional e vira uma questão de fundo político com o envolvimento do governo francês. A verdade acaba sendo descoberta e Jeanne terá que se responsabilizar pelo seu ato insano. O filme tem uma história paralela envolvendo a família de Bleinsten e a cerimônia do Bar Mitzvah de seu neto. Não é o melhor filme de Téchiné, mas mesmo assim é bastante interessante.                     

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O drama independente “LULLABY”, 2014, EUA, filme de estreia de Andrew Levitas na direção, conta a história de Robert (Richard Jenkins), um homem de meia idade que sofre de câncer há 12 anos. Desta vez, porém, internado em estado grave num hospital, ele resolve pedir aos médicos que desliguem os aparelhos e o deixem morrer em paz. Sua esposa, Rachel (uma envelhecida Anne Archer, a primeira mulher de Tom Cruise), chama Jonathan (Garrett Hedlund) e Karen (Jessica Brown Findlay), os dois filhos, para se despedirem do pai. É claro que, diante desse enredo, não se pode esperar um filme alegre. Há, porém, alguns momentos sensíveis e, de certa forma, comoventes, envolvendo, principalmente, a amizade de  Jonathan com Meredith (Jessica Barden), uma jovem de 17 anos que tem câncer terminal.  O humor aparece de vez em quando para amenizar o drama, ainda mais que o filme quase inteiro é ambientado dentro de um hospital. O filme também propõe uma reflexão sobre a prática da eutanásia, ou, como preferem os protagonistas, suicídio assistido. A família tem o direito de anular o desejo do doente? Como é previsível desde o começo, o final é bastante triste. Completam o elenco Amy Adams, como uma antiga namorada de Jonathan, e Terrence Howard, como o médico que cuida de Robert.    
Quando “Capote” foi lançado, em 2005, filme pelo qual o ator Philip Seymour Hoffman ganhou o Oscar de Melhor Ator, estava prestes a estrear também, por uma dessas coincidências de Hollywood, o filme “CONFIDENCIAL” (“Infamous”), dirigido por Douglas McGrath - a estreia deste foi adiada por quase um ano. Os dois filmes contam praticamente a mesma história, ou seja, uma parte da biografia do escritor Truman Capote centrada nos fatos que antecederam a elaboração do livro “A Sangue Frio” (“In Cold Blood”), que se transformou num best-seller mundial. O primeiro filme ganhou mais repercussão por conta do Oscar de Philip Seymour. Quando “CONFIDENCIAL” estreou, o impacto perante o público não foi o mesmo, apesar do ótimo elenco, que reuniu o ator inglês Toby Jones como Capote, Sandra Bullock, Daniel Craig, Jeff Daniels, Sigourney Weaver, Isabella Rossellini, Hope Davis e Gwyneth Paltrow. Importante o destaque que o filme dá às conversas que Capote teve com Perry Smith (Daniel Craig, ótimo) na prisão, as quais tiveram grande importância no aspecto psicológico do livro. O que mais incomoda no filme é a exagerada interpretação de Toby Jones, que faz um Capote prepotente, grosseiro, fofoqueiro e inconveniente, sem falar na voz esganiçada e nos irritantes e afetados trejeitos efeminados, fora o fato de se vangloriar a toda hora por conhecer as maiores celebridades de Hollywood. Se Capote era assim mesmo, deve ter sido um cara intragável. Apesar disso, o filme é muito bom - na minha opinião, melhor do que “Capote” – e deve ser visto ou revisto para entender o livro que colocou Capote no Olimpo dos escritores do Século XX.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

“MEU MELHOR INIMIGO” (“Mein Bester Feind”), 2010, é uma produção austríaca, dirigida por Wolfgang Murnberger, que tem como pano de fundo a Segunda Grande Guerra. Victor Kaufmann (Moritz Bleibtreu) é gerente e herdeiro de uma importante galeria de arte em Viena. Seu melhor amigo é Rudi Smekal (George Friedrich). Eles foram criados juntos, só que Victor é judeu e Rudi alemão. Pouco antes do início da guerra, durante a inauguração de uma exposição na galeria, Jacob Kaufmann (Udo Samel), pai de Victor, anuncia que tem em seu poder um desenho valioso de Michelangelo. A guerra começa e a família Kaufmann é deportada para um campo de concentração. A existência do desenho de Michelangelo chega ao conhecimento de Hitler, que quer dá-lo de presente a Mussolini, que em breve visitará a Alemanha. Só que ninguém sabe onde está o desenho.  Rudi, agora um soldado alemão, vai fazer de tudo para encontrar o desenho e, dessa forma, subir no conceito do governo nazista, nem que tenha que trair e torturar o antigo amigo. O filme segue com muita ação, suspense, humor negro e muitas reviravoltas, o que o torna um ótimo entretenimento.          

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O veterano diretor holandês Paul Verhoeven, de 76 anos, tem uma carreira bastante sólida, inclusive em Hollywood. Em seu currículo, há filmes como “Instinto Selvagem”, “O Vingador do Futuro”, “Robocop” (a primeira versão de 1987), “A Espiã” e outros. Em 2012, Verhoeven fez um filme “caseiro”, ou seja, na Holanda, e com atores holandeses. Trata-se de “TRAIÇÃO” (“Steekspel”), um drama recheado de humor e reviravoltas que fazem passar ainda mais rápido os já reduzidos 55 minutos de filme. Ou seja, um entretenimento dos mais deliciosos, com um desfecho que leva a mulherada ao delírio. A história gira em torno de Remco (Peter Blok), um importante empresário que, não bastasse estar em crise com os sócios na empresa, ainda tenta administrar uma ex-amante grávida e uma amante atual, amiga de sua filha. Além, é claro, de fazer tudo para continuar agradando sua esposa, que finge não saber de nada. Graças ao roteiro bem elaborado, objetivo e conciso, todo esse leque de situações é apresentado logo no início do filme, durante a festa do aniversário de 50 anos de Remco. Verhoeven fez um filme bastante diferente do que está acostumado a fazer, mas como é um excelente diretor, o resultado foi o melhor possível. Estão no elenco, além de Blok, Robert de Hoog, Sallie Harmsen, Gaite Jansen e Ricky Koole.  

domingo, 28 de setembro de 2014

“NOSSO GRANDE DESESPERO” (“Bizim Büyük Çaresizligimiz”), 2011, dirigido por Seyfi Teoman, é um filme turco inspirado no romance homônimo do escritor Baris Bicarsi. A história é centrada nos amigos Ender (Ilker Aksum) e Cetin (Fatih Al), solteirões convictos que moram juntos num apartamento em Ankara. A rotina e a privacidade dos dois – há uma leve sugestão de que seja um casal gay – será quebrada pela chegada da jovem Nihal (Gunes Sayin), que acaba de perder os pais num acidente automobilístico. Os dois acolhem Nihal a pedido de Fikret (Baki Dayrak), irmão da moça e amigo antigo de Ender e Cetin, que mora na Alemanha. A partir da chegada da moça, o filme enfoca a convivência dos três com uma série de diálogos que mais parecem sessões de terapia. Nihal gosta dos dois como se fossem seus tios. Mas Cetin e Ender confessam, um para o outro apenas, que estão apaixonados por Nihal, mas concordam em manter esse sentimento em segredo. E o filme segue abordando esse relacionamento a três com mais diálogos longos e monótonos, cheios de pretensão intelectual, mas vazios e com a profundidade de um dedal. A cena de maior emoção é quando os três estão num parque e Nihal de repente grita: “Olha, uma tartaruga!”. Visto na hora de dormir, dá um sono rapidinho...  
O drama libanês “BEIRUT HOTEL” estreou no Locarno International Film Festival/2011 e foi premiado com o “Leopardo de Ouro”.  Talvez não fosse para tanto, mas não deixa de ser um filme interessante. Dirigido pela diretora libanesa Danielle Arbid, conta a história de uma paixão avassaladora entre o advogado francês Mathieu (Charles Berling) e a cantora Zhora (Darine Hamzé). Quando tudo parece encaminhar para um filme romântico, de repente começam a surgir fatos inesperados. Um libanês chamado Abbas (Fadi Abi Samra), antigo amigo de Mathieu, aparece para oferecer ao francês uma informação importante sobre os responsáveis pelo atentado à bomba que matou o ex-primeiro ministro do Líbano Rafik Hariri em 2005. Em troca, Abbas quer que Mathieu interceda junto à Embaixada da França para lhe dar um visto de saída do país. Fora isso, o Serviço Secreto do Líbano desconfia que Mathieu é um espião a serviço de Israel e o mantém sob intensa vigilância. Para tumultuar ainda mais o ambiente, um importante comandante desse Serviço Secreto é também tio de Zhora. Com tudo isso acontecendo, é claro que o romance entre Zhora e Mathieu tem grandes chances de acabar mal. O filme é todo ambientado em Beirute. A diretora procurou valorizar os cenários mais charmosos da cidade através de um belo trabalho de fotografia. Mais interessante até que o filme, é a bela e sensual atriz Darine Hamzé, de fechar o comércio de toda a 25 de Março e adjacências...

sábado, 27 de setembro de 2014

Embora o diretor Damian Harris tenha afirmado que sua intenção era apenas fazer uma denúncia, "JARDINS DA NOITE” (“Gardens of the Night”), EUA, 2006, foi feito para chocar. É um filme desagradável de ver, muito forte, impactante. Não é para menos. A história aborda pedofilia, prostituição infantil, crianças em cárcere privado, drogas etc. O filme conta a história de Leslie, sequestrada por dois pedófilos psicopatas quando tinha 8 anos de idade. Mediante pagamento, a dupla oferecia a menina para uma rede de pedófilos. Agora aos 18 anos, Leslie (Gillian Jacobs) relembra os fatos tenebrosos que marcaram sua infância e adolescência, transformando-a numa drogada e prostituta de rua. Ela sempre acreditou – pois os seus sequestradores a fizeram acreditar – que os pais a haviam abandonado à própria sorte. Difícil acreditar que o filme tenha sido liberado para exibição levando-se em consideração as rígidas normas de censura dos EUA. Afinal, algumas cenas mostram adultos aos palavrões diante de crianças e até algumas mostrando carícias de adultos em crianças, embora nada de forma explícita. Mesmo assim, são cenas revoltantes, muito chocantes, de embrulhar o estômago. Os atores são muito bons, principalmente Tom Arnold, que faz Alex, um dos sequestradores, e a própria Gillian Jacobs, que, além de boa atriz, é muito bonita. Uma curiosidade é a participação, numa ponta, do ator John Malkovich. Enfim, um filme que passa longe de ser um entretenimento agradável.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

“O ATENTADO” (L’Attentat”), direção do libanês Ziad Doveiri,  é uma co-produção França-Líbano de 2013, cujo tema central é o eterno conflito entre árabes e israelenses. A história é baseada em livro homônimo escrito por Yasmina Khadra e o personagem central é o dr. Amin Jaafari (Ali Suliman), médico de origem palestina que estudou e fez carreira em Tel Aviv. Ele é casado com Sihan (Raymond Amsalem), também de origem palestina. Um dia, após ser homenageado por seu trabalho num hospital de Tel Aviv, um atentado num restaurante da cidade mata 17 pessoas e deixa dezenas de feridos. Conclui-se que foi um ato terrorista praticado por uma mulher-bomba, logo identificada como a esposa de Amin.  O médico se  recusa a acreditar que Sihan tenha sido capaz de tal ato. Além de confirmar que ela é a autora do atentado, a polícia acredita que o médico seja cúmplice da esposa. Além de tentar provar sua inocência perante as autoridades israelenses, o médico vai ao território palestino descobrir de que forma, e por quem, Sihan foi cooptada para praticar o atentado. O filme é muito bom, pois retrata com bastante realismo o clima de tensão que envolve o dia-a-dia de palestinos e israelenses. Quando o médico encontra os mentores do atentado e ouve deles suas razões para a prática constante de terrorismo contra Israel, o espectador vai chegar à desanimadora conclusão de que esse conflito jamais terá fim. Uma das polêmicas que envolveram o filme foi o fato de Sihan ser interpretada por uma atriz israelense, o que quase impediu sua exibição nos países árabes. Imperdível!                  

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

“VIC + FLO VIRAM O URSO” (“Vic + Flo ont vu un Ours”), 2013, direção de Denis Côté. O título desse drama canadense já dá a pista. Vem filme esquisito por aí, previsão reforçada pelo retrospecto do diretor canadense, que gosta de realizar filmes estranhos, tais como o documentário “Bestiaire” e o longa “Curling”. Neste novo drama, a história é centrada em Victoria (Pierrette Robitaille), 61 anos, que acaba de sair da cadeia em liberdade condicional e vai morar na cabana da família numa floresta perto de Quebec. Algum tempo depois chega Florence (Romane Bohringer), sua ex-companheira e amante na prisão – ninguém explica por que elas estiveram presas. As duas resolvem reatar o caso e morar juntas. De fez em quando aparece para visitá-las o agente da condicional de Victoria, Guilheume (Marc-André Grondin), que passa a ser o único amigo das duas. Tudo vai bem até aparecer uma visita nada agradável para cobrar algo que Florence fez no passado – outro fato não explicado. Na verdade, o filme todo é inexplicável, aqui incluído o tal urso, que só aparece no título. O desfecho, então, é ver para crer. O filme ganhou o “Urso de Prata” no Festival de Berlim 2013, o que também é inexplicável.             
O drama belga “ILEGAL” (“Illégal”), 2010, aborda um dos temas mais em evidência na Europa nos últimos anos, ou seja, a questão dos imigrantes ilegais. Mais do que isso, aliás, esta produção, dirigida por Olivier Masset-Depasse, parece ter a intenção de denunciar os maus tratos a que são submetidos os ilegais na Bélgica. O filme conta a trajetória sofrida da imigrante russa Tania (a fabulosa atriz belga Anne Coesens), que há 8 anos vive na Bélgica ilegalmente com seu filho Ivan. Quando seu pedido de residência permanente é recusado, Tania se desespera. Para nunca mais ser identificada e correr o risco de ser repatriada, ela resolve destruir as próprias digitais, queimando as pontas de seus dedos num ferro de passar roupa. Quando é presa e separada do filho, ela fica calada sobre sua identidade, sendo encaminhada a um centro de detenção destinado a imigrantes ilegais. A maior parte do filme mostra Tania convivendo e se integrando com outros imigrantes, ao mesmo tempo em que se preocupa com o destino do filho, agora com 13 anos. É um filme pesado e muito triste, mas, ao mesmo tempo, muito forte e impactante pela dramaticidade da situação, principalmente ao escancarar o tratamento pouco amigável destinado aos imigrantes ilegais. O filme foi o candidato oficial da Bélgica na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro/2011.  

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

“A CONVOCAÇÃO” (“The Calling”), 2013, é uma produção canadense dirigida por Jason Stone (seu filme de estreia como diretor). A história, baseada no livro homônimo escrito por Inger Ash Wolfe, é ambientada na pacata cidade de Port Dundas, na zona rural de Ontário (Canadá), onde não ocorre um homicídio há mais de quatro anos. A chefe de polícia local é a detetive Hazel Micallef (Susan Sarandon). Ela é uma policial experiente, durona e beberrona, o tipo de personagem que a gente gosta logo de cara – ainda mais com Sarandon. De repente, começam a aparecer, um após o outro, na cidade e nas redondezas, vários corpos de vítimas de assassinato. Com um contingente mínimo para investigar as mortes, Hazel pede reforços. E o que recebe é um policial jovem e inexperiente, mas muito esperto, Ben Wingate (Thopher Grace). As investigações levam a crer que os homicídios têm relação com a Bíblia e outros aspectos religiosos. Um enredo um tanto mirabolante. O filme lembra “Fargo”, dos irmãos Coen, principalmente pela personagem de Hazel, que tem muito a ver com a policial Marge (Frances McDormand). Esta tinha dificuldade para se locomover porque estava grávida, e Hazel porque tem dor nas costas resultantes de um tiro. Enfim, “A CONVOCAÇÃO”  é um ótimo entretenimento, pois tem ação, humor e suspense. Tudo na dose certa.    

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

“VIDA QUE SE DESFAZ” (“Le Démantèlement”), 2013, é um belo e muito triste drama canadense centrado no fazendeiro Gaby (Gabriel Arcand). Ele é dono da Bouchard & Filhos, uma fazenda de criação de ovelhas que vem passando de geração a geração da família. Gaby cuida de tudo praticamente sozinho. A fazenda é o trabalho de toda sua vida. Gaby é divorciado há 20 anos e tem duas filhas que moram na cidade e nunca o visitam. Como única companhia, ele tem a seu lado, além das ovelhas, o cão pastor “Gordo”. É um homem solitário, triste. Um dia, ele recebe a visita de sua filha mais velha, Marie (Lucie Laurier), que diz estar se separando do marido e precisa muito de dinheiro, pois tem dois filhos para criar e muitas dívidas. Ela precisa comprar a parte do marido na casa. Marie pede ajuda a Gaby. Este, porém, não está bem financeiramente, mas promete ajudá-la. Gaby decide fazer um grande sacrifício para ajudar a filha, o que justificará plenamente o título desta produção falada no francês de Quebec. Dirigido por Sébastien Pilote, o filme é lento tal qual transcorre a vida numa fazenda. A ótima fotografia ressalta as paisagens às quais Gaby estará renunciando, aumentando ainda mais a dramaticidade da história. Não há como não se emocionar com esse drama aclamado pela crítica e público em vários festivais de cinema, incluindo Cannes, Toronto e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.