sábado, 4 de outubro de 2014

A partir do seu primeiro grande papel no cinema, como a Tenente Ripley em “Alien” (1979), a atriz Sigourney Weaver consolidou uma carreira de grande sucesso em Hollywood. Sua versatilidade interpretativa a ajudou a desempenhar os mais diferentes papeis, sempre com muito talento. Um exemplo de sua versatilidade pode ser conferido no drama canadense “UM CERTO OLHAR” (“Snow Cake”), de 2005. Ela interpreta Linda, uma mulher autista, mãe solteira que mora sozinha numa pequena cidade do Canadá chamada Wava. Sem demonstrar qualquer emoção, ela recebe a notícia da morte de sua filha Vivienne (Emily Hampshire) ocorrida num acidente de trânsito causado por um motorista de caminhão. Vivienne estava de carona no carro de Alex Hughes (Alan Rickman). Bastante chateado, Alex vai procurar Linda para consolá-la e também devolver alguns objetos pessoais de Vivienne. A convivência entre os dois não será nada fácil, mas Alex concorda em ficar hospedado na casa de Linda e em ajudá-la nos preparativos para o funeral de Viviene. Alex acaba se envolvendo com Maggie (Carrie-Anne Moss), a fogosa vizinha de Linda. Apesar da morte de Vivienne e da doença de Linda, o diretor Marc Evans não deixou o filme descambar para um dramalhão. Pelo contrário, fez um filme com bastante humor, o que incluiu explorar algumas manias de Linda, sem jamais romper a fronteira do politicamente correto. Um filme de produção modesta, mas sensível e comovente na dose certa. Sem falar na presença de Sigourney, que valoriza qualquer filme.    

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

“A GAROTA NO TREM” (“La Fille du Rer”), 2009, leva a assinatura do veterano diretor francês André Téchiné. É um drama centrado em Jeanne (Émilie Dequenne), uma jovem inconsequente e meio desequilibrada que mora no subúrbio de Paris com a mãe Louise (Catherine Deneuve), que trabalha como baby-sitter. Por indicação de Louise, Jeanne vai procurar o advogado Samuel Bleinsten (Michel Blanc), um antigo amigo de seu pai e admirador de sua mãe, e consegue o emprego de secretária. Tudo parece ir bem até que Jeanne conhece Franck (Nicholas Duvauchelle), um jovem aparentemente direito pelo qual se apaixona. Com a promessa de ganhar bastante dinheiro, Franck a convence a largar o emprego e trabalhar com ele como zeladores de um depósito, que na verdade é um lugar de fachada para a venda de drogas. Não demora muito Franck acaba sendo preso. O fato desequilibra Louise, que não sabia de nada. Ela, então, num surto histérico, decide forjar ter sido vítima de um ataque antissemita dentro de um trem e vai à polícia denunciar a agressão (esse fato realmente aconteceu em 2004 e serviu de inspiração e ponto de partida para o filme de Téchiné). A história de Jeanne ganha o noticiário nacional e vira uma questão de fundo político com o envolvimento do governo francês. A verdade acaba sendo descoberta e Jeanne terá que se responsabilizar pelo seu ato insano. O filme tem uma história paralela envolvendo a família de Bleinsten e a cerimônia do Bar Mitzvah de seu neto. Não é o melhor filme de Téchiné, mas mesmo assim é bastante interessante.                     

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O drama independente “LULLABY”, 2014, EUA, filme de estreia de Andrew Levitas na direção, conta a história de Robert (Richard Jenkins), um homem de meia idade que sofre de câncer há 12 anos. Desta vez, porém, internado em estado grave num hospital, ele resolve pedir aos médicos que desliguem os aparelhos e o deixem morrer em paz. Sua esposa, Rachel (uma envelhecida Anne Archer, a primeira mulher de Tom Cruise), chama Jonathan (Garrett Hedlund) e Karen (Jessica Brown Findlay), os dois filhos, para se despedirem do pai. É claro que, diante desse enredo, não se pode esperar um filme alegre. Há, porém, alguns momentos sensíveis e, de certa forma, comoventes, envolvendo, principalmente, a amizade de  Jonathan com Meredith (Jessica Barden), uma jovem de 17 anos que tem câncer terminal.  O humor aparece de vez em quando para amenizar o drama, ainda mais que o filme quase inteiro é ambientado dentro de um hospital. O filme também propõe uma reflexão sobre a prática da eutanásia, ou, como preferem os protagonistas, suicídio assistido. A família tem o direito de anular o desejo do doente? Como é previsível desde o começo, o final é bastante triste. Completam o elenco Amy Adams, como uma antiga namorada de Jonathan, e Terrence Howard, como o médico que cuida de Robert.    
Quando “Capote” foi lançado, em 2005, filme pelo qual o ator Philip Seymour Hoffman ganhou o Oscar de Melhor Ator, estava prestes a estrear também, por uma dessas coincidências de Hollywood, o filme “CONFIDENCIAL” (“Infamous”), dirigido por Douglas McGrath - a estreia deste foi adiada por quase um ano. Os dois filmes contam praticamente a mesma história, ou seja, uma parte da biografia do escritor Truman Capote centrada nos fatos que antecederam a elaboração do livro “A Sangue Frio” (“In Cold Blood”), que se transformou num best-seller mundial. O primeiro filme ganhou mais repercussão por conta do Oscar de Philip Seymour. Quando “CONFIDENCIAL” estreou, o impacto perante o público não foi o mesmo, apesar do ótimo elenco, que reuniu o ator inglês Toby Jones como Capote, Sandra Bullock, Daniel Craig, Jeff Daniels, Sigourney Weaver, Isabella Rossellini, Hope Davis e Gwyneth Paltrow. Importante o destaque que o filme dá às conversas que Capote teve com Perry Smith (Daniel Craig, ótimo) na prisão, as quais tiveram grande importância no aspecto psicológico do livro. O que mais incomoda no filme é a exagerada interpretação de Toby Jones, que faz um Capote prepotente, grosseiro, fofoqueiro e inconveniente, sem falar na voz esganiçada e nos irritantes e afetados trejeitos efeminados, fora o fato de se vangloriar a toda hora por conhecer as maiores celebridades de Hollywood. Se Capote era assim mesmo, deve ter sido um cara intragável. Apesar disso, o filme é muito bom - na minha opinião, melhor do que “Capote” – e deve ser visto ou revisto para entender o livro que colocou Capote no Olimpo dos escritores do Século XX.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

“MEU MELHOR INIMIGO” (“Mein Bester Feind”), 2010, é uma produção austríaca, dirigida por Wolfgang Murnberger, que tem como pano de fundo a Segunda Grande Guerra. Victor Kaufmann (Moritz Bleibtreu) é gerente e herdeiro de uma importante galeria de arte em Viena. Seu melhor amigo é Rudi Smekal (George Friedrich). Eles foram criados juntos, só que Victor é judeu e Rudi alemão. Pouco antes do início da guerra, durante a inauguração de uma exposição na galeria, Jacob Kaufmann (Udo Samel), pai de Victor, anuncia que tem em seu poder um desenho valioso de Michelangelo. A guerra começa e a família Kaufmann é deportada para um campo de concentração. A existência do desenho de Michelangelo chega ao conhecimento de Hitler, que quer dá-lo de presente a Mussolini, que em breve visitará a Alemanha. Só que ninguém sabe onde está o desenho.  Rudi, agora um soldado alemão, vai fazer de tudo para encontrar o desenho e, dessa forma, subir no conceito do governo nazista, nem que tenha que trair e torturar o antigo amigo. O filme segue com muita ação, suspense, humor negro e muitas reviravoltas, o que o torna um ótimo entretenimento.          

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O veterano diretor holandês Paul Verhoeven, de 76 anos, tem uma carreira bastante sólida, inclusive em Hollywood. Em seu currículo, há filmes como “Instinto Selvagem”, “O Vingador do Futuro”, “Robocop” (a primeira versão de 1987), “A Espiã” e outros. Em 2012, Verhoeven fez um filme “caseiro”, ou seja, na Holanda, e com atores holandeses. Trata-se de “TRAIÇÃO” (“Steekspel”), um drama recheado de humor e reviravoltas que fazem passar ainda mais rápido os já reduzidos 55 minutos de filme. Ou seja, um entretenimento dos mais deliciosos, com um desfecho que leva a mulherada ao delírio. A história gira em torno de Remco (Peter Blok), um importante empresário que, não bastasse estar em crise com os sócios na empresa, ainda tenta administrar uma ex-amante grávida e uma amante atual, amiga de sua filha. Além, é claro, de fazer tudo para continuar agradando sua esposa, que finge não saber de nada. Graças ao roteiro bem elaborado, objetivo e conciso, todo esse leque de situações é apresentado logo no início do filme, durante a festa do aniversário de 50 anos de Remco. Verhoeven fez um filme bastante diferente do que está acostumado a fazer, mas como é um excelente diretor, o resultado foi o melhor possível. Estão no elenco, além de Blok, Robert de Hoog, Sallie Harmsen, Gaite Jansen e Ricky Koole.  

domingo, 28 de setembro de 2014

“NOSSO GRANDE DESESPERO” (“Bizim Büyük Çaresizligimiz”), 2011, dirigido por Seyfi Teoman, é um filme turco inspirado no romance homônimo do escritor Baris Bicarsi. A história é centrada nos amigos Ender (Ilker Aksum) e Cetin (Fatih Al), solteirões convictos que moram juntos num apartamento em Ankara. A rotina e a privacidade dos dois – há uma leve sugestão de que seja um casal gay – será quebrada pela chegada da jovem Nihal (Gunes Sayin), que acaba de perder os pais num acidente automobilístico. Os dois acolhem Nihal a pedido de Fikret (Baki Dayrak), irmão da moça e amigo antigo de Ender e Cetin, que mora na Alemanha. A partir da chegada da moça, o filme enfoca a convivência dos três com uma série de diálogos que mais parecem sessões de terapia. Nihal gosta dos dois como se fossem seus tios. Mas Cetin e Ender confessam, um para o outro apenas, que estão apaixonados por Nihal, mas concordam em manter esse sentimento em segredo. E o filme segue abordando esse relacionamento a três com mais diálogos longos e monótonos, cheios de pretensão intelectual, mas vazios e com a profundidade de um dedal. A cena de maior emoção é quando os três estão num parque e Nihal de repente grita: “Olha, uma tartaruga!”. Visto na hora de dormir, dá um sono rapidinho...  
O drama libanês “BEIRUT HOTEL” estreou no Locarno International Film Festival/2011 e foi premiado com o “Leopardo de Ouro”.  Talvez não fosse para tanto, mas não deixa de ser um filme interessante. Dirigido pela diretora libanesa Danielle Arbid, conta a história de uma paixão avassaladora entre o advogado francês Mathieu (Charles Berling) e a cantora Zhora (Darine Hamzé). Quando tudo parece encaminhar para um filme romântico, de repente começam a surgir fatos inesperados. Um libanês chamado Abbas (Fadi Abi Samra), antigo amigo de Mathieu, aparece para oferecer ao francês uma informação importante sobre os responsáveis pelo atentado à bomba que matou o ex-primeiro ministro do Líbano Rafik Hariri em 2005. Em troca, Abbas quer que Mathieu interceda junto à Embaixada da França para lhe dar um visto de saída do país. Fora isso, o Serviço Secreto do Líbano desconfia que Mathieu é um espião a serviço de Israel e o mantém sob intensa vigilância. Para tumultuar ainda mais o ambiente, um importante comandante desse Serviço Secreto é também tio de Zhora. Com tudo isso acontecendo, é claro que o romance entre Zhora e Mathieu tem grandes chances de acabar mal. O filme é todo ambientado em Beirute. A diretora procurou valorizar os cenários mais charmosos da cidade através de um belo trabalho de fotografia. Mais interessante até que o filme, é a bela e sensual atriz Darine Hamzé, de fechar o comércio de toda a 25 de Março e adjacências...

sábado, 27 de setembro de 2014

Embora o diretor Damian Harris tenha afirmado que sua intenção era apenas fazer uma denúncia, "JARDINS DA NOITE” (“Gardens of the Night”), EUA, 2006, foi feito para chocar. É um filme desagradável de ver, muito forte, impactante. Não é para menos. A história aborda pedofilia, prostituição infantil, crianças em cárcere privado, drogas etc. O filme conta a história de Leslie, sequestrada por dois pedófilos psicopatas quando tinha 8 anos de idade. Mediante pagamento, a dupla oferecia a menina para uma rede de pedófilos. Agora aos 18 anos, Leslie (Gillian Jacobs) relembra os fatos tenebrosos que marcaram sua infância e adolescência, transformando-a numa drogada e prostituta de rua. Ela sempre acreditou – pois os seus sequestradores a fizeram acreditar – que os pais a haviam abandonado à própria sorte. Difícil acreditar que o filme tenha sido liberado para exibição levando-se em consideração as rígidas normas de censura dos EUA. Afinal, algumas cenas mostram adultos aos palavrões diante de crianças e até algumas mostrando carícias de adultos em crianças, embora nada de forma explícita. Mesmo assim, são cenas revoltantes, muito chocantes, de embrulhar o estômago. Os atores são muito bons, principalmente Tom Arnold, que faz Alex, um dos sequestradores, e a própria Gillian Jacobs, que, além de boa atriz, é muito bonita. Uma curiosidade é a participação, numa ponta, do ator John Malkovich. Enfim, um filme que passa longe de ser um entretenimento agradável.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

“O ATENTADO” (L’Attentat”), direção do libanês Ziad Doveiri,  é uma co-produção França-Líbano de 2013, cujo tema central é o eterno conflito entre árabes e israelenses. A história é baseada em livro homônimo escrito por Yasmina Khadra e o personagem central é o dr. Amin Jaafari (Ali Suliman), médico de origem palestina que estudou e fez carreira em Tel Aviv. Ele é casado com Sihan (Raymond Amsalem), também de origem palestina. Um dia, após ser homenageado por seu trabalho num hospital de Tel Aviv, um atentado num restaurante da cidade mata 17 pessoas e deixa dezenas de feridos. Conclui-se que foi um ato terrorista praticado por uma mulher-bomba, logo identificada como a esposa de Amin.  O médico se  recusa a acreditar que Sihan tenha sido capaz de tal ato. Além de confirmar que ela é a autora do atentado, a polícia acredita que o médico seja cúmplice da esposa. Além de tentar provar sua inocência perante as autoridades israelenses, o médico vai ao território palestino descobrir de que forma, e por quem, Sihan foi cooptada para praticar o atentado. O filme é muito bom, pois retrata com bastante realismo o clima de tensão que envolve o dia-a-dia de palestinos e israelenses. Quando o médico encontra os mentores do atentado e ouve deles suas razões para a prática constante de terrorismo contra Israel, o espectador vai chegar à desanimadora conclusão de que esse conflito jamais terá fim. Uma das polêmicas que envolveram o filme foi o fato de Sihan ser interpretada por uma atriz israelense, o que quase impediu sua exibição nos países árabes. Imperdível!                  

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

“VIC + FLO VIRAM O URSO” (“Vic + Flo ont vu un Ours”), 2013, direção de Denis Côté. O título desse drama canadense já dá a pista. Vem filme esquisito por aí, previsão reforçada pelo retrospecto do diretor canadense, que gosta de realizar filmes estranhos, tais como o documentário “Bestiaire” e o longa “Curling”. Neste novo drama, a história é centrada em Victoria (Pierrette Robitaille), 61 anos, que acaba de sair da cadeia em liberdade condicional e vai morar na cabana da família numa floresta perto de Quebec. Algum tempo depois chega Florence (Romane Bohringer), sua ex-companheira e amante na prisão – ninguém explica por que elas estiveram presas. As duas resolvem reatar o caso e morar juntas. De fez em quando aparece para visitá-las o agente da condicional de Victoria, Guilheume (Marc-André Grondin), que passa a ser o único amigo das duas. Tudo vai bem até aparecer uma visita nada agradável para cobrar algo que Florence fez no passado – outro fato não explicado. Na verdade, o filme todo é inexplicável, aqui incluído o tal urso, que só aparece no título. O desfecho, então, é ver para crer. O filme ganhou o “Urso de Prata” no Festival de Berlim 2013, o que também é inexplicável.             
O drama belga “ILEGAL” (“Illégal”), 2010, aborda um dos temas mais em evidência na Europa nos últimos anos, ou seja, a questão dos imigrantes ilegais. Mais do que isso, aliás, esta produção, dirigida por Olivier Masset-Depasse, parece ter a intenção de denunciar os maus tratos a que são submetidos os ilegais na Bélgica. O filme conta a trajetória sofrida da imigrante russa Tania (a fabulosa atriz belga Anne Coesens), que há 8 anos vive na Bélgica ilegalmente com seu filho Ivan. Quando seu pedido de residência permanente é recusado, Tania se desespera. Para nunca mais ser identificada e correr o risco de ser repatriada, ela resolve destruir as próprias digitais, queimando as pontas de seus dedos num ferro de passar roupa. Quando é presa e separada do filho, ela fica calada sobre sua identidade, sendo encaminhada a um centro de detenção destinado a imigrantes ilegais. A maior parte do filme mostra Tania convivendo e se integrando com outros imigrantes, ao mesmo tempo em que se preocupa com o destino do filho, agora com 13 anos. É um filme pesado e muito triste, mas, ao mesmo tempo, muito forte e impactante pela dramaticidade da situação, principalmente ao escancarar o tratamento pouco amigável destinado aos imigrantes ilegais. O filme foi o candidato oficial da Bélgica na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro/2011.  

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

“A CONVOCAÇÃO” (“The Calling”), 2013, é uma produção canadense dirigida por Jason Stone (seu filme de estreia como diretor). A história, baseada no livro homônimo escrito por Inger Ash Wolfe, é ambientada na pacata cidade de Port Dundas, na zona rural de Ontário (Canadá), onde não ocorre um homicídio há mais de quatro anos. A chefe de polícia local é a detetive Hazel Micallef (Susan Sarandon). Ela é uma policial experiente, durona e beberrona, o tipo de personagem que a gente gosta logo de cara – ainda mais com Sarandon. De repente, começam a aparecer, um após o outro, na cidade e nas redondezas, vários corpos de vítimas de assassinato. Com um contingente mínimo para investigar as mortes, Hazel pede reforços. E o que recebe é um policial jovem e inexperiente, mas muito esperto, Ben Wingate (Thopher Grace). As investigações levam a crer que os homicídios têm relação com a Bíblia e outros aspectos religiosos. Um enredo um tanto mirabolante. O filme lembra “Fargo”, dos irmãos Coen, principalmente pela personagem de Hazel, que tem muito a ver com a policial Marge (Frances McDormand). Esta tinha dificuldade para se locomover porque estava grávida, e Hazel porque tem dor nas costas resultantes de um tiro. Enfim, “A CONVOCAÇÃO”  é um ótimo entretenimento, pois tem ação, humor e suspense. Tudo na dose certa.    

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

“VIDA QUE SE DESFAZ” (“Le Démantèlement”), 2013, é um belo e muito triste drama canadense centrado no fazendeiro Gaby (Gabriel Arcand). Ele é dono da Bouchard & Filhos, uma fazenda de criação de ovelhas que vem passando de geração a geração da família. Gaby cuida de tudo praticamente sozinho. A fazenda é o trabalho de toda sua vida. Gaby é divorciado há 20 anos e tem duas filhas que moram na cidade e nunca o visitam. Como única companhia, ele tem a seu lado, além das ovelhas, o cão pastor “Gordo”. É um homem solitário, triste. Um dia, ele recebe a visita de sua filha mais velha, Marie (Lucie Laurier), que diz estar se separando do marido e precisa muito de dinheiro, pois tem dois filhos para criar e muitas dívidas. Ela precisa comprar a parte do marido na casa. Marie pede ajuda a Gaby. Este, porém, não está bem financeiramente, mas promete ajudá-la. Gaby decide fazer um grande sacrifício para ajudar a filha, o que justificará plenamente o título desta produção falada no francês de Quebec. Dirigido por Sébastien Pilote, o filme é lento tal qual transcorre a vida numa fazenda. A ótima fotografia ressalta as paisagens às quais Gaby estará renunciando, aumentando ainda mais a dramaticidade da história. Não há como não se emocionar com esse drama aclamado pela crítica e público em vários festivais de cinema, incluindo Cannes, Toronto e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.                 

“HELLION”, 2013, filme norte-americano independente, conta o drama de Hollis Wilson (Aaron Paul, de “Need for Speed”), um jovem pai que, depois de ficar viúvo, enfrenta sérias dificuldades para cuidar dos dois filhos, Jacob (Josh Wiggins), de 13 anos, e Wes, de 10 anos. O problema maior é Jacob, um adolescente rebelde e revoltado, com grandes chances de ingressar na delinquência. Em alguns aprontos com sua turma nada comportada, ele envolve seu irmão menor. Aí não teve jeito. Alertado pela cunhada de Hollis, Pam (Juliette Lewis), o Serviço Social entra em ação. Hollis corre o risco de perder a guarda dos filhos e se desespera. A situação caminha para um final bem triste. O filme conta com as ótimas atuações de Aaron, Juliette Lewis e, principalmente, de Josh Wiggins em sua estreia como ator. Wiggins, aliás, lembra muito o jovem Leonardo DiCaprio em seus primeiros filmes. “HELLION”, dirigido por Kat Candler, estreou em janeiro de 2014 no Sundance Film Festival e recebeu ótimos críticas. Uns meses depois foi exibido no Festival de Dallas, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri. 

domingo, 21 de setembro de 2014

O drama turco “CLIMAS” (“Iklimler”), de 2006, é daqueles filmes que podemos enquadrar no gênero cinema de arte. É contemplativo e arrastado, feito de silêncios, olhares e gestos, sem uma narrativa linear. Lembra os filmes de Antonioni nos anos 60, com protagonistas depressivos, infelizes e vazios. Numa viagem a trabalho para fotografar as ruínas de um templo, o professor universitário Isa (Nuri Bilge Ceylan, também roteirista e diretor do filme) se desentende com a sua jovem mulher Bahar (Ebru Ceylan, esposa do diretor), que já se mostrava entediada com o casamento. O casal revolve dar um tempo. Isa volta para Istambul e segue dando suas aulas de Arquitetura, enquanto Bahar viaja a trabalho (ele é produtora de TV) para Dogubeyazit, na região montanhosa e gélida da Turquia. Em sua condição de solteiro, Isa passa o tempo, além de ministrar as aulas, visitando os pais (que são seus pais também na vida real) e buscando conforto nos ombros - e no corpo inteiro - de uma antiga namorada, Serap (Nazan Kirilmis). Mas Isa ainda ama Bahar e vai fazer o possível para se reaproximar dela. Como o filme dá a entender, o título “Climas” refere-se às estações do ano em que o drama é ambientado. Começa, por exemplo, num clima de verão escaldante, e termina num rigoroso inverno. O filme foi lançado no Festival de Cannes e recebeu o Prêmio de Melhor Filme da Crítica Internacional. Nuri  Ceylan também dirigiu “Era uma vez na Anatólia” (2011) e “3 Macacos” (2008).        

sábado, 20 de setembro de 2014

Mulher rejeitada é um perigo. Amante rejeitada, então, e ainda mais desequilibrada e psicótica, sai de baixo, da frente, de cima... O perigo torna-se real e imediato, com grande possibilidade de virar tragédia. Foi o que não conseguiu prever Bernardo (Milhem Cortaz) quando conheceu a jovem e bela Rosa (Leandra Leal) numa estação de trem de subúrbio no Rio de Janeiro. A paixão avassaladora veio em seguida. O drama “O LOBO ATRÁS DA PORTA”, 2013, dirigido por Fernando Coimbra, gira em torno desse caso de adultério (Bernardo é casado) e suas nefastas consequências, o que inclui o sequestro da filha de Bernardo. O roteiro do filme foi concebido de forma magistral pelo próprio Coimbra, que se baseou num caso policial famoso ocorrido no Rio de Janeiro nos anos 60. A partir dos depoimentos de todos os envolvidos e testemunhas numa delegacia de polícia, Coimbra vai montando as peças do quebra-cabeça da história com flashbacks e, ao mesmo tempo, situando os fatos de forma cronológica, até chegar ao trágico desfecho. Um primor de roteiro. Ainda estão no elenco Fabíula Nascimento como Sylvia, esposa de Bernardo, e Juliano Cazarré como o delegado responsável pelo inquérito. Exibido em vários festivais pelo mundo afora, o filme conquistou inúmeros prêmios. Cinema nacional da melhor qualidade.
O drama sueco “PURA” (“Till Det Som är Vackert”), 2009, marcou a estreia da atriz Alicia Vikander (“O Amante da Rainha”) no cinema, com direção da também estreante Lisa Langseth. Catherine (Alicia) é uma jovem de 20 anos que há muito tempo, em decorrência de uma mãe alcoólatra e irresponsável, vive sob a supervisão do serviço social sueco. Ao assistir a um concerto com o namorado no Concert Hall de Gotemburgo, ela descobre a beleza da música de Mozart. Um dia, ao retornar ao teatro e enquanto assiste ao ensaio da orquestra, ela é convidada para cumprir um período de experiência na recepção. Era tudo que Catherine queria. Assim poderia conviver com os músicos e ouvir os ensaios. Ao receber a atenção carinhosa, quase paterna, do maestro Adam (Samuel Fröler), Catherine acaba se apaixonando. Eles iniciam um caso, só que ela não percebe que se trata apenas de uma paixão temporária, pelo menos no caso do maestro. Quando Adam, casado, deixa a situação bem clara, Catherine se desespera, a ponto de tomar atitudes que a levarão a ser demitida do teatro. Só que ela não vai aceitar assim tão fácil a rejeição do maestro nem a perda do trabalho. O filme é ótimo, e o que o torna ainda melhor é a sua irresistível trilha sonora - música clássica da melhor qualidade. Além disso, não se pode deixar de admirar o trabalho dessa estupenda jovem atriz Alicia Vikander em seu primeiro filme. Em resumo, não dá para perder!   
Todo mundo com mais de 40 anos lembra aquele dia trágico, 28 de janeiro de 1986, quando o ônibus espacial Challenger explodiu 73 segundos após ser lançado de Cabo Canaveral, matando seus 7 astronautas. Uma tragédia e tanto, não apenas pelas mortes, mas também para a credibilidade do programa espacial dos EUA. O que muita gente não se lembra - e aqui no Brasil não tivemos a oportunidade de acompanhar -, é que o presidente Reagan nomeou uma comissão especial para investigar as causas do acidente. O trabalho desta comissão é o tema do drama “ÔNIBUS ESPACIAL CHALLENGER” (The Challenger Disaster”), filme produzido pelo Science Channel da BBC em 2013, dirigido por James Hawes e exibido – aqui e nos EUA - pelo Discovery Channel. O enredo é centrado no cientista Richard Feynmann (William Hurt), único membro independente da comissão. Como ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965, Feynmann era muito respeitado e suas conclusões sobre o acidente não foram muito favoráveis à NASA. Apesar das pressões, Feynmann não mudou seu diagnóstico. Um filme muito interessante que, com certeza, vai agradar não só a comunidade científica, mas também quem tem algum interesse sobre o assunto. O elenco traz ainda, entre outros, Bruce Greenwood e Brian Dennehy. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Os franceses já produziram bons filmes policiais e de ação, mesmo que esses dois gêneros não façam parte do seu melhor cardápio. “VINGANÇA EM PARIS” (“Le Jour Attendra”), de 2013, é um exemplo de como o cinema francês de vez em quando “pisa na bola”. O diretor Edgar Marie quis imitar uma fórmula que costuma dar certo nos filmes de Hollywood: reunir uma dupla de protagonistas para viver uma aventura, colocando até algumas pitadas de humor (sem graça). No caso dessa produção francesa, a dupla é formada por Victor (Jaques Gamblin) e Milan (Olivier Marchal), dois amigos de infância que, adultos, abrem uma casa noturna. Os dois ficam endividados e apelam para o tráfico de drogas. Se envolvem com o gângster sanguinário Serki (Carlo Brandt) numa negociação com traficantes mexicanos – o filme começa, inexplicavelmente, em algum deserto do México. A polícia prende os três, mas Victor e Milan, para se livrarem da prisão, depõem contra Serki, que pega seis anos de cadeia. O filme dá um pulo de seis anos e agora Victor tem um restaurante de sucesso em Paris e Milan continua gerenciando a casa noturna. Serki sai da cadeia e vai atrás da dupla para se vingar. Daí para a frente, o filme é todo dedicado a essa caçada. As cenas de ação – poucas, aliás – são muito mal feitas e chegam a ser constrangedoras, como no caso dos tiroteios. Uma curiosidade: Olivier Marchal também é diretor e já realizou bons filmes de ação, como, por exemplo, “MR 73”, de 2008.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

“CHAMADA A COBRAR”, 2013, conta a história angustiante e dramática de Verinha (Bete Dorgam), uma senhora de classe média alta da capital paulista, que cai no golpe do falso sequestro. Numa manhã, ela atende um telefonema a cobrar e ouve alguém que se diz bombeiro avisando que uma de suas filhas sofreu um acidente. Ela se desespera e informa, inocentemente, os nomes das três filhas. O homem que se dizia bombeiro passa o telefone para outro, que assume a condição de sequestrador e vai manter Verinha em contato direto durante as próximas 12 horas. A primeira meia hora de filme é de pura aflição e muita tensão - para o espectador, inclusive. Aos poucos, Verinha vai se habituando ao jeito ao contato com o  bandido, o que inclui uma constante pressão psicológica e xingamentos da pior espécie. Durante a viagem que faz ao Rio de Janeiro – uma das exigências do falso sequestrador -, finalmente um pouco de humor. Ela para num posto, toma umas doses de conhaque e, de repente, está utilizando a mesma linguagem chula do marginal. A cena é muito engraçada. Enquanto isso, em São Paulo, as três filhas se desesperam ao não conseguir descobrir o paradeiro da mãe. Até chegar à conclusão de que foi vítima de um falso sequestro, muita coisa ainda vai acontecer durante a viagem de Verinha. Mais um ótimo filme da diretora paulista Anna Muylaert, que já havia nos brindado com “Durval Discos”, “O Ano em que meus pais saíram de férias” e “Xingu”. Mas, sem dúvida, a alma do filme é a atriz Bete Dorgam. Se o filme já é bom, Bete o torna ainda melhor. Mais uma produção nacional imperdível.    

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

“MAR DA ESPERANÇA” (“Wir Wollten aufs Meer”), 2012, dirigido por Toke Constantin Hebbeln, é um drama alemão que coloca novamente em evidência a Alemanha Oriental nos tempos da chamada Guerra Fria. Em 1982, dois amigos estivadores no Porto de Rostock acalentam o sonho de ingressar como marinheiros na Marinha Mercante – e, com isso, fugir para o Ocidente. Para isso, porém, teriam que colaborar com algumas informações para a STASI, a polícia secreta do governo comunista. Dessa forma, Cornelis Schmidt (Alexander Fehling) e Andreas Homung (August Diehl) tornam-se informantes. Um se arrepende no meio do caminho depois de denunciar um companheiro de trabalho, Matthias (Ronald Zehrfeld). Andreas, porém, segue firme na atividade de dedo-duro, traindo o próprio amigo. O enredo sombrio e dramático é amenizado pelo romance proibido entre Cornelis e a vietnamita Mai (Phuong Thao Vu). Romance, aliás, também denunciado por Andreas. "MAR DA ESPERANÇA" lembra muito outro excelente filme alemão, “A Vida dos Outros”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007. Ambos tratam de amizade e traição, num clima de total desconfiança alimentado pelo próprio regime vigente na Alemanha Oriental. Vigilância dia e noite. Não se podia confiar em ninguém, nem no amigo, no parente, no vizinho. E a STASI ali no pé de todo mundo, e coitado (a) de quem caísse nas suas garras.