sábado, 26 de julho de 2014

“Quando eu era vivo”, 2013, direção de Marco Dutra (“Trabalhar Cansa”) é uma das raras incursões do cinema nacional no gênero Terror Psicológico. A história é baseada no livro “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, de Lourenço Mutarelli. Começa o filme com Júnior (Marat Descartes) voltando ao apartamento do pai (Antonio Fagundes), depois de perder o emprego e se separar da esposa. Aparentemente, ele é uma pessoa normal. Bruna (Sandy Leah), sua prima, também mora no apartamento, num quarto alugado. Ao arrumar o quartinho dos fundos para fazer seu cantinho, Júnior encontra vários objetos que pertenceram à sua mãe, falecida há alguns anos. Em alguns flashbacks, Júnior relembra que a mãe era dedicada ao ocultismo e curtia o sobrenatural. Júnior encontra uma mensagem criptografada com a letra da mãe e acredita que, se conseguir decifrá-la, desvenderá alguns segredos do passado. A partir daí, Júnior transforma-se completamente, fica agressivo, neurótico e depressivo. Em alguns momentos, lembra o personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado”. Pouca gente entendeu a presença da cantora Sandy no elenco. Uma jogada de marketing? Acho que sim, pois ela continua sendo a Sandy; até canta no filme. Nem o cabelo dela foi mudado. Fora isso, o filme não é de todo ruim, tem bastante tensão e alguns sustos - o de sempre, presença de espíritos, gaveta abrindo sozinha, objetos se mexendo etc. O desfecho, porém, ao invés de assustar, pode fazer rir. Ainda não foi desta vez que o cinema nacional acertou nesse tipo de gênero.  

 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

“Moscati, o Doutor que virou Santo” (“Moscati, L’amore che Guarisce”) foi produzido em 2007 pela TV italiana RAI. Conta a história do médico Giuseppe Moscati, um dos poucos leigos a ser canonizado pela Igreja Católica. O filme, com mais de três horas de duração, em duas partes, descreve a trajetória de Moscati desde que ingressou na Faculdade de Medicina de Nápoles, em 1903, até a sua morte, em 1927. Conta também como Moscati dedicava-se de corpo e alma aos pobres, indo medicá-los nos bairros miseráveis da cidade, no hospital público – chamado Hospital dos Incuráveis - e, de graça, em sua própria casa. Ele chegou a vender os móveis e objetos de arte de sua família para comprar remédios para os doentes. O filme destaca também o trabalho do médico prestando socorro às vítimas do terremoto causado pela erupção do Vesúvio, em 1906, e sua dedicação integral à erradicação da epidemia de cólera que atingiu Nápoles em 1911. Seus diagnósticos eram certeiros e, segundo muitos depoimentos, Moscati curou pacientes considerados casos perdidos. Um dos milagres a ele atribuídos diz respeito a um jovem já desenganado, vítima de leucemia. A mãe diz que sonhou com Moscati e, no dia seguinte, o jovem estava curado. Numa primorosa reconstituição de época, o filme mostra cenários deslumbrantes como palácios e mansões, além da arquitetura da cidade. O elenco conta com Beppe Fiorello (Moscati), Kasia Smutniak (Elena Cajafa) e Paola Casella (Cloe), entre outros. O filme tem mais de três horas de duração, em duas partes, mas vale cada minuto pela história de um homem que fez da sua vida uma obra de caridade e amor ao próximo. Imperdível!  

 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

“Stockholm Östra” é um drama sueco produzido em 2011. A história é baseada num romance de Pernilla Okjelund. Johan (Mikael Persbrandt) atropela e mata uma menina de 9 anos, filha do casal Anna (Iben Hjejle) e Anders (Henrik Norlén). O caso vai a julgamento e Johan é inocentado – realmente, ele não foi o culpado pelo acidente, mas vai ficar bastante traumatizado pelo que aconteceu. Anders vai assistir ao julgamento – Anna não quis ir - e faz questão de encarar Johan. O acidente desestrutura o casamento dos pais da menina. E vai ficar muito pior quando, por uma dessas coincidências da vida – e da ficção –, Anna conhece Johan numa viagem de trem. E pinta um clima entre os dois, embora Johan saiba que ela é a mãe da menina morta. Anna, aliás, nunca comenta com Johan que perdeu uma filha. Anna fala da filha como se ela estivesse viva. O romance começa a ficar sério demais e acaba afetando os dois casamentos. Como a paixão é forte, eles se arriscam muito e Anders acaba descobrindo a traição da mulher. Em meio a essa situação um tanto desconfortável, Anna ainda descobre que está grávida. Mais não dá para contar. Sem dúvida, um bom filme, com excelentes atores e a mão firme do diretor Simon Kaijser da Silva. Ah, o título do filme é o mesmo do restaurante em que o casal de amantes costuma frequentar, numa estação ferroviária.            
“Pura Poesia Cinematográfica”. Este seria o slogan que melhor definiria o filme italiano “Shun Li e o Poeta” (“Io Sono Li”). A produção é de 2011, participou da 36ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo/2012 e recebeu vários prêmios em festivais pelo mundo inteiro. É o primeiro filme dirigido por Andrea Stegre, um especialista em documentários. O filme conta a história da chinesa Shun Li (Tao Zhao), que chega à Itália por intermédio de uma cooperativa que traz imigrantes chineses para trabalhar no país. Ela trabalha praticamente de graça, pois quer custear a vinda do seu filho de 8 anos para a Itália. Sem falar uma palavra em italiano, Shun Li vai trabalhar na “Osteria Paradiso”, uma taverna em Chioggia, cidade conhecida também como a “Pequena Veneza”, localizada ao sul da lagoa veneziana, pertinho da Veneza original. A taverna é frequentada por pescadores e trabalhadores italianos aposentados, que logo fazem amizade com Shun Lin, inclusive ensinando-a a falar italiano. Um dos pescadores é o velho Bepi (o ator croata Rade Serbedzija), apelidado de “Poeta” por gostar de fazer rimas. Ele se sensibiliza com a situação de Shun Lin e passa a ajudá-la, pois sabe, por experiência própria – chegou da Iugoslávia há 30 anos - como é difícil começar a vida num país estranho sem ao menos saber falar sua língua. Bepi e Shun Lin iniciam uma relação de amizade despida de qualquer outra intenção senão a solidariedade, a companhia e a pureza de sentimentos. As imagens do mar de Chioggia, valorizadas pela ótima fotografia, são deslumbrantes.  Um filme, enfim, sensível e comovente.           

terça-feira, 22 de julho de 2014

O cinema nacional não tem tradição de produzir filmes de suspense. E, quando o faz, nem sempre o resultado é satisfatório. São raros os que escapam. Este é o caso de “Confia em Mim”, 2013, o primeiro longa dirigido por Michel Tikhomiroff. Trata-se da história de Mari (Fernanda Machado), chef de um restaurante fino. Ela não é valorizada em seu trabalho, é atormentada pelo dono e, por isso, sonha em abrir o seu próprio restaurante para ter liberdade de criar novos pratos. Mas falta-lhe dinheiro e coragem. Num curso de degustação de vinhos, ela conhece Caio (Mateus Solano), um cara charmoso e sedutor que diz ser dono de uma empresa de importação/exportação. Os dois começam a ter um caso e ela revela sua intenção de abrir um restaurante e conta, na maior inocência, que sua mãe é rica e pode ajudar. Caio dá maior força à ideia e ainda se propõe a cuidar do investimento. Mari consegue R$ 200 mil e coloca tudo na mão de Caio. A partir daí, não dá para contar mais para não estragar as reviravoltas e surpresas que acontecem depois. O trabalho dos dois atores globais é muito bom, valorizando um filme que, por si só, merece ser conferido.    

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Quando a atriz é competente, tanto faz o gênero, ela sempre se sai bem. É o caso da atriz alemã Diane Kruger, que tem uma carreira bastante sólida no cinema francês. Consagrada em papéis sérios e dramáticos, pela primeira vez ela encara a principal protagonista de uma comédia. E dá show. Trata-se de “Um Plano Perfeito” (“Um Plan Parfait”), 2012, comédia francesa em que Diane faz o papel de Isabelle, uma solteirona prestes a se casar com Pierre (Robert Plagnol). Só que tem um problema. Todas as mulheres da família de Isabelle, da sua tataravó em diante, enfrentam uma maldição: o primeiro casamento sempre dá errado e termina em divórcio. Para escapar desse estigma, Isabelle, juntamente com a irmã – que está no segundo casamento –, bola um plano dos mais estapafúrdios: casar com um desconhecido na Dinamarca, onde é permitido se divorciar dez minutos depois do casamento. Durante a viagem para Copenhagen, porém, ela conhece Jean-Yves Berthier (Dany Boon), um “mala sem alça” tagarela e inconveniente, redator de um guia turístico. Daí para a frente, a viagem de Isabelle complica de vez. Para se ter uma ideia, ela vai parar com Jean-Yves no Quênia e em Moscou. Muito doido, não? Finalmente uma comédia que faz rir. E bastante. E ainda tem Diane Kruger. Não perca!
Boas doses de ação e suspense estão garantidas em “Sem Escalas” (“Non-Stop”), 2013, EUA, direção de Jaume Collet-Serra, embora a história inteira aconteça dentro de um avião. Bill Marks (Liam Neeson) é um policial encarregado da segurança nos voos de uma companhia aérea, prática adotada nos EUA após o 11 de Setembro. Desta vez, Bill embarca num avião com 150 passageiros que sai de Nova Iorque em direção a Londres. Logo após a decolagem, Bill recebe uma mensagem de texto em seu celular de alguém que ameaça matar uma pessoa do avião a cada 20 minutos se a companhia aérea não depositar US$ 150 milhões numa conta. Como num livro ou num filme de Agatha Christie, vários suspeitos começam a aparecer, o que leva o espectador a iniciar um jogo de adivinhação. Um dos suspeitos é o próprio Bill. A tensão aumenta depois que aparece o primeiro cadáver. Estão ainda no filme a ótima Julianne Moore, Michelle Dockery e Lupita Nyong’o, esta última como uma das aeromoças do avião. Ela trabalhou neste filme antes de “12 Anos de Escravidão”, pelo qual ganhou o Oscar 2014 de Melhor Atriz Coadjuvante.  Mesmo aos 61 anos, Neeson ainda dá conta do recado em filmes de ação, como comprovam os dois que fez antes deste, “Busca Implacável” partes 1 e 2. “Sem Escalas” vai fazer você comemorar o fato de estar sentado na poltrona de sua casa e não em uma desse avião.

domingo, 20 de julho de 2014

Antes de ser exibido em nossos cinemas, o drama nacional “Hoje eu Quero voltar Sozinho” estreou na mostra paralela Panorama do Festival de Berlim, em fevereiro de 2014. Foi sucesso de público e de crítica. E com toda razão. O filme é uma verdadeira pérola de sensibilidade. Conta a história de Léo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que tem em Giovana (Tess Amorim) sua melhor amiga, confidente e anjo da guarda. É ela quem o defende dos bulliyngs no colégio e o leva para casa todos os dias. Até o dia em que chega Gabriel (Fabio Audi) para estudar na mesma classe. O garoto novo vai tumultuar a relação entre os dois amigos e despertar a homossexualidade latente de Léo. O filme é uma extensão do curta “Eu não quero voltar Sozinho”, de 2010, dirigido pelo mesmo diretor e roteirista, Daniel Ribeiro. Apesar do clima dramático, o filme é pródigo em cenas e diálogos bem-humorados, o que o torna leve e agradável. A impressionante interpretação do jovem ator Guilherme Lobo como o jovem cego é um dos pontos altos do filme, assim como a comovente cena final. Simplesmente imperdível!   

sábado, 19 de julho de 2014

O cinema argentino chega com mais um filmaço: “Coração de Leão – O Amor não tem Tamanho” (“Corazón de León”), 2013, dirigido por Marcos Carnevale. Trata-se de uma comédia romântica centrada na advogada Ivana Cornejo (Julieta Diaz). Um dia, ao discutir no celular com o ex-marido Diego (Maurício Dayub), do qual está separada há 3 anos, ela perde o controle e joga fora o aparelho no jardim de uma praça no centro de Buenos Aires. Algums horas depois, ela recebe o telefonema de um homem que diz ter encontrado o seu celular e quer devolvê-lo. Antes de combinar o encontro, eles ainda se falam algumas vezes e o papo do homem começa a encantar Ivana. Quando afinal se conhecem, num restaurante, ela terá uma grande surpresa: o homem tem apenas 1m35 de altura. Ele é León Godoy (Guillermo Francella), um bem sucedido arquiteto de fama internacional. De início, ela fica chocada, mas aos poucos irá desenvolver um carinho todo especial por ele. A pouca altura de León dará margem a muitas situações hilariantes. Portanto, esqueça o politicamente correto e embarque nessa ótima comédia. Se o filme por si só já é ótimo, há mais um motivo que o torna ainda melhor: a presença da atriz Julieta Diaz. Ela é a dona do filme. Julieta prova, mais uma vez, que, além de bonita, simpática e sensual, é uma grande atriz, talvez a melhor do cinema argentino atual. Carnevale também dirigiu outra comédia imperdível, "Elza & Fred", de 2005. 
O bom e velho Arnold Schwarzenegger está de volta à ação no filme “Sabotagem” (“Sabotage”), EUA, 2013, dirigido por David Ayer. Schwarzenegger faz o agente especial John Wharton, líder de uma equipe secreta ligada à DEA, agência do governo dos EUA que combate o tráfico internacional de drogas. A turma de Wharton, incluindo o próprio, é da pesada. São policiais violentos e sanguinários que não querem saber de seguir regras. Só para se ter uma ideia, Lizzy (Mireille Enos), a única mulher do grupo, é viciada em anfetaminas e outras drogas, mas briga e atira como poucos. Wharton e sua equipe invadem o QG de um cartel de drogas e roubam 10 milhões de dólares. Os traficantes partem para a vingança. Eles começam a matar os membros da equipe de Wharton com toques de crueldade – um deles é “crucificado” no teto de uma casa. A policial Caroline Brentwood (Olivia Williams), do FBI, é encarregada de investigar os crimes. Ela terá a infelicidade de conviver com os integrantes da equipe de Wharton e, num determinado momento, vai acabar desconfiando que um ou alguns deles podem ser os verdadeiros criminosos. O filme ainda terá uma vingança pessoal de Wharton contra um traficante mexicano que matou sua mulher e seu filho. É tiro e pancadaria do começo ao fim, sangue espirrando na telinha. Programão para quem gosta de filmes violentos. Estão ainda no elenco Sam Worthington, Josh Holloway e Terrence Howard.                     

sexta-feira, 18 de julho de 2014

“Filha de Ninguém” (“Nugu-ui Ttal-do Anin”), Coreia do Sul, 2013, é o terceiro longa do diretor Hong Sang-Soo. Trata-se de um drama altamente depressivo envolvendo a jovem Haewon (Jeong Eun-Chae), estudante de Cinema numa faculdade de Seul. Começa o filme e ela está se despedindo da mãe, que vai passar uma temporada com o outro filho no Canadá. No meio da longa conversa entre ambas, a mãe pergunta a Haewon se ela vai ficar bem com o pai, que não aparece o filme inteiro, o que talvez justifique o título do filme. Sentindo-se abandonada, Haewon marca encontro com seu amante SeonGjun (Lee Seon-Gyoon), professor de Cinema, que é casado e morre de medo do seu caso ser descoberto. Na faculdade, porém, todo mundo comenta sobre os dois, situação que vai levar Haewon a tentar terminar com o amante, que não aceita a separação e entra em depressão. Os diálogos são intermináveis e cansativos. Haewon é cheia de incertezas sobre o que quer da vida, o que a torna uma protagonista das mais chatas. O diretor exagera na utilização do recurso do zoom para aproximar os protagonistas do espectador, como se a gente não tivesse ouvindo o que eles estão falando. De interessante, o filme tem uma participação especial da atriz francesa Jane Birkin. E só. Do mesmo diretor, recomendo apenas “Em outro País”, também traduzido por “A Visitante Francesa”, com Isabelle Huppert, este sim um filme que vale a pena. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Começa o filme e estão lá no ringue, trocando socos, um veterano lutador chamado Sailor O’Connor (Dominic Purcell) e um jovem boxeador com metade de sua idade, King (Izaak Smith). Em flashbacks alternados com os rounds da luta, o filme vai contar a história dos dois lutadores e os motivos que os levaram a subir no ringue. Este é, basicamente, o enredo do drama canadense “Lutando por uma Chance” (“A Fighting Man”), 2013, dirigido por Damian Lee. Sailor está afastado dos ringues há quatro anos, depois de 64 lutas sem nunca ter sido nocauteado. Ficou famoso por isso. Ele só concorda em voltar para ganhar dinheiro e pagar uma viagem da mãe (Sheila McCarthy), que está muito doente, para seu país natal, Irlanda. King quer juntar dinheiro para casar com a namorada que está grávida. No meio da história, surge a ex-mulher de Sailor, Diane (Famke Janssen), em busca de perdão por algo que fez no passado. O filme não é de todo ruim e vai agradar quem gosta de boxe e não for muito exigente. Mas vale a pena assistir pelo menos pela oportunidade que nos dá de rever dois bons atores veteranos em evidente final de carreira: James Caan e Louis Gosset Jr. Outro destaque é a também veterana atriz canadense Sheila McCarthy, que dá show como a mãe de Sailor. Seu diálogo com o padre Brennan (Kim Coats), que vai visitá-la, é hilariante, aliás, o único momento bem-humorado do filme.          

terça-feira, 15 de julho de 2014

“O Assassino do Rosto Feliz” (“Happy Face Killer”) é um telefilme canadense de 2013, produzido pelo Canal Lifetime e dirigido por Rick Bota, que conta a história, verídica, do serial killer Keith Hunt Jesperson (David Arquette), que no início da década de 90 assassinou 8 mulheres no Estado do Oregon (EUA). Abalado com o casamento fracassado e também pela recusa da Royal Canadian Mouted Police - a famosa Polícia Montada - em aceitá-lo em suas fileiras, Keith despertou uma segunda personalidade psicótica que o incentivou a matar e ter prazer em fazer isso. A maldade vinha desde criança, aliás. Ele adorava esganar pombos e colocar gatinhos no aparelho de micro-ondas. Keith cresceu, virou caminhoneiro e, quando surtou, passou a atacar prostitutas que conhecia em postos de estrada. Qualquer palavrinha que saísse da boca delas e não lhe agradasse era motivo para matá-las. Ele gostava de assinar seus crimes desenhando um rosto feliz, igual ao que a gente vê por aí em adesivos. O filme mostra os esforços da agente do FBI Melinda Gand (Gloria Reuben) para prender o criminoso, hoje cumprindo pena na Penitenciária Estadual do Oregon. David Arquette conseguiu deixar de lado seu rosto simpático para incorporar um semblante assustador de um psicopata assassino. Vale o filme. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

“Estrada para Paloma” (“Road to Paloma”), 2013, EUA, é um road movie que gira em torno de Robert Wolf (Jason Momoa), um descendente de índios procurado pelo FBI por assassinato. Ele vai aproveitar a fuga para levar as cinzas da mãe para serem despejadas num lago. Durante a viagem, Wolf conhece o Cash (Robert Mollohan), um roqueiro fracassado e alcoólatra. Os dois ficam amigos e partem, cada um em sua moto, estrada afora. Enquanto isso, o agente do FBI Williams (Timothy V. Murphy) sai no encalço de Wolf. O filme, pelo menos no visual, nas motos dos protagonistas e nos enquadramentos nas cenas de estrada, lembra muito “Easy Rider” (“Sem Destino”), com Peter Fonda e Jack Nicholson. A trilha sonora, recheada de muito rock and roll, é excelente, assim como a fotografia. O ator Jason Momoa (de “Game of Thrones”), além de atuar, também foi responsável pelo roteiro, direção e produção. Para quem gosta de filmes de estrada, com todos os clichês do gênero, é um ótimo programa.  
“O Sistema” (“The East”), EUA, dirigido por Zal Batmanglij, estreou no Festival de Sundence em 2013. Trata-se de um drama de suspense focado na história da agente Sarah Moss (Brit Marling), pertencente a uma empresa privada de inteligência e espionagem, que se infiltra num grupo ativista que tem atacado os dirigentes de grandes corporações. As indústrias química e farmacêutica são os principais alvos dos anarquistas. O grupo em que Sarah consegue infiltrar-se é intitulado “The East” e é liderado por Benji (Alexander Skarsgard). Ao conviver com os ativistas, numa casa escondida no meio de uma floresta, Sarah começa a entender as suas razões e até vê com alguma simpatia os seus ideais, mas não os seus métodos, que incluem envenenar convidados de uma festa ou fazer com que os dirigentes de uma empresa química entrem num rio contaminado. Fazem parte ainda do elenco Ellen Page, como a anarquista Izzy, e Patrícia Clarkson, como Sharon, a chefe de Sarah, entre outros. Não dá para dizer que o filme é bom, apenas interessante.                

domingo, 13 de julho de 2014

Ninguém volta de uma guerra incólume ou sem traumas. Ou sem cicatrizes. Alguns voltam em caixões. Outros, como diria Djavan, faltando um pedaço. O drama “A Volta dos Bravos” (“Home of the Brave”), 2006, EUA, aborda justamente esse aspecto trágico das guerras. No caso, a Guerra do Iraque. A história acompanha o retorno de quatro protagonistas, o médico Will Marsh (Samuel L. Jackson), Vanessa Price (Jessica Biel), Tommy (Brian Presley) e Jamal Aiken (Curtis Jackson). Todos cumpriram um ano de serviço no Iraque e todos voltaram com sérios problemas psicológicos. Vanessa ainda pior, pois perdeu parte do braço numa explosão. Cada um deles vai tentar se readaptar à vida normal junto à família e no trabalho, vão tomar remédios para dormir e participar de tratamentos de terapia. O filme, lançado diretamente em vídeo no Brasil, não foi bem aceito pela crítica norte-americana, mas é impactante e bastante esclarecedor quando mostra o que normalmente acontece com os soldados que retornam dos campos de batalha. A sequência inicial, quando um comboio de veículos norte-americanos é emboscado numa cidade iraquiana, é muito bem feita e cheia de tensão, tão vigorosa quanto aquelas do espetacular “Falcão Negro em Perigo” (2001), de Ridley Scott.

sábado, 12 de julho de 2014

“Alemão”, 2013, dirigido por José Duarte Belmonte, é um filme nacional de ação e suspense ambientado durante as 48 horas que antecederam a invasão das Forças Armadas ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, em novembro de 2010. Na história, cinco policiais que trabalhavam infiltrados no morro foram identificados pelos traficantes comandados pelo chefão “Playboy” (Cauã Reymond). Os policiais se escondem no subsolo de uma pizzaria, que funcionava como uma espécie de QG da operação policial, e ficam esperando o resgate – ou a chegada dos traficantes. Essa espera angustiante dá margem a um forte clima de tensão que predomina no filme do começo ao fim. As cenas são fortes e realistas, com muita violência explícita e linguajar chulo e agressivo. Não é, portanto, um entretenimento dos mais agradáveis. Mas não há dúvida de que Belmonte conseguiu compor um retrato fiel de como se vive numa verdadeira selva humana. O elenco é muito bom: além de Reymond, trabalham Gabriel Braga Nunes, Caio Blat, Otávio Muller, Milhem Cortaz, Antonio Fagundes, Marcelo Melo Jr. e Mariana Nunes, entre outros.  

sexta-feira, 11 de julho de 2014

“Presa na Escuridão” (“Penthouse North”), 2013, EUA, direção de Joseph Ruben (“Dormindo com o Inimigo”). A história é a mesma de outros filmes de suspense que utilizaram o mesmo tipo de enredo. Mulher cega em apartamento sendo atacada por um maníaco. No caso deste, porém, a cega é atacada por dois psicopatas sádicos e violentos. A história começa com a repórter fotográfica Sara Frost (Michelle Monaghan) em missão no Afeganistão. Ela é vítima da explosão de uma bomba e fica cega. O filme pula três anos e ela está morando com o namorado Danny (Trevor Hayes) numa luxuosa cobertura em Nova Iorque. Ela não sabe, porém, que o namorado ficou rico no mundo do crime e está sendo procurado por seus dois ex-parceiros, Hollander (Michael Keaton) e Chad (Barry Sloane). Eles acham o endereço e vão querer vingança, além de uma fortuna em diamantes que Danny ficou de dividir e não dividiu. Sara, que não tem nada a ver com a história, vai passar maus momentos com a dupla de maníacos. O filme até que funciona como suspense, tem ritmo e ação constantes, além de uns bons sustos. Mas quem vai gostar mais do filme são os arquitetos, pois a cobertura é nada menos do que espetacular.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

“Unidas pela Vida” (“Decoding Annie Parker”), 2012, EUA, é um drama baseado em fatos reais dirigido por Steven Bernstein. Conta duas histórias interligadas, ambas envolvendo a temática do câncer de mama, a partir dos anos 60. A primeira apresenta a trajetória da doença na família de Annie Parker (a atriz inglesa Samantha Morton), cuja avó, a mãe e a irmã mais velha morreram em consequência desse tipo de câncer. A segunda mostra os estudos desenvolvidos durante anos pela equipe de pesquisadores da Universidade Berkeley, da Califórnia, chefiada pela geneticista Marie-Claire King (Helen Hunt), que culminaram com a descoberta do BRCA1, gene do câncer da mama. O enfoque principal do filme, porém, é a vida de Annie Parker, seu casamento, suas perdas afetivas e seu drama com a doença. Ela sofre muito e não se entrega. Ao mesmo tempo, é capaz de encarar a doença com algumas tiradas bem humoradas, o que minimiza – e muito – o aspecto dramático do filme, valorizado ainda mais pelos ótimos desempenhos de Samantha Morton e Helen Hunt. Entretenimento dos mais interessantes, tanto sob o ponto-de-vista científico como humano.  
“Salvo – Uma História de Amor e Máfia” (“Salvo”), 2012, dirigido por Fabio Guassadonia e Antonio Piazza, é um drama italiano centrado no assassino profissional Salvo Mancusso (o ator de origem árabe Salen Bakri), contratado por um chefão da Máfia para assassinar um desafeto. Quando chega à casa do seu alvo, Salvo dá de cara com a irmã da vítima, uma moça cega, Rita (Sara Serraiocco). Numa longa e tediosa cena, Salvo anda pela casa um tempão até achar sua vítima. Depois de matá-la, vai atrás de Rita, mas não tem coragem de executar a moça. Então, a leva para o galpão de uma fábrica abandonada, onde a manterá prisioneira. De vez em quando, ele leva comida para a moça, que, de forma inexplicável, volta a enxergar. O chefão mafioso descobre que Salvo não matou a moça e vai atrás dele e dela com seus capangas. Ao contrário do que poderia se esperar de um enredo envolvendo a Máfia, este é terrivelmente arrastado e sonolento, com poucos diálogos, filmado em ambientes sombrios e atores que não conseguiriam passar num teste para “Malhação”. O filme recebeu o Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2013, mais um absurdo do mundo dos festivais. Eu daria um prêmio do tipo "Abacaxi do Ano".  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

“Tudo por um Furo” (“Anchorman 2: The Legend Continues”), 2013, dirigido por Adam Mckay, é besteirol puro. Nada a se levar muito a sério, tudo politicamente incorreto, incluindo piadas infames, escatológicas e de cunho racista. O filme é a continuação de “O Âncora – A lenda de Ron Burgundy”, realizado há uma década. A história gira em torno de Ron Burgundy (Will Ferrel), a grande estrela dos telejornais de San Diego. Depois de perder o emprego, ele estava trabalhando no Sea World como apresentador de shows de orcas e golfinhos. Em 1980, onde se situa o filme, ele recebe uma proposta para ser o “âncora” de um dos programas de jornalismo de uma nova emissora em Nova Iorque, a GNN, cuja proposta é apresentar notícias durante as 24 horas do dia – alusão clara à  CNN, fundada naquele mesmo ano por Ted Turner. Ron forma uma equipe com seus antigos companheiros Champ (David Koechner), Brick (Steve Carell) e Brian (Paul Rudd), abobados a nível psiquiátrico. Com seus métodos inovadores e sensacionalistas, eles farão um tremendo sucesso na GNN. Atores e atrizes famosos toparam participar da brincadeira (o filme todo é uma grande brincadeira), em rápidas aparições, como Harrison Ford, Marion Cotillard, Will Smith, Liam Neeson, Vince Vaughn, Sacha Baron Cohen, Kirsten Dunst, Tina Fey e outros. Quem curte o gênero besteirol vai gostar e se divertir.

terça-feira, 8 de julho de 2014

“Uma Juíza sem juízo” (“9 mois Ferme”), 2012, é uma comédia francesa dirigida por Albert Dupontel, que também escreveu o roteiro e é um de seus principais protagonistas. Foi um grande sucesso de bilheteria na França, com mais de 2 milhões de espectadores. A juíza do título é Ariane Feldier (Sandrine Kiberlain), que aos 40 anos acaba de ser indicada para ocupar um cargo importante no Tribunal de Justiça da França. Ela trabalha demais, é rigorosa nas sentenças e muito conceituada entre os colegas. No plano pessoal, porém, é uma mulher sozinha, solteira e muito recatada. Isso tudo vai mudar quando, na festa de final de ano do Tribunal, ela toma umas doses de champanhe a mais e acorda no dia seguinte sem lembrar o  que aconteceu. Meses depois, descobre que está grávida, mas não sabe como nem de quem. Ela inicia uma investigação particular para descobrir quem é o pai da criança e chega à conclusão que é Bob Nolan (papel de Dupontel, o diretor), um assaltante envolvido num caso em que ela é a juíza. Ou seja, vai virar uma confusão total. O filme tem algumas cenas muito engraçadas, mas perde um pouco o ritmo do meio para o final. De qualquer forma, é uma boa pedida para distrair. Um detalhe curioso é a participação do ator Jean Dujardin (“O Artista”), fazendo uma paródia dos tradutores para surdos (aqueles que aparecem no canto direito da TV). Sandrine Kiberlain, como sempre, está ótima. É daquelas atrizes versáteis que tanto atuam com competência em comédias como em dramas. Uma Meryl Streep francesa.