sábado, 1 de março de 2014

“Joséphine” é uma comédia romântica francesa de 2013, dirigida por Agnès Obadia. Joséphine (Marilou Berry) chega aos 30 anos de idade frustrada por odiar seu trabalho, por não ser bonita, detestar sua bunda grande, o que no Brasil lhe renderia o apelido de popozuda, e ainda por não ter namorado. Só um amante de um dia por semana, e ainda por cima casado.  Ela mora sozinha e seu único consolo é ter ao seu lado o gato de estimação “Brad Pitt”. Joséphine morre de inveja da irmã Diane (Alice Pol), alta, bonita, porte de modelo e que está noiva. No almoço da família em que Diane anuncia seu casamento, Joséphine não deixa por menos: inventa que vai se casar com um médico-cirurgião brasileiro chamado Marcelo. Para desespero de Diane, as atenções e as felicidades acabam sendo dirigidas para Joséphine, satisfeita por estragar a surpresa da irmã. Essa alegria, porém, vai durar pouco. Os amigos mais próximos lhe dão de presente uma passagem para o Brasil. E agora, o que fazer?  Joséphine vai ter que se virar para manter a história do casamento com o cirurgião. Em meio a esse problema, ela ainda se apaixona pelo antigo chefe Gilles (Mehdi Nebbou). “Joséphine” é uma comédia leve e divertida, um bom programa para rir e relaxar.  

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

“Capitão Phillips” (“Captain Phillips”) é daqueles filmes do tipo super bonder: você não consegue desgrudar da poltrona.  Um filmaço. Conta a história verídica do sequestro do cargueiro “Maersk Alabama” por piratas somalianos, em 2009. Embora naquela época fosse muito comum esse tipo de ataque na costa da Somália, não houve uma preocupação maior com a segurança do navio e de sua tripulação, comprovada pela invasão por parte de apenas quatro piratas somalianos. No mínimo, o navio deveria ter homens armados de prontidão. Mas isso já é outra história. Entre as tentativas dos piratas em invadir a embarcação, a chegada da cavalaria e o desfecho final, a ação e o suspense estão garantidos o tempo todo. As cenas das tentativas de invasão do navio são ótimas. O embate psicológico entre o Capitão Richard Phillips (Tom Hawks) e o chefe dos piratas, Muse (Barkhad Abdi), é um dos trunfos desta excelente produção norte-americana de 2013. O diretor inglês Paul Grengrass é mestre nesses filmes. É só lembrar de “O Ultimato Bourne” (2007), “A Supremacia Bourne’” (2004), “Zona Verde” e, principalmente, “United 93”, este sobre um dos aviões sequestrados nos atentados de Setembro/2011. Com exceção de Tom Hanks e Catherine Keener, que faz a mulher do capitão e aparece apenas durante alguns segundos no começo, o elenco não tem atores muito conhecidos.  O filme é mesmo de Tom Hanks e de Barbhad Abdi, este último um achado. O filme é baseado no livro "A Captain's Duty: Somali Pirates, Navy Seals and Dangerous Days at Sea", escrito pelo verdadeiro Capitão Richard Phillips. Antes de assistir, prepare um sacão de pipoca e um suco de maracujina. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

 

“Confissões de um Jovem Apaixonado” (“Confession of a Child of the Century”) é um drama inglês de época baseado na novela “Confissões de um filho do Século”, escrita por Alfred de Musset. Conta a história do jovem Octave (Peter Doherty), que, logo no começo do filme, é traído pela namorada que tanto amava. A partir desse acontecimento, ele se entrega à vida mundana das festas com os amigos, incluindo orgias com prostitutas. Mas Octave continua carente de um amor, até que conhece a viúva Briggite (Charlotte Gainsbourg), pela qual se apaixona perdidamente e de forma até obsessiva. Demora muito até ela se entregar a essa paixão. Mas, quando se entrega, acaba agindo com a mesma obsessão dele. Ou seja, um casal emocionalmente desequilibrado. A linguagem afetada, pomposa, própria da época (1830) em que se passa a história, pode incomodar quem não está acostumado a assistir a esse gênero de filme. Para resumir, trata-se de um dramalhão romântico. Não se pode negar, porém, que as locações e a caracterização do vestuário são muito bem feitas. O filme foi produzido em 2011 e no ano seguinte foi indicado ao “Um Certain Regard Award” do Festival de Cannes.  

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

“O Quinto Poder” (“The Fifth Estate”), uma co-produção Bélgica/EUA de 2013, com direção de Bill Condon, mostra os bastidores das atividades do site WikiLeaks, fundado pelo jornalista australiano Julian Assange. Como se sabe, o site ficou mundialmente famoso ao revelar, em 2010, milhares de documentos secretos relacionados com a política externa dos EUA, incluindo estratégias militares, vídeos e telegramas enviados a embaixadas, o que foi considerado o maior vazamento de documentos da História.  Os fatos mostrados são baseados nos livros “Os Bastidores do WikiLeaks”, de Daniel Domschenit-Berg, que foi assistente de Assange, e ”WikiLeaks”, dos jornalistas David Leugh e Luke Harding. Embora grande parte da crítica não tenha gostado, o filme é bastante esclarecedor sobre os fatos que envolveram o WikiLeaks e ainda sobre a personalidade de Assange,  egocêntrico e manipulador, mas muito inteligente. O filme também foca a relação de Assange com seu principal assistente, Daniel, que depois viria a se insurgir contra o chefe. O elenco, muito bom, é uma ONU: o ator inglês Benedict Cumberbatch (Assange), o alemão Daniel Brühl, a holandesa Clarice Van Houten, a sueca Alicia Vikander (de “O Amante da Rainha”), e os americanos Stanley Tucci e Laura Linney. Para quem quiser mais detalhes sobre um dos casos mais polêmicos deste século, o filme é obrigatório e muito interessante. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

“Como não perder essa Mulher” (“Don Jon”) é uma comédia norte-americana de 2013. Jon Martello (Joseph Gordon-Levitt) mora sozinho e é viciado em filmes pornográficos. Assistindo a eles, se satisfaz algumas vezes por dia. Quando sai com os amigos para a balada, sempre se dá bem, conquistando as garotas e saindo na mesma noite com elas. Até conhecer Bárbara (Scarlett Johansson), que se mantém firme e demora para chegar aos finalmente. Ele se apaixona, mas ela descobre que ele curte pornografia. Aí as coisas ficam difíceis para o casal. Em meio a isso tudo, Jon conhece Esther (Julianne Moore), mulher mais velha e muito mais liberal que Bárbara. Como já deu para notar, o filme inteiro gira em torno de sexo. Para Jon, o prazer alcançado vendo um filme pornô é melhor que uma transa real.  Apesar de sua vida fútil e um tanto promíscua, Jon tem um forte lado religioso. Vai à missa todos os domingos com os pais e costuma se confessar. E faz musculação rezando a Ave Maria e o Pai Nosso. Esse filme marca a estreia de Gordon-Levitt como diretor. Ele também assina o roteiro. Não foi à toa, portanto, que Jon tem várias cenas tórridas com Scarlett Johansson, que nesse filme está menos insossa e mais solta e sexy. Não que o filme seja ruim, mas ouvir todo mundo falando sobre sexo o tempo inteiro cansa. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

É bom poder rever alguns filmes que nos encantaram num passado recente e que merecem recomendação e uma nova espiada. Um deles é “O Tango de Rachevsky” (“Le Tango des Rachevsky”), filme belga de 2003, lançado nos cinemas daqui somente em 2007. Todo o enredo gira em torno dos integrantes da família Rachevsky, nem todos adeptos da religião judaica. Nina (Tania Garbarski), neta da matriarca Rosa, só aceita namorar com um judeu. Antoine (Hippolyte Girardot) é apaixonado por ela e quer namorá-la, mas não é judeu. Resolve, então se converter, o que vai provocar as situações mais engraçadas do filme. Outro personagem marcante é tio Adolfo (Nathan Cogan), um velhinho simpático que todos adoram. Ele, porém, descarta o judaísmo ortodoxo. Seu irmão, Sammy, é rabino e mora em Israel, depois de abandonar a esposa (Rosa) e os dois filhos. Com muito humor, o filme vai mostrar todos esses relacionamentos da família Rachevsky. Inclusive o de um neto da matriarca com uma jovem palestina. E onde entra o tango nessa história? Quando ocorria alguma desavença na família, colocava-se um tango e todo mundo dançava. Receita da matriarca Rosa, que adorava a música argentina. É com um tango, aliás, que Antoine consegue seduzir Nina, e não com sua conversão. O filme é muito alegre e divertido. E torna-se mais interessante ainda ao mostrar algumas das mais importantes tradições judaicas. Quem ainda não viu não pode perder. 
“Pânico na Torre” (“Ta-weo”), 2012. Para quem curte o gênero “disasters movies”, esta produção sul-coreana vai agradar. E muito. A história: uma grande festa está sendo organizada para a véspera de Natal para comemorar a inauguração das duas torres gêmeas (102 andares cada uma) do complexo Tower Sky, o mais luxuoso de Seul. Centenas de convidados estão sendo esperados. O filme começa mostrando os preparativos para o evento, incluindo uma severa inspeção por parte da segurança das torres. O diretor Ji-Hoon Kim intercala histórias de alguns personagens que terão papel fundamental no enredo com outras envolvendo os bombeiros da cidade que mais tarde serão convocados para combater o incêndio que atingirá uma das torres. Antes do início dos fatos que causarão uma grande tragédia, com muitas mortes e destruição, o filme tem uma levada de comédia, o que garante boas risadas. Mas, a partir do acidente que provoca o incêndio, o filme é ação e suspense até o final. As cenas são muito bem feitas, assim como os efeitos especiais. Vale a pena conferir, pois é um ótimo entretenimento para toda a família. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014


A história de Philomena”, produção inglesa de 2013 dirigida por Stephen Frears, é realmente incrível. Ainda mais por ser baseada em fatos reais. Muito jovem, a irlandesa Philomena Lee (Judi Dench) engravida do namorado. Enviada a um convento, ela dá à luz a um menino, Anthony, que por volta dos quatro anos é adotado por um casal de norte-americanos e levado para os EUA – na época, soube-se depois, 2.200 crianças irlandesas tiveram o mesmo destino. Ano após ano, inconformada, Philomena voltaria ao convento inúmeras vezes para tentar descobrir o destino do seu filho, mas nunca teve sucesso. Em 2002, já enfermeira aposentada morando em Londres, ela conhece o jornalista Martin Sixsmith, que na ocasião estava desempregado. Ela conta sua história e, meio a contragosto, Martin resolve ajudar Philomena a descobrir o destino do filho, busca que vai levá-los à Irlanda e aos EUA. As revelações vão acontecendo e Martin chega à conclusão que tem uma grande história nas mãos, o que se confirmaria com um livro e, agora, com um grande filme. O comediante Steve Coogan, que também escreveu o roteiro e co-produziu, interpreta o jornalista. Mas o show mesmo é de Judi Dench. Não se pode perder um filme como “Philomena”.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014


“Jovem e Bela” (“Jeune & Jolie), 2013, é mais um ótimo drama do diretor francês François Ozon, que recentemente já nos havia presenteado com o suspense “Dentro da Casa”. Agora, Ozon conta a história de uma jovem de 17 anos, Isabelle (Marine Vacth), que, depois de perder a virgindade nas férias de verão, resolve trabalhar como prostituta de luxo, atividade que intercala com as aulas. A maioria dos seus clientes é formada por homens muito mais velhos. Seu preferido é Georges (o ator belga Johan Leysen), que tem idade para ser seu avô. Será justamente por causa dele que a família de Isabelle descobrirá sua atividade, digamos, “extracurricular”. Não há como não lembrar do enredo de “A Bela da Tarde” (1967), clássico de Luis Buñuel, com Catherine Deneuve. Bem casada com um médico (Jean Sorel), ela também passa as tardes com clientes de cama. No caso de Isabelle, porém, o conflito após a descoberta será com a mãe Sylvie (Géraldine Pailhas). Como agir com uma filha que entra para essa vida? Melhor ver o filme, valorizado ainda mais pelo trabalho espetacular dessa jovem e bela atriz Marine Vacth. Ainda de Ozon, não deixe de assistir também  "Swimming Pool" (2003), "O Refúgio" (2009), "Potiche, Esposa Troféu" (2010) ou qualquer outro que leve a sua assinatura. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vem da Estônia (co-produção com a Geórgia) esta pérola de filme: “Tangerinas” (“Mandariinid”), de 2013. Tanto o filme quanto seu diretor, Zaza Urushadze, receberam prêmios em vários festivais de cinema. A história: quando estoura a guerra entre os separatistas da Abecásia e as forças da Geórgia (1992/1993), os estonianos que habitavam desde o Século 19 várias aldeias na Abecásia (região do Cáucaso) fogem em massa de volta para a Estônia. Ivo (Lembit Ulfsak) e seu sócio Markus (Elmo Nüganen), donos de uma plantação de tangerinas, resolvem ficar para recolher a última safra. Um dia, porém, bem em frente à plantação, uma van com soldados georgianos intercepta um jipe com dois mercenários que lutam pelos separatistas. Depois de um intenso tiroteio, vários combatentes morrem e sobram dois feridos: um dos mercenários, de origem chechena, e um georgiano. Ou seja, inimigos mortais. Ivo presta os primeiros socorros aos dois feridos e depois os leva para casa, colocando-os em quartos separados. Utilizando-se de muita sabedoria e psicologia nas conversas com os dois feridos, Ivo vai administrar e controlar um possível conflito entre os dois. É nesses diálogos, inclusive entre o georgiano e o checheno - ácidos, bem-humorados e sensíveis -, que o filme adquire seu encanto e sua força maior. A presença arrebatadora do ator Lembit Ulfsak,  como Ivo, é um dos maiores trunfos dessa pequena obra-prima do cinema. Um filme mais do que imperdível, obrigatório!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Este é mais um aviso do que um comentário: não assista “Heli”, drama mexicano de 2012. A não ser que você curta os mais sórdidos tipos de violência não apenas contra seres humanos, mas também contra animais. Tem cachorro morto a tiros, outro estrangulado, cadáveres pendurados em ganchos, enforcamento em passarelas de estrada, torturas com crianças assistindo e vai por aí afora. Quando foi exibido no Festival de Cannes de 2013, muita gente saiu da plateia horrorizada e revoltada com as cenas de violência. E não é que, no mesmo festival, Amat Escalante recebeu o prêmio de Melhor Diretor por esse filme? Não dá para entender. Aliás, dá sim, pois de um festival que premia com a Palma de Ouro filmes execráveis como “Árvore da Vida” (2011) e “Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas” (2010) pode se esperar qualquer absurdo. Eu me recusei a continuar assistindo. Parei no meio com o estômago embrulhado. Essa monumental excrescência só pode ter sido produzida para agradar psicopatas, sádicos e maníacos. Não se engane com a singeleza da foto da capa do DVD. A menina tem 12 anos e vai se envolver com um soldado traficante. Depois disso tudo, vai querer assistir?  
“O Lobo de Wall Street” (“The Wolf of Wall Street”), dirigido por Martin Scorsese, é um filme bastante desagradável de assistir. É preciso estômago forte para ver, durante três horas, num ritmo alucinante, inúmeras cenas de orgias sexuais, consumo quase ininterrupto de drogas, diálogos verborrágicos e histéricos e uma verdadeira aula de como ganhar dinheiro enganando milhares de pessoas honestas. A história é baseada no livro de memórias de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor de títulos em Wall Street que no final dos anos 80, começo dos 90, ficou milionário à frente da empresa Stratton Oakmont, responsável por fraudes milionárias no mercado de ações. O escândalo abalou Wall Street, Belfort acabou preso e, para ter sua pena diminuída, entregou os colegas de empresa. O filme começa com Belfort, aos 22 anos, ingressando numa corretora de Wall Street. Ele ganha um mentor na figura de um dos sócios da firma, Mark Hanna (Matthew McConaughey), que o ensina a aplicar as mais sórdidas estratégias para ganhar dinheiro explorando investidores inocentes. Depois de seis meses, Belfort arruma um sócio, Danny Porush (Jonah Hill), e resolve fundar sua própria corretora, a Stratton Oakmont. À base de cocaína, consumida aos potes no próprio escritório, Jordan e seus corretores ganham milhões, numa ascensão vertiginosa, assim como será sua queda. E viva o American Dream!  E por falar em sonho, reparem na atriz inglesa Margot Robbie, que faz Naomi, segunda mulher de Belfort. Além de tudo, ela ainda trabalha muito bem.                                     

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

“Bebê de Outubro” (“October Baby”), EUA, 2011, dirigido por Jon e Andrew Werwin, é um drama sensível que trata de vários temas polêmicos como aborto, família, adoção, culpa, paternidade e perdão. Tem um pano de fundo religioso, mas enfoca todos esses assuntos com extrema leveza e sensibilidade. Enfim, um filme que nos motiva a fazer uma reflexão sobre o nosso modo de agir e pensar. Hannah (a bela Rachel Hendrix) tem 18 anos e saúde bastante frágil. Sofre de asma, já fez diversas cirurgias no quadril e, ainda por cima, é epilética. Numa conversa com o médico da família, junto com os pais, descobre que seus problemas de saúde provavelmente tenham ligação com o fato de ter nascido prematuramente. Para jogar mais lenha na fogueira do drama, Hannah também descobre que seus pais não são os biológicos. Aí ela entra em crise, briga com os pais adotivos e sai em busca dos pais biológicos. Para isso, parte com alguns amigos para uma longa viagem. Durante essa busca, Hannah vai descobrir outros segredos que mudarão o seu modo de pensar. Um filme bonito, sensível, merece ser assistido por toda a família

domingo, 16 de fevereiro de 2014

“O Quarto das Borboletas” (“The Butterfly Room”), uma produção EUA/Itália de 2012, é um suspense de terror que conta a história de Anna (Barbara Steele), uma senhora elegante que mora sozinha num apartamento. Ela é solitária e misteriosa. Num dos quartos, preserva uma grande coleção de borboletas, sua única distração. Anna só recebe as visitas de Julie (Ellery Sprayberry), uma menina que é sua vizinha, e de Alice (Julia Putnam), outra menina que conhecera num shopping center. Ao longo desses dois relacionamentos, que vão envolver ainda as mães das meninas, Anna aos poucos vai revelando sua verdadeira personalidade maligna, o que inclui algumas mortes e cadáveres no poço do elevador. A atriz Barbara Steele é bastante conhecida por ter atuado em diversos filmes de terror na década de 60 e 70, incluindo alguns do diretor Roger Corman. Chegou a fazer um pequeno papel no clássico ”Oito e Meio” (1963), de Federico Fellini. Dirigido por Jonathan Zarantonello, “O Quarto das Borboletas” não passa de um terror B, mas consegue manter um certo suspense e dar alguns sustos, mais pela interpretação de Barbara do que pelo próprio filme.        
Finalmente, em meio a tanta mediocridade, surge um filme inteligente, sensível e divertido. “Questão de Tempo” (“About Time”), 2013, é uma comédia romântica britânica dirigida por Richard Curtis (“Um lugar chamado Notting Hill”, “O Diário de Bridget Jones”). Ao completar 21 anos de idade, o jovem Tim (Domhanall Gleeson) recebe do pai Dad (o ótimo Bill Nighy) a notícia de que pode voltar no tempo, tradição que envolve os homens da família há gerações. Para isso, basta entrar num lugar fechado e escuro, fechar os olhos e as mãos e escolher o dia e o local. É claro que ele fica desconfiado, pensando que o pai está brincando. Tim resolve comprovar a história e, para sua surpresa, a magia funciona. Ele resolve então fazer o teste com a prima Charlotte (a belíssima Margot Robbie, que também está em “O Lobo de Wall Street”), por quem está apaixonado. Depois do teste, frustrante, ele vai para Londres morar com um amigo do pai, o dramaturgo e mal-humorado Harry (Tom Hollander), dono de algumas das "tiradas" mais engraçadas do filme. Na capital inglesa, acaba conhecendo Mary (a gracinha Rachel McAdams), o que vai mudar radicalmente sua vida. O final é muito bonito e, com certeza, vai emocionar os mais sensíveis. Além da história bem elaborada, o elenco é de primeira linha. Domhannal dá conta do recado como um Tim meio feio, meio charmoso, meio atrapalhado, mas muito engraçado. “Questão de Tempo” é puro entretenimento. Simplesmente imperdível!     
Baseado num conto escrito por James Thurber e publicado em 1937 pela Revista New Yorker, “A Vida Secreta de Walter Mitty” (“The Secret Life ofd Walter Mitty”), 2013, não engrena e se arrasta por 125 minutos contando a história de Walter Mitty (Ben Stiller, que também é o diretor), responsável pelo arquivo e revelação de fotos da Revista Life. Prestes a se transformar apenas em edição on-line (como aconteceu com a verdadeira em meados da década passada), a revista prepara-se para produzir sua última edição impressa. A foto de capa deverá ser o negativo de nº 25, escolhido entre os vários enviados pelo fotógrafo Sean O’Connell (Sean Penn). Sem uma explicação no mínimo razoável, Walter parte mundo afora em busca do fotógrafo, indo parar no Himalaia, depois de passar pela Groelândia e pela Islândia. Tudo, é claro, fruto da imaginação dele. Por longos e entediantes minutos, você estará assistindo a um tipo de documentário do National Geographic Channel – pelo menos as imagens são bonitas. A maioria dos diálogos não tem o mínimo nexo. Fora a bonita e sensível mensagem final revelada pela foto de capa, associada à razão do sucesso da verdadeira revista – impossível comentar para não estragar a surpresa -, o filme é bastante decepcionante. Faltou ritmo de ação para um filme que pretendia ser de aventura.   

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

É claro que a ideia foi trazer de volta e reunir para relembrar dois personagens míticos do mundo do boxe que fizeram o maior sucesso no cinema nas décadas de 70 e 80: Rocky Balboa (Silvester Stallone), de “Rocky, um Lutador”, e Jake La Motta (Robert De Niro), de “Touro Indomável”. Só que na comédia “Ajuste de Contas” (“Grudge Match”), de 2013, dirigida por Peter Segal, De Niro é Billy “The Kid” McDonnen e Stallone é Henri “Razor” Sharp. Ex-campeões mundiais dos pesos meio-pesados, agora beirando os setenta, eles vão encarar uma revanche que poderia ter sido realizada mais de 30 anos atrás, mas não foi por desistência de Sharp. Embora fisicamente em forma para suas idades, De Niro e Stallone deixam a desejar no quesito “estética facial". De Niro está bem melhor, mas Stallone lembra aquelas pessoas que aparecem em programas médicos de TV a Cabo do tipo “A Plástica deu Errado”. Ah, e continua falando como se tivesse um ovo cozido inteiro na boca. Kim Bassinger, porém, continua um assombro. Além de estar em ótima forma, continua muito bonita e charmosa. A comédia é bem legal, reforçada pelo ótimo Alan Arkin como o técnico de “Razor”. Na luta final, Stallone e De Niro também dão conta do recado no ringue.  Diversão garantida!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Robert De Niro, Michael Douglas, Kevin Kline e Morgan Freeman. Esse verdadeiro quarteto fantástico de atores comanda o elenco da comédia “Última Viagem a Vegas” (“Last Vegas”), dirigida em 2013 por Jon Turtelbaub. Billy (Douglas), Archie (Freeman), Paddy (De Niro) e Sam (Kline) são amigos desde a infância no Bairro do Brooklyn (New York). Cresceram e cada um tomou seu rumo, mas mantiveram a amizade, alimentada por telefonemas e encontros esporádicos. Agora, todos setentões, resolvem ir a Las Vegas para a despedida de solteiro de Billy, que vai casar com uma mulher 40 anos mais jovem. Quando um telefona para o outro para combinar a viagem, quem recebe o telefonema pergunta de cara: “Desta vez foi a próstata?” ou “Já sei, teve um infarto...”. Em Las Vegas, eles vão se divertir muito durante todo um final de semana, em baladas, jogatinas e até como jurados num concurso de meninas de biquíni. Lá, conhecem a crooner de boate Diana (Mary Steenburgen), pela qual Billy e Paddy vão se apaixonar (um replay do que aconteceu com os dois quando eram jovens). A graça maior da comédia está nos diálogos entre os quatro amigos, cujo bom humor consegue colocar de lado as agruras da velhice. Dá pra perceber que os atores também estão se divertindo, o que torna a comédia ainda mais engraçada.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Theodore (Joaquin Phoenix) é o personagem principal do filme “Ela” (“Her” no original – vai entender a tradução...), de 2013. A história é situada numa Los Angeles de um futuro próximo (20, 50, 100 anos?). Ele é escritor de cartas para os outros – ao estilo de Fernanda Montenegro em “Central do Brasil”, só que pela Internet. Numa fase terrível de baixo astral em virtude do processo de divórcio, Theodore tenta conhecer alguém em chats de bate-papo, mas acaba desistindo. Resolve, então, adquirir e instalar em seu computador um sistema operacional cujo pacote compreende a voz de uma mulher, Samantha (Scarlett Johansson, que infelizmente não aparece). Papo vai, papo vem, ele acaba se apaixonando perdidamente pela tal Samantha, a ponto de recusar duas transas com lindas mulheres (uma delas interpretada por Olivia Wilde). Theodore passa 90% do filme conversando com a tal voz. Imagine a chatice. Um dia, num ataque de ciúme, ele pergunta a Samantha se ela conversa com mais alguém. Ela responde que conversa com mais de 8 mil. “Você se apaixonou por  alguém?”, ele pergunta. Meio sem jeito, ela responde: “Por 641”. E por aí vai... Os cenários futuristas até que são interessantes. Não me surpreendi pela esquisitice do filme, já que o diretor Spike Jonze é especialista no assunto, vide “Adaptação” e “Quero ser John Malkovich”.  Que me desculpem os críticos profissionais, que adoram Jonze e elogiaram “Ela”, mas minhas reações durante o filme não passaram de alguns sonoros bocejos... 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

“A Última Gangue” (“Le Dernier Gang”), de 2007, dirigido por Ariel Zeitoun, é um filme de ação francês que conta a história real da “Gangue das Perucas”, que nos anos 80 praticou inúmeros assaltos a bancos em Paris. O nome “Gangue das Perucas” é por causa dos disfarces que utilizavam durante os roubos. O chefe da quadrilha era Simon (Vincent Elbaz), que começou no crime nos anos 70, junto com alguns amigos, praticando pequenos furtos no Bairro de Belleville. Quando foi preso, ele conheceu na cadeia o marginal Casa (Sami Bouajila). Quando foram soltos, ambos resolvem montar uma gangue para assaltar bancos. De 81 a 86, a quadrilha praticou inúmeros assaltos e sempre conseguia despistar a polícia. O filme tem ainda o romance de Simon com Julie (Clemence Poesy). Mesmo sabendo da vida de Simon, ela continua apaixonada, o que configura um típico amor bandido. A caçada policial é comandada por Milan (Gilles Lellouche). O filme é bem feito, conta com um ótimo elenco, tem muita ação e alguns momentos de humor, comprovando que os franceses também sabem fazer bons filmes policiais e de ação.   

domingo, 9 de fevereiro de 2014

“A Vida durante a Guerra” (“Life during Wartime”), EUA, 2009, leva a assinatura do diretor Todd Solondz (“Felicidade”, “Bem-Vindo à Casa de Bonecas”, “Palíndromos”). Trish Jordan (Allison Janney) é a mãe de três filhos, um deles na universidade, cujo marido Bill (Clarán Hinds) está preso por pedofilia. Para os menores, ela contou que o pai havia morrido. Enquanto isso, sua irmã Joy (Shirley Henderson) convive e conversa com os fantasmas de dois ex-namorados, enquanto a terceira irmã escreve roteiros para Hollywood. Timmy (Dylan Riley Snyder), filho do meio de Trish, descobre que o pai está vivo e ainda por quê foi preso. Timmy é o responsável pelos melhores diálogos do filme, principalmente quando tenta entender os atos do pai pedófilo e o mundo em que vive. Com tanta coisa acontecendo, parece que o filme é uma miscelânea, mas não. Pelo contrário, o roteiro é muito bem elaborado (ganhou o Prêmio de  Melhor Roteiro no Festival de Veneza em 2010), os diálogos são inteligentes e o elenco é ótimo, com destaque para Allison Janney, Shirley Henderson e Charlotte Rampling, sensacional como a mulher de meia idade que seduz Bill num hotel. Quem não viu os outros filmes de Solondz, principalmente “Felicidade”, pode estranhar o seu estilo. Ele gosta de chocar com as atitudes de seus personagens desequilibrados, mas de uma forma que deixa seus filmes muito interessantes.    

sábado, 8 de fevereiro de 2014

“Frauensee” (“Womans Lake”) é um drama alemão de 2012, dirigido por Zoltan Paul, que conta a história do romance de duas quarentonas, Rosa (Nele Rosetz), uma pescadora na zona campestre ao norte de Berlim, e Kirsten (Therese Hämer), uma arquiteta de sucesso que passa os finais de semana em sua bela casa à beira do lago onde Rosa pesca. O caso das duas, que já dura um ano e meio, vai bem até a chegada de duas jovens berlinenses que também formam um casal. Elas são convidadas a se hospedar na casa de Kirsten. Uma delas, Evi (Lea Draeger), joga seu charme pra cima de Rosa, que não rejeita o assédio. Aí a coisa se complica e vai deixar o ambiente pesado. As poucas cenas de sexo são feitas com bom gosto, sem apelação. A fotografia, baseada em imagens do lago, é muito bonita, mas não salva o filme.